2.5 Sysselsettings- og inntektspolitikken
2.5.2 Komiteens merknader
Assistimos a uma cada vez maior responsabilização da família, no que concerne ao cuidado. No entanto, as famílias deparam-se com múltiplas exigências, o que coloca dificuldades ao desempenho de todas as funções que dela se esperam. No caso do apoio a idosos, esta situação é ainda agravada pelo facto de muitos dos cuidadores serem eles próprios idosos, e por isso, eles próprios necessitados de cuidados. É neste contexto que se reconhece a relevância crescente da existência de redes de apoio. Então, é pertinente e necessário voltar a atenção para os cuidadores informais, apoiá-los no antecipar e planear as situações,
prevendo várias dificuldades, necessidades e possibilidades de cuidar do dependente, informá-los sobre direitos, benefícios e recursos de que dispõem, incentivá-los a aprender como fazer com confiança, respeito e dignidade, a estarem informados, nomeadamente sobre potenciais riscos e estratégias de auto-cuidado. A envolvência do cuidador ou família requer a sua proteção e valorização, pressupondo a articulação e colaboração com os profissionais da área da saúde e, acrescentamos, da proteção social e do emprego. É importante que haja uma adequada orientação de cuidadores formais, fazendo sentido ações como sensibilizar, (in)formar, aprender, partilhar conhecimentos, sentimentos e angústias, de forma a facilitar estratégias para ultrapassar as situações atuais, ou com que eventualmente virão a confrontar-se, numa perspetiva pró-ativa e de prevenção, que poderão minimizar os efeitos negativos para o dependente e para o cuidador, resultantes de um cuidar desajustado (Saraiva, 2001).
Fontes (2007), realça que os cuidados prestados estão, sobretudo, assentes na sociedade civil e na esfera privada, daí a importância das redes sociais, dos apoios sociais, num quotidiano marcado pelo sofrimento e no apoio complementar de um tratamento. Incluem quem é cuidado, quem cuida, as redes de sociabilidade destas pessoas, as associações de profissionais, os grupos de auto-ajuda e outros fluxos de apoio (in Saraiva, 2011).
A Rede Social pode definir-se como “… um conjunto de unidades sociais [indivíduos ou grupos, formais ou informais] e de relações, diretas ou indiretas, entre essas unidades…” (Mercklé, in em Portugal, 2006: 139), que “… podem ser transações monetárias, troca de bens e serviços, transmissão de informações, podem envolver interação face a face ou não, podem ser permanentes ou episódicas.” (Portugal, 2006, in Saraiva, 2011: 20).
Portanto, a rede social constitui um espaço de pertença, cujos laços sociais constituem um recurso, num processo de apoio, aos que dele fazem parte, mantendo laços típicos das relações sociais, especialmente entre os membros da família, contribuindo para o bem-estar das pessoas e fortalecendo o uso de estratégias para enfrentar a doença (Nardi e Oliveira, 2008).
Ricarte (2009) sugere a criação de um espaço multidisciplinar de apoio ao cuidador informal, para articulação de cuidados e melhorar o desempenho do mesmo, contribuindo para minimizar a sobrecarga, ao possibilitar o seu acompanhamento precoce. Tal parte da “… promoção de políticas sociais que visem a solidariedade e o apoio dentro da família, com a inclusão de todos os seus elementos, apoiando-a e protegendo-a através de equipas multidisciplinares (…) tornar-se-á uma mais-valia (…) para a sociedade em geral.” (Saraiva, 2011, cit. in Ricarte, 2009:109).
As políticas sociais e as políticas comunitárias devem ser aproximadas, no sentido de promover esferas de solidariedade direta e redes de apoio (Roca, 1994, in Lage 2005), dado que os cuidados às pessoas idosas e aos familiares que cuidam exigem, sobretudo, uma
solidariedade de base e uma ajuda eficaz, combinada e adaptada (Jöel, 2002, in Lage, 2005). Para que a ajuda seja eficaz, deverá ser precoce e girar à volta dos eixos como sejam a informação, formação, suporte, alívio e intervenção psicoterapêutica, indo de encontro às reais necessidades do cuidador principal (Andrade, 2009).
