O Hospital de Braga de Braga é um estabelecimento integrado na rede de prestação de cuidados do Serviço Nacional de Saúde2, gerido pela Escala Braga – Sociedade Gestora do
2 O Serviço Nacional de Saúde é uma rede de entidades e serviços que prestam cuidados de saúde à população, designando-
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Estabelecimento, S.A. nos termos do Contrato de Gestão celebrado no âmbito do Programa de Parcerias Público-Privadas3.
A gestão do Hospital está a cargo do Grupo José Mello, baseando a sua gestão num “modelo orientado para a eficiência dos processos e para a otimização da prática clínica” (Manual de Acolhimento do Hospital de Braga, p.23).
O Grupo José de Mello Saúde gere atualmente oito hospitais, dois deles em parceria público-privada (Hospital de Braga e Hospital de Vila Franca de Xira), seis clínicas, uma residência assistida, serviços domiciliários e serviço de medicina ocupacional.
O Hospital de Braga foi inaugurado em Maio de 2011, mas gerido desde Setembro de 2009 pelo Grupo José de Mello Saúde. O acordo com o Estado prevê que o grupo faça a gestão clínica do hospital, incluindo a contratação dos recursos humanos e a prestação de cuidados durante dez anos, assim como a gestão do edifício durante 30 anos. Possui uma área de 23 hectares na Freguesia de São Victor, tendo substituído as antigas instalações do Hospital de São Marcos, um edifício com mais de 500 anos e que se localizava no centro da cidade de Braga.
As novas instalações permitiram alargar os cuidados médicos a cerca de 1,2 milhões de cidadãos do distrito de Braga e Viana do Castelo, além de agregar unidades de assistência médica, investigação e ensino universitário.
Segundo informações do seu site, o Hospital de Braga apresenta a seguinte missão (o que faz), visão (o que deseja ser), e os valores pelos quais se rege:
Missão:
• Assegurar a realização das prestações de saúde que constituem a produção prevista para cada ano de duração do Contrato de Gestão de acordo com o perfil assistencial;
• Assegurar a disponibilidade do Serviço de Urgência 24h por dia;
• Realizar ações paliativas aos utentes em Internamento e constituindo, formando e mantendo uma equipa intra-hospitalar de suporte em Cuidados Paliativos;
3 “Contrato ou a união de contratos, por via dos quais entidades privadas, designadas por parceiros privados, se obrigam, de
forma duradoura, perante um parceiro público, a assegurar o desenvolvimento de uma atividade tendente satisfação de uma necessidade coletiva, e em que o financiamento e a responsabilidade pelo investimento e pela exploração incumbem, no todo ou em parte, ao parceiro privado” (Artigo 2ª Decreto-lei nº 86/2003 de 26 de Abril).
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• Promover a saúde, prevenir e combater a doença e colaborar no ensino e na investigação científica em ordem a contribuir para o bem-estar físico, mental e social da pessoa humana;
• Garantir o acesso às prestações de saúde nos termos dos demais estabelecimentos integrados no SNS;
• Como hospital de referência para a Região do Minho, tenderá a prestar à população aqui residente todos os cuidados de saúde de que venha a carecer, no âmbito do seu perfil assistencial, tendo sempre como princípio norteador o primado do utente;
• Assegurar as condições necessárias para o exercício da atividade de ensino médico pré graduado e de investigação científica como Hospital de Ensino Universitário.
Visão:
O Hospital de Braga pretende assumir-se como um hospital de referência para todo o SNS, com um desenvolvimento sustentado em três pilares:
• Qualidade da prática clínica diária e da plataforma (instalações, equipamentos); • Satisfação dos utentes, dos colaboradores e de toda a comunidade envolvente; • Equilíbrio económico-financeiro do Hospital.
Valores:
Respeito pela Dignidade e Bem-Estar da Pessoa: Garantir os direitos e o bem-estar do utente, humanizando a relação e os cuidados prestados;
Desenvolvimento Humano: Incentivar o crescimento dos profissionais, valorizando as capacidades e a procura de um objetivo comum;
Competência: Valorizar a capacidade técnica, a formação e a entreajuda de todos os profissionais;
Inovação: Encontrar novas formas de atuar, privilegiando o trabalho em equipa e a partilha de conhecimentos;
Responsabilidade: Promover a responsabilidade individual e coletiva na boa prática clínica e na utilização de recursos.
