• No results found

4. Resultater og drøfting av datainnsamling

4.3 Kompetanse

Em relação às investigações sobre estado da arte ou do conhecimento, muitos pesquisadores têm realizado pesquisas sistemáticas que enfocam o ensino na área de Ciências da Natureza. Entre esses estudos destacam-se os realizados por Megid Neto (1990), em Ensino de Física; Fiorentini (1994), em Educação Matemática; Pierson (1997), em Ensino de Física; Lemgruber (1999), em Ensino de Ciências Físicas e Biológicas; Slongo (2004), Teixeira (2008) e Oliveira (2011), em Ensino de Ciências Biológicas; Fernandes (2009), em Ensino de Ciências nas séries iniciais; e Francisco (2011), em Ensino de Química.

Megid Neto (1990) realiza um estado da arte das teses e dissertações em Ensino de Física no ensino médio com o intuito de analisar quais eram as principais abordagens do ensino desenvolvidas e discutidas nas pesquisas acadêmicas. Em sua pesquisa, o autor teve como meta

[...] identificar as tendências dessas pesquisas, especialmente quanto à titulação acadêmica obtida, grau de ensino envolvido, instituição, ano de defesa, orientador e temática pesquisada; analisar a relação entre as tendências identificadas; localizar e analisar as tendências dos problemas concebidos e tratados por essas pesquisas e suas relações com as tendências gerais das mesmas; identificar e analisar possíveis relações entre os problemas do Ensino de Física presentes nas pesquisas e as características gerais do ensino de Física no 2º grau. (MEGID NETO, 1990, p. 62).

De modo geral, o autor conclui que até aquele momento, em 1987, as pesquisas analisadas em nível de pós-graduação pouco contribuíram para a melhoria do ensino de Física no ensino médio Nas palavras do autor:

Historicamente, estaríamos passando por um processo de evolução onde as pesquisas, de uma ou outra forma, têm contribuído para a superação dos problemas do ensino de Física no 2º grau? Ou estaríamos, de uma maneira geral, atravessando um processo de "tateamento" (ensaio-e-erro) onde as pesquisas, ao longo do tempo, tentam propor soluções para a melhoria do ensino de Física, todavia ainda desvinculadas de uma consciência de totalidade no que se refere aos reais problemas da educação brasileira, ponteando, ora cá, ora lá, elementos dessa totalidade, mas sem configurar a relação estreita que guarda a ligação parte-todo. (MEGID NETO, 1990, p. 238).

Outra investigação que buscou “descrever e analisar o estado e a evolução da pesquisa e/ou dos estudos sistemáticos realizados no Brasil relacionados à Educação Matemática” é a pesquisa de Fiorentini (1994). Em sua investigação buscou respostas para as seguintes questões:

[...] que tendências temáticas e teórico-metodológicas apresentam essas tentativas isoladas de produção de conhecimento em Educação Matemática? Que aspectos do processo ensino-aprendizagem de matemática foram privilegiados pelos estudos? O

que é educação matemática? Qual a sua natureza e eu objeto de estudo? Seria uma nova área de conhecimento ou apenas uma subárea da Matemática ou da Educação? O que diferencia a pesquisa em educação matemática da pesquisa em matemática? Que pesquisas já foram ou vêm sendo realizadas no Brasil? (FIORENTINI, 1994, p. 2).

Segundo o autor, no período em que desenvolveu sua pesquisa, não foram localizados grupos ou linhas de pesquisa em Educação Matemática, mas foram localizados educadores matemáticos que realizaram pesquisa sem grande impacto na área e com o desenvolvimento de temáticas muito elementares. Entre as suas conclusões destaca uma mudança de paradigma:

Para a pesquisa educacional não é mais suficiente descrever e descobrir fatos. É preciso buscar as explicações que permitem compreendê-los e elucidá-los. Isso requer uma interação dialética entre pesquisador e realidade física ou social, de modo que o primeiro explique à segunda. (FIORENTINI, 1994, p. 181).

Pierson (1997), com o intuito de estudar qual o sentido do cotidiano nas aulas de Física e como essa temática estava sendo discutida nas pesquisas realizadas na área, analisa os 109 trabalhos publicados nas atas das edições do Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) em 1991, 1993 e 1995, procurando identificar quem, como, quando utilizou o termo e com que significado. A autora escolheu o SNEF porque, segundo ela, esse evento representava um “espaço oficial de troca de experiências entre pesquisadores, professores e alunos da área de Ensino de Física, trazendo nas suas atas a própria história da área” (PIERSON, 1997, p. 80). Um dos resultados da análise dos artigos publicados no SNEF, destacado pela autora, relaciona-se com a presença do cotidiano nos trabalhos, principalmente nas linhas de pesquisa Concepções Espontâneas e Abordagem Temática, e Física do Cotidiano, o que colaborou na época para a grande expansão no número de trabalhos que abordam o cotidiano em suas investigações.

