Abyf jorden(V
K- Knar L- Lakollen
• Apresentar a pesquisa;
• Apresentar parte do aporte teórico; • Mostrar as especificidades do contexto; • Explicar o desenvolvimento do trabalho; • Apontar as novas demandas;
• Exemplificar novas práticas.
Fonte: Retirada do corpus de estudo.
De acordo com a figura acima, a pesquisadora EC13 apresentou um slide para contextualizar a sequência de sua comunicação, que acabou coincidindo com as etapas de uma comunicação oral. São elas: apresentar a pesquisa como a etapa ‘(3) introdução da pesquisa’; apresentar parte do aporte teórico como a etapa ‘(4) apresentação da fundamentação teórica’; mostrar as especificidades do contexto e explicar o desenvolvimento do trabalho como a etapa ‘(5) apresentação da metodologia’; e apontar as novas demandas e exemplificar novas práticas como a etapa ‘(7) apresentação das considerações finais’. Neste slide, pode-se identificar que EC13 não iria – como de fato aconteceu – apresentar a etapa ‘(6) apresentação dos dados e discussão dos resultados’.
No que tange aos assuntos abordados nesta etapa, encontramos assuntos condizentes com o quadro 16 (ver subseção 3.1), que lista as linhas temáticas dos apresentadores: formação de professores, gêneros discursivos/ textuais, inglês para fins específicos, letramentos, linguagem e gênero, material didático e tradução.
O quadro a seguir exibe as sete linhas temáticas retiradas do corpus, assim como os assuntos apresentados na etapa ‘contextualização experiencial da comunicação’ pelos apresentadores:
(iv) filiação do pesquisador
Quadro 31 – Assuntos apresentados na etapa ‘(2) contextualização experiencial da comunicação’
Formação de
Professores discurso/ Gênero textual
Inglês para fins
específicos Letramento Linguagem e Gênero Material didático Tradução
Formação docentes
(4 comunicações)
Conto
x Dissertação científicos Eventos em inglês
Discentes de Cursos de Letras (2 comunicações)
Revista Turma da
Mônica Jovem PNBE
58 Tradução da Anistia
Educação
linguística Peça de teatro de mecânica no ESP em cursos SETEC59
Provas
do Enem jornalísticos Artigos sobre Sustentabilidade
PNLD60 (2 vezes)
Gêneros
escolares Testes da ANPEC61 gêneros textuais Letramento de PCNs 62
Comunicação
oral necessidades de Análise de cursos para ESP (3 comunicações) Metáfora nos MDs Guia turísticos online Sequência didática Anúncio publicitário
Fonte: Autoria minha.
De acordo com o quadro acima, identifiquei 23 assuntos diferentes que correspondem às pesquisas apresentadas nas comunicações orais. Alguns assuntos são discutidos por mais de um pesquisador, como é o caso de: PNLD (02 pesquisadores); discentes de cursos de Letras (02 pesquisadores); análise de necessidades de cursos para ESP (03 pesquisadores); e formação de docentes (04 pesquisadores).
A posição da etapa ‘(2) contextualização experiencial da comunicação’ pode ocorrer ora na segunda posição da estrutura genérica, logo após a ‘(1) contextualização interpessoal da comunicação’, ora na terceira posição, depois da ‘(3) introdução da pesquisa’, conforme mostra a figura a seguir:
Figura 16 – Posição da estrutura genérica da etapa ‘(2) contextualização experiencial da comunicação’
CIC ^ CEC ^ IP ^ AFT ^ AM ^ (ADDR ^ ACF ^ AR) ^ FIC
Fonte: Autoria minha.
58 Programa Nacional Biblioteca da Escola.
59 Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica. 60 Programa Nacional do Livro Didático.
