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Kommunale grupper kontra interkommunale grupper

In document Aktiv hverdag (sider 18-0)

1.5 Historikk

1.5.1 Kommunale grupper kontra interkommunale grupper

As escolhas de representação reservam significados particulares quando o escândalo é representado no domínio dos processos mentais. Essas escolhas incidem, de forma mais recorrente, sobre a representação do mundo da consciência de petistas, incluindo o presidente Lula. Destacamos quatro recortes, (117), (118), (119) e (120), de modo a mostrar como esses Experienciadores reagem aos acontecimentos do escândalo. Vejamos as análise abaixo.

(117) A falta de conexão com a realidade dos petistas é preocupante [Oração relacional]: eles

[Experienciador] não conseguem mais enxergar nem mesmo [Processo Mental Perceptivo]

um bolo de dinheiro vivo no valor de 1,7 milhão de reais [Fenômeno].

Na representação acima, o jornalista representa uma experiência de mundo da consciência dos petistas com base no sentido da visão (não enxergar). Essa escolha de representação situa o acontecimento do escândalo no mundo da experiência interior dos petistas (o que eles sentem), mostrando como eles reagem aos acontecimentos do mundo

material no nível da consciência. Não enxergar “um bolo de dinheiro vivo” nada mais é do

que ir contra os fatos. A seleção desse léxico mostra, outra vez, o recurso a um discurso mais conversacionalizado, buscando a naturalização da realidade representada.

Outra representação de como os petistas reagem aos acontecimentos do mundo material é o recorte (118).

(118) Os petistas [Experienciador], com o próprio presidente à frente [Circunstância

comitativa], consideram [Processo Mental Cognitivo] desastrosa a possibilidade de que haja

segundo turno [Fenômeno]. "Se houver, serão três semanas de bombardeio, no auge da investigação sobre o dossiê e todos os candidatos derrotados apoiando o Alckmin” [Oração

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Neste recorte, a experiência representada mostra que os petistas temem o segundo turno das eleições presidenciais. A justificativa é dada na oração projetada, que revela os efeitos mais prejudiciais à campanha de reeleição do presidente Lula. Chama atenção que essa experiência mental acontece de uma forma conjunta: o presidente também é experienciador dessa reação aos fatos do escândalo, conforme mostra a circunstância comitativa.

Com relação às reações de Lula, a representação construída no recorte (119) sinaliza como o leitor deve interpretar a reação do presidente face aos acontecimentos.

(119) Ele [Experienciador] se jacta de [Processo Mental Cognitivo] ter afastado os amigos, os companheiros de viagem política, ministros e funcionários de alto escalão pegos com a mão na cumbuca [Oração projetada]. Lula os afastou [Oração material], mas não perdeu uma única chance de [Processo Mental Cognitivo] passar a mão na cabeça dos caídos, de dizer que continuam seus "amigos", seus "meninos", que democracia "não é só coisa limpa" e que não cometeram delitos, mas "simplesmente erraram” [Orações projetadas].

No recorte acima, a representação das reações do presidente se dá na relação entre diferentes domínios experienciais. O papel de figura conivente com os fatos é aqui reforçado

principalmente nas escolhas dos processos mentais “se jacta” e “não perdeu uma única chance”. Essas formas de reação aos acontecimentos mostram como o presidente aprecia suas

ações para com os acusados no mundo material, evidenciando uma postura incompatível daquela esperada de um presidente da república face aos fatos ocorridos. Podemos pensar que essa representação elaborada no recorte acima pode ser servir como um forte argumento para as avaliações depreciativas atribuídas ao presidente ao longo das reportagens.

Ainda nesse domínio experiencial, a representação do recorte (120) também serve como argumento para a dúvida se o presidente realmente não sabia de nada sobre a compra do dossiê.

(120) É altamenteprovávelque Lula soubesse que, no seu comitê reeleitoral, havia um bunker clandestino – repetindo, aliás, a estrutura montada na campanha presidencial de 2002 [Oração

relacional]. Uma reportagem de VEJA, publicada em outubro de 2003, mostrou como

funcionava esse núcleo, que operava na defesa de Lula e no ataque aos adversários. Lula [Experienciador] sabia [Processo Mental Cognitivo] de sua existência [Fenômeno] e, durante a conversa que selou sua criação, ainda recomendou [Oração verbal]: "Seja inteligente. Não faça nada de Manuel ou Joaquim nessa história” [Oração projetada].

