Artene i utbredelsesgruooe III
5.5 ARSAKER TIL FJELLFLORAENS UTTYNNING MOT VEST. DISKUSJON
5.5.2 KLIMATISKE FORHOLD
facilmente visualizados saltando nos trechos onde a água apresentava pequenos desníveis. Fonte: Arquivo pessoal de Gilson Conceição Pereira.
Um antigo morador da área rural localizada no município de Uberlândia relata que:
Quando o rio enchia, eu pegava meus menino e minha muié, nóis ia pra lá, cê oiáva em cima das pedra, correndo um tantim de água assim, aquelas pedras, porque o rio enche, corredera era braba demais, em cima da pedra ficava desse jeito assim, de camada assim de mandizão amarelo. Eu falava pra eles ‘ceis num tem prática, mesmo assim eu tomava muita ferroada, chegava e pegava e jogava ele pra fora’,sabe? Ai eu falava pra eles, ‘seis pega com o chinelo’. Rapais, naquela época nóis enchia saco de mandi22.
Outro relato, porém de um visitante e não de um morador, que presenciou a subida de um cardume de peixes nos conta que:
uma vez eu fui pescar lá... ali no Pau-Furado, e peguei um cardume de papa-terra subindo o rio né, que era época da piracema. Mais era tanto peixe, pulando, e tentando subir as corredêra, que muitos caía pra fora, nas pedras. Esse dia eu enchi a caçamba da caminhonete de tanto peixe que eu peguei fora d’água23.
A pesca então constitui uma possibilidade concreta de diversificação alimentar no processo de obtenção dos meios de vida para aqueles que
22 Entrevista realizada na comunidade rural de Uberlândia Tenda do Moreno. 23 Entrevista realizada no município de Uberlândia.
desejassem explorar o rio Araguari. Porém, a relação homem - natureza exige como mediadora um meio técnico, e portanto, o uso do espaço exige determinadas habilidades e conhecimentos.
Como vimos anteriormente, o ritmo de vida e o cotidiano das pessoas que moravam no campo era marcado por uma certa morosidade, pois além de influenciados pelas sazonalidades natural do cerrado, os equipamentos utilizados na preparo e obtenção dos meios de vida eram rústicos. Ao investigarmos a pesca com os moradores mais idosos das áreas rurais, percebemos que esta rusticidade técnica também esteve presente nesta atividade. No relato abaixo, um morador da área rural de Uberlândia nos descreve a pesca e os equipamentos utilizados da seguinte forma:
Eles faziam um chiqueiro dentro da água. Então é como eu tava te falando, eles faziam os chiqueiros dentro d’água, procurava um poço que tinha uma corredeira na entrada do poço, e punha as estaca lá e depois os peixe entrava. Aqui é a corredeira, depois os peixe entrava e caia dentro do chiqueiro, ficava preso lá, e eles vinha e pegava o peixe que quiria24.
Pelo exposto acima, fica claro que este tipo de pesca exigia a construção deste equipamento, que era feito de estacas de bambu, e inserido em locais específicos, logo abaixo das corredeiras existentes no rio Araguari. Este relato foi singular em toda nossa pesquisa e tal técnica não foi relatada por outros entrevistados. Desta forma procuramos identificar em outros trabalhos científicos, alguma forma de pesca semelhante apontada pelo entrevistado acima.
Encontramos na obra de Santos & Santos (2008), que estudou a tribo indígena dos Enawene-Nawe situados no sul da Amazônia, uma técnica muito semelhante ao relatado. Santos & Santos (2008) intitulam este tipo de técnica como pesca de barragem e esta acontece no período de vazante, no qual os peixes retornam das áreas alagadas em direção ao canal principal do rio.