61 Associação Nacional do Centro de Pós-Graduação em Economia. 62 Parâmetros Curriculares Nacionais.
No que tange à terceira etapa ‘(3) introdução da pesquisa’, que é considerada uma etapa obrigatória, encontrei 28 ocorrências (93,33%). Destas, 27 ocorreram concomitantemente aos slides. A única pesquisadora que apresentou esta etapa apenas oralmente foi EI3. As fases desta etapa são: (x) objetivo; (xi) justificativa; (xii) perguntas de pesquisa; (xiii) problema de pesquisa; e (xiv) hipótese. O quadro abaixo retoma o quadro 28, mencionado no início da subseção, que mostra a etapa e suas fases:
Quadro 32 – Etapa ‘(3) introdução da pesquisa’ e suas fases
Etapa Fases
3. Introdução da pesquisa (IP) (x) Objetivo
(xi) Justificativa
(xii) Perguntas de pesquisa (xiii) Problema de pesquisa (xiv) Hipótese
Fonte: Autoria minha.
Para melhor visualização, a tabela a seguir apresenta os dados quantitativos das fases acima:
Tabela 4 – Uso das fases na etapa ‘(3) introdução da pesquisa’
Fases
InPLA CBLA Total Sim Não Sim Não Sim Não
(x) Objetivo 13 02 13 02 26 04
(xi) Justificativa 07 08 05 10 12 18
(xii) Perguntas de pesquisa 02 13 02 13 04 26
(xiii) Problemas de pesquisa 02 13 02 13 04 26
(xiv) Hipótese 01 14 02 13 03 27
Fonte: Autoria minha.
A primeira fase, ‘(x) objetivo’, ocorre 26 vezes, tanto oralmente quanto por meio de slides. Estes são alguns exemplos retirados do corpus que representam esta fase:
NI6 [...] então, o projeto tem como objetivo geral verificar quais os gêneros
discursivos (orais, escritos ou imagéticos) são produzidos na escola pública e privada, para atender aos momentos comunicativos entre direção, professor, funcionários e alunos do ensino médio.
NI8 O objetivo da pesquisa é investigar a formação docente em Letras, na
Universidade Federal de Juiz de Fora, através da análise da perspectiva instaurada pelo discurso dos graduandos a respeito de seu próprio processo de formação.
é a inserção desses contextos aos nossos alunos, pois esse meio de comunicação faz parte do âmbito escolar, e o seu estudo permite uma amplitude do conhecimento, através dos diferentes discursos apresentados na sociedade.
EC7 [...] esse trabalho faz parte de uma pesquisa que busca investigar o
trabalho desenvolvido sobre a metáfora em livros didáticos de Língua Portuguesa aprovados pelo PNLD 2011, tá?
NC12 Bem, gente, o objetivo dessa comunicação é apresentar a diferença entre o inglês para fins gerais e específicos, de negócios.
De acordo com os exemplos acima citados, pode-se identificar que, de modo geral, os apresentadores explicitaram quando abordariam o objetivo da pesquisa. Isto acontece ora por meio da introdução da palavra ‘objetivo’ no discurso no pesquisador, ora pela utilização de um verbo no infinito, como mostra o exemplo da apresentadora EC7 (busca investigar) para introduzir a fase ‘(x) objetivo’.
A fase ‘(xi) justificativa’ tem 12 ocorrências. Todas as vezes que esta fase era apresentada oralmente, os apresentadores faziam uso simultâneo dos slides. Seguem alguns exemplos dessas ocorrências:
NI6 Então, eu sou professora, do ensino fundamental e do ensino médio e o
contato diário com alunos na sala de aula e na escola e no dia a dia extraclasse e interclasses me motivaram a trabalhar com gêneros, ao perceber que... no trabalho com eles, no ensino de língua portuguesa, seja ele de elementos gramaticais e interpretação de leitura [...]
EI9 Consideramos que é imprescindível, refletir sobre a relação entre política
linguística, educação e ensino, no caso específico, de ensino de língua portuguesa no Brasil, essa reflexão, atrelada ao dos professores, contribui pra uma melhor compreensão do contexto de ensino-aprendizagem dessa língua, como língua materna [...]
NI12 A justificativa do meu trabalho, tem a ver com o fato de eu ser professor na graduação e pós-graduação (lato sensu) da disciplina Metodologia Científica, né? Inclusive, hoje de manhã, estava dando aula pra alunos de Engenharia, de Metodologia, e os alunos são submetidos a fazer apresentações orais sem serem ensinados, né?
