Conforme explicitado na subseção 2.2.2.1 (Gêneros Orais), Ventola et al. (2002, p. 29) analisam a estrutura genérica de sessões de comunicações em inglês em pesquisas experimentais, afirmando que sessões de comunicação podem ser consideradas gêneros discursivos uma vez que possuem características genéricas estáveis, ou seja, etapas obrigatórias.
Com base no modelo de análise da estrutura genérica de Ventola et al. (2002), desenvolvi a estrutura genérica de comunicações orais em português na área de Linguística Aplicada a partir do meu corpus de estudo, com 30 comunicações coletadas nos congressos do CBLA e do InPLA.
Vale salientar, no entanto, que diferentemente desses autores, que analisaram toda a sessão de comunicação em congressos acadêmicos em inglês, esta tese realizou pormenorizadamente a descrição genérica de comunicações orais em português em congressos de LA, ou seja, as etapas ‘abertura e fechamento da sessão’ e ‘abertura e fechamento da discussão’, que dizem respeito à pré- comunicação oral apresentada por meio dos discursos dos monitores e/ou coordenadores da sessão e à pós-comunicação oral presente na discussão entre os apresentadores e a audiência/ouvinte foram contempladas nesta pesquisa com o intuito de contextualizar as sessões de comunicações orais que compõem o corpus de estudo. O quadro 28 a seguir exibe a descrição genérica das comunicações orais:
Quadro 28 – Estrutura genérica de comunicações orais em português nos quatro congressos de LA
Etapas Fases
1. Contextualização interpessoal da
comunicação (CIC) (i) Cumprimento inicial (ii) Apresentação pessoal (nome) (iii) Titulação do pesquisador (iv) Filiação do pesquisador (v) Indicação do orientador (vi) Título da pesquisa (vii) Status da pesquisa 2. Contextualização experiencial da
comunicação (CEC) (viii) Contextualização da comunicação oral (ix) Contextualização do assunto da pesquisa
3. Introdução da pesquisa (IP) (x) Objetivo
(xi) Justificativa
(xii) Perguntas de pesquisa (xiiii) Problema de pesquisa (xiv) Hipótese
4. Apresentação da Fundamentação
teórica (AFT) (xv) Indicação da teoria (xvi) Indicação dos autores (xvii) Discussão da teoria 5. Apresentação da Metodologia (AM) (xviii) Corpus de estudo
(xix) Contexto de produção (xx) Método utilizado na pesquisa (xxi) Procedimentos de coleta dos dados (xxii) Procedimentos de análise dos dados 6. Apresentação dos dados e discussão
dos resultados (ADDR) (xxiii) Apresentação dos dados e discussão dos resultados qualitativos (xxiv) Apresentação dos dados e discussão dos resultados quantitativos
7. Apresentação das Considerações
finais (ACF) (xxv) Resultados da pesquisa (xxvi) Sugestões práticas da pesquisa (xxvii) Contribuições da pesquisa (xxviii) Trabalhos futuros da pesquisa (xxix) Lacunas da pesquisa
8. Apresentação das Referências (AR) (xxx) Referências (slides)
9. Finalização interpessoal da
comunicação (FIC) (xxxi) Agradecimento (xxxii) Fechamento (xxxiii) Questionamento (xxxiv) Pedido de desculpas Fonte: Autoria minha.
Com base no quadro 28 acima, identifiquei 09 etapas e 34 fases. Halliday & Hasan (1989, p. 64) afirmam que o gênero se define a partir do reconhecimento do uso da estrutura em estágios53, que obedecerá a uma sequência de elementos obrigatórios, opcionais e recursivos. Essa sequência foi utilizada por Halliday & Hasan (1989, p. 64) para determinar a configuração textual de qualquer
manifestação textual. Dessa forma, apresento a seguir (figura 12) uma representação das configurações genéricas que indicam a sequência das etapas das comunicações orais em português nos quatro congressos de LA que compõem o corpus de estudo:
Figura 12 – Símbolos que representam a sequência das etapas do gênero comunicação oral
CIC ^ CEC ^ IP ^ AFT ^ AM ^ (ADDR ^ ACF ^ AR) ^ FIC
Fonte: Autoria minha.
