4 KLIMA
4.1 Klimaendringer
Conceito de saúde: A assistência pré-natal se inicia com o diagnóstico da gestação e tem por objetivo acolher a mulher desde o inicio da gestação até o final da mesma, de forma a assegurar o nascimento saudável da criança e a garantia de bem estar materno e neonatal. Esta atenção se dá por meio de incorporação de condutas acolhedoras e sem intervenções desnecessárias. É o acompanhamento contínuo da gestante a fim de minimizar os riscos da gestação (BRASIL, 2013).
O acompanhamento pré-natal é basicamente por consultas durante os três trimestres da gestação com acompanhamento dos aspectos físicos, ginecológicos e obstétricos, situação da gestação atual, anamnese18, antecedentes familiares, pessoais e aspectos epidemiológicos. Também é realizado o exame físico completo com avaliação de cabeça e pescoço, tórax, abdômen, membros e inspeção de pele e mucosas, seguido do exame ginecológico. Perguntas sobre alimentação, hábito intestinal e urinário, movimentação fetal e interrogatório sobre presença de corrimentos ou outras perdas vaginais (BRASIL, 2013).
As consultas de pré-natal segundo o Ministério da saúde para uma gestação de baixo risco são na seguinte demanda: até a 28ª semana deve-se realizar consultas mensalmente, de 28ª a 36ª semanas, consultas quinzenalmente, e da 36ª a 41ª semanas, consultas semanais. No mínimo são recomendadas 6 consultas de pré-natal (BRASIL, 2013).
No islam: Frente a esta breve aproximação com a assistência pré-natal e por dados coletados no campo, para o acompanhamento pré-natal, recomenda-se que todo ele seja acompanhado por profissionais do sexo feminino, ou seja, toda a equipe de saúde. As participantes da pesquisa relataram que a assistência do pré-natal foi realizada por profissionais mulheres.
Quando a assistência de saúde diz respeito à questões eletivas, ou seja, que a mulher assistida tem o direito de escolher o profissional de saúde que irá assisti-la, sempre a escolha será por profissionais do mesmo sexo. Mulheres assistidas por mulheres e homens por homens, principalmente no que tange à região pubiana. Nas minhas entrevistas, as mulheres
18Anamnese é uma entrevista realizada pelo profissional de saúde a fim de realizar um levantamento de dados
não relataram nenhum fato importante a respeito disto, a não ser esta questão do atendimento por outras mulheres.
Esta questão é tão importante para as mulheres muçulmanas, pois coloca em pauta o princípio da honra e da modéstia. O fato de uma mulher muçulmana, seja ela solteira ou casada, ser assistida por um profissional (homem) pode repercutir diretamente na sua vida social. No islam, a mulher tem a papel de manter a honra da sua família, do seu marido através do seu comportamento. A honra não está relacionada apenas a ela mesma, mas à sua família e marido. Quando uma mulher é tocada por um homem que não seja seu marido, pais, tios ou filhos, a sua honra e da sua família esta em questão. No islam isto é comum, pois homens e mulheres não se tocam, a não ser que sejam familiares próximos.
Com isto pretendo relatar que, diferente de uma mulher ocidental que pode ser atendida por profissionais de saúde do sexo masculino e absolutamente nada da sua vida cotidiana será afetada, com mulheres muçulmanas não é assim. Durante a pesquisa, tive a oportunidade de conversar com uma assistente social que assistiu a uma mulher muçulmana. O motivo para que a mulher muçulmana procurasse o local que a assistente social trabalhava foi exatamente o fato de este princípio ter sido infringido.
Ela já tinha sido abrigada uma vez e havia ido para a casa de uma amiga, quando cheguei na casa abrigo, ela estava pedindo abrigo outra vez. Na casa abrigo não podemos aceitar a mesma pessoa lá por duas vezes por conta do risco com as outras mulheres que estão acolhidas. Eles insistiram muito por que ela não tinha para onde ir e estava grávida, não tinha família no Brasil, a única família era o agressor e a família do agressor. Então a gente atendeu ela de volta. Na primeira entrevista que foi eu que fiz, eu perguntei o que tinha acontecido e ela falou que ela tinha sido repudiada pelo marido.... e que ela sofria violência desde que eles casaram. Eles já tinham problemas no casamento por ele ser muito violento, mas, um dos agravantes para ela ter sido repudiada foi que, ela estava grávida, e foi à médica, só que foi atendida primeiramente (...) por um enfermeiro que mediu a pressão e o companheiro viu. Ela ia ser atendida por uma médica, a ginecologista... Mas isso foi a gota d’água (BROMÉLIA).