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Neste recorte, o jornalista torna evidente que o presidente já se envolvera com algo semelhante ao escândalo do dossiê na eleição presidencial de 2002. As escolhas mostram que, além de conhecer o esquema de espionagem a adversários, Lula ainda aconselhava o grupo quanto ao modo como deveriam agir. Podemos dizer que essa escolha representacional contribui e muito não só para instruir o leitor na compreensão da realidade que cerca o presidente, mas, também, para ajudar esse leitor a construir uma imagem mental do escândalo: se Lula sabia do esquema de espionagem de 2002, provavelmente também sabia do dossiê de 2006.

Com relação às escolhas dos processos existenciais, podemos dizer que todas as escolhas ou introduzem informações sobre o desdobramento dos acontecimentos ou retomam essas informações. No recorte (121) abaixo, o processo “aparece” cumpre a função de

introduzir a existência do ator Freud Godoy na “operação abafa”, apresentando, assim, uma informação que passará a ocupar o centro da reportagem “Um enigma chamado Freud”: o

esforço de Freud Godoy para que Gedimar Passos e Valdebran Padilha, presos com 1,7 milhão de reais, não deem informações relativas ao esquema da compra do dossiê.

(121) Nessa operação [Circunstância de lugar] aparece [Processo Existencial] o que pode ser a impressão digital de um personagem muito próximo do presidente Lula [Existente].

Destacamos abaixo um recorte dessa reportagem onde as escolhas de processos existenciais e de léxico avaliam de forma negativa o encontro entre Freud Godoy e Gedimar Passos na carceragem da Polícia Federal.

(122) Segundo um relato escrito por três delegados da Polícia Federal e encaminhado a VEJA, Espinoza e Freud, acompanhados de dois homens não identificados, fizeram uma visita a Gedimar na noite de 18 de setembro, quando ele ainda estava preso na carceragem da PF em São Paulo. A visita [Existente] ocorreu [Processo Existencial] fora do horário regular [Circunstância de tempo] e sem um memorando interno a autorizando [Circunstância

comitativa]. Um encontro com um preso nessas condições é ilegal. Ele pode ser encarado

como obstrução das investigações ou coação de testemunha. De acordo com o relato dos policiais, o encontro foi facilitado por Severino Alexandre, diretor executivo da PF paulista. O encontro [Existente] ocorreu [Processo Existencial] logo depois da acareação regular entre Freud e Gedimar [Circunstância de tempo], um encontro [Existente] de cinco minutos [Circunstância de tempo] que, segundo o relato oficial [Circunstância de fonte], transcorreu [Processo Existencial] em silêncio da parte de Gedimar. O mais interessante [Existente], no relato dos policiais [Circunstância de fonte], viria [Processo Existencial] a seguir [Circunstância de tempo]. Severino teria acomodado os petistas em seu gabinete e determinado a Jorge Luiz Herculano, chefe do núcleo de custódia da PF, que retirasse Gedimar

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de sua cela. Herculano resistiu, pretextando corretamente que o preso estava sob sua guarda e que não havia [Processo Existencial] um "memorando de retirada” [Existente].

No recorte, a narrativa construída busca certificar a ilegalidade do encontro, mostrando

como os “ilícitos ainda mais demolidores”, recorte (98), são praticados com a finalidade de

impedir que o escândalo ganhe proporções ainda maiores. Essa representação experiencial, como se vê, acontece nas escolhas de diferentes processos, onde se busca evidenciar ao leitor uma realidade do escândalo, por isso a saliência maior é dada à ilegalidade da visita feita a Gedimar.

Segundo Fairclough (2003, p.85), narrativas noticiosas possuem uma “intenção

explanatória” que dá sentido ao evento noticiado, atraindo-o para uma relação que incorpora um determinado ponto de vista. Logo, é nesse sentido que essa informação pode servir para orientar e controlar a representação do que significa o escândalo do dossiê, mostrando aos leitores, através de um léxico altamente avaliativo, que as atividades irregulares do PT se estendem mesmo após a revelação do escândalo. Vale ressaltar que essa representação experiencial está calcada no relato de policiais (circunstância de fonte). O que o jornalista faz, então, é uma leitura desse relato (uma recontextualização) regida pela realidade factual do escândalo que constroi, elaborando uma representação capaz dar ao encontro seu real significado.