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Segundo dados do Inventário de Pessoal do Setor da Saúde – 2014 (p. 11), à data de 31 de Dezembro de 2014, o Hospital de Braga possuía 2.321 trabalhadores divididos pelas diferentes categorias profissionais:
Profissionais HB % Médicos Especialistas 360 15,5% Internos (IAC's4 e IFE's5) 170 7%
Enfermeiros 734 32%
Assistentes Operacionais 642 27,7% Assistentes Técnicos 209 9% Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica 134 5,7% Técnicos Superiores de Saúde 28 1,2%
Outros 44 1,9%
Total: 100%
Tabela 3 - Número de Trabalhadores por Categoria Profissional.
Segundo dados do Balanço Social Global do Ministério da Saúde e SNS – 2014, predomina o género feminino, sendo esta uma tendência de crescimento.
Figura 4 - Número de Trabalhadores por Categoria Profissional.
4 Internos de Ano Comum 5 Internos de Formação Específica
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Ainda segundo a mesma fonte, verificou-se que a idade predominante centra-se entre os 30 e os 40 anos.
Figura 5 - Distribuição de idades dos profissionais do Hospital de Braga.
Relativamente aos vínculos contratuais, tem existido um decréscimo do número de trabalhadores com contrato de trabalho em funções públicas e aumentando o número de trabalhadores em regime de contrato individual de trabalho. No entanto, a modalidade mais representativa é o contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado, apresentando 55% dos profissionais do hospital. Relativamente aos contratos de prestação de serviços, estes representam 1,6% de toda a população do hospital, sendo maioritariamente referentes ao grupo profissional de médicos. O tipo de modalidade de trabalho mais representativa no Hospital de Braga é o trabalho por turnos (cerca de 38,8% do total de trabalho realizado), sendo o grupo profissional dos enfermeiros quem mais o pratica, seguindo-se o dos assistentes operacionais.
É verificada uma taxa de absentismo que ronda os 10%, sendo o principal motivo apontado as ausências por doença.
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3.4.2. Caracterização da Amostra
Foram entrevistados 20 profissionais do Hospital de Braga, previamente selecionados e contactados pela investigadora. Relembro que o método de escolha dos entrevistados baseou-se na incidência de absentismo verificado no ano 2014 e primeiro semestre 2015, assim como na análise de requerimentos de apoio à família. As entrevistas realizadas tiveram um tempo mínimo de 07:30 minutos e um tempo máximo de 33:30 minutos, sendo a duração média de 16 minutos. Dos 20 profissionais entrevistados, 11 são enfermeiros, cinco são assistentes técnicos ou administrativos, dois são técnicos de diagnóstico e terapêutica, um é assistente operacional e por fim um médico. A percentagem de enfermeiros entrevistados é, por isso, de 55%, enquanto os restantes profissionais correspondem a 45% do total dos entrevistados. É importante referir que esta proporção é semelhante à proporção de profissionais existentes na população do Hospital de Braga (por exemplo, os enfermeiros representam 32% da população). Outro critério que conduziu à opção de entrevista de um número elevado de enfermeiros para participar no estudo foi o facto de se ter detetado, através da análise documental inicial, que se trata de uma das categorias profissionais que mais faltam, a par dos assistentes operacionais (figura 6).
Figura 6 - Relação de dias de absentismo no ano 2014 e o primeiro semestre de 2015 com o grupo profissional.
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A análise documental permitiu, ainda, identificar os três serviços onde se verificou mais faltas no ano 2014 e primeiro semestre de 2015 (figura 7).
Na amostra, dos 11 enfermeiros entrevistados, cinco exercem funções no bloco operatório. É também nestes três principais serviços que se apresenta o SOU – Serviço de Orientação a Utentes, serviço onde está integrado o maior número de assistentes técnicos, grupo privilegiado na amostra, representando 25% dos inquiridos.
Relativamente ao género, os entrevistados refletem, uma vez mais, a proporção detetada na organização em estudo. Ou seja, foram entrevistadas 15 mulheres (75% da amostra) e cinco homens (25% da amostra), sendo esta a proporção que também se verifica na população dos profissionais do Hospital de Braga tal como descrito no ponto anterior. De referir que a análise documental inicial revelou que as taxas de absentismo das mulheres são superiores às dos homens (figura 8).
Figura 7 - Relação de dias de absentismo no ano 2014 e o primeiro semestre de 2015 com o serviço (3 principais serviços).
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Figura 8 - Relação de dias de absentismo no ano 2014 e o primeiro semestre de 2015 com o género dos colaboradores do Hospital de Braga.
Todos os profissionais inquiridos apresentam uma relação de contrato laboral de efetividade, sendo que 50% têm um Contrato Individual de Trabalho sem Termo, i.e., pertencem aos quadros do Grupo José de Mello Saúde. Os restantes indivíduos entrevistados (50%) têm um Contrato de Trabalho em Funções Públicas por tempo indeterminado, i.e., pertencem aos quadros dos funcionários do estado. Os dados relativos ao absentismo dos profissionais com diferentes tipos de contrato revelam que os profissionais abrangidos por um contrato de efetividade são mais propensos a faltarem ao trabalho (figura 9).