EC4 [...] a justificativa é isso aqui. É... o o livro, ele é dotado dum capital simbólico, né? então ele é dotado, ele, ele, ele vira, assim, a fonte sacramentada de conhecimento. E conforme Gimenez né?: “ fazer pesquisa sobre o ensino de língua estrangeira em nosso país, requer um engajamento na busca de soluções pra tornar o ensino/aprendizagem mais produtivo, com resultados comprometidos com a transformação da realidade”. Então o que a gente quer realmente é contribuir, já com as escolas que a gente tá investigando e com o programa.
Conforme os exemplos acima, duas formas de justificativa podem ser identificadas: a forma indireta, por meio do léxico (‘motivaram’ e ‘contribui’), de autoria dos pesquisadores NI6 e EI9, respectivamente; e a forma direta, através do
léxico ‘justificativa’, em que os apresentadores NI12 e EC4 deixaram explícita a fase ‘(xi) justificativa’ em seus discursos.
Em terceiro lugar vem a fase ‘(xii) pergunta da pesquisa’ com 04 ocorrências. Seguem alguns exemplos desta fase:
EC7 Ah... as perguntas norteadoras então, pra essa apresentação de hoje:
Como é a abordagem dada à metáfora nos Livros Didáticos de Língua Portuguesa? e se há reflexões sobre as contribuições da metáfora para a construção de sentidos nos textos, em que ela opera?
NC15 E aí, as perguntas de pesquisa que foram norteadoras do trabalho: Qual o perfil desses participantes? E, também, quais as necessidades da situação- alvo em língua inglesa dos participantes? Que são os advogados de Sorocaba, e, também, os alunos desses dois cursos que eu mencionei anteriormente, que são os cursos de leitura e redação jurídica, ministrados no COGEAE da PUC-SP.
NI6 Então, diante dos objetivos dos gêneros, eu estou propondo o seguinte
problema: quais são os gêneros de interação utilizados nas relações sociais estabelecidas entre aluno, professor, direção, funcionários, pais e comunidade da escola Estadual Professor Edgar Santos e no Colégio Viana e quais desses gêneros são contemplados nas aulas de Língua Portuguesa como instrumento de ensino?
NI13 E aí, eu entrei no Mestrado com a seguinte questão: a forma como os gêneros textuais estão sendo trabalhadas, favorecem o letramento dos alunos?
Diferentemente de EC7, NC15 e NI13, a pesquisadora NI6 apresentou suas perguntas de pesquisa de forma menos usual, denominando-as problemas de pesquisa. Esta escolha pode ser identificada no discurso de NI6 quando diz: “[...] eu estou propondo o seguinte problema, quais são os gêneros de interação utilizados nas relações sociais [...]?”.
Em quarto lugar identifiquei a fase ‘(xiii) problema da pesquisa’ com 04 ocorrências. Assim como em ‘(xii) pergunta de pesquisa’, a fase (xiii) ocorre seis vezes menos em relação ao ‘(x) objetivo’ (26 ocorrências) e três vezes menos em comparação à fase ‘(xi) justificativa’ (12 ocorrências). Seguem abaixo alguns exemplos:
NC14 E aí... a situação-problema que eu me deparei, primeiro foi é... indisposição, desinteresse, insatisfação com as aulas de inglês, total, 100%, crenças, inutilidades...quando a gente fala rápido, a gente embola tudo, né? [risos]. Gente, inutilidade, gente, eu estou deixando vocês estressados? [audiência responde não com a cabeça]
Desculpa! [risos]. Que estou! [risos], inutilidade da língua inglesa, inclusive, para a atuação profissional, essa era a visão deles, impossibilidade de aprender fora das escolas de línguas ou no exterior, era uma coisa ou
outra, perspectivas predominantemente negativas sobre o processo de ensino-aprendizagem dali, em comparação com as disciplinas técnicas do curso.