Este é o exemplo vivo das implicações de uma mulher muçulmana ser assistida por profissionais do sexo oposto. Esta mulher teve o direito de educar seus filhos retirado. Sua família de origem não a aceitou de volta por ela ter sido repudiada, e ela está aqui no Brasil, sem família, sem poder retornar ao seu país de origem, sem os filhos, enfim, sozinha.
Uma mulher repudiada pode se casar outra vez, mas precisa esperar um período mínimo de três meses, para que fique confirmado que ela não está grávida do casamento anterior. (S.J)
O marido desta mulher retornou para o país de origem deles e levou os seus filhos com ele. No islam, os filhos pertencem à família do pai, pois o islam é de sucessão patrilinear. Essa mulher que estava grávida convivia com o medo de ter seu filho retirado dela ao nascer, por um irmão do marido que ainda estava aqui no Brasil. Neste caso específico, o casamento dela não estava bem por conta da relação violenta que vivia, mas o que projetou o repúdio foi o fato dela ter sido tocada por outro homem, no caso o enfermeiro.
A separação poderia ter ocorrido, mas o repúdio foi o ato estremado em relação a esta mulher. Para o marido dela, a sua própria honra foi violada quando sua mulher foi tocada por outro homem. Muitas pessoas podem pensar que esse foi o melhor que este marido fez para ela, mas o repúdio para esta mulher não significa uma simples separação como pensado aqui no ocidente. O repúdio significa solidão. Sem filhos, sem a família de origem, sem retorno ao seu país. A vida solitária em um país estranho. Sem casa, sem dinheiro.
Caso este profissional de saúde soubesse das implicações na vida desta mulher através da sua simples aferição da pressão arterial, certamente não a teria realizado. Poderia ter pedido para que uma enfermeira realizasse o procedimento. Este caso exprime claramente a relevância do conhecimento prévio dos profissionais de saúde quanto ao islam e a sua repercussão nas práticas de saúde. Não se trata apenas de “adaptar” os cuidados de saúde, se trata de considerar as implicações dos cuidados na vida destas mulheres muçulmanas. Uma simples consulta de pré-natal desencadeou um repúdio, e consequentemente a desestruturação brusca da sua vida social.
2.3.8. PARTO:
E, com efeito, criamos o ser humano da quintessência de barro. Em seguida, fizemo-lo gota seminal (ser humano), em lugar estável, seguro (ou seja, no útero). Depois, criamos, da gota seminal, uma aderência; e criamos, da aderência, embrião; e criamos, do embrião, ossos; e revestimos os ossos de carne; em seguida, fizemo-lo surgir em criatura outra. (ALCORÃO 23:12- 14, sem data)
Conceito de saúde: O Parto é o momento resolutivo da gestação, é o momento expulsivo do ser que foi gerado e formado nos meses anteriores. É a expulsão do feto para o
mundo exterior através da via vaginal ou por via abdominal, com a operação de cesárea, ou por laparotomia para extração de um feto oriundo de uma gestação ectópica.19 (OBSTETRICIA, 2003).
No islam: Na tradição muçulmana, as mulheres grávidas são cercadas de crenças e práticas que afetam diretamente na saúde do bebê. Na Arábia Saudita, os cuidados de saúde no período da gestação são norteados pela cultura local muçulmana e estas práticas influenciam diretamente na gravidez e período de amamentação (SIDUMO, 2007).
Em diferentes sociedades, a gravidez é interpretada de diversas maneiras, e o momento do nascimento tem significados diferentes. Para as mulheres muçulmanas, o engravidar é um período de transição e de celebração social, um sinal de realinhamento nos papéis sociais e responsabilidades. As crenças e valores que cercam a gestação contribuem para assistência de saúde, desde as prescrições alimentares até intervenções aceitáveis no momento do trabalho de parto (SIDUMO, 2007).