24 Entrevista realizada no distrito de Cruzeiros dos Peixoto, zona rural do município de Uberlândia-MG.
A construção desta barragem acontece em rios de pequenos e médio porte e segundo Santos & Santos (2008) constitui uma verdadeira obra de engenharia. Basicamente a barragem construída pelos Enawene-Nawe inicia- se com a fixação de um feixe de cipó que transpõe o rio de uma margem à outra. Neste cipó são amarradas hastes verticais de madeira paralelas uma às outras, deixando pequenos vãos entre uma e outra. Outras hastes são inseridas num ângulo de 45º em relação às hastes verticais e mais outras são inseridas no fundo, tornando-se a base da barragem, dando um aspecto triangular a armadilha. Neste tipo de pesca, o peixe que retorna ao leito do rio, é levado pela correnteza para a armadilha, e ao entrar pelos vão das hastes verticais, não consegue se livrar, sendo capturado pelos índios posteriormente.
Para estes autores, esta é uma “estratégia, desenvolvida em função do ciclo hidrológico e das condições ambientais, e é bastante semelhante àquela adotada nas pescarias de subsistência em toda a Amazônia” (Santos & Santos, 2008, p. 49).
Não queremos afirmar que a técnica relatada a nós por um antigo morador é a mesma utilizada pelos índios Enawene-Nawe estudada por Santos & Santos (2008), mas sim, traçar algumas semelhanças. Em ambas as pescas, a necessidade das corredeiras era fundamental para a captura dos peixes através das armadilhas e ambas eram construídas com hastes de madeira e bambu. Em relação à pesca praticada pelos índios utilizando a técnica de barragem, esta atividade ocorria somente nos meses de vazante do rio, e no caso do rio Araguari, está técnica poderia ser utilizada ao longo do ano nas corredeiras existentes no rio e afluentes, pois as características do rio Araguari correspondem a um rio de planalto onde as corredeiras existentes são perenes. Pelo relato podemos supor que esta técnica de barragem, aqui denominada ‘chiqueiro’ pode ser uma herança indígena e que possivelmente foi apropriada, adaptada e utilizada no rio Araguari. A herança indígena foi notada por Cândido (1982) nos estudos realizados com os caipiras paulistas no município de Bofete-SP. Para este autor, citando Sérgio Buarque de Holanda, esta influência foi mais que um ajustamento, foi um:
verdadeiro comensalismo do paulista com o meio físico. Comensalismo em que ele se despojou não raro da iniciativa civilizadora para, na parcimônia do seu equipamento tecnológico, regredir ao antepassado índio, e deste modo, penetrar mais fundo no mundo natural (CÂNDIDO, p. 176)
A herança indígena manifesta-se também na pesca praticada na bacia do rio Araguari, pois além de supormos que o relato apresentando anteriormente assemelha-se às técnicas indígenas praticadas em outras regiões do Brasil, outros relatos nos levam a reconhecer outras técnicas empreendidas na pesca. Ao continuar o relato sobre as formas de se pescar, o entrevistado relata que:
tinha outro processo que era o jiqui (jequi) que eles faziam de bambu, que eu cheguei até vê, era os tipo deles pesca25.
O jequi, também conhecido como covo, constitui certamente uma técnica de pesca herdada das populações indígenas e ainda é amplamente praticada por diversas comunidades costeiras e ribeirinhas. Esta armadilha, também produzida artesanalmente com estacas de bambu, possui formato cilíndrico e numa de suas extremidades é deixada uma entrada na forma de funil de tal maneira que o peixe encontra facilidade ao entrar, mas não consegue sair da armadilha. Para atrair o peixe para dentro desta armadilha, é inserido algum alimento, podendo ser o atrativo alguma fruta, milho, mandioca ou pequenos resíduos de carne.
O jiqui é assim, é um bicho desse tamanho assim, com uma boca. O peixe que entra ali, ele não sai. Lá dentro agente poê torresmo, milho. Nesse tipo de pesca é mais peixe miúdo que pesca26.
