5.6 Barriers for managing dependencies
6.1.1 Knowledge dependency
3.4.6.1 O que é o léxico?
De modo a planificar das aulas de ELE considerou-se de extrema importância ter por base um conceito de léxico. Neste caso, optou-se por seguir o conceito proposto Alonso (2012, p. 30): conjunto de palavras que uma pessoa necessita e emprega para comunicar-se numa língua.
Seguiu-se, ainda, do mesmo autor, a utilização de léxico e vocabulário enquanto sinónimos. No entanto, não quero deixar de referir a pensamento que Alonso (2012) partilha com Martín Peris (2008) ao distinguir entre vocabulário e “léxicon mental”. Para este autores a principal diferença entre estes dois conceitos é que
[…] el primero es común a una comunidad hablante, en ese sentido es resultado de un conocimiento compartido y supraindividual, mientras el segundo es propio del hablante y, por consiguiente, un conocimiento individual, parcial en relación con el vocabulario de determinada comunidad hablante.”
Um outro conceito que aqui se teve em consideração, e que se entende como um prolongamento do conceito de léxico sugerido por Alonso, é o conceito de competência léxica. Esta representa o conhecimento do vocabulário de uma língua e a capacidade de utilizá-lo, e é composta tanto por elementos léxicos como elementos gramaticais. (Moreno, 2011, p. 459).
3.4.6.2 Que léxico ensinar?
Esclarecidos os conceitos de léxico e competência léxica, importa refletir sobre que léxico ensinar aos nossos alunos.
Durante as PPS de espanhol, o léxico a ensinar aos alunos derivou dos temas selecionados pelos manuais utilizados no estabelecimento de ensino onde estas decorreram.
Ainda que os temas tenham sido impostos, a seleção do léxico para a aprendizagem dos alunos teve em conta aspetos considerados por Moreno (2011, pp. 460-461) e Giovannini (1996, pp. 46-47): a relação de esforço entre aprender e reter uma palavra e a sua rentabilidade; a frequência de uso das palavras; as necessidades do grupo; e o tratamento dos casos de polissemia dos casos frequentes para os menos frequentes, do denotativo para o conotativo.
Por exemplo, para trabalhar o tema das atividades de tempo livre (formativa 1) tiveram-se em consideração as atividades de tempo livre mais adequadas à idade dos alunos, ou seja, aquelas que corresponderão à sua necessidade comunicativa.
Um dos aspetos a considerar quando se trabalha o léxico é que devemos ensinar unidades léxicas e não palavras isoladas:
“... aprender léxico no consiste en aprender palabras aisladas. Muchas son las veces que un adjectivo va normalmente con un sustantivo, un verbo seguido de un sustantivo, además de todas las frases hechas y locuciones. (Alonso, 2012, p. 35)”.
Por este motivo, na proposta de correção da sequência de aprendizagem formativa 1, uma das soluções apresentadas para o ensino do léxico das atividades do cotidiano é a utilização do verbo da frase conjugado na primeira pessoa e não na forma infinitiva. Por exemplo, em vez de os alunos aprenderem simplesmente a palavra “despertarse”, vocábulo pouco rentável e pouco frequente para os alunos, os alunos aprendem, numa primeira fase, a unidade léxica “me despierto”.
3.4.6.3 Como e quando ensinar léxico?
Para responder à primeira questão (“como ensinar léxico”) recorremos às sugestões de Alonso (2012, pp. 36-46). Em primeiro lugar o léxico deve estar sempre contextualizado e não aparecer como uma lista de palavras.
O ensino do léxico deve acontecer juntamento com o ensino de estratégias de comunicação para quando as unidades léxicas falharem. Neste campo entram palavras como “cosa” e “eso que”, e a mímica.
Devemos ter também em consideração se devemos trabalhar primeiro a forma ou o significado e pensar porque vamos fazê-lo assim.
O léxico, como já evidenciámos anteriormente, deve ser ensinado de uma forma acumulativa, isto é, num nível inicial podemos ensinar o significado, a ortografia e a pronunciação mas num nível mais avançado podemos já ensinar conotações dessas palavras, mais significados ou as suas derivações.
Devemos pensar se queremos trabalhar o léxico de uma forma indutiva ou dedutiva. Neste ponto pode-se esclarecer que em aulas dedicadas ao ensino- aprendizagem do léxico eram sobretudo indutivas, no entanto em momentos pontuais podia ocorrer de forma dedutiva, por exemplo quando um aluno questionava o professor sobre uma palavra específica.