Objetivando ampliar sua análise e buscando identificar outros elementos que caracterizavam a abordagem do cotidiano em suas investigações, a autora analisa as teses e dissertações que deram origem aos trabalhos publicados nas atas do SNEF, distinguindo assim os pressupostos educacionais que orientam as pesquisas estudadas. Entre suas conclusões tem-se a verificação da

[...] existência de consensos entre as formas de abordagem, a preocupação com a participação efetiva do aluno no seu processo de construção do conhecimento: a recusa, nestes termos, a um ensino meramente informativo e não formativo; o reconhecimento da necessidade de ocorrências de rupturas e a existência de continuidades neste processo de ensino, que tem como conteúdo um conhecimento

que foi historicamente construído e que não se encontra na forma de verdades inquestionáveis. (PIERSON, 1997, p. 238).

Megid Neto (1999), posteriormente, buscou caracterizar o estado do conhecimento da pesquisa acadêmica brasileira em Ensino de Ciências no 1º grau. Para isso o autor propôs as seguintes questões de pesquisa:

Quais os temas e abordagens metodológicas presentes nas pesquisas educacionais sobre o ensino de Ciências no nível fundamental? Podemos identificar ciclos históricos e modismos temáticos e metodológicos nessas pesquisas? Uma determinada abordagem metodológica predomina sobre outras nos estudos de um tema ou conjunto de temas? Há prevalência de temáticas e de abordagens nas instituições e grupos de pesquisa produtores dos estudos? Como se comportam as tendências temáticas e metodológicas das pesquisas relacionadas ao ensino fundamental, no conjunto da produção acadêmica sobre a Educação em Ciências? (MEGID NETO, 1999, p. 21).

Lemgruber (1999) analisou resumos de 288 teses e dissertações em Educação em Ciências, defendidas entre os anos de 1981 e 1995, especificamente as relacionadas ao Ensino de Ciências Físicas e Biológicas no 1º e 2º grau. No estudo desses resumos, buscou, de forma mais geral, caracterizar os aspectos históricos e os referenciais teóricos, epistemológicos e pedagógicos. Em outra etapa o autor aprofundou seu estudo com a análise de 23 teses e dissertações, buscando “problematizar esta produção em 6 momentos: positivismo, escolanovismo, projetos inovadores, educação popular, tecnicismo e propostas atuais” (LEMGRUBER, 1999, p. 7).

A análise dos referenciais presentes nos resumos possibilitou ao autor sintetizar as tendências das alternativas para a melhoria do Ensino de Ciências, quais sejam: “construtivismos (concepções alternativas, Piaget, Ausubel e mudança conceitual), Paulo Freire, Bachelard e abordagem CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) (LEMGRUBER, 1999, p. 7).” Lemgruber (1999, p. 7) conclui que existe a necessidade de “maior aproximação entre o campo da educação em Ciências e o pensamento pedagógico brasileiro”.

Outra investigação que se destaca por ter estudado a produção acadêmica nacional (teses e dissertações) em Ensino de Biologia é a realizada por Slongo (2004), que abrangeu o período entre 1972 e 2000. Nesse estudo:

A explicitação do conteúdo das teses e dissertações, objeto desta tese, sobretudo dos problemas investigados, referenciais teóricos de apoio e procedimentos metodológicos adotados, permitiu apresentar e argumentar que ao longo do período estudado diferentes perspectivas, principalmente de ordem epistemológica e educacional, balizaram a produção acadêmica em Ensino de Biologia. (SLONGO, 2004, p. 6).

Em sua análise localizou e caracterizou as transformações ocorridas em três décadas e sua manifestação nos pressupostos teóricos em que os trabalhos estudados se fundamentaram. Em sua interpretação,

[...] a área transitou de uma pesquisa centrada em problemas que emergem exclusivamente das atividades organizadas a fim de subsidiar ações docentes e enfrentadas a partir de uma perspectiva empirista-positivista, para uma pesquisa cujos problemas levam em conta tanto as atividades docentes como as dos alunos, mas tendo como pressupostos epistemológicos concepções não-empiristas, das quais emerge uma concepção de sujeito – cientistas, professores, alunos e pesquisadores em Ensino de Biologia –, cuja característica mais marcante é a de ser não apenas ativo, mas, sobretudo não-neutro. (SLONGO, 2004, p. 6).