Utilizo as abreviações das etapas para compor a sequência do gênero, isto é, CIC para ‘Contextualização Interpessoal da Comunicação’; CEC para ‘Contextualização Experiencial da Comunicação’; IP para ‘Introdução da Pesquisa’; AFT para ‘Apresentação da Fundamentação Teórica’; AM para ‘Apresentação da Metodologia’; ADDR para ‘Apresentação dos Dados e Discussão dos Resultados’; ACF para ‘Apresentação das Considerações Finais’; AR para ‘Apresentação das Referências’; e, finalmente, FIC para ‘Finalização Interpessoal da Comunicação’.
Apesar de não ter sido feita uma análise pormenorizada da etapa ‘abertura da sessão de comunicação’, é importante descrevê-la aqui a fim de identificar algumas particularidades e o contexto de situação das sessões de comunicação dos quatro congressos analisados. A ‘abertura da sessão de comunicação’ está presente em 55,55% do corpus de estudo, isto é, em 18 das 30 comunicações orais analisadas. Nem todos os monitores ou coordenadores abrem a sessão de comunicação, talvez por falta de explicações da parte dos organizadores dos congressos no que tange aos procedimentos inerentes ao monitor/ coordenador da sessão, tais como: apresentação de todos os participantes da sessão (nome, filiação e título da pesquisa), apresentação e controle do tempo disponível para apresentação oral e, posteriormente, a discussão após a comunicação.
O corpus de estudo que compõe esta tese (30 comunicação orais) foi coletado em 09 sessões de comunicação. A tabela abaixo mostra as fases da etapa ‘abertura da sessão de comunicação’ e suas respectivas frequências:
Tabela 2 – Etapa ‘Abertura da sessão de comunicação’ por monitores ou coordenadores em nove sessões
______________________________________________________________________________
Fases InPLA CBLA
Cumprida Não Cumprida Cumprida Não Cumprida
Apresentação dos pesquisadores 1 4 4 0
Determinação do tempo de exposição 1 4 4 0
Organização da discussão 1 4 4 0
_______________________________________________________________________________ Fonte: Autoria minha.
Ao analisar a tabela acima, identifiquei uma grande diferença em relação ao número de monitores/ coordenadores que abrem as sessões de comunicação no CBLA (04 sessões) e no InPLA (01 sessão). Ventola et al. (2002, p.31) esclarecem a falta de adesão dos monitores na utilização dessa etapa do gênero, afirmando que “[eles] não se sentem obrigados a realizar o elemento ‘Introdução do apresentador’ ou simplesmente esquecem de fazê-lo devido à sua inexperiência ou nervosismo”54.
Ventola et al. (2002, p.39) acrescentam que “a apresentação dos participantes em comunicações orais exige um elaboração linguística menor por parte do monitor, uma vez que não há tempo suficiente para realizar longas apresentações”55. No
exemplo a seguir o monitor M7 abre a sessão de comunicação no congresso do CBLA:
M7:
Então gente, boa tarde a todos, eu sou M., vou tá aqui pra dar uma assistência pra vocês no que precisar. Como é que vai acontecer? Cada apresentação vai ter quinze minutos, ao término dos quinze minutos, são cinco minutos pra perguntas, pra debate. Eu vou tá com o papel pra controlar a questão de tempo, então a gente tenta ser o mais pontual que der. Tá bom? Então vamos começar, a professora EC4, por favor.
Como é possível observar nesta fala, M7 utiliza as três fases (vide tabela 2 acima) da ‘abertura da sessão de comunicação’. A primeira fase é a ‘determinação do tempo de exposição’, como em seu discurso: “cada apresentador vai ter quinze minutos”. Na próxima fase, ‘organização da discussão’, ele comenta: “ao término dos quinze minutos, são cinco minutos pra pergunta, pra debate”. Finalmente, na fase
54 [they] may not feel obliged to realize an element, e.g. they may not respond to Introducing the speaker, or they may simply forget to do so, due to their inexperience or nervousness.
55 Introduction of speakers of smaller section papers demands linguistically less, as there generally is
‘apresentação dos pesquisadores’, o monitor apresenta a participante de forma breve: “a professora EC4, por favor”.
