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Kommunikativ overflod: ulike perspektiver

Matrícula % Freqüência % Alunos

prontos % Sexo masculino 25.387 74.39 9.218 27.01 306 3.32 Sexo feminino 8.737 25.60 4.501 13.19 146 3.24 Fonte: APM.

Existiam dezoito escolas do sexo masculino a mais que escolas femininas. Refletindo sobre este número maior de escolas, o número total de matrículas nessas escolas foi bem maior que nas escolas do sexo feminino. Esta proporção diminui um pouco quando se refere à freqüência, ainda que esta fosse maior que a das escolas femininas, ela não era tão considerável quando se toma por base o número de matrículas.

Para o cálculo de alunos que foram considerados como prontos, estamos levando em conta o número de alunos freqüentes nas escolas e não o número de crianças que eram matriculadas nas escolas do município. Nos dois tipos de escola, o número de alunos considerados prontos, no período em questão, foi baixo, quando comparado ao número de crianças que freqüentavam a escola.

O baixo índice de aprovação nas escolas, como também o menor índice de freqüência em relação à matrícula apontam para as diversas dificuldades de permanência das crianças nas escolas. Por outro lado, o aumento do número de crianças nas escolas apontam tanto para o esforço das famílias em enviarem seus filhos para a escolas como a crescente presença da escola como o local privilegiado para a instrução de seus filhos.

4.3 A trajetória escolar dos alunos a partir dos mapas de freqüência das escolas subvencionadas de Itabira do Matto Dentro

A produção da condição de aluno no processo de ampliação da escolarização para a população esteve ligada a diversos fatores. Para Veiga (2005, p.78)

Os diferentes saberes em profusão a partir de meados do século XIX sistematizaram uma nova condição de ser criança e ter infância, e para isso diferentes normas se inscreveram no corpo da criança: ser bem comportada, obedecer, brincar, vestir roupas adequadas, freqüentar a escola, ser um bom aluno etc. Por meio da escola

universalizou-se a faixa etária atribuída ao tempo da infância, bem como uma nova maneira de as crianças se estabelecerem no mundo: como aluno(s).

Esta nova condição de aluno gestada por professores e demais agentes da instrução pública pode ser percebida por meio das informações contidas nos mapas de freqüência de suas escolas. Estes mapas produzidos cumpriam dois objetivos: o de assegurar o pagamento do salário e o controle administrativo referente à freqüência às escolas e, portanto, a possibilidade de sua manutenção.

A partir da produção destes mapas

Os mestres instalam práticas de classificação, ordenamento e hierarquização dos saberes e dos sujeitos escolares. Constroem identidades ao trabalho docente e à infância escolarizada, agindo de maneira a normatizar o exercício profissional e o aluno. Acumulam o passado e desenham o presente. (VIDAL, 2007, p.7)

Como apontado por Veiga (2005, p.92) desde o regulamento nº 3 de 1835 foi proposto um modelo de mapa em que deveria constar: nome do aluno, filiação, idade. A partir de 1860, com o regulamento nº 49 foi apresentado um novo modelo constando um campo para comportamento e outro para observações. Todos os mapas de freqüência localizados foram confeccionados à mão, embora como a autora indicou já existissem mapas em papel impresso.

Vidal (2007) indica que, na produção destes mapas, os professores estavam seguindo determinações burocráticas ao mesmo tempo em que criavam uma racionalidade administrativa da escola, pedagógica do ensino e identitária do aluno; além disso, produziam sistemas de inclusão e exclusão.

A autora identificou cinco conjuntos de dispositivos existentes na confecção de tais mapas, que podem ajudar a analisar os mapas produzidos por professores que atuaram em Itabira. São eles:

1. Contabilidade: identificados na contabilização de alunos freqüentes e na

numeração vinda na primeira coluna dos mapas;

2. Identificação: especificação do nome da criança, idade;

3. Gestão: registro do dia da matrícula, faltas dos alunos indicando o trabalho

docente com cada um e as interrupções;

4. Avaliação pedagógica: percebida por meio do campo aproveitamento;

Os mapas de freqüência encontrados referem-se às seguintes escolas

subvencionadas: Escola de S.S. dos Ferreiras, freguesia de Sant‟Anna dos Ferros do ano

de 1885, regida pelo professor Herculano José Soares; Escola do Córrego do Burrinho, freguesia de Joanésia, regida pelo professor Manoel Lopes Ribeiro, referentes ao quarto trimestre de 1885 e segundo trimestre de 1887; Escola do Ribeirão do Caratinga, freguesia de Joanésia, sem referência de ano e trimestre, regida pelo professor Joaquim José de Almeida; Escola da Fome, freguesia de Santa Maria, regida pela professora D. Anna Fernandes Madeira, referente ao quarto trimestre de 1881.

Apenas para a escola rural, regida pelo professor Damaso Augusto de Paula, foram localizados mapas que compreendem desde o ano que passou a ser subvencionada sua escola – 1881 até o ano de 1888, quando se pediu e foi aceito o fechamento de sua escola. Os mapas de freqüência também confeccionados trimestralmente localizados não correspondem a todos os trimestres de 1881 a 1888, faltam os mapas do 1º, 2º e 3º de 1882; os do 2º e 4º trimestres de 1884; os do 2º, 3º e 4º de 1885; os do 1º, 2º, 3º trimestres de 1886; o do 1º trimestre de 1887.

Como os mapas de freqüência da escola regida pelo professor Damaso são em maior número, optamos por realizar a análise dos mapas dessa escola (anexos III e IV). Importante frisar que esta foi a única escola subvencionada em que não foi possível determinar em que freguesia estava localizada. Em documentos diversos ela aparece como localizada em três localidades diferentes: Cedro, Capão e Pouso Alegre. Apesar destas três localidades serem próximas uma das outras não foi possível identificar a freguesia que fazia parte.

Os mapas localizados, entretanto, não seguiam um padrão. Aqueles confeccionados entre os anos de 1881 a 1884 possuíam os seguintes campos: nome, idade, data da matrícula, conhecimento de leitura, escrita e cálculo no inicio da matrícula e no final do trimestre, comportamento, inteligência, freqüência, total de freqüência, observações. No mapa de 1885 não constam os campos comportamento e inteligência. O de 1886 não possui os campos conhecimento de leitura, escrita e cálculo no início da matrícula e no final do trimestre e os de 1887 e 1888 o grau ou estado de instrução.

É importante destacar, como apontou Veiga (2005) que a produção da idéia de aluno juntamente com as novas categorias que vão sendo agregadas a ela tais como as relacionadas a inteligência, comportamento, trouxeram implicações para a vida familiar e da criança que passou a ter parte de sua identidade criada pelo Estado e pelo professor.

Na tabela a seguir constam as matrículas levando-se em conta o número de meninos e meninas e o número de alunos aprovados em exame ou que foram considerados pelo professor como prontos para o exame.

TABELA 7 - MATRÍCULAS DA ESCOLA RURAL DO PROF. DAMASO A. P.