As análises da autora foram baseadas nas premissas fleckianas, que revelaram que

[...] grupos de pesquisadores em Ensino de Biologia podem ser compreendidos como constituindo coletivos de pensamento que compartilham premissas epistemológicas, educacionais e metodológicas que se transformaram à medida que a área de Ensino de Biologia vai se constituindo. Conclui-se que atualmente os problemas investigados pela área são definidos e enfrentados tendo como premissas basicamente as concepções compartilhadas por dois coletivos de pensamentos. (SLONGO, 2004, p. 6).

A pesquisa, realizada por Teixeira (2008) também caracteriza a produção acadêmica (teses e dissertações) da área de Ensino de Biologia, nesse caso entre os anos de 1972 e 2004. Nos resultados apresentados pelo autor são explicitados os

[...] dados sobre a base institucional que sustenta esse campo investigativo e as tendências da pesquisa sobre o Ensino de Biologia no Brasil, tratando de questões como: a evolução histórica da produção acadêmica; instituições com tradição nessa área de estudo; distribuição geográfica da produção; níveis de ensino privilegiados no conjunto dos estudos realizados; temas e problemáticas priorizadas; linhas de investigação; métodos e técnicas de pesquisa; estilos de texto e perspectivas teóricas adotadas.(TEIXEIRA, 2008, p. 5).

Entre suas considerações o autor defende o aumento das pesquisas na área de Ensino de Ciências, especificamente no nível da Educação Infantil. Considera-se relevante a observação feita pelo autor, visto que os primeiros anos de escolarização são importantes para despertar o interesse do estudante pela Ciência. Em suas palavras:

De qualquer forma, vale registrar um argumento em defesa da necessidade da pesquisa acadêmica na área de Ensino de Biologia, bem como na área de Ensino de Ciências como um todo, reservar mais atenção [à] Educação Infantil e [à]s séries iniciais do nível fundamental, dada a importância dessas etapas de escolarização como estruturadoras para todo o trabalho a ser realizado com os estudantes nas fases posteriores do sistema formal de ensino. Com isso, não estamos defendendo que a Biologia seja ensinada especificamente na Educação Infantil e séries iniciais da Educação Fundamental, mas sim que ela esteja presente de forma integrada às outras subáreas internas da área de Ciências. Nesse contexto, entendemos que deveriam

ocorrer mais pesquisas voltadas para esses níveis de escolarização. (TEIXEIRA, 2008, p. 203).

Fernandes (2009) investigou as tendências da pesquisa acadêmica sobre o Ensino de Ciências nas séries iniciais da escolarização, de 1972 a 2005, objetivando levantar o que se tem “investigado sobre o ensino de Ciências nesse nível de escolaridade e, de modo particular, quais as características e tendências pedagógicas das práticas escolares propostas e implementadas por essas pesquisas” (FERNANDES, 2009, p. 7). O autor utilizou a mesma sistematização de dados usada por Megid Neto (1990, 1999) e destaca que:

Na grande maioria das pesquisas, notou-se que as práticas pedagógicas foram elaboradas pelos próprios pesquisadores acadêmicos, aplicadas pelos professores da escola básica e realizadas pelos alunos, acentuando ainda uma relação hierárquica e autoritária entre universidade e escola básica. Notou-se, também, que as pesquisas e práticas implementadas nas salas de aula (nível de fato) na maioria das vezes se distanciam do que foi preconizado no discurso (nível de propósito). Observa-se ainda que os pesquisadores não encontraram dificuldades em propor e aplicar uma proposta de inovação educacional; todavia provocar mudanças nas relações pessoais e nas formas de avaliação constitui ainda uma barreira difícil de ser superada. Sugere-se a necessidade de um processo de pesquisa e de prática pedagógica que envolva colaborativamente pesquisador, professores e alunos em um movimento constante de ação reflexão-ação na e da prática, para que esses possam junto propor inovações e essas se constituam em experiências relevantes para a melhoria do ensino e para o desenvolvimento profissional do professor. (FERNANDES, 2009, p. 12).