Um outro ponto a ser pensado é a eleição de que tipo de registo trabalhar, coloquial ou formal. Neste caso o autor propõe a utilização de um registo neutro culto ao início e depois aquele que seja mais necessário aos alunos.
Por fim, deve-se ter em consideração a importância de implementar as unidades léxicas em frases e pronunciá-las num ritmo normal para que os alunos se habituem ao seu reconhecimento, assim como utilizar palavras de valor afetivo para os alunos para que seja mais fácil recordá-las.
Chegou, então, o momento de responder à segunda questão – quando ensinar o léxico?
Segundo Giovannini (1996, p.48), o léxico deve estar presente constantemente nas nossas aulas e pode ocorrer em variadas ocasiões: antes de um exercício, depois de um exercício, conforme vai ocorrendo na aula mediante despertar de interesse dos alunos, ou como objetivo de aula.
Nas planificações das PPS o léxico surgiu essencialmente antes e depois de atividades, no entanto, foi também objetivo de aula nas sequências de aprendizagem aplicadas ao 7º ano.
3.4.6.4 Que atividades implementar para o ensino-
aprendizagem de léxico?
A aprendizagem do léxico pode ser fomentada com diferentes tipos de atividades e, durante as PPS de espanhol, procurou-se implementar atividades diversificadas.
A utilização de jogos para aquisição e prática do vocabulário resultou de forma bastante positiva com os alunos. Por exemplo, o quiz relacionado com o tema da alimentação, na segunda sequência de aprendizagem sumativa, tornou- se uma atividade bastante dinâmica pela forma como os alunos se envolveram na mesma.
Ao nível da apresentação de vocabulário optou-se por trabalhar a relação vocábulo/imagem tal como apresentamos na sequência de aprendizagem formativa 2 ao trabalhar o tema das atividades de tempo livre ou na sequência de aprendizagem sumativa 2 em que os alunos tomam contacto com o vocabulário a partir de material autêntico, uma revista de supermercado.
Na sequência anteriormente mencionada implementou-se, ainda, uma atividade de aprendizagem do léxico a partir do contexto. Neste caso os alunos escreveram a lista de compras com os alimentos que o casal do texto tinha de comprar.
Existem, ainda, outros tipos de atividades que podem ser implementadas nas aulas de ELE e que por limitação de tempo não foi possível incrementá-las nas PPS.
Giovannini (1996, p.54) propõe, ainda, apresentação do vocabulário através da explicação com exemplos, de ilustrações visuais aqui já mencionadas, através da definição ou da apresentação de sinónimos ou antónimos, através de um contexto (também já aqui apresentado) ou dando a tradução da palavra na língua do aluno.
Estas sugestões de Giovannini são mais adequadas em situações pontuais de aprendizagem de vocabulário, isto é, em situações que o vocabulário resulta do decorrer da aula.
Por outro lado Alonso (2012, pp. 48-50), propõe as seguintes atividades que nosso entender resultarão de forma bastante positiva em exercícios previamente planificados: o uso de cartões, a classificação de palavras através de um glossário, ou a leitura extensiva.
3.4.6.5 O uso do dicionário
O dicionário pode ser uma ferramenta muito útil quando estamos a trabalhar o léxico nas nossas aulas se for utilizado para encontrar o significado de unidades léxicas que não foram resolvidas utilizando outras estratégias (Alonso, 2012, p. 50).
Este pode, também, ser encarado como um manual que ajuda o aluno a
“... suplir deficiencias gramaticales o prácticas […]; deficiencias informativas de la lengua literaria, del lenguaje científico y técnico [...] de la lengua cotidiana; con información clara, con ejemplos claros, con propuesta de sinónimos y antónimos, con información gramatical útil, con cuadros e ilustraciones necesarias, con información enciclopédica cuando pueda ser conveniente. Querrá también llegar a ser un auxilio de la lectura y de la escritura […].” (Cano, 2004, pp. 71-72)
Foi essencialmente nesta última perspetiva que se utilizou o dicionário nas PPS de espanhol, especialmente nas tarefas finais quando estas implicavam maior dedicação por parte dos alunos na preparação de apresentações escritas ou orais. Por exemplo, na primeira sequência de aprendizagem sumativa, na qual os alunos tinham como tarefa final uma atividade de escrita criativa, o dicionário foi uma ferramenta de apoio aos alunos bastante útil pois, através do seu uso, os alunos podiam esclarecer dúvidas relacionadas com vocábulos específicos que ocorriam durante o processo de escrita. Assim os alunos puderam, tal como prevê Alonso (2012, p.50), ganhar alguma independência do professor e, ao mesmo tempo, praticar o uso do dicionário.