Este tipo de armadilha é inserido no rio e a correnteza da água difundi o cheiro atraindo os peixes para dentro da armadilha. Este tipo de apetrecho, relata o entrevistado, captura apenas peixes de pequeno e médio porte. Mas o
25 Entrevista realizada no distrito de Cruzeiros dos Peixoto, zona rural do município de Uberlândia-MG.
26 Entrevista realizada no distrito de Cruzeiros dos Peixoto, zona rural do município de Uberlândia-MG.
rio Araguari possuía espécies de peixes de grande porte e segundo relata o entrevistado:
Quando queria pegar um peixe maior, fazia... num tinha linha, como tem hoje, as linha de pesca, eles fazia do algodão. Fazia o fiado, eles fazia aquela linha, torcia ela, passava cera, então pegava peixe grande. Nesse rio nosso aqui o que dava era o Jaú, então eu vi eles pegando o Jaú assim. A pesca antigamente era nesse sistema27.
No relato acima, percebe-se que a estratégia para capturar peixes de maior porte era diferente e envolvia a confecção de linhas de algodão, pois as linhas de náilon utilizadas atualmente não eram encontradas nos comércios existentes nas cidades. Certamente, a produção de linhas destinava-se à confecção de tecidos, produzido artesanalmente nas propriedades rurais e constituía uma importante tarefa que supria a necessidade de vestimentas das pessoas. No relato acima, as linhas ganham uma nova utilidade, sendo empregadas também na pesca.
A linha de algodão que era utilizada para se praticar a pesca tinha que, conforme aponta o relato, ser passada na cera. A cera utilizada era extraída das colmeias de abelhas Jataí, encontradas nas matas de Cerrado, e seu uso era necessário, pois impermeabilizá-la aumentava sua durabilidade, evitando que a mesma deteriora-se com o contato com a água. Torcer a linha ou transá-las aumentava sua resistência.
Obviamente, esta linha era amarrada ao anzol. Mas como nos mostra os relatos de pesca até aqui apresentado, a rusticidade técnica também estava presente na confecção dos apetrechos utilizados nesta atividade, e questionamos então onde eram comprados os anzóis utilizados nesta época. Segundo o entrevistado:
Fazia anzol... aqui quando começou Uberlândia, era os Carrijos... então tinha a Tenda dos Carrijo, e lá eles fabricavam os anzol [...] Quando começou Uberlândia, a primeira família... tradição de Uberlândia era Carrijo.... Os Carrijo tinha, ah... ferraria... ferreiro né, naquele tempo chamava ferreiro... Tenda do Carrijo. Lá eles fazia
27 Entrevista realizada no distrito de Cruzeiros dos Peixoto, zona rural do município de Uberlândia-MG.
anzol, armadilha de pegá bicho... Ce armava ela assim, tinha uns dente, uma mola muito forte, quando batia aquilo ali, segurava qualquer bicho28.
Conforme mencionado, o entrevistado faz referência à uma comunidade rural chamada Tenda do Moreno, localizada na parte norte do município de Uberlândia que nos remete a formação da cidade de Uberlândia, sendo os primeiros habitantes do local pertencentes à família Carrijo. Nesta comunidade, conforme nos aponta Andrade (2007) o topônimo Tenda decorre da existência de uma Tenda de Ferraria cujo proprietário era Felisberto Alves Carrijo e seu filho Joaquim Carrijo Filho. Para Andrade (2007) existia uma:
demanda dos produtores por ferramentas, máquinas, artigos para montaria e utensílios domésticos era suprida pelas fábricas artesanais, principalmente de carpintaria e ferraria, conforme o caso da tenda de ferreiro localizada na antiga fazenda da tenda (ANDRADE, 2007, p. 19-20)
Conforme nos aponta o relato do entrevistado e a afirmação de Andrade (2007), é plausível considerarmos a possibilidade de que em meio aos utensílios e ferramentas produzidos na ferraria dos Carrijos, também eram forjados e confeccionados anzóis utilizados na pesca no rio Araguari. No distrito de Martinésia, também pertencente ao município de Uberlândia ocorria, segundo outro relato, a forja de anzóis.