Relacionado à dor no momento do trabalho de parto, existe a crença na predestinação da dor, onde Alá permite que a mulher sinta a dor, e essa dor é causada por fatores sobrenaturais, e espíritos malignos são os responsáveis por este tormento. A mulher árabe neste momento do parto pode gritar muito e ficar altamente estressada, e a família pode entrar em pânico e pedir ao profissional de saúde que tome providencias (SIDUMO, 2007).
Os cuidados com o cordão umbilical após o nascimento são diferentes em cada país do Oriente Médio. Na Arábia, utilizam uma cinta em torno da cintura do bebê, para evitar o surgimento de hérnias, não utilizam álcool ou óleo na higienização do coto umbilical. No Oriente Médio, também tem o costume de realizar a circuncisão masculina alguns dias após o nascimento (SIDUMO, 2007).
A prática da circuncisão masculina é realizada em todos os meninos muçulmanos. Se acontece do menino nascer com hipospádia, (abertura em posição anormal do canal uretral, geralmente na face ventral do pênis), os familiares muçulmanos devem ser aconselhados contra a circuncisão. Em países predominantemente muçulmanos, a circuncisão geralmente é realizada por um clínico geral muçulmano, que aplica anestesia local e realiza o procedimento em uma clínica. Isso confere a criança higiene e identidade. Outra questão relacionada a isto
é, acredita-se que as gotas de urina retidas no prepúcio e nas roupas íntimas, não permitem que as orações sejam recebidas por Alá (GATRAD, 1994).
No entanto, a circuncisão feminina não é aceitável pela religião. Acontece que em determinados países existe o costume cultural de praticar a circuncisão feminina, e nestes países, o islam apresenta um número significativo de adeptos. Em sua maioria, países com esta prática estão localizados na África. Mas, segundo relatos do campo de pesquisa, esta circuncisão não é permitida por impedir a mulher de sentir satisfação sexual.
A circuncisão feminina é uma mutilação. Ela não é aceita pela religião. A masculina é. A masculina é uma obrigação para os meninos. Por quê? A mutilação feminina está danificando o órgão. Está tirando a condição da mulher de sentir prazer, que é um direito que ela tem na hora da relação sexual. Então, existem costumes pré- islâmicos, por exemplo, que eram praticados por exemplo, pelos africanos e que não podem ser considerados da religião, mas que estão tão enraizados que vários muçulmanos que praticam o islam praticam isso. Mas é proibido pela religião (GIRASSOL).
Antes do momento do trabalho de parto, a região genital deve ser tricotomizada, e necessariamente precisa ser realizada por uma profissional do mesmo sexo, ou seja, do sexo feminino. No momento específico do parto, a parturiente prefere a companhia da sua própria mãe ou sogra, mais do que a figura do marido, contudo isso não é uma prática religiosa (GATRAD, 1994).
Este é um relato de caso, contudo, através das falas das participantes, essa realidade no momento do parto pode ser diferente. A Girassol relatou que no nascimento dos seus três filhos sempre foi o seu marido que esteve com ela na sala de parto. Ela julga ser importante ter o marido ao lado, devido o ritual realizado após o nascimento do bebê. Já a Jasmim relatou que quem a acompanhou no momento do parto foi sua sogra. Ela foi a responsável por realizar o ritual após o nascimento do seu filho.
Na hora do parto o meu marido ficou comigo. É um momento familiar, do casal principalmente né?! Claro que a família fica naquela expectativa, mas quem fica ali junto é o marido... normalmente é o marido. A não ser que ele não tenha coragem, ou coisa assim né?! A minha mãe, por exemplo, ficava com as irmãs dela, no parto das irmãs dela porque os meus tios não tinham coragem. Não existe uma regra. Assim... Ou é o marido ou uma mulher próxima (GIRASSOL).
