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Klimagassutslipp og kvantifiserbare samfunnsøkonomiske effekter

A quantidade para Hegel é uma determinação finita, que é constituída a partir da passagem do ser puro, onde nenhuma determinação o precede ou o acompanha, na sua passagem à existência. Na existência, o finito e o infinito têm um papel inteiramente interligado para o pensamento. Os conteúdos de verdade estão todos dentro da determinação qualitativa quantitativa. Não se trata da verdade em geral ou

em Kierkegaard não está na realidade dada, ela está na possibilidade. “Aqui temos a característica: a possibilidade é que angustia”. (VALLS, 2012, p.51). A angústia em Kierkegaard se dá como característica da liberdade.

63 KIERKEGAARD, 2010a, p. 90.

64 “A história passa a ser, de agora em diante, efetivamente o desdobramento do princípio da liberdade de tal modo que ela será a objetivação da emancipação realizada antecipadamente em Cristo”. (OLIVEIRA, 2013, p.272). Para Kierkegaard uma tal conciliação entre Cristo e a história, como objetivação dos indivíduos não tem sentido, nem filosófico, nem dogmático. Não há emancipação fora do instante em que o indivíduo mesmo se emancipa. “Se, ao invés, o tempo e a eternidade se tocarem um no outro, então terá de ser no tempo, e agora chegamos ao instante”. (KIERKEGAARD, 2010a, p. 94). Mesmo Cristo, enquanto fenômeno histórico não pode ser objetivado, é no instante que o tempo pode ser tocado pelo eterno, e não nunca uma conciliação duradoura entre eles, o que há é O Instante.

de uma verdade superior inalcançável. Em Hegel os conteúdos de verdade partem da existência, do conteúdo histórico dado65.

Em Kierkegaard, por sua vez, não existe uma verdade objetivamente histórica, que torne imprescindível uma renúncia do imediato. Por outro lado “A liberdade é infinita e aparece do nada66”, mas a consciência dessa liberdade só se dá com a determinação. A diferença entre a filosofia de Kierkegaard e a de Hegel é a diferença entre essa tomada de consciência. Em Hegel, na passagem, essa tomada de consciência é imanente, e em Kierkegaard, no instante, essa tomada de consciência é transcendente. A existência do indivíduo em Kierkegaard, em última análise, não progride junto com a imanência histórica, mas “A história da vida individual progride num movimento que vai de estado a estado67”.

A quantidade em Hegel embora pareça ser apenas a mediação do ser em si mesmo, para o ser que existe em sua determinação, há ainda ai uma mediação que não é quantitativa. Não se trata de uma mediação, mas de uma superação. A quantidade é finita tanto paraHegel quanto para Kierkegaard. Em Hegel, no entanto, a quantidade em sua finitude supera-se. O ser não é ser-para-si apenas por existir, mas é dialeticamente ser-para-si. O movimento do ser desde a sua indeterminação, até sua determinação e superação em relação à finitude é um movimento dialético. Em Kierkegaard, porém, a dialética é a dos estados da existência e não como em Hegel, uma dialética da passagem do nada ao ser.

Kierkegaard e Hegel começam pelo nada. O nada em Kierkegaard significa ignorância, e em Hegel significa a forma no interior da qual se abstrai, mas também se concretiza (na história) todo o real. O abstrato de Hegel continua até certo ponto abstrato e todo abstrato passa a uma determinação. A indeterminaçãodo ser puro é sua qualidade e tem aparência de determinação. Na história isso se conforma muito bem com a análise do processo histórico, como se um dever-ser fosse sempre determinado e isso reflete bastante na questão da irresponsabilidade dos homens e

65 “Na Reforma, a objetividade da Verdade é inseparável da subjetividade e da certeza, de modo que o sujeito se torna verdade na medida em que ele, renunciando à sua imediatidade através do acolhimento do espírito de verdade, apropria-se de si mesmo enquanto ser livre, e a verdade se manifesta no ser livre”. (OLIVEIRA, 2013, p. 273). A verdade em Hegel é um conteúdo que pode ser dado, em Kierkegaard este conteúdo é dado apenas em uma transcendência.