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Figura 9 - Relação de dias de absentismo no ano 2014 e o primeiro semestre de 2015 com o tipo de contrato dos colaboradores do Hospital de Braga.
Foi ainda elaborado um quadro de relação do número de profissionais entrevistados com o tempo de serviço. Todos os inquiridos apresentam um vínculo de efetividade como expresso no ponto anterior, logo trabalham pelo menos há dois anos no Hospital de Braga. De realçar que 65% dos profissionais inquiridos, trabalham na instituição em estudo há mais de dez anos.
Tabela 4 - Relação de tempo de serviço no Hospital de Braga com os profissionais inquiridos.
Relativamente à parentalidade, a maior parte dos entrevistados tem filhos com idades compreendidas entre os 0 e os 16 anos. Dos 17 entrevistados com filhos, 10 tinham dois filhos, cinco tinham um filho, e dois profissionais tinham três filhos. A análise dos dados sobre o absentismo dos profissionais não revelou relação com a parentalidade e/ou com o número de filhos. É importante referir que em toda a população do Hospital de Braga, há uma diminuída
Tempo de Serviço no HB: Numero de profissionais:
2-5 anos 5
6-10 anos 2
11-15 anos 8
+ 15 anos 5
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percentagem de colaboradores com três ou mais filhos, possível justificação para o facto de estes profissionais contribuírem de modo menos significativo para o absentismo (figura 10).
Figura 10 - Relação de dias de absentismo no ano 2014 e o primeiro semestre de 2015 com o número de filhos dos colaboradores do Hospital de Braga.
A seleção de um número significativo de indivíduos com filhos como participantes no estudo justifica-se, também, pelo facto de a análise documental ter revelado que, a par do significativo absentismo, este grupo apresentou determinados requerimentos para maior apoio à família, ao abrigo da lei. Em concreto, dos 17 profissionais com filhos, seis deles colocaram requerimentos, tendo como base o apoio à família, dividindo-se em:
i. Pedidos de horários Fixos6;
ii. Pedidos de horários Flexíveis7;
iii. Pedidos de regime de trabalho em meia jornada8;
iv. Pedidos de prática de trabalho em jornada contínua9.
Ainda relativamente à amostra, é importante referir que a média de idades dos entrevistados ronda os 37 anos, enquanto a média das idades dos 32 filhos dos entrevistados se concentra nos seis anos. Relativamente ao estado civil, 16 (dos 20 entrevistados) estão casados ou em união de facto. Destes profissionais, apenas um não tem filhos. Dos restantes quatro, um profissional está
6 Lei nº35/2015 de 20 de Junho (artigo nº112)
7 Lei nº35/2015 de 20 de Junho (artigo nº111) e Lei nº7/2009 de 12 de Fevereiro (artigo nº56 e nº57) 8 Lei nº35/2015 de 20 de Junho (artigo nº114-A) e Lei nº7/2009 de 12 de Fevereiro (artigo nº55 e nº57) 9 Lei nº35/2015 de 20 de Junho (artigo nº114)
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divorciado e três são solteiros. Um dos profissionais solteiros tem um filho, e o profissional divorciado tem à sua responsabilidade dois filhos. Apenas três dos 20 entrevistados revelaram ter dependentes adultos a seu cargo.
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Parte IIl – Apresentação e Análise dos Resultados
Na terceira parte do estudo, apresentam-se os dados obtidos através das entrevistas semiestruturadas realizadas, sendo realçados os conteúdos integrados nas categorias anteriormente apresentadas. Através da apresentação e análise de resultados introduzir-se-á novo material ao estudo, matéria resultante do testemunho dos entrevistados.
Esta parte do trabalho subdivide-se em três temas. O primeiro tema relaciona as perceções dos profissionais relativamente ao equilíbrio entre o trabalho/vida pessoal ao longo dos seus percursos profissionais, o segundo tema aborda a relação dos colaboradores com a organização e as suas práticas e políticas e, por último, o terceiro tema aborda o caso particular dos casais dentro da organização e do respetivo equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal.
Por forma a assegurar a confidencialidade dos profissionais envolvidos no estudo, estes serão apresentados através das suas características pessoais relevantes ao estudo (idade, estado civil e parentalidade) e profissionais (profissão e regime de trabalho).
4. A RELAÇÃO TRABALHO/VIDA PESSOAL E O ENVOLVIMENTO COM OS DIFERENTES