No momento exato do parto, existe um costume em relação aos bebês recém-nascidos, em que as primeiras palavras que eles escutam precisam ser recitações do Alcorão. Estas são recitadas em ambos os ouvidos pelo pai ou por um muçulmano piedoso. Isso é realizado após o banho e higienização.
Por isso que é até aconselhável que o marido esteja do lado da esposa neste momento, por que é assim, quando o bebê nasce, a primeira coisa que tem que fazer é o chamamento da oração do lado direito né?!
A oração quando o bebê nasce é fazer, no ouvido direito, o chamado da oração:
1 - Alláh Akbar (Deus é Maior), quatro vezes.
2 - Ach-hadu an la iláha il-la Alláh (Testemunho que não há outra divindade além de Deus), duas vezes.
3 -Ach-hadu an-na Muhammadan rassulu Alláh (Testemunho que Muhammad é o Mensageiro de Deus), duas vezes.
4 - Haiyá ´alas-sala (Vinde para a oração), duas vezes. 5 - Haiyá ´alal-falah (Vinde para a salvação), duas vezes. 6 - Alláh Akbar (Deus é Maior), duas vezes.
7 - La iláha il-la Alláh (Não há oura divindade além de Deus), uma vez. Na oração da alvorada há uma pequena diferença na hora do chamado, porém no ouvido do bebê é até o item 7.
Mas para que você conheça o que é dito Somente na Oração da Alvorada é que o mu-azin intercala, entre a quinta e sexta fórmulas: As-Salátu Khairon min an-naum (A oração é melhor que o sono), duas vezes. (GIRASSOL).
É aconselhável também amassar a parte molinha da tâmara e passar na gengiva do bebê. Não para que ele coma, mas para que sinta o sabor doce e também para que caia a glicose rapidamente na corrente sanguínea. Isso bem na hora do parto! Então, até o sétimo dia de vida é aconselhável raspar a cabeça do bebê, tanto menina quanto menino. Pesar esse cabelo... bem, dá bem pouquinho né... mas é para incentivar a boa prática, para você ter boas ações desde que nasce né! Daí você pesa o cabelo e dá o peso do cabelo em valor de prata. Por exemplo100g de cabelo por 100 g de prata, quanto seria? Então você doa e também sacrifica um animal, um carneiro normalmente, e oferecer para as pessoas. Bom isso não é uma obrigação. Tudo isso que eu te falei são sunna. Sunna são tradições, não é uma obrigação dentro da religião, mas é uma indicação muito forte para que seja praticado. (GIRASSOL).
O costume de amarrar uma fita preta no pulso ou pescoço do neonato, com orações e a esta fita se dá o nome de “Ta-Weez”, é um hábito cultural, não um preceito religioso. Os profissionais de saúde de países com esta prática precisam manusear com respeito a fita e somente em situação de emergência cortá- la. A função desta fita é proteger o bebe e evitar o mau olhado (GATRAD, 1994).
Não, isso não é religião. Isso deve fazer parte da cultura de algum país específico. Muitos países que seguem o islam, seja em sua maioria ou não. Muitos, seja africano, orientais, tem costumes locais. Se esse costume local não vai de encontro com a religião e sim ao encontro com a religião, tudo bem você fazer, mas ele não é da religião. Se é alguma coisa que vai contra a religião, alguma coisa que deus não mandou, não tem haver com a religião, é costume local (GIRASSOL).
Algumas famílias dão mel ao recém nascido para ele lamber, e geralmente este ato é realizado por uma pessoa muito respeitada pela família, pois se acredita que as virtudes daquela pessoa passam para o bebê.
A placenta após o parto deve proceder ao enterro. É parte constituinte da mulher, por isso precisa ser entregue aos familiares para ser enterrada.
É parte do ser humano. Essa parte que é morta agora, ela por uma questão de dignidade é sepultada. Isto está nos hadiths. Se entendemos que a placenta é uma parte da mulher... Ou até um aborto natural, até os 120 dias, que acreditamos que ainda é uma parte da mulher, não tem vida independente, então precisa ser enterrado. Geralmente aqui no Brasil isso não acontece... Em países islâmicos sim, mas aqui não.... As pessoas não tem esse entendimento, não tem esse conhecimento. (S.J)
Religiosamente, as mulheres são vistas como procriadoras e perpetuadoras do islã dentro dos seus lares, ao transmitir os valores religiosos aos seus filhos.