Em três sessões de comunicação, além de coordenarem as suas sessões as coordenadoras apresentaram suas pesquisas. No exemplo abaixo, C2 se apresenta e introduz os participantes da sessão de comunicação à audiência:
C2:
Bom dia pra todos é... eu... esse... grupo de comunicação tem esse título aí: (título da comunicação). É... na verdade o nome é meio guarda-chuva porque nós não somos um grupo que faz um trabalho de tradução com o mesmo tema. Então, uma coisa comum a qualquer estudo de tradução é que você lida com o outro, com a língua estrangeira, com a cultura estrangeira, etc. E aqui eu vou passar os títulos dos trabalhos, eu vou seguir a ordem que o INPLA enviou, né? Porque às vezes uma pessoa se desloca pra assistir, não sei se aqui é o caso: (título da primeira comunicação), é o meu trabalho; (título da segunda comunicação), do Apresentador
156.; (título da terceira comunicação), da Apresentadora 2; (título da quarta
comunicação), da Apresentadora 3. As Apresentadoras 2 e 3 são alunas da Unicamp. A Apresentadora 2 tá fazendo mestrado comigo, tá terminando esse ano.
Diferentemente do monitor M7 do CBLA, que apenas determina o tempo de apresentação e discussão e introduz a primeira apresentadora da sessão (descritos no exemplo acima), a coordenadora C2 contextualiza o título da sessão da qual os quatro participantes fazem parte. Além disso, C2 apresenta todos os participantes e os títulos de suas comunicações, esclarecendo ainda que duas apresentadoras (2 e 3) são alunas da Unicamp. Como se pode observar no exemplo acima, C2 não determina o tempo de apresentação, subentendendo-se que os participantes já sabiam do tempo limite para apresentação de suas pesquisas. Por outro lado, no que tange à fase ‘organização da discussão’, C2 só se posiciona a respeito ao final de sua apresentação, como mostra o exemplo abaixo:
Agora vou passar a palavra. Não sei se nós vamos discutir no final. É no final, né?
Nota-se neste exemplo que a coordenadora/ apresentadora não determina como seria organizada a discussão, passando a responsabilidade para os participantes da sessão de comunicação ao lhes perguntar: “Não sei se nós vamos discutir no final. É no final, né?”. A coordenadora/ apresentadora quis saber se haveria discussões no final de cada comunicação ou somente no término de todas
56 Os apresentadores 1, 2 e 3 não fazem parte do corpus de estudo devido a problemas nas
gravações de suas comunicações. Nessa sessão foi coletada apenas a comunicação oral da apresentadora EI3.
as comunicações. Neste caso específico, os participantes optaram por abrir a discussão após cada comunicação uma vez que os assuntos eram heterogêneos, como mostra a fala do Apresentador 1:
Como vocês preferem? Pode ser feito agora mesmo. [...] eu acho melhor agora, porque não sei... o meu não tem muito a ver.
Após contextualização da ‘abertura da sessão de comunicação’ dos quatro congressos analisados, parto para a primeira etapa do gênero comunicação oral: a ‘(1) contextualização interpessoal da comunicação’, que consiste em linhas gerais na apresentação pessoal do(a) pesquisador(a) com o propósito de criar uma relação com a audiência no início de sua comunicação oral. O quadro a seguir retoma o quadro 28 (presente no início desta subseção), que demonstra a etapa e suas fases:
Quadro 29 – Etapa ‘(1) contextualização interpessoal da comunicação’ e suas fases
Etapa Fases
1. Contextualização interpessoal da
comunicação (i) Cumprimento inicial (ii) Apresentação pessoal (nome) (iii) Titulação do apresentador (iv) Filiação do apresentador (v) Indicação do orientador (vi) Título da pesquisa (vii) Status da pesquisa Fonte: Autoria minha.
Esta etapa ocorre em todas as comunicações do corpus de estudo, caracterizando-se como uma etapa obrigatória, e pode ser estabelecida concomitantemente pela linguagem oral (29 ocorrências) e/ou pela escrita (28 ocorrências), contemplada na capa dos slides. Identifiquei apenas um apresentador que não fez uso dessa etapa de forma oral, recorrendo aos slides para apresentar seu nome, filiação e título da pesquisa. Em contrapartida, foram encontrados dois apresentadores que não utilizaram slides nesta etapa; destes, uma apresentadora não colocou capa em seus slides, e um apresentador não fez uso de slides.