Devem ainda ser desenvolvidas fórmulas intermédias entre os cuidados a cargo das famílias e a institucionalização das pessoas idosas, como, por exemplo, o acolhimento familiar, as residências partilhadas (pouco comuns em Portugal) e todas aquelas que favoreçam a participação e a auto-organização das pessoas idosas e cuidadores (Lage, 2005, in Andrade, 2009). Assim sendo, os dispositivos de ajuda aos cuidadores devem incluir o aumento dos serviços formais de apoio domiciliário que permitam suplementar ou substituir, quando necessário, as redes de apoio informal (Andrade, 2009).
Os sistemas formais e informais não podem constituir processos independentes, mas antes processos complementares. A interface entre os cuidadores formais e informais é crucial na gestão efetiva dos problemas das pessoas idosas e suas famílias, assim sendo, ambos os serviços devem convergir, assegurando unidade e objetivos comuns para poderem agir adequadamente (Lage, 2005 in Andrade, 2009).
Para muitos autores é necessário continuar ter consideração por cuidadores que têm dependente o cargo, como é o caso do cuidado a idosos dementes, promovendo a sua sensibilização para a complexidade e fragilidade humanas e a sua preparação para a exigência associada. Deve existir a sensibilização, a (in) formação do próprio cuidador, orientando-se para preservar a integridade, a auto-estima, a autonomia e competências (sociais, físicas, psíquicas) e promover a auto-realização. (Saraiva, 2011).
Uma questão que parece ser negligenciada no sistema formal de prestação de cuidados, pelos profissionais da saúde, segurança social e emprego, por todos os que possam estar ligados à questão dos cuidados, é saber se o cuidador principal e a família têm capacidade para suportar as exigências do cuidar e mais encargos do que os que já suporta e se é possível e ético exigir-lhes mais do que já praticam. Parece ser generalizado que o cuidador só recebe apoio quando por si solicitado e, na grande maioria das vezes, só quando se encontra numa situação de desespero.
São diversas as necessidades ou dificuldades que se deparam ao cuidador na sua atividade de cuidar, de ordem física, social, emocional, económica, espiritual (Ferreira, 2009) e estão desde logo relacionadas com o tipo e grau de dependência da pessoa ao seu cuidado, com fatores externos e internos ao cuidador, as necessidades instrumentais (mobilização, ajudas técnicas, financeiras), as necessidades de orientações dadas pelos técnicos de saúde e os sentimentos vividos perante a situação de dependência do seu familiar (impotência, preocupação constante, viver em função das necessidades do outro, sentido do dever, sentido da vida). (Lopes, 2007, in Saraiva, 2011).
Também estão relacionadas com o desconhecimento dos serviços e respostas existentes para as diferentes situações de dependência e com a dificuldade de acesso aos mesmos.
Existem necessidades, dificuldades fundamentais sentidas pelo cuidador informal principal, como sejam as seguintes: ajudas financeiras, ajudas técnicas, apoio de profissionais da saúde, proteção, assistência e apoio social (nomeadamente devido a faltas, perda de emprego), apoio na comunidade (por exemplo, no acesso à informação e conhecimento das entidades ou serviços disponíveis), tempo de descanso, tempo para convívio e lazer, acesso a formação para um melhor cuidar, articulação entre entidades e/ou serviços para uma melhor resposta à situação de dependência, também para melhor informação e apoio à tomada de decisão do cuidador.
Os cuidadores devem ter conhecimento das estratégias para obtenção de suportes social, como, por exemplo: apoio emocional e prático de amigos, colegas e outros familiares e profissional, participando em grupos de ajuda e intervenções psicoeducativas. (Bandeira & Barrosos, 2005).
Também é importante desenvolveram estratégias individuais, tais como: desenvolver mais atividades fora de casa, ter uma profissão gratificante, pertencer a um grupo de ajuda mútua, colocar limites no comportamento do paciente, tentar manter uma vida familiar mais normal possível, também a religião como fonte de apoio, procurar espontaneamente por informação e ajuda para enfrentar a situação de cuidar (Rose, citada em Bandeira & Barrosos, 2005, in Saraiva, 2011).
É assim, fundamental que os cuidadores tenham conhecimento das respostas sociais existentes ao nível da prestação de cuidados.