1. Innledning
4.5. Kompetanse og kompetansebehov
Como forma de analisar oportunidades e ameaças que a indústria brasileira deve estar atenta, estimar a quantidade de veículos que estarão circulando nos próximos anos proporciona uma análise macro da quantidade de resíduos que estarão sendo descartados, ou a quantidade de materiais que poderiam estar sendo reaproveitados e quais os tipos de materiais que precisam de desenvolvimento tecnológico futuro para sua reciclagem.
Em 2000, conforme anteriormente apresentado no item 2.2.3 deste estudo, a frota nacional equivalia a 2,8% da frota mundial. Se considerarmos que a frota mundial é estimada ser de 1 bilhão de veículos em 2015 e se considerarmos também que esse patamar de 2,8% permaneça inalterado,
poderíamos considerar que a frota nacional para 2015 estaria por volta de 28.000.000 de veículos. Esta estimativa, no entanto, pode não ser a mais provável devido à relação de habitantes por veículo no Brasil ainda ser alta e possui a tendência de diminuição ao longo dos anos, conforme anteriormente apresentado (item 2.2.3). Também, somente no último ano (outubro 2002 a outubro de 2003), foram vendidos pouco mais de 1.000.000 de unidades de somente automóveis e comerciais leves e, nos últimos 10 anos, a média de venda de veículos tanto nacionais quanto importados para o mercado nacional foi de 1.580.197 veículos ao ano. Se estimarmos que essa média permanecerá constante, para até o ano de 2015 poderemos ter, em adição a frota de veículos, até 22.500.000 novos veículos no período de 2000 a 2015. No ano de 2000 e também no ano seguinte (2001), a frota de São Paulo equivalia a 37% da frota nacional, portanto, se 22.500.000 veículos forem colocados no mercado até 2015, pelo menos 8.325.000 veículos deverão adicionar a frota de veículos do estado de São Paulo nesse mesmo período.
Com relação à quantidade de material que possui potencial para ser reciclado nos dias de hoje e considerando a situação atual referente aos dados da frota circulante de 2000 apresentados no item 2.2.3, podemos afirmar que, pouco mais de 4.600.000 veículos possuem mais do que 15 anos de idade e 7.340.000 veículos possuem mais do que onze anos. Neste caso, pelo menos 4.600.000 veículos que estão em circulação, além dos apreendidos pelo DETRAN e outros, possuem potencial para serem reciclados nos dias de hoje. Considerando que há 15 anos a distribuição em massa da quantidade de veículos era de 75% de material ferroso, 7% de material não ferroso e 5% de material plástico (dados apresentados no capítulo 2, item 2.1.3) e estimando que pesavam aproximadamente 1,3 tonelada cada, teríamos, conforme mostrado na Tabela 4.3, as seguintes proporções de material a ser reaproveitado se tivéssemos sistemas de reciclagem implementados no Brasil.
Como forma de prospectar a quantidade com potencial para ser reciclado nos anos futuros, cabe uma análise mais detalhada das unidades de veículos mais vendidas no último período, de outubro de 2002 a outubro de
2003. A distribuição por tipo de material nas condições presentes (ano de 2000), baseou-se em uma média estimada de 1,3 toneladas de peso por cada unidade. Para as unidades de veículos mais vendidas (2002/2003), foi avaliado o peso por unidade e tipo de veículo.
Tabela 4.3 Distribuição por tipo de material se reciclássemos 4.600.000 veículos no ano de 2000. Unidades > 15 anos (2000) Peso médio total (1,3 ton/unidade) (1985 a 2000) 75% de material ferroso (massa) 7% de material não ferroso (massa) 5% de material plástico (massa)
4.600.000 un. 5.980.000 ton 4.485.000 ton 418.600 ton 299.000 ton
As Tabelas 4.4 e 4.5 que se referem aos modelos mais vendidos nesse período, mostra para cada unidade vendida, uma extrapolação da quantidade em toneladas que será gerada quando de seu descarte.
A quantidade a ser descartada no futuro perfaz mais de 900.000 toneladas provenientes dos automóveis e mais de 190.000 toneladas referentes a comerciais leves, totalizando aproximadamente 1.100.000 toneladas a serem descartadas. É importante salientar que o peso do veículo apontado como “outros” é a média dos pesos dos veículos mais vendidos.
Se utilizarmos, como composição dos materiais nos veículos, os valores referência de 67% de material ferroso, 13% de material não ferroso, 9% de plásticos e 11% de outros materiais (dados apresentados no capítulo 2, item 2.1.3), obteremos a seguinte situação, conforme representado na Tabela 4.6.
Uma projeção dessa magnitude é de grande importância para avaliação de tecnologias de reciclagem a serem desenvolvidas uma vez que a proporção de diferentes tipos de materiais varia ao longo dos anos, porém, vale ressaltar que a distribuição real de quantidade de material com potencial de ser reciclada refere-se “somente” à quantidade de veículos vendidas no período de outubro de 2002 a outubro de 2003, por isso, a atualização e monitoramento das vendas de veículos e seus respectivos pesos devem ser realizados.
Tabela 4.4 Unidades de automóveis mais vendidas no período de outubro de 2002 a outubro de 2003 e quantidade em tonelada gerada quando do descarte em final de vida do veículo.