As fases utilizadas pelos apresentadores para contextualizar seu histórico pessoal/ profissional foram: (i) cumprimento inicial, (ii) apresentação pessoal (nome), (iii) titulação do apresentador, (iv) filiação do apresentador, (v) indicação do
orientador, (vi) título da pesquisa e (vii) status da pesquisa, conforme demonstrado no exemplo retirado da apresentadora EI1:
Bom, (i)57 bom dia a todos, muito obrigada pela presença de todos aqui. É... (ii) eu
me chamo I01 e (iii) sou mestranda (iv) da Universidade Federal de Santa Catarina, (v) sou orientada pela professora é... doutora (nome da orientadora) e
(vi) este é o título do meu trabalho é... “(título do trabalho)”. É... (vii) esse
trabalho foi realizado como estudo piloto de uma disciplina que eu fiz pro mestrado, né? É... no momento eu já tô no segundo ano, né?
Para melhor visualização, foi elaborada uma tabela relativa ao corpus de estudo, a fim de quantificar as fases utilizadas pelos apresentadores no que tange à ‘(1) contextualização interpessoal da comunicação’:
Tabela 3 – Uso das fases da etapa ‘(1) contextualização interpessoal da comunicação’
Fases
InPLA CBLA Total Sim Não Sim Não Sim Não
(i) Cumprimento inicial 11 04 11 04 22 08
(ii) Apresentação pessoal (nome) 14 01 15 0 29 01
(iii) Titulação do pesquisador 08 07 10 05 18 12
(iv) Filiação do pesquisador 15 0 15 0 30 0
(v) Indicação do orientador 08 07 07 08 15 15
(vi) Título da pesquisa 14 01 15 0 29 01
(vii) Status da pesquisa 06 09 07 08 13 17
Fonte: Autoria minha.
De acordo com a tabela 3, sete fases podem ser identificadas na etapa ‘contextualização interpessoal da comunicação’: cumprimento inicial (22 ocorrências); apresentação pessoal – nome (29 ocorrências); titulação do pesquisador (18 ocorrências); filiação do pesquisador (30 ocorrências); indicação do orientador (15 ocorrências); título da pesquisa (29 ocorrências); e status da pesquisa (13 ocorrências).
A primeira fase, ‘(i) cumprimento inicial’, aparece em 22 ocorrências. Dentre os 08 apresentadores que não cumprimentaram a audiência no início da comunicação oral, havia 04 novatos e 04 experientes. Esta etapa é realizada exclusivamente de forma oral, sem utilização do modo escrito (slides).
Ventola et al. (2002, p. 32) apontam que esta etapa é culturalmente influenciada pela proximidade interpessoal com a audiência, denominada distância
57 As fases serão marcadas por números romanos sequenciais, conforme descrevo no quadro 28
interpessoal por Martin (1984). Em outras palavras, nem todas as culturas (nações) possuem uma característica de proximidade pessoal com a audiência desejando ‘bom dia’ ou ‘boa tarde’ a um desconhecido. Ventola et al (2002, p.32) analisam como um americano, um neozelandês e um alemão cumprimentam a audiência logo no início de suas comunicações (etapa denominada pelas autoras de ‘speaker
greeting the audience’) e identificam os americanos como ‘mais relacionados com a
audiência’ do que os alemães e os neozelandeses. Pude observar em meus dados que os apresentadores que compõem o corpus de estudo (todos participantes brasileiros) são mais parecidos com os americanos, conforme mostram os exemplos abaixo:
NC6 Boa tarde a todos, obrigado. Bom meu trabalho na verdade é [...]
EC7 Então, boa tarde a todos. Meu nome é EC7, é... sou aluna do programa de pós [...]
EC4 Bom, boa tarde a todos. Eu quero falar bem, bem rapidinho, né? [...] NC3 Boa tarde, é... eu sou NC3, é... eu sou vinculada ao mestrado [...]
NC8 Boa tarde, eu sou NC8, sou professora auxiliar da Universidade do Estado [...]
EI1 Bom, bom dia a todos, muito obrigada pela presença de todos aqui. [...]
EI3 Bom dia pra todos é... eu... esse... grupo de comunicação tem esse título
aí [...]
Percebe-se que os apresentadores estabeleceram uma relação de proximidade com a audiência, ao utilizarem as expressões de cumprimento como ‘Boa tarde’ ou ‘Bom dia’ e também com a opção pela palavra ‘todos’, escolha lexical que explicitamente indica inclusão da audiência como parte da interação.
