4. RESULTATER
4.2 Kompetanseutviklingsbehov
Face aos resultados obtidos para a AFM1, a AF e a OTA e à legislação em vigor, os limites máximos impostos no Regulamento n.º 1881/2006 dão garantias de segurança para os consumidores, pois são de tal forma valores conservadores que permitem pressupor que todos os alimentos que apresentam concentrações dentro desses limites podem ser ingeridos diariamente em segurança.
Um reforço deste pensamento consiste na taxa de 100% de conformidade nos ensaios de micotoxinas para cereais e leite no âmbito do PNCA, bem como pela análise das 6187 notificações no RASFF entre janeiro de 2016 e junho de 2017, onde apenas 5,4% das amostras de cereais e produtos derivados e 0,3% das amostras de leite e produtos lácteos tiveram concentrações superiores aos teores máximos permitidos pela legislação europeia.
Quanto ao DON e à ZON, detetou-se risco às suas exposições. Relativamente ao DON, a exposição dos consumidores médios de 1 a 3 anos foi de mais 0,80 µg/ Kg pc/ dia em contraste com o limite de segurança de 1 µg/ Kg pc/ dia. Na mesma faixa etária, os grandes consumidores estiveram expostos a mais 3,07 µg/ Kg pc/ dia do limite seguro. De 4 a 9 anos, os médios consumidores estiveram expostos a mais 0,67 µg/ Kg pc/ dia e os grandes consumidores a mais 2,65 µg/ Kg pc/ dia. No grupo de 10 a 16 anos, os grandes consumidores também estavam em risco com uma exposição excedente de 1,71 µg/ Kg pc/ dia.
Para a ZON, os grandes consumidores, face ao limite seguro de 0,25 µg/ Kg pc/ dia, estiveram expostos a mais 0,04 µg/ Kg pc/ dia (grupo de 1 a 3 anos) e 7,5 x 10-5 µg/
Kg pc/ dia (grupo de 4 a 9 anos).
Verificando-se que os níveis de exposição foram inversamente proporcionais à idade dos indivíduos, foram aplicados testes estatísticos por grupos etários a todas as micotoxinas em estudo. Logo, no sentido de perceber se existia igualdade das distribuições das exposições de cada micotoxina nos três grupos etários, aplicou-se o teste de Kruskal-Wallis através do software IBM SPSS Statistics 20. Este teste foi escolhido porque nem todas as variáveis seguiam a normalidade pelo teste de Shapiro- Wilk com α = 0,05. Assim, comparando as exposições das três faixas etárias, verificou- se que apenas a exposição à AFM1 não varia nos três grupos etários (Sig. = 0,284; α = 0,05). Para as restantes micotoxinas (AF, OTA, DON e ZON), verificou-se variação em pelo menos um grupo etário.
Assim, para estas quatro últimas micotoxinas, foi necessário comparar os grupos etários dois a dois para perceber onde se verificavam desigualdades nas exposições. Os grupos de 1-3 anos e de 4-9 anos foram testados pelo teste t para duas amostras independentes, sendo que previamente foram verificados os requisitos de normalidade
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pelo teste Shapiro-Wilk (α = 0,05) e de homogeneidade de variâncias pelo teste Levene (α = 0,05). Com um nível de significância de 5%, o teste t demonstrou que não existiam diferenças significativas entre as médias das exposições para as faixas etárias de 1-3 anos e de 4-9 anos. Quanto às comparações com o grupo de 10-16 anos, recorreu-se ao teste Mann-Whitney, uma vez que não se verificou a normalidade da variável pelo teste Shapiro-Wilk (α = 0,05). Com um nível de significância de 5%, o teste de Mann- Whitney verificou, para as quatro micotoxinas, que as exposições não eram iguais nem às do grupo de 1-3 anos nem às do grupo de 4-9 anos. Concluiu-se, portanto, que o grupo de 10-16 anos se destacou dos outros dois em todas as exposições, o que pode reforçar a ideia de que, efetivamente, o consumo face ao peso foi um fator crucial para definir o risco ou não das amostras em estudo, isto é: indivíduos mais novos, com menor peso corporal, têm um consumo alimentar que os pode colocar em risco face aos indivíduos mais velhos, cujo peso é maior.
No âmbito da avaliação de risco à exposição de contaminantes são considerados três fatores: consumo alimentar e peso corporal dos indivíduos e a concentração dos contaminantes nos alimentos. Ora, uma vez que os dois primeiros são inalteráveis, cabe efetuar modificações ao nível dos teores máximos admitidos de micotoxinas na legislação de forma a ajustar a exposição ao consumo alimentar e peso corporal.
Os cereais são a base da alimentação portuguesa, pelo que a sua contaminação se torna um problema sério, que necessita de ser alvo de ações abrangentes de monitorização e controlo e, adicionalmente, de legislação que estabeleça limites máximos permitidos. Assim, considera-se que os limites de DON e ZON deverão ser reconsiderados em Grupo de Trabalho para posterior comunicação de parecer científico à Comissão Europeia, uma vez que existe risco para crianças e jovens.
Embora se tenha definido que a maior contribuição da exposição às micotoxinas em estudo seja por via de pão, massas e arroz, há que salientar os benefícios associados a estes consumos. O consumo de cereais e leite é essencial para uma alimentação equilibrada, que permita um crescimento e desenvolvimento saudáveis. Assim, uma vez que o aparecimento de micotoxinas nos alimentos não pode ser completamente evitado e o consumo destes alimentos também não pode ser diminuído, a exposição combinada poderá ser minimizada através de medidas que proporcionem às crianças e aos jovens uma alimentação variada, evitando o consumo excessivo e repetitivo de um determinado alimento e variando o consumo e as marcas comerciais desses mesmos alimentos.
Quanto à aplicação do método de Monte Carlo e todo ciclo de cálculos associados, por via do software @Risk, constatou-se que o modo de utilização do software é acessível dada a complexidade dos cálculos.
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Relativamente à bibliografia analisada, percebeu-se que existem resultados contraditórios sobre os efeitos tóxicos, todavia há a considerar que os estudos sobre misturas ainda não estão harmonizados e, portanto, as condições dos estudos foram diferentes. Por exemplo, estudos indicam efeitos diferentes consoante é utilizado o modelo CA ou IA ou consoante as concentrações de micotoxinas analisadas (em alguns casos as misturas estudadas são de 50:50, enquanto noutros essas proporções não são equitativas).
Mais estudos toxicológicos sobre os potenciais efeitos tóxicos decorrentes das exposições combinadas a micotoxinas são necessários, todavia é indispensável que estes sejam harmonizados, nomeadamente ao nível de modelos matemáticos adequados para estes tipos de avaliações.
A nível europeu, seria interessante comparar as exposições aqui apresentadas com as exposições obtidas com os dados do consumo da UE, através dos dados que serão futuramente disponibilizados decorrentes do inquérito coordenado pela EFSA “O que está no Menu Europeu? (EU-Menu)”.
O atual nível de conhecimentos científicos e técnicos, assim como as melhorias introduzidas nas técnicas de produção e armazenamento, têm contribuído para uma redução das contaminações, como se verifica pela diminuição de notificações no Portal RASFF ao longo do tempo. Todavia, não é possível evitar ou eliminar completamente a presença de micotoxinas nos alimentos, pelo que, concluindo, se torna imprescindível a adoção de medidas preventivas adequadas de forma a reduzir o risco das exposições de DON e ZON para os consumidores, nomeadamente no que concerne à reconsideração dos teores máximos admitidos e aos hábitos alimentares.
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