Eu sei que fabricava no Martinésia lá, fabricava anzol lá, com Sr. Ismael, nóis buscava lá, anzol de pinda, chumbada. Ele mexia com chumbada, anzol e mexia com outros trem lá. Nóis num comprava na cidade não, porque os anzolin dali num prestava, o dele lá era bão, sabe? Anzol forte, os anzolin da cidade era muito fraco29.
A preferência em buscar os anzóis produzidos artesanalmente neste local dava-se pela sua qualidade e resistência. O que expomos até aqui, são relatos que demonstram que explorar o rio Araguari tendo como objetivo a pesca, exigiam técnicas as quais eram localmente produzidas nas ferrarias
28 Entrevista realizada no distrito de Cruzeiros dos Peixoto, zona rural do município de Uberlândia-MG.
com a forja dos anzóis e nas propriedades rurais com a confecção das linhas e armadilhas utilizadas no rio.
Nestes relatos, percebe-se que o saber-pescar permitia, pela experiência, determinar os equipamentos corretos e com qualidades. No processo de obtenção destes equipamentos, concretizavam-se trocas materiais e sociabilidades que nos revelam uma divisão do trabalho no espaço rural, no qual estabelecimentos rurais forjavam as ferramentas necessárias utilizadas no cotidiano.
Percebemos através destes relatos, que neste tipo de organização social, a vida tinha seu ritmo próprio e a dependência e contato com outros centros eram de certa forma limitados, exigindo das pessoas e comunidades estratégias e sabedorias para enfrentar as dificuldades encontradas no processo de obtenção dos meios de vida. Para Santos (2006) isso se deve porque:
O espectro do consumo era limitado. Exceto para uns poucos indivíduos, as sociedades locais tinha suas necessidades localmente satisfeitas. Os itens trocados eram pouco numerosos e as trocas pouco frequentes. A competitividade entre grupos territoriais era praticamente inexistente, em períodos normais. O tempo era vivido como um tempo lento. (SANTOS, 2006, p. 264-265).
Certamente, a vida no ambiente rural tinha uma dimensão local cujas necessidades eram em grande parte satisfeitas pelos trabalhos realizados nas propriedades, porém, isso não implica um rural autárquico e independente do meio urbano e outros centros regionais. Havia necessariamente uma troca e dependência entre rural e urbano, pois o que não era produzido era adquirido nas cidades e uma parcela do que era produzido nas propriedades eram comercializados nos centros urbanos.
A preferência em buscar anzóis mais resistentes no distrito de Martinésia era uma opção em relação aos comercializados na cidade, e demonstra que o comércio de apetrechos utilizados na pesca já era uma realidade nos centros urbanos. Certa vez, entrevistando um pescador residente do município de Indianópolis, este nos relatou que os equipamentos de pesca utilizados por ele, e mesmo na pesca praticada por seu pai, eram adquiridos no município de
Uberlândia, e só posteriormente apetrechos como as redes, tarrafas, anzóis e linhas de pesca passaram a ser revendidos por comerciantes do município de Indianópolis. Para este entrevistado, a maioria dos apetrechos utilizados eram comprados, somente as varas de bambus e as chumbadas eram produzidas ou improvisadas no ambiente rural.
Na ampla maioria dos entrevistados que pescaram no rio Araguari, a utilização do anzol era apenas uma das opções de apetrecho. As redes de espera e a utilização de tarrafas certamente foram os materiais mais utilizados. Falar dos apetrechos utilizados nesta atividade remete-nos às técnicas empreendidas, e conforme aponta Silvano (2004) a pesca artesanal promovida por ribeirinhos “são de natureza complexa e imprevisível, envolvendo grande variedade de técnicas de pesca utilizadas e grande diversidade de espécies de pescado capturadas” (SILVANO, 2004, p. 187).