A segunda fase, ‘(ii) apresentação pessoal (nome)’, ocorre 29 vezes, sendo que 18 apresentadores a realizaram oralmente, concomitantemente aos slides (capa), com exceção do apresentador NI7 que não fez uso deles. Por outro lado, 11 pesquisadores apresentaram-se somente por meio dos slides, não oralmente, sendo que 06 já haviam sido apresentados pelos monitores/ coordenadores da sessão no início da comunicação. Entretanto, os restantes 05 apresentadores não foram introduzidos pela monitoria da sessão, e tampouco o fizeram oralmente, deixando à audiência o encargo de identificar seus nomes por meio do primeiro slide. Seguem alguns exemplos da etapa ‘apresentação pessoal (nome)’:
NI8 Meu nome é NI8 e sou da universidade UFJF e a minha orientadora é [...]
NI11 Meu nome é NI11, sou mestrando da Unicsul e esse trabalho eu fiz [...] NI13 Meu nome é NI13, meu trabalho também é um projeto de pesquisa [...]
NC14 Meu nome é NC14, e sou docente de língua inglesa do instituto federal [...] NC15 Meu nome é NC15, o que vou apresentar pra vocês, na verdade, é [...]
Com relação à terceira fase – ‘(iii) apresentação da titulação’ – 18 apresentadores mencionaram suas titulações acadêmicas oralmente, dos quais 09 também exibiram slides. Dentre os 12 pesquisadores que não apresentaram suas titulações, havia 06 experientes e 06 novatos. De modo geral, os pesquisadores experientes que faziam parte do corpus de estudo, com titulação de doutor, não mencionaram suas titulações no início da apresentação, o que pode ser comprovado pelo fato de que, dos 07 doutores analisados, 06 não informaram que são doutores, seja oralmente seja nos slides. Isso se justifica pelo status de poder que os 06 doutores experientes adquiriram na comunidade acadêmico-científica de LA, em virtude de sua relevância como pesquisadores. Suponho, portanto, que eles consideram sua titulação de doutor como informação dada. Por outro lado, dos 18 apresentadores novatos, apenas 06 não mencionaram suas titulações. Eis alguns exemplos de apresentadores que o fizeram:
EI1 Eu me chamo EI1 e (iii) sou mestranda (iv) da Universidade Federal de
Santa Catarina [...]
NI7 [... ] sou NI7, (iii) aluno do doutorado (iv) do Mackenzie [...]
NI13 [...] meu trabalho também é um projeto de pesquisa (iv) da Universidade Católica de Petrópolis, que tem como colaboradora a D. e como orientador o professor (nome do orientador). É... (iii) quando eu entrei pro mestrado, eu já entrei com algumas coisas que eu estava pensando e levei pra meu orientador.
NC2 [...] (iii) eu sou doutoranda em... Linguística (iv) pela Universidade Federal de Santa Catarina [...]
NC8 E (iii) aluna do curso de mestrado (iv) da UESB, que é a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, na cidade de Vitória da Conquista.
A quarta fase, ‘(iv) apresentação da filiação’, teve 25 ocorrências feitas oralmente e 05 por meio dos slides. Dos 05 apresentadores que identificaram a instituição em que trabalhavam ou estudavam apenas por meio do primeiro slide, somente 02 haviam sido mencionados pelo monitor/ coordenador da sessão. Os restantes 03 apresentadores deixaram para a audiência a tarefa de identificar sua filiação no slide. Os exemplos sublinhados acima demonstram como os apresentadores introduziram as instituições a que pertenciam.
Em relação à quinta fase, ‘(v) indicação do orientador’, foram encontradas 15 ocorrências feitas oralmente, sendo que 09 destas foram concomitantemente complementadas com slides. Dentre os 15 pesquisadores que não apresentaram
seus orientadores, havia 09 novatos e 06 experientes. Dos 06 apresentadores experientes que não indicaram seus orientadores, todos são doutores, justificando a ausência dessa fase pelo fato de que desenvolvem pesquisas individuais e em grupo. Nove dos 18 apresentadores novatos presentes no corpus deixaram de identificar seus orientadores, não dando crédito intelectual àqueles que os auxiliavam em suas pesquisas. Seguem alguns exemplos dessa fase:
NI8 [...] e minha orientadora é a (nome completo da orientadora), ela me
deixou falar sozinha, mas nós fazemos juntas essa pesquisa.