NC2 Problema: quando a gente fala em dificuldades de leitura e escrita ou
distúrbio de leitura e escrita, a gente percebe que esse problema já se inicia no contexto da escola. Então, é na escola que a criança começa a ser rotulada, é na escola que muitas vezes a criança começa a se distanciar da linguagem, estabelecer uma relação ruim com a leitura e com a escrita, a... e a autoimagem dela acaba ficando abalada. Então, a gente percebe isso porque quando ela chega na clínica ela, isso já tá marcado no discurso dela: não sei, não consigo, detesto ler, detesto escrever, escrevo errado, leio errado. Então, a gente já percebe o quanto é... a autoestima da criança tá abalada. E o problema continua na clínica, né? come... começa na escola e muitas vezes continua na clínica.
Nos exemplos acima, NC14 aponta o desinteresse dos alunos pelas aulas de língua inglesa como o problema que norteia sua pesquisa, ao passo que NC2 menciona a dificuldade (distúrbio) de leitura e escrita dos alunos no ensino- aprendizagem da língua materna. Entretanto, pode-se perceber que essa fase foi pouco utilizada pelos pesquisadores que participaram da presente tese (apenas 04 ocorrências), deixando o problema de pesquisa subentendido ora nas perguntas de pesquisa ora no próprio objetivo.
Última fase da etapa ‘(3) introdução da pesquisa’, a fase ‘(xiv) hipótese’ ocorreu apenas 03 vezes no corpus. Os exemplos das apresentadoras NC2 e NC6 demonstram esta fase:
NC2 Então, considerando esse problema e assumindo uma perspectiva sócio- histórica, né? A gente optou pela teoria de gêneros do discurso de Bakhtin pra embasar a nossa prática, a minha prática, objeto de estudo dessa pesquisa, por considerar que através das relações de sentido que a teoria pressupõe fosse possível então reverter essas relações de sofrimento em torno da linguagem escrita, ou seja, inserindo a criança, o adolescente em práticas sociais de leitura e escrita, eles se aproximariam da linguagem, então essas relações que a gente diz relação de sofrimento, pelo fato da criança rejeitar as atividades de leitura e escrita. Mas que inserindo a criança, o adolescente, enfim, o sujeito, em práticas sociais de leitura e escrita, então essa relação de sofrimento estaria diluída. Essa é a nossa hipótese.
NC6 Algumas hipóteses: Os livros didáticos adotados nas escolas atualmente não se distanciam tanto dos manuais antigos, pelo menos nessa perspectiva da análise do texto. Os livros didáticos adotados por muitas
escolas não atendem aos pré-requisitos dos PCN’s. Gente, eu tô falando lá,
da minha localidade, tá? Foi feita em Pernambuco, então, por favor, espero que isso não possa ser estendido, não sei como é a realidade no resto do país. E alguns livros, durante as muitas reimpressões, não se distanciaram muito dos modelos primários. Quanto aos manuais de alfabetização, a mudança se configura mais nos gêneros textuais do que nos textos
propriamente dito.
É possível observar que as hipóteses acima são construídas a partir de problemas iniciais de pesquisa e que, com base na experiência prática dos pesquisadores, serão utilizadas na comparação com os resultados da pesquisa. A única diferença entre os dois exemplos está na quantidade de hipóteses mencionadas. Enquanto NC2 mencionou apenas uma hipótese, NC6 apresentou três hipóteses para o problema de sua pesquisa.