66 KIERKEGAARD, 2010a, p. 120. 67 Ibidem, p. 120.

dos povos68. Quando se assume uma postura de determinismo (mesmo fantasmagórico), isso tira dos homens sua responsabilidade.

No entanto, em Hegel não há um determinismo, em sua Ciência da Lógica, Hegel pretende apenas dar algumas indicações, pois qualquer pressuposição exterior quando se trata da lógica é desnecessária69. Hegel é um ético, que adere a uma ética racional, da qual Kierkegaard não se desliga inteiramente. Kierkegaard percebe ambas as éticas, tanto a ética hegeliana, quanto seu próprio modelo de ética70. Para Kierkegaard a ética racional é apenas uma ética do Estado, não vai mais longe que o próprio telos do Estado. Mas assim como em Kierkegaard, o indivíduo em Hegel também é responsável71, embora, em menor grau72 e em conformação com o Estado73.

Se Hegel nos oferece com a mão direita o ser-para-si refletido na abstração e na superação da existência meramente finita dos conteúdos de verdade histórica, não podemos devolver com a mão esquerda uma frágil discordância que apenas pretende dizer que a abstração é vazia, que a história é determinada, que o próprio ser passa do nada a existência sem mais nem menos. Mesmo Kierkegaard, que critica a filosofia de Hegel, tenta ser honesto com ela74.

O que interessa a Kierkegaard é a questão do indivíduo. Da forma que tudo está dado em Hegel, o indivíduo parece ser anulado dentro do Estado, das instituições religiosas. Mesmo que na reconciliação ética com a providência o indivíduo tenha

68 Em contraposição a isso temos “Liberdade só se realiza, então, como liberdade que passa pela consciência”. (OLIVEIRA, 2013, p. 280). Os homens, através dessa ideia da liberdade apenas enquanto consciência, fazem parecer e realmente salvaguardar o argumento de Hegel. Mas essa liberdade em Hegel “(...) capaz de libertar o ser humano de toda e qualquer autoridade exterior (...)”. (OLIVEIRA, 2013, p.280), faz parte de uma liberdade absoluta, que anula a individualidade. O homem em si mesmo, para Kierkegaard, se torna irresponsável. O homem é o povo, mas não é sua identidade com o povo que faz dele livre ou responsável, antes, essa identidade pode tornar suas atitudes irresponsáveis. Cf. Ponto três deste capítulo.

69 “Não somente a indicação do método cientifico, mas, também o conceito mesmo da ciência em geral pertence ao seu conteúdo e, na verdade, o conceito seu resultado último”. (HEGEL, 2011, p. 21). 70 Uma ética do amor, assunto do capítulo terceiro.

71 “A racionalidade e a liberdade das leis e instituições da vida sociopolíticas têm, na liberdade absoluta, seu fundamento e, em vista disso, a legitimação de sua obrigatoriedade”. (OLIVEIRA, 2013, p. 281). A obrigatoriedade em Kierkegaard não garante a racionalidade, Cf. Ponto três desta dissertação. 72 Do ponto de vista de filosofia da responsabilidade de Kierkegaard.

73 Perde-se um elemento kantiano que será resgatado por Kierkegaard no livro As Obras do Amor de 1847(KIERKEGAARD, S.A. As Obras do Amor, 2012a), quando propõe uma segunda ética, fundamental do TU DEVES.

74 Em Kierkegaard também existe o elemento da indeterminação. A angústia começa pelo indeterminado: estado onde espírito está sonhando no homem.

algum traço de importância, ainda aí não tem a importância que Kierkegaard destina ao indivíduo75. A liberdade é um conceito quase incompatível com um ser-para-si que supera sua finitude e que antes disso passa a existência superando uma indeterminação imediata. O problema de Kierkegaard é muito maior no que diz respeito a essa indeterminação imediata, quando há uma passagem do nada ao ser. Com o problema do ser há uma abstração tão fundamental e absoluta, que para Kierkegaard é contrária a todo conceito de liberdade, que só acontece na realidade concreta da existência humana.