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KLIMAMODELLER OG RESULTATER

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Por todo o reino há terra fertilíssima. Aqui, junto a Quito, fica Lata- cunga21, onde se faz grande parte das coisas referidas e em cuja comarca

há muitos lugares de índios. De Quito vai-se a Loxa, vila de espanhóis. Para esta parte da serra fica Jaén de Bracamoros, onde se colhe o melhor tabaco que se leva a Lima. Nesta parte estão os Quixios, onde se colhe canela, não é tão boa como a de Ceilão, serve para doceiros. Aqui ficam as Chachapoyas, onde se faz muito fio de pita e muitas pontas e outros lavores. Todas estas províncias são lugares de índios. Por elas tratam muitos mercadores espanhóis. São terras de muitos gados e onde se colhe muito trigo e outras coisas.

Voltando a Olmos de los Arrieros, é lugar de índios22. Tem o seu

pequeno rio com que irrigam os campos e colhem o necessário para o seu sustento. Daqui vai-se a Lambayeque, que são doze léguas de grandes areais, que se não (não se) levam índios por guias, se perdem aqui as gentes. Os índios são tão destros que de noite nem de dia não perdem o caminho. De Lambaeque vai-se a Jayanca e a Terrinafe. Todos são lugares de índios e têm rios e colhe-se por esta terra boa cana fístula23,

muito algodão e outras muitas coisas, e é bom corregimiento. Têm aqui os índios curas que os doutrinam e ensinam. De Terrinafe, onde há uvas e figos, vai-se à vila de Sana. Esta é uma vila rica de espanhóis, a melhor e mais rica das planícies. Tem grande trato de toda a sorte de mercadorias. Criam-se nesta terra muitas cabras e machos, de que se fazem cordovão, e levam-no a Lima, com cebo, e colhe-se muito trigo, açúcar e algum anil, ainda que não muito bom. Está a vila a cinco léguas do mar. O seu porto chama-se Cherepe, e é porto inquieto, que é a costa rasa e estar desabri- gado, sempre se espera que esteja o tempo calmo para embarcar e desem- barcar. No caminho do porto para a vila, há muitos bosques de guarango, que é a árvore de onde se colhem as alfarrobas. Pelo caminho, há estan-

cias e não falta água. De Sana, segue o caminho para a serra, e por ele

se vai à província de Caxamarca. O caminho das planícies divide-se em dois, pelo da esquerda, vai-se a Pueblo Nuevo, onde fica guadalupe, mos-

do espaço económico andino, no qual a procura gerada pelos centros mineiros levou a que determinadas regiões alcançassem um elevado nível de especialização, neste caso de têxteis na área de Quito.

21 No manuscrito, «La tacunga», erro que indicará a existência de um copista. 22 Quando o autor fala de «lugares de índios» está a referir-se aos pueblos de indios.

A sociedade da América hispânica estava, legalmente, organizada em repúblicas de españoles e repúblicas de indios, cada uma com formas próprias de organização e legislação. Na região andina, o vice-rei Toledo (1568-1580) foi responsável pela reorganização da população indí- gena, agrupando-os em reduciones de pueblos de indios, nem sempre coincidentes com o local que antes ocupavam ou cultivavam. O objectivo era assegurar a evangelização, mas também obviamente o seu controlo, taxação e a existência de mão-de-obra disponível.

23 É uma designação alternativa atribuída à cássia imperial, uma árvore nativa da

Ásia e do Médio Oriente, mas que se produz também na América do Sul, região onde normalmente lhe é associada esta denominação. É habitualmente utilizada como laxante.

DESCRIÇÃO GERAL DO REINO DO PERU, EM PARTICULAR DE LIMA 107 teiro de frades agostinhos, e, pelo caminho da direita, vai-se a Guanque- tepeque, onde se juntam ambos os caminhos. Depois vai-se a San Pedro de Mama, bom lugar de índios, onde se faz muita roupa de algodão para os índios, camisas e mantas para os homens, e, para as mulheres, anacos, que é uma roupa sem nenhuma costura, e muitas índias não trazem mais do que este anaco, sem camisa ou outro género de vestidura, nem cal- çado nem touca. Outras trazem os seus anacos e mantas, outras lliquidas e algumas mui ricas faldellines de bons panos, de veludos e de tecidos de ouro fino, e assim vestem também os índios, conforme a terra e conforme têm o caudal. E faz-se por esta terra grande quantidade desta roupa e outra a que chamam borrachera, que é pintada de várias cores, e que levam a todo o reino. Depois, vai-se a Payan, lugar de índios, onde há boas galinhas e capões, que se criam com o muito milho que se colhe nesta terra. De Sana a Lima há cento e dez léguas, setenta a Payta e vinte a Truxillo, cidade fertilíssima e farta.

Truxillo é cidade onde há corregidor e bispo, mosteiro de frades e monjas e teatinos, grandes casas de cavaleiros e ricas lojas de merca- dores. É cidade abundante em muitos, diversos e bons mantimentos. Situa-se entre dois rios, que regam os seus campos. Tem um vale de quatro léguas que se chama Chicama, o melhor e mais fértil que têm todas as planícies, onde se colhe grande quantidade de açúcar e muito e bom trigo, onde e neste vale muitos moinhos, onde se mói o trigo e se fazem grandes partidas de farinha. E de Truxillo e da vila de Sana levam navios carregados destas farinhas, de açúcar, conservas e outras coisas para o Panamá, e do Panamá fornecem Portobello e outras partes. Estas farinhas (estas), depois de moídas, são metidas em sacos de algodão, de que se fazem muitos nestas planícies, e assim as arrumam junto dos moinhos, muitas são levadas para a praia do mar, onde as têm em grandes amontoados, sem guarda nem defesa, outras são carregadas no porto de Mal Abrigo, a nove léguas de Truxillo. A quatro léguas da cidade está o seu porto, que se chama Guanchaio [sic] e é porto razoável. Por todo este vale há muitas frutas, e muitas sementes e algodão e bons pastos para o gado, e lindas hortas e muitas frutas, marmelos, romãs, azeitona mais gorda do que a de Sevilha. Colhe-se muito pimento, a que chamam ajís. Há uvas, laranjas, cidras e limões. Do algodão faz-se muito pavio para velas, que é levado a Lima e a Potosí e a todas as partes onde há minas. Estas gentes tratam-se mui regaladamente, porque têm muitas conservas e boas aves. É cidade de mil e quinhentos vizinhos espanhóis e tem muitos índios e negros que trabalham nos campos e servem na cidade.

Quando estes rios vêm crescidos, que se diz de avenida, atravessam- -nos com umas balsas que fazem com totora, que é como a cana que se cria nas margens dos rios e pelas lagoas. Desta tutora fazem dois feixes bem apertados e muito grossos e longos, e ficam estas balsas feitas como

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