Modelos (TIPO) Acumulado 12 meses (10/2002 a 10/ 2003). UNIDADES Participação de mercado (%)
Peso Médio modelo (KILOS)
Toneladas geradas por tipo de modelo (TON) Gol 147.394 15,90 937,50 138.181,88 Corsa 93.546 10,09 983,75 92.025,88 Palio 91.509 9,87 895,00 81.900,56 Celta 88.954 9,60 852,00 75.788,81 Uno 72.159 7,79 815,00 58.809,59 Fiesta 55.622 6,00 1000,00 55.622,00 Clio 33.769 3,64 870,00 29.379,03 Corolla 29.231 3,15 1600,00 46.769,60 Astra 28.648 3,09 943,00 27.015,06 Siena 27.697 2,99 1015,00 28.112,46 Peugeot 206 27.339 2,95 943,00 25.780,68 Polo 26.926 2,91 1098,50 29.578,21 Ka 19.470 2,10 910,00 17.717,70 Palio Weekend 18.248 1,97 1072,00 19.561,86 Meriva 16.970 1,83 1255,00 21.297,35 Outros 127.807 16,12 1227,00 156.819,19 Total 905.289 904.359,83
Tabela 4.5 Unidades de comerciais leves mais vendidas no período de outubro de 2002 a outubro de 2003 e quantidade em tonelada gerada quando do descarte em final de vida do veículo.
Modelos (TIPO) Acumulado 12 meses (10/2002 a 10/ 2003). UNIDADES Participação de mercado (%)
Peso Médio modelo (KILOS)
Toneladas geradas por tipo de modelo (TON) Strada 21.612,00 15,51 1060 22.908,72 Ecosport 19.578,00 14,05 1200 23.493,60 Saveiro 13.866,00 9,95 994,17 13.785,16 S10 10.928,00 7,84 2739 29.931,79 Kombi 9.281,00 6,66 1200 11.137,20 Fiorino 5.916,00 4,25 1010 5.975,16 Doblô 5.322,00 3,82 1285 6.838,77 Courier 5.273,00 3,79 1795 9.465,04 Ford ranger 4.539,00 3,26 2245 10.190,06 Outros 42.997,00 34,13 1503,13 64.630,08 Total 139.312,00 198.355,57
Tabela 4.6 Distribuição por tipo de material se reciclássemos as unidades mais vendidas no período de um ano (Outubro de 2002 a Outubro de 2003).
Unidades + vendidas de outubro 2002- 2003 Quantidade em peso de material(*) 67% de material ferroso (massa) 13% de material não ferroso (massa) 9% de material plástico (massa)
1.044.601 un. 1.100.000 ton 737.000 ton. 143.000 ton. 99.000 ton. (*) Quantidade total referente somente aos veículos mais vendidos no período de um ano (10/2002 a 10/2003) que tem potencial para ser reciclado em seu estágio final de vida.
Os valores em massa distribuídos por tipo de material também propiciam uma prospecção da quantidade de resíduo gerado se programas de obrigatoriedade em se reciclar o veículo em final de vida fossem implementados no Brasil e supondo que os veículos estivessem projetados nos moldes da Diretiva Européia relacionados aos índices de reaproveitamento (reciclar, reutilizar ou recuperar) para 2005, teríamos uma quantidade de resíduo bem menor a ser descartada, conforme apresentado na Figura 4.39.
Com essa figura, podemos ressaltar que, se somente a parte metálica do veículo fosse reaproveitada, estaríamos deixando de descartar 737.000 toneladas de resíduos provenientes dos veículos vendidos no período de outubro de 2002 a outubro de 2003. Isso equivaleria a um reaproveitamento de aproximadamente 67% em peso do total do veículo, sem contar na economia de recursos naturais não renováveis Essa situação (reciclagem de somente parte metálica e envio do resíduo da shredder a aterros ou lixões), no entanto, tornar-se-ia inviável ao longo do tempo, pois, o acúmulo da quantidade de resíduo da shredder formado poderá trazer um prejuízo ambiental de grandes proporções.
1,100,000 363.000 165,000 0 200,000 400,000 600,000 800,000 1,000,000 1,200,000 Toneladas
0% recuperabilidade reciclagem da parte metálica
85% recuperabilidade
Ano de 2015
Figura 4.39 Representação gráfica da quantidade de resíduo a ser descartado se o veículo fosse reciclado nos moldes propostos pela Diretiva Européia versus a quantidade de resíduo gerada se somente a parte metálica fosse reciclada versus a quantidade de resíduo gerada se não houvesse nenhuma forma de reaproveitamento desse resíduo referente aos veículos vendidos no período de outubro de 2002 a outubro de 2003.
Para uma melhor visualização dos resultados obtidos nesse item, a Figura 4.40 sumariza os dados principais relacionados à situação dos materiais em potencial para reciclagem atual e futura.
A estimativa da quantidade de veículos com potencial para ser reciclado para os anos futuros depende de vários fatores como veículos escrapedados em acidentes, desenvolvimento tecnológico dos veículos que visem à redução de peso, quantidade de unidades a serem produzidas e importadas nos próximos anos, bem como o próprio desenvolvimento de reciclagem de veículos no país.
Os veículos mais vendidos por tipo, bem como os valores em massa da quantidade de resíduo a ser descartado devem ser monitorados como forma de gerar informações atualizadas de prospecção da geração de resíduos futuros
provenientes de veículos inservíveis. Estimativas como essa devem fazer parte do monitoramento constante que avalia as ameaças e oportunidades em reciclar veículos.
Figura 4.40 Distribuição da quantidade de veículos da frota nacional por tipo de material e seu descarte.