Oliveira (2011) mapeou as pesquisas de doutorado e mestrado sobre ensino de Biologia no Brasil que trabalharam com o tema “Origem da Vida” e “Evolução Biológica” no período de 1991 a 2008. Nesse sentido, o autor realizou

[...] uma análise documental dessa produção, abrangendo 37 documentos, através de instrumentos tanto quantitativos como qualitativos. Trinta e três (89%) foram dissertações de mestrado e apenas quatro (11%), teses de doutorado. Alguns aspectos dessa produção foram considerados significativos: 81% dos trabalhos foram defendidos na segunda metade do período investigado (a partir do ano 2000); 92% foram realizados em instituições localizadas nas regiões Sul e Sudeste, principalmente nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro (65%); e 87% da produção foram apresentadas em programas de pós-graduação de universidades públicas. […] Tendo em vista as investigações enquadradas nos quatro focos temáticos mais pesquisados (características do professor, características dos alunos e cursos didáticos e outros focos), conclui-se que a produção acadêmica, no período analisado remete para debate muitos dos bem conhecidos problemas enfrentados por professores que ensinam “Origem da Vida” e “Evolução Biológica”, que dizem respeito, entre outros fatores, à falta de orientações para sua abordagem em sala de aula e à carência de metodologias próprias e materiais instrucionais de qualidade. Este panorama aponta claramente para a pertinência e necessidade de se ampliar a aprofundar as investigações sobre o ensino desses temas. (OLIVEIRA, 2011, p. 12).

Francisco (2011) realizou um estado da arte sobre as pesquisas sobre o Ensino de Química através da análise de 152 dissertações e duas teses de doutorado defendidas sobre a temática nos programas de pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática no Brasil (área 46 da Capes), entre 2000 e 2008. Segundo a autora, seus resultados revelam:

[...] a consolidação da área de pesquisa em Ensino de Química no país com a verificação do aumento da produção no período investigado. No conjunto dos trabalhos predomina a produção da USP (32,50%), seguida da PUC/RS (9,70%), UnB (8,40%) e UFRPE (8,40%), embora existam também dissertações defendidas em todas as regiões geográficas brasileiras. […] Os níveis de escolaridade privilegiados nos trabalhos foram o Ensino Médio (74,68%) e o Ensino Superior (22,08%), ao passo que os temas mais pesquisados foram Conteúdo-Método (27,27%), Características do Professor (14,93%) e Formação de Professores (14,29%). Surpreendentemente, os temas Divulgação Científica e Educação Especial, relacionados a questões que integram a pauta de importantes debates educacionais na atualidade, foram escassamente abordados. (FRANCISCO, 2011, p. 1).

A partir do universo pesquisado, Lemgruber (1999) constatou que, após 1995, as pesquisas com temas relacionados a CTS vêm crescendo e têm presença cada vez maior em eventos científicos da área de Ensino de Ciências. Com o número crescente de trabalho surge um problema, relatado por Auler e Bazzo (2001) e também constatado em um trabalho de revisão bibliográfica realizado por Auler em 1998 sobre o movimento CTS. Nesse trabalho, os autores verificaram que

[...] não há uma compreensão e um discurso consensual quanto aos objetivos, conteúdos, abrangências e modalidades de implementação desse movimento. O enfoque CTS abarca desde a ideia de contemplar interações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade apenas como fator de motivação no ensino de Ciências, até aquelas que postulam, como fator essencial desse enfoque, a compreensão dessas interações, a qual, levada ao extremo por alguns projetos, faz com que o conhecimento científico desempenhe um papel secundário. (AULER; BAZZO, 2001, p. 2).

Para Bazzo, von Linsingen e Pereira (2003, p. 125):

Os estudos CTS definem hoje um campo de trabalho recente e heterogêneo, ainda que bem consolidado, de caráter crítico a respeito da tradicional imagem essencialista da Ciência e da Tecnologia, e de caráter interdisciplinar, por convergirem nele disciplinas como a filosofia e a história da Ciência e da Tecnologia, a sociologia do conhecimento científico, a teoria da educação e a economia da mudança técnica. [...] O aspecto inovador deste novo enfoque se encontra na caracterização social dos fatores responsáveis pela mudança científica. Propõe-se em geral entender a Ciência-Tecnologia não como um processo ou atividade autônoma que segue uma lógica interna de desenvolvimento em seu funcionamento ótimo [...], mas sim como um processo ou produto inerentemente social onde os elementos não epistêmicos ou técnicos [...] desempenham um papel decisivo na gênese e na construção das ideias científicas e dos artefatos tecnológicos.

Entre as pesquisas que realizaram o estado da arte do campo de Ensino de Ciências cujo foco foram as investigações que abordaram a educação CTS, destaca-se uma pesquisa recente desenvolvida por Strieder (2012), na qual foi feito um levantamento das publicações ocorridas entre 2000 e 2009 nos seguintes periódicos e eventos:

Caderno Brasileiro de Ensino de Física, Ciência & Educação, Ensaio, Investigações em Ensino de Ciências, Ciência & Ensino, Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, Alexandria, ENPEC (Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências), EPEF (Encontro de Pesquisa em Ensino de Física), SNEF (Simpósio Nacional de Ensino de Física) e Congreso Internacional sobre Investigación en Didáctica de las Ciencias. (STRIEDER, 2012, p. 54).