Na religião não tem nada disso, se o nascimento de um menino é melhor, ou o nascimento de uma menina é melhor... Tudo é com a graça de Alá. É de deus, tudo vem de deus e a gente crê assim (GIRASSOL).
2.3.9. PUERPÉRIO:
Conceito de saúde: Puerpério é o período imediatamente após o parto até o 45ºdia. O chamado período de resguardo compreende o puerpério imediato e tardio. Após este período, o puerpério chamado remoto, tem período de duração indeterminado e varia de acordo com o tempo que a mulher ficará em amenorréia20 (OBSTETRÍCIA 2003).
20
No islam: Geralmente, após o parto, segundo relatos, as mulheres muçulmanas permanecem deitadas por vários dias, prática diferente de muitas unidades de obstetrícia, que normalmente encorajam essas mulheres a se levantarem e deambularem assim que possível. Devido à questão da modéstia, estas mulheres permanecem com as pernas cruzadas, o que pode ocasionar trombose venosa profunda (TVP), e necessitam receber orientação quanto a isso (GATRAD, 1994).
É costume a mulher no resguardo ficar seis semanas dentro de casa, sem sair para ir a 1ª consulta de puerpério e do bebê, isso principalmente em países da Índia, por conta da crença de que a mulher neste período esta mais suscetível a infecções (GATRAD, 1994). O período do puerpério está diretamente ligado ao período da amamentação.
2.3.10. AMAMENTAÇÃO:
Amamentar é muito mais do que nutrir a criança. É um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho, com repercussões no estado nutricional da criança, em sua habilidade de se defender de infecções, em sua fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional, além de ter implicações na saúde física e psíquica da mãe (BRASIL, 2009).
O islam crê que determinados alimentos auxiliam no processo de amamentação e nutrição a mãe e ao bebê, tais como leite e derivados do leite, carne e derivados, por isso, estes alimentos são incentivados desde a gestação. A gravidez e a amamentação são consideradas como períodos vulneráveis, que necessitam de maior atenção e de um suporte nutricional adequado, cheio de proteínas, vitaminas e minerais.
A mulher no período de amamentação é alimentada com muitas comidas calóricas, e em particular, mistura de ervas com castanhas, cozidas no trigo e em uma manteiga purificada, chamada “ghee”. Acredita-se que isso ajuda nas dores nas costas, melhora a fluidez do leite e o estresse do puerpério. Há uma ênfase em sopas, e esta dieta dura até 40 dias após o parto, e compressas de água quente são usadas na parte inferior do abdômen desta mulher, para ajudar na involução uterina (GATRAD, 1994).
Um dos alimentos primordiais para todas as mulheres muçulmanas durante a gestação, no momento do parto e no período da amamentação são as tâmaras. Eles creem que as
tâmaras tem o aporte nutricional necessário para o reestabelecimento do corpo da mulher após o parto e durante a amamentação. Esta crença esta baseada em um relato do Alcorão acerca de Maria:
E menciona, Muhammad, no Livro (Torá), a Maria, quando se insulou de sua família, em um lugar na direção do oriente, e colocou entre ela e eles um véu; então enviamo-lhe nosso espírito (Anjo Gabriel), e ele apresentou- se-lhe como um homem perfeito. Ela disse: ‘Por certo, refugio-me no misericordioso, contra ti. Se és piedoso, não te aproximes’. Ele disse:’Sou apenas, o mensageiro de teu senhor, para te dadivar com um filho puro’. Ela disse: ‘Como hei de ter um filho, enquanto nenhum homem me tocou, e nunca fui mundana?’ Ele disse: ‘Assim teu senhor disse: ‘Isso me é fácil, e sê-lo-á para fazer dele um sinal para os homens e misericórdia de nossa parte’. E foi em ordem decretada. Então, ela o concebeu, e insulou-se com ele, em lugar longínquo. E as dores de parto levaram-na a abrigar-se ao tronco de uma tamareira. Ela disse: ‘Quem dera houvesse morrido antes