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4.3 O escândalo dos Cartões Corporativos representado nas reportagens A farra do cartão de crédito e A república dos cartões: um perfil quantitativo dos tipos de processo

A análise das escolhas sistêmicas de transitividade nas duas reportagens investigadas sobre o escândalo dos cartões corporativos mostra uma distribuição de processos materiais e relacionais muito superior às outras opções do sistema. Não muito diferente dos dados apresentados nos quadros 4.1 e 4.3, referentes respectivamente aos escândalos do mensalão e do dossiê, o quadro 4.5 abaixo revela que a recontextualização de práticas do mundo do escândalo dá preferência a atividades materiais e à atribuição de qualidades e classificação de participantes.

Quadro 4.5: Distribuição dos tipos de processo

nas reportagens A farra do cartão de crédito e A república dos cartões

Reportagem

Tipos de processo A farra do cartão de crédito A república dos cartões Total

Material 74 88 162 Relacional 44 66 110 Mental 18 10 28 Verbal 7 16 23 Existencial 5 10 15 Comportamental 0 1 1 Total 148 190 339

A quantidade de processos materiais talvez possa ser explicada por um interesse dos jornalistas em revelar as ações realizadas com os cartões corporativos. Conforme veremos nas análises mais abaixo, percebe-se uma variedade de escolhas lexicais referentes aos gastos

realizados com esses instrumentos: “sacaram”, “gastam”, “bancou” e “torrou” são alguns

exemplos de como os jornalistas recontextualizam ações de gastar com o cartão. Com relação às escolhas de processos relacionais, nota-se que tanto o escândalo, enquanto um acontecimento, como os servidores públicos acusados de abusar nos gastos recebem diferentes atributos e classificações, todas elas voltadas para desaprovar os fatos e construir uma realidade de irregularidades e transgressões de normas e códigos referentes ao uso adequado dos cartões de crédito corporativos.

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O quadro 4.5 mostra ainda a baixa quantidade de processos mentais, verbais, existenciais e comportamentais encontrados nas reportagens. A propósito, acerca da representação de comportamentos psicológicos e fisiológicos, encontramos apenas uma ocorrência em nossos dados: o processo representa um comportamento do governo frente as consequências políticas do escândalo – “[O governo] Teme, porém, as consequências políticas, porque considera o assunto de fácil entendimento da população”. Nessa representação, observa-se a importância de se revelar aquilo que o escândalo causa no governo. Como veremos a partir das análises mais abaixo, o discurso de VEJA sobre o escândalo não apenas revela publicamente a existência de desvios de função no uso de cartões corporativos, mas, também, constroi uma realidade particular para esses desvios. E é nessa construção que percebemos o modo como cada escolha sistêmica tem um papel discursivo fundamental para entendermos o objetivo comunicativo de se representar um evento como um escândalo político.

Para a construção de um discurso infamante, que cause desaprovação nos leitores, observou-se que os processos existenciais contribuem a seu modo para a revelação da falta de uma política de fiscalização séria nas faturas desses cartões. Em sua grande parte, esses processos aparecem na forma negativa – “No modelo atual, não há nenhum controle externo

sobre boa parte das despesas da Presidência” – sinalizando o posicionamento dos jornalistas

ao revelarem aspectos da realidade de mundo do escândalo. A crítica lançada sobre o governo ocorre principalmente nessas representações daquilo que não existe na política de uso dos cartões. A respeito das escolhas de processos mentais e verbais, suas ocorrências, em grande parte, funcionam como recursos para a introdução de outras experiências, através das quais os jornalistas constroem tanto suas experiências de mundo a partir das irregularidades cometidas com os cartões quanto estruturam um discurso infamante de modo a provocar desaprovação nos leitores.

Diferentemente dos dois escândalos anteriores, no escândalo dos cartões corporativos não há uma grande ocorrência de representações de mundo para atores sociais específicos. Neste escândalo, embora os jornalistas optem por representar algumas transgressões no uso dos cartões, vemos que o foco das realidades de mundo representadas está voltado para o acontecimento como um todo. A preocupação maior dos jornalistas parece ser a construção de uma realidade de práticas ilegais realizadas com os cartões, e isso implica mostrar, principalmente, uma variedade de atividades materiais, classificação de participantes,

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atribuição de qualidades negativas a atores sociais e ao escândalo, introdução de acontecimentos, dentre outros aspectos. Por motivos de um limite de páginas, deixaremos de analisar todas essas atividades relacionadas à construção do escândalo.

Apresentamos no gráfico 4.3 abaixo a distribuição dos tipos de processo nas reportagens em termos de percentagem.

Gráfico 4.3: Distribuição dos tipos de processo nas reportagens A farra do cartão de crédito e A república dos cartões em percentagem

4.3.1 A construção da realidade de mundo do escândalo: a representação de

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