É importante citar que, quando o(a) apresentador(a) ainda está em fase inicial da pesquisa, ele(a) explora mais a etapa ‘(3) introdução da pesquisa’, como é o caso da apresentadora NI6 mostrado a seguir:
[...] (xi) na pesquisa da especialização, eu vi muitos gêneros dos livros, como o professor... a professora leva muitas atividades de livros e programas já prontos pra ser utilizados e eu não percebi que outros gêneros que circulam na escola estão nos corredores, estão nos murais, na própria sala de aula, que não foram utilizados, [inaudível] nas entrevistas, nos questionários, foi apontado isso, então, isso me despertou, e numa leitura de texto de Schneuwly e Dolz, que eles trazem a questão do gênero como instrumentos de ensino, e que esses gêneros sejam reais, na questão da proximidade com os alunos, me despertou a ideia de trabalhar com os gêneros da escola, no projeto, então, o projeto tem como (x) objetivo geral verificar quais os gêneros discursivos (orais, escritos ou imagéticos) são produzidos na escola pública e privada, para atender aos momentos comunicativos entre direção, professor, funcionários e alunos do ensino médio. Nesse caso, a minha pesquisa ela é ampla, sim, no sentido de eu estar observando o dia a dia da escola. Então, inicialmente, eu vou ter esse trabalho. Eu vou ter que observar o dia a dia da escola e a partir disso, das relações sociais estabelecidas nela é que eu vou perceber quais são os gêneros utilizados. (x) Objetivos específicos: estudar os gêneros discursivos através de uma pesquisa bibliográfica, com um aporte teórico para que eu possa estar fundamentando minha pesquisa, conhecer os gêneros que circulam nas escolas, analisar os gêneros encontrados, como é que eles foram circulados, nesse caso, impressos, oral, é... se foi na parede do corredor, do banheiro, compreender como se dá o processo de comunicação nas escolas pesquisadas, verificar se os gêneros que circulam na escola são contemplados nas aulas de Língua Portuguesa como um recurso de aprendizagem no ensino de Língua tanto na leitura quanto na produção textual. Aí que eu vou acompanhar, com a professora ou, as professoras, nesse caso, elas trabalham com gêneros, se trabalham com os gêneros, e eu vou acompanhar até as sequências didáticas que algumas delas possam estar utilizando. Então, diante dos objetivos dos gêneros, eu estou propondo o seguinte problema: (xii) quais são os gêneros de interação utilizados nas relações sociais estabelecidas entre aluno, professor, direção, funcionários, pais e comunidade da escola Estadual Professor Edgar Santos e no Colégio Viana e quais desses gêneros são contemplados nas aulas de Língua Portuguesa como instrumento de ensino? (xiv) A minha hipótese, então, é que a escola é um espaço de interação, dessa forma, os gêneros estariam mediando às relações entre direção, aluno, funcionários, professor como na utilização de comunicados, ofícios, e-mail, etc. Até que ponto, então, os gêneros estariam na escola para além do livro didático trabalhado pelo professor de Língua Portuguesa. Ressalta-se, por outro lado, que
estes gêneros constituiriam bons instrumentos de ensino, pois representam o uso da língua em um espaço íntimo dos educandos. E aí, sobre os gêneros discursivos, posso trabalhar mais ou menos, nesse esquema.
O exemplo acima inclui todas as fases da etapa ‘(3) introdução da pesquisa’, que são: ‘(x) objetivo’, ‘(xi) justificativa’, ‘(xii) perguntas de pesquisa’, ‘(xiii) problema de pesquisa’ e ‘(xiv) hipótese’. N16 apresentou a fase ‘problema de pesquisa’ em forma de ‘perguntas de pesquisa’. A figura 17 abaixo reproduz um exemplo retirado da apresentadora NC3 da etapa ‘(3) introdução da pesquisa’ por meio dos slides:
Figura 17 – Exemplo da etapa ‘(3) introdução da pesquisa’ por meio dos slides
Compreender os eixos norteadores do Programa Nacional Biblioteca da Escola e as práticas discursivas dos professores de Língua Portuguesa do Ensino Médio
Fonte: Retirada no corpus de estudo.
A etapa ‘(4) apresentação da fundamentação teórica’ ocorre 27 vezes (90%). Destas, 26 acontecem concomitantemente aos slides. A única apresentadora que não fez uso de slides nesta etapa foi EI3, que também deixou de utilizá-los na etapa ‘(3) introdução da pesquisa’.
