FREDRIK MATHISEN HÅSTEIN (18), RUSS
16.2 Kommunikasjonstiltak
2.1 Metonímias conceptuais
A metonímia e a metáfora são ferramentas conceptuais de representação da experiência e do mundo a levar em linha de conta no acto de tradução, pelo que devemos reproduzir na língua de chegada uma formulação idêntica às da língua de partida. Para tal, importa saber identificar os processos cognitivos e saber reproduzi-los na língua de chegada. Relativamente à metonímia conceptual, esta não ocorre só ao nível do conceito, mas na opção por uma unidade linguística em relação a outra que lhe é contígua. Brdar (2014: 245) explica este fenómeno ao mencionar que quer a metonímia, quer a metáfora têm a
característica de reciclarem lexemas já existentes, maximizando, assim, a polissemia, i.e., são adicionados novos significados aos lexemas tornando-os (mais) polissémicos. Em relação à adequação do significado-expressão, tal resulta da redução da isomorfia da linguagem quanto à relação unívoca entre os significados e as suas expressões. Por outro
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lado, a formação de palavras enquanto estratégia lexical baseada na recombinação de itens lexicais já existentes (dependentes ou autónomos), faz aumentar a isomorfia uma vez que é anterior à polissemia. A escolha entre maximizar a polissemia lexical e reduzir a isomorfia ou, pelo contrário, formar novas palavras aumentando assim a isomorfia não é um processo casual e está relacionado com o sistema morfológico e gramatical da língua em questão
(tradução minha).
A relação entre a metáfora e a metonímia, por um lado, e a tradução, por outro, é que ambos são processos de expansão e alteração semântica, ambos passam pelo mesmo desafio de um ponto de vista onomasiológico de encontrar um meio linguístico apropriado ao co(n)texto e expressar conteúdos complexos (Brdar 2013: 199).
Para a identificação de uma metonímia conceptual é importante saber que um modelo metonímico é um modelo de como A se relaciona com B dentro da mesma estrutura conceptual e que esta relação é especificada pela função B por A. De acordo com Lakoff (1987: 84-85), as metonímias conceptuais podem ser caracterizadas da seguinte maneira:
I. Envolvem um conceito-alvo A que deve ser entendido tendo em conta a intenção no contexto em que ocorre.
II. Têm uma estrutura conceptual que integra os conceitos A e B.
III. B faz parte de A ou tem uma relação de proximidade com A. A escolha de B por A apenas fará sentido quando a estrutura conceptual for mantida.
IV. Em comparação a, B é mais fácil de entender, mais fácil de recordar, mais facilmente reconhecível ou mais útil tendo em conta a intenção pretendida no contexto em que ocorre (tradução minha).
Assim, no seguinte diálogo
So spielt das Leben, eigentlich wollte ich meine Unabhängigkeit. Stattdessen laufe ich jetzt am Blindenstock mit einem Blinden am Arm.
(É assim o jogo da vida. Na verdade, apenas queria a minha independência, mas, em vez disso, ando agora com uma bengala na mão e um cego no braço.)
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temos duas representações metonímicas para o sujeito da frase. Por um lado, o sujeito é representado por uma bengala branca e, por outro, por um cego. É uma relação metonímica de OBJECTO POR PESSOA e de CATEGORIA POR MEMBRO. Esta identificação metonímica serve, assim, a intenção de Elena, uma das personagens do filme Auf den
zweiten Blick, de evidenciar o quanto uma bengala branca irá reduzir a sua independência e
o quanto ter um cego no braço a fará sentir-se na obrigação de cuidar dessa pessoa agora sua dependente.
2.2 Metáforas conceptuais
Já muito foi escrito nesta dissertação sobre as metáforas conceptuais, mas gostaria, aqui, de destacar as características que tornam as metáforas produtivas para a tradução. Como faz referência Bassnett, não existem duas línguas suficientemente semelhantes para
serem consideradas representativas da mesma realidade social. Os mundos em que vivem duas sociedades diferentes são mundos distintos e não meramente o mesmo mundo associado a diferentes rótulos (2005: 22, tradução minha).
