DRIFTSANSVARLIG FOR DAGKIRURGEN A
KAPITTEL 8, SKJEMATISK FREMSTILLING AV FORHOLD SOM INTERVJUENE AVDEKKET – KATEGORISERING OG DRØFTING
8.6 KOMMUNIKASJON OG TILBAKEMELDING PÅ EGET ARBEID
Na cidade de Fortaleza, temos uma população estimada de 2.609.716 habitantes (IBGE, 2016), sendo considerada a quinta maior capital do país. Atualmente, temos cerca de 13.000 pessoas vivendo com HIV (casos notificados no Informe Epidemiológico/Fortaleza: Aids e Sífilis, 2016). Destes, a grande maioria são do sexo masculino ― e grande parte dos casos está concentrada na faixa etária de 20 a 29 anos. Entre essas pessoas com diagnóstico positivo, 8.548 estão cadastradas no Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (SICLOM) em Tratamento Antirretroviral (TARV).
As ações governamentais de controle e enfrentamento da epidemia de Aids são executadas pela Área Técnica de DST/Aids e hepatites virais da Secretaria de Saúde de Fortaleza (AT DST/Aids), a qual desenvolve políticas nas áreas de prevenção, diagnóstico, assistência e vigilância epidemiológica da Aids.
do Sistema Único de Saúde (SUS), em cinco redes assistenciais: Básica, Especializada, Hospitalar, Urgência e emergência e Saúde mental. A Política Municipal de DST/HIV/Aids é compreendida como transversal a todas estas redes assistenciais, segundo os seguintes princípios fundamentais e organizativos: integralidade, controle social, resolutividade, organização das demandas por complexidade, referência e contra referência, intersetorialidade e educação permanente (FORTALEZA, 2009).
Os serviços de diagnóstico para o HIV são realizados em alguns destes serviços de baixa complexidade, em Unidades de Atenção Primária à Saúde – UAPS. E, desde 2009, os mesmos serviços são disponibilizados no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA); nos Serviços de Atendimento Especializado (SAE); em 05 ambulatórios municipais de atendimento a pessoas vivendo com HIV/Aids, e, de acordo com informações da Secretaria de Saúde, em todas as 108 Unidades de Atenção Primária à Saúde (UAPS) do município de Fortaleza.
Fonte: Secretaria de Vigilância em Saúde de Fortaleza – SECOVI (2016).
Todos esses locais devem seguir a orientação para a realização da testagem, incluir a oferta do exame e o consentimento livre e esclarecido para a realização deste, por meio da técnica de aconselhamento antes e depois do teste para o HIV, segundo preconiza o Ministério da Saúde (MS) brasileiro12.
O aconselhamento feito na rede pública de saúde deve fornecer informações sobre as formas de transmissão da Aids, os significados dos resultados dos exames e o período de janela imunológica (tempo entre a infecção pelo HIV e o surgimento dos primeiros sintomas). Em caso de resultado positivo, o profissional deve falar sobre a doença e seu tratamento, a prevenção secundária, o significado e a utilidade de vários exames laboratoriais (como a contagem de linfócitos T CD4+ e a carga viral) e os possíveis efeitos adversos do uso dos medicamentos antirretrovirais em curto e longo prazos. Com acesso às informações sobre a doença e às formas de promover sua própria independência e autonomia, o paciente se fortalece para enfrentar as adversidades trazidas pela soropositividade e seu tratamento. Nesse momento, ocorre também o encaminhamento do paciente para o serviço especializado (BRASIL, 2014).
Apesar dos documentos (tais como o Plano Nacional de Enfrentamento da Epidemia de Aids e DST entre Gays, outros Homens que fazem Sexo com Homens/HSH e Travestis) e protocolos organizados pelo Ministério da Saúde (MS) que orientam a necessidade de priorizar e ampliar o acesso aos serviços de saúde junto as grupos de HSH, PS e UD, a análise de dados epidemiológicos estatísticos e clínicos existentes não têm sido suficientes para explicar os desafios que perpassam o acesso à testagem para o HIV, ou mesmo o acesso aos serviços nas unidades de saúde junto a estes grupos.
Temos analisado, em diversos estudos realizados, que essas populações têm tido menos acesso ao diagnóstico do HIV, bem como buscado menos os serviços de saúde (FRANCA et al., 2008; KERR; KENDALL, 2013). Em pesquisas qualitativas recentes realizadas na cidade de Fortaleza13, alguns dados relativos à 12
relação entre serviços de saúde voltados à prevenção e à população de homens que fazem sexo com homens ― HSH ―, jovens entre 15 e 29 anos, ressaltam tais questões sobre o acesso e o direito à saúde:
Eu nunca fiz o teste, eu tenho medo, sei lá... eu uso camisinha, mas eu tenho medo, nunca se sabe. Eu não sei onde é que faz, uns amigos meus já foram, mas eu não, nem vou, prefiro não saber de nada. (R. 18 anos – HSH)
Olha, eu preciso fazer o teste da Aids, né?... Eu já transei sem camisinha, mas não sei nem onde é, eu não quero ir não, tenho medo ― e se contarem para alguém? (A. 19 anos – HSH2)
Considerando as falas acima, podemos avaliar que mesmo diante de muitos avanços nas políticas de prevenção e diagnóstico em Fortaleza e no Brasil, ainda há reverberações das dificuldades de acesso aos serviços de saúde que demandam ampliar a investigação sobre os fatores que interpõem barreiras à realização do teste.
Nessa direção, vale salientar que a decisão de fazer o teste para HIV é pessoal e intransferível, mas o contexto social, político e cultural de cada indivíduo e das populações atravessa esta decisão de maneira muito diversificada, influenciando para maior ou menor facilidade de acessá-lo. O que estamos analisando nesta pesquisa é o complexo de razões sociais e políticas, individuais e institucionais das dificuldades de acesso ao teste por parte das populações-chave para a epidemia de Aids no Brasil (homens que fazem sexo com homens) por meio de uma análise da política de diagnóstico em Fortaleza e de seu planejamento em âmbito nacional.