Pode-se observar diferentes títulos nos slides dos apresentadores para a introdução da etapa ‘(4) apresentação da fundamentação teórica’, entre eles: aporte teórico; arcabouço teórico; conceitos adotados; fundamentos; fundamentação teórica; teoria X; pressupostos teóricos; referencial teórico e suporte teórico. O quadro abaixo mostra as fases presentes nesta etapa:
Quadro 33 – Etapa ‘(4) apresentação da fundamentação teórica’ e suas fases
Etapas Fases
4. Apresentação da fundamentação
teórica da pesquisa (AFT) (xv) Indicação da teoria (xvi) Indicação dos autores (xvii) Discussão da teoria Fonte: Autoria minha.
As três fases descritas no quadro 33 foram quantificadas e expostas em uma tabela para melhor visualização da distribuição dessas fases nos dois congressos:
Tabela 5 – Uso das fases na etapa ‘(4) apresentação da fundamentação teórica’
Fases
InPLA CBLA Total Sim Não Sim Não Sim Não
(xv) Indicação da teoria 13 02 11 04 24 06
(xvi) Indicação dos autores 14 01 13 02 27 03
(xvii) Discussão da teoria 09 06 05 10 14 16
Fonte: Produção minha.
De acordo com a tabela acima, observa-se que, em comunicações orais, os apresentadores introduzem a teoria e os respectivos teóricos que sustentam a pesquisa com mais frequência do que a discutem em maior profundidade. O discurso da apresentadora NC5 exemplifica esta etapa:
Então, ah... (xv) baseando-me ah... nesses estudos da abordagem comunicativa, (xvi) utilizei vários autores pra compor a... o meu aporte teórico de análise, e alguns deles, aqui eu não cito todos, obviamente, porque ficaria muito extenso, ah... Almeida Filho (2005) em que ele vai apresentar... apresenta algumas ah... considerações importantes relativas ao surgimento da abordagem comunicativa e do seu significado, pelo contexto de ensino e aprendizagem de Língua Estrangeira. Neves (1996) que trata do modelo de competência comunicativa para o desenvolvimento de programas de ensino de Língua Estrangeira. Richards (1995) em cuja obra podem ser verificadas informações acerca da origem do ensino comunicativo da língua. Paiva a que tece considerações importantes acerca também do surgimento da abordagem comunicativa e aponta o contexto em que ela aparece no ensino/aprendizagem de Língua Estrangeira. Freeman (1986) que propõe uma reflexão sobre a experiência do ensino através da abordagem comunicativa, e sistematiza seus pressupostos. Cardoso (2003) define o termo competência comunicativa e descreve a partir de quais aspectos o ensino por meio da abordagem comunicativa deve se pautar. Como eu disse, são apenas alguns autores.
Conforme o exemplo acima, a primeira fase utilizada por NC5 é a ‘(xv) indicação da teoria’, seguida da ‘(xvi) indicação dos autores’. Como se pode constatar, não há uma discussão mais aprofundada sobre o que é a abordagem
comunicativa, pois a apresentadora limita-se a citar os autores que estudam tal abordagem. Isto fica evidente no corpus no que tange à fase ‘(xvii) discussão da teoria’, visto que menos da metade (14 apresentadores) dos 30 analisados apresentaram a teoria, explicando-a em mais detalhes. O exemplo de EI4, além de apresentar a teoria que sustenta sua pesquisa e seus respectivos teóricos, descreveu detalhadamente o significado de um termo teórico:
Então, (xv) multiletramentos, né? O quê que seriam os multiletramentos? (xvi) De acordo com esses dois autores [O pesquisador mostra os dois autores nos slides], é... o foco, né? (xvii) Quando a gente fala em multiletramentos é na “multiplicidade de canais de comunicação e de mídia” que a gente experimenta hoje na nossa sociedade, né? Então, estamos expostos a... a linguagem de diversas formas, né? É... temos acesso a linguagem pela internet, pelas comunica..., pela comunicação oral, pelo celular, pela televisão, pelo jornal, né? É... de novo, não que isso seja novidade absoluta, mas talvez seja uma marca bastante característica do nosso tempo, né? De pensar interconectividade é..., os canais das formas de transmissão de... de... da linguagem. Fala-se muito também dentro dessa teoria na questão da multimodalidade que é a linguagem em diversas é... é... modos de