Para o entendimento de uma metáfora, há que partir do princípio de que a imaginação é um mecanismo básico de criação do significado. Por recurso à metáfora estabelece-se um mapeamento entre a nossa experiência corporizada, designada de domínio-fonte, e a nossa experiência menos directa e mais abstracta, designada de domínio-alvo (como referido anteriormente). A metáfora é, portanto, uma estratégia imaginativa que permite fazer-se o mapeamento e/ou projecção entre um domínio cognitivo concreto e um domínio cognitivo abstracto (como referido anteriormente). A metáfora conceptual pode, então, ser identificada da seguinte maneira (procedimento descrito por Kövecses, 2010: 5, tradução minha):
(1) Ler o significado geral.
(2) Identificar as unidades lexicais. (3) Seguir os três passos seguintes:
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b. Analisar outros significados noutros contextos;
c. Perceber se o significado de um contexto é comparável a um significado básico.
(4) Se sim, então trata-se de uma unidade metafórica.
Ao estudarmos parecenças e diferenças nas expressões de uma metáfora conceptual, temos de ter em conta uma série de factores, ou parâmetros, incluindo o significado literal de uma expressão usada, o significado figurado que se quer transmitir e a metáfora conceptual (ou, em alguns casos, metáforas) na base da qual o significado figurado é expresso (Kövecses, 2006: 189). Searle (1979, apud Ortony, 1993: 93-95) designa esta diferença de significado sintáctico (sentence meaning) e significado expressivo (utterance meaning) sendo que o último é apurado contextualmente. A interpretação de um significado expressivo dá-se a partir da exclusão do significado sintáctico, i.e., a impossibilidade de um é a possibilidade do outro.
Na área dos estudos de tradução são normalmente mencionadas as seguintes possibilidades de tradução de expressões metafóricas:
(i) Se uma metáfora é comum entre a língua de partida e a de chegada então deve ser mantida, se necessário, com a respectiva mudança linguística; (ii) Se não existe uma metáfora conceptual equivalente, os tradutores podem
a. Escolher uma metáfora parecida na língua de chegada, b. Optar por usar uma expressão não metafórica, ou
c. Adaptar a metáfora da língua de partida, ou seja, manter a forma metafórica sempre que seja possível ao leitor entendê-la facilmente (Bernárdez, 2013: 314).
Como já referido, Kövecses (2006: 194) apresenta a hipótese de haver sempre um significado figurado subjacente a um conceito abstracto e, nesse caso, quando uma língua não tem uma expressão metafórica correspondente noutra língua, a forma de se chegar a um
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equivalente na tradução é a língua B ter uma expressão metafórica Y baseada numa metáfora conceptual Y e a língua A ter uma expressão metafórica X baseada numa metáfora conceptual X. Veja-se o diálogo abaixo.
Phillip: Ist es nicht gefährlich als Blinde mit einem fremden Mann mitzugehen? (Não é perigoso para uma cega ir com um homem desconhecido?) Lina Es ist Gefährlich als eine Frau mit einem fremden Mann mitzugehen.
(É perigoso para uma mulher ir com um homem desconhecido.)
Seguindo os passos de identificação de uma metáfora conceptual apresentados por Kövecses (2010: 5), no diálogo anterior temos quatro situações necessárias para o entendimento do significado expressivo: gefährlich, Blinde, fremden Mann e mitzugehen. O domínio cognitivo é PERIGO em que se pode inferir que PERIGO É ESCURIDÃO e PERIGO É O DESCONHECIDO. A escuridão é representada indirectamente pela condição de cego e o desconhecido pelo homem estranho. Com esta frase, o locutor pretende evocar o conhecimento generalizado de que as mulheres não devem sair com homens desconhecidos, mas como a receptora da mensagem parece não ter noção do perigo enquanto mulher, «talvez» possa ter enquanto cega. É na resposta da receptora que vemos concretizado esse conhecimento generalizado que o locutor evoca. De certo modo, o significado expressivo da afirmação de Phillip corresponde à fórmula do discurso indirecto como explicado por Searle (1979) em que o significado sintáctico e expressivo coincidem mas com uma implicatura envolvida, um acréscimo de informação que não está expresso nas palavras.
Para a análise subsequente importa ainda referir a noção de ironia apresentada por Searle (1979) que se define como um processo linguístico semelhante ao da metáfora onde o significado expressivo é obtido por oposição ao significado sintáctico.
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