Em relação às características gerais desses trabalhos, Strieder (2012) destaca o fato de nenhum deles realizar análise de teses e dissertações da área. Essa constatação reitera a importância do desenvolvimento da presente tese.

Ao analisar onze trabalhos que abordaram a educação CTS, Strieder (2012, p. 57) destaca:

Os trabalhos analisados utilizam como objeto de estudo os anais de eventos ou os periódicos brasileiros da área de ensino de Ciências entre 1995 e 2008. Nenhum trabalho apresenta análises de Teses e Dissertações da área, apesar de haver um número considerável sobre CTS. Cabe destacar, também, que ainda que os limites do período analisado sejam 1995 e 2008, a maior parte focaliza o presente século. […] Algumas pesquisas apresentam, também, uma preocupação em quantificar os trabalhos sobre CTS, comparando essa quantidade com o total de trabalhos publicados nos eventos e revistas. Nesse sentido, destaca que tem aumentado o número de trabalhos, o que não necessariamente representa uma maior preocupação com as pesquisas em CTS. Embora possa ter havido um aumento em números absolutos, de forma articulada ao crescimento da área de Ensino de Ciências, isso não implica em um aumento de seu percentual na produção total.

Os onze trabalhos localizados e analisados por Strieder (2012, p. 55) são apresentados no Quadro 4.

Quadro 4: Trabalhos sobre o estado da arte de CTS.

Autores Título do trabalho Periódico/Anais Ano

CACHAPUZ; PAIXÃO; LOPES; GUERRA

Do estado da arte da pesquisa em educação em Ciências: linhas de pesquisa e o caso Ciência-

Tecnologia-Sociedade Alexandria 2008 SUTIL; BORTOLETTO;

CARVALHO; CARVALHO

CTS e CTSA em periódicos nacionais em ensino de Ciências/física (2000-2007): aspectos

epistemológicos e sociológicos

XI EPEF 2008

SUTIL; BORTOLETTO; CARVALHO; CARVALHO

CTS e CTSA nacionais em ensino de Ciências/física (2000-2007): considerações sobre

Autores Título do trabalho Periódico/Anais Ano

LOPES; ANDRADE; QUEIRÓS; SOUZA; NARDI; CARVALHO

Tendências do movimento CTS em dois eventos

nacionais da área de ensino de Ciências XVIII SNEF 2009

STRIEDER; KAWAMURA Preocupações e perspectivas da abordagem CTS: o caso das pesquisas publicadas na REEC VII Ense. de las Ciencias 2009

ABREU; FERNANDES; MARTINS

Uma análise qualitativa e quantitativa da produção científica sobre CTS (Ciência, Tecnologia, Sociedade) e periódicos da área de ensino de

Ciências no Brasil

VII ENPEC 2009

FAGUNDES; PICCINI; LAMARQUE; TERRAZZAN

Produções em educação em Ciências sob a

perspectiva CTS/CTSA VII ENPEC 2009

HUNSCHE; DALMOLIN; ROSO; SANTOS; AULER

Enfoque CTS no contexto brasileiro: caracterização segundo periódicos da área de

educação em Ciências VII ENPEC 2009 STRIEDER; KAWAMURA Panorama das pesquisas pautadas por abordagens CTS VII ENPEC 2009

TOTI; PIERSON; SILVA discussões atuais em defesa da abordagem CTS na Diferentes perspectivas de cidadania presentes nas

educação científica VII ENPEC 2009 PANSERA DE ARAÚJO;

GEHLEN; MEZALIRA

Enfoque CTS na pesquisa em educação em

Ciências: extensão e disseminação Revista da Abrapec 2009

Para a autora, a ampliação da produção CTS nos últimos anos não possibilita a essa linha de pesquisa se destacar entre tantas outras pertencentes à área de Ensino de Ciências.

Os números mostram que a produção acadêmica em CTS ou CTSA ainda é pouco expressiva nos periódicos nacionais em relação à produção total do campo de pesquisa em ensino de Ciências. Em um universo de 2921 artigos levantados, apenas 23 artigos se declaravam CTS ou CTSA (ABREU et al., 2009, p. 5).

Embora a porcentagem total dos estudos identificados, que abordam aspectos do movimento CTS, não apresente uma significativa evolução, a distribuição dos trabalhos nos eventos vem aumentando consideravelmente ao longo dos anos, independente da área do conhecimento. (PANSERA DE ARAÚJO et al., 2009, p. 5).

Strieder (2012) destaca que os artigos podem ser classificados segundo seus objetivos