EI9 [...] é um trabalho que está começando no mestrado, na UESB,
Universidade Estadual da Bahia, sendo orientada pela professora doutora (nome completo da orientadora).
EI14 [...] sou pós-graduanda da PUC, minha orientadora é a (primeiro nome da orientadora), né? Faço parte do Grupo GEALIN, grupo de pesquisa. NC5 [...] eu sou aluna do Programa de Pós-Graduação em Letras da
Universidade Federal de Ouro Preto, é... orientanda do Prof. Dr. (nome completo do orientador) [...]
NC8 É... minha pesquisa tá sendo orientada pelo Professor (nome completo do orientador), da UESB.
A sexta fase, ‘(vi) apresentação do título da pesquisa’, tem uma ocorrência de 29 vezes na etapa ‘contextualização interpessoal da comunicação’. O único pesquisador que não revelou o título de sua pesquisa foi NI7, que apenas introduziu o assunto, mas não explicitou o título da apresentação:
NI7 Boa tarde, eu sou NI7, aluno do doutorado do Mackenzie, orientando da professora (nome da professora) e os meus interesses nas minhas pesquisas não são exatamente com foco linguístico, mas achei que seria pertinente para este trabalho, porque o meu foco de pesquisa é o aluno e a formação do professor.
Por outro lado, e como mostram os exemplos a seguir, 29 pesquisadores apresentaram os títulos de suas pesquisas:
EI15 Então, meu trabalho é sobre (título da pesquisa) [...]
NC4 Ah... a nossa pesquisa então, minha e da, ah... L., que é a minha aluna de
iniciação científica bolsista de Iniciação Científica, intitulado (título da pesquisa) [...]
EC9 [...] eu vou falar sobre os (título da pesquisa), e de alguma forma, esse
trabalho responde um pouco a inquietação do professor [...]
NC10 Então, eu começo fazendo a minha apresentação, que é (título da pesquisa).
NC15 [...] o trabalho é um pouco longo, então, em virtude do pouco tempo que nós temos eu... sintetizei os resultados da minha pesquisa, não vou poder apresentar pra vocês hoje. O título do trabalho é (título da pesquisa).
Das 29 ocorrências da fase ‘apresentação do título da pesquisa’, 28 aconteceram concomitantes aos slides. A única apresentadora que colocou apenas o título de seu trabalho e dos participantes da sessão de comunicação na capa dos slides, excluindo as fases (ii) apresentação pessoal (nome) e (iv) apresentação da filiação, foi a coordenadora da sessão e apresentadora experiente EI3, conforme mostra a figura a seguir:
Figura 13 – Exemplo de slides apenas com a fase ‘(vi) título da pesquisa’
A tradução como intervenção e forma de abertura para a alteridade
A tradução da anistia: o tradutor como testemunha
Entre teoria e prática: a relevância da tarefa do tradutor
A hospitalidade e o estranho em tradução: um olhar sobre a literatura chicana
A tradução em relato midiático: uma questão de visão de mundo?
Fonte: Retirado do corpus de estudo.
Finalmente, a sétima e última fase, ‘(vii) apresentação do status da pesquisa’, aparece 13 vezes no corpus de estudo. Esta fase ocorre exclusivamente de forma oral, sem a utilização de slides. O status da pesquisa demonstra se o pesquisador está em uma fase inicial, intermediária ou de conclusão da pesquisa. Entretanto, a maioria dos apresentadores não forneceu essa informação à audiência. Eis alguns exemplos de apresentadores que a incluíram em suas falas:
EI1 É... esse trabalho foi realizado como estudo piloto de uma disciplina que
eu fiz pro mestrado, né? É... no momento eu já tô no segundo ano, né?
NI6 [...] estou saindo agora do primeiro semestre, ah... diferente das minhas
colegas que se apresentaram ontem e hoje, eu sou uma formiguinha ainda, caminhando nessa história.
EI9 [...] é um trabalho que está começando no mestrado, na UESB,
Universidade Estadual da Bahia, sendo orientada pela professora doutora (nome da orientadora). É... pós-qualificação, acabei de sair da qualificação, então, tem muita coisa pra ajustar, esse momento é