Tais técnicas são sabedorias que os homens adquiriram na prática ao relacionarem-se com o rio Araguari no processo de satisfação de suas necessidades vitais. Portanto, nos referirmos às habilidades e conhecimentos colocadas em prática e que são elementos pertencentes ao modo de vida destas pessoas, pois isto implica em estratégias cotidianas de administração do tempo, e da conciliação da pesca com outras atividades desenvolvidas na lida rural.
Segundo um entrevistado “nascido e criado aqui na região, no fundo do Cruzeiro (dos Peixotos) e aqui em Martinésia”, distritos rurais pertencentes ao município de Uberlândia, a pesca foi uma atividade aprendida com:
meu pai. Eu que aprendi com meu pai né. Meu pai tomava conta das fazenda, trabalhava nas fazenda, ai quando não tinha serviço ele pescava, a noite, de tardizinha, ai agente ia junto, agente aprendeu com ele30.
Considerando o relato acima, percebe-se que a pesca constituiu uma atividade praticada por seu pai, e os primeiros contatos com esta atividade constitui uma herança familiar passada pelo seu progenitor. Para Claval (1999, p. 63-66), uma das características centrais da cultura é que esta constitui uma
herança e a transmissão dos saberes implica sistemas eficazes de comunicação. No exposto acima, o processo de aprendizagem teve origem ainda no período de infância quando este acompanhava seu pai em suas pescarias, e nestes momentos, herdou do pai, sabedorias e técnicas referentes à pesca no rio Araguari.
Hoje (2010), morador do distrito de Martinésia devido a formação da represa de Amador Aguiar II que inundou a propriedade onde morava e trabalhava, relembra as atividades na propriedade rural e conta que conciliava a pesca da seguinte forma:
Aqui eu morava e tomava conta da fazenda, era zelador da fazenda, ai nas hora vaga também, a tarde, agente ia pesca todo dia. Lá nóis plantava era o milho, o arrois, que plantava lá, o que sobrava vendia né, que dava muito, mas lá era mais era o gado né, mexê com o gado. Era leite, olhá o gado, zelá da fazenda. Nessa época eu tomava conta da fazenda, fazia meu serviço todinho, e tinha a hora deu pescá todo dia de tarde e de noite. Eu começava a pescá assim, depois das seis horas, hora que acabava o expediente da fazenda31.
A pesca, conforme aponta o relato acima, foi uma herança de seu pai, ambos, além de trabalharem nas propriedades rurais, supriam parte de seus meios de vida conciliando a pesca no rio Araguari com outras atividades. A lida na propriedade rural, desdobrava-se com cuidados nas plantações de arroz, feijão e milho existentes na propriedade que serviam tanto para o “gasto”, consumo próprio, quanto para a venda dos excedentes. Além destes, existiam outros afazeres referentes à lida com o gado, como tirar leite, cuidar do pasto e prover a alimentação dos animais. O tempo da pesca para este entrevistado então só era possível após o fim das obrigações exigidas pelo dono da propriedade rural ao qual o entrevistado além de trabalhador, era morador.
A conciliação entre pesca e lida rural foi uma realidade apontada por outros entrevistados, conforme relato:
Eu morava no funil ali, era do meu pai lá, Fazenda da mata, lá. Lá na fazenda agente produzia leite. Lá só tinha uma lavourinha pro gasto, plantava arrois, uma moita de milho pra tratá dos porco. Era arrois,feijão, milho e leite só, pro gasto lá. Era cedo, duas horas da madrugada tinha que levantá, todo mundo. Ajudava ele a tirá o leite, e eu pegava, falava que ia pra roça e ia pra rede32.
FOTO 6: Corredeiras localizadas entre os municípios de Uberlândia e Araguari conhecidas