Depois de expostos alguns dos trabalhos relacionados, considerados de interesse para este projecto, pode-se considerar que o propósito deste trabalho comunga de todos eles, mas evidencia um "personalidade" própria que se passa a explicitar.
O objectivo magno será o de integrar num sistema, instanciado no EAD, várias componentes, que se provou experimentalmente pelos exemplos apresentados, serem funcionais e estarem na vanguarda da investigação: EAD via web (Mbone); utilização da tecnologia multicast nas comunicações e aplicações; e adaptação da QoS das aplicações por middleware multiplataforma (ver Figura 5).
Figura 5 - Enquadramento do sistema desenvolvido face aos trabalhos relacionados.
Aplicações
multicast para
comunicação em grupo
Ensino à distância acessível via web
e Mbone Adaptação da QoS das aplicações por middleware Trabalho desenvolvido
Colmatar todas as exigências de QoS dos clientes é missão quase impossível, pela quase infinita gama de necessidades, muito específicas, se atendermos à aplicação de groupware que aborda este trabalho, o ensino à distância baseado em tecnologia
multicast. Não nos trave esta ideia, de fazer algo inovador, aproveitando todos os
ensinamentos recolhidos neste capítulo.
Um sistema de ensino à distância deverá ser por definição ubíquo, chegando ao lugar mais remoto, e sempre direccionado para o utilizador final. Como tal, não se enveredará por uma solução apenas praticável a nível laboratorial, onde conceptualmente estaríamos a falar de um sistema de tele-ensino, mas em que os e- alunos se tinham de deslocar a um laboratório com uma rede experimental, onde poderiam assistir às sessões com todos os requintes tecnológicos e abundância de recursos de interligação.
O sistema de ensino à distância deverá ser baseado em interface web, recorrendo a middleware (módulos em Java e Javascript) sempre que as funcionalidades requeridas o exijam. A Internet é uma das plataformas de acesso mais democrático, a comunidade de e-alunos já lá está em potência, e já experimentou eventualmente sistemas similares. A infoperícia não deverá ser factor de exclusão, pois os objectivos passam também por tornar trivial o acesso aos conteúdos, e realizar de forma transparente a adaptação e execução das aplicações que lidam com os conteúdos media, mesmo os de natureza síncrona, mormente as conferências multimédia.
Como trabalho académico da área da engenharia informática, a ênfase será colocada, não no conceito de "curso" e tudo o que isso envolve mas sim, no conceito de "serviço", particularmente serviços de media em tempo real para comunicação em grupo, com melhoramento de eficiência e alguma garantia de QoS.
Como requisitos incontornáveis, pontificarão a usabilidade e a acessibilidade dos conteúdos didáctico-pedagógicos, evitando criar um sistema que mimetize o sistema de ensino convencional, mas antes que o complemente.
A adaptabilidade deverá ser gerida pelo servidor mas, exercida no site do cliente, sendo que cada utilizador reúne um conjunto próprio de definições, será no seu sistema que a sua configuração optimizada será computada, baseando tal computação nas directivas do middleware, que importa do servidor como cliente web.
A solução no tocante às aplicações, deverá ser a da utilização de ferramentas
multicast de domínio público, gratuitas e já com alguma difusão. Como se sabe, tais
adaptabilidade? Uma possibilidade seria reescrever o seu código incorporando tais melhoramentos, mas essa solução não reúne grandes apoios, se pensarmos que a comunidade de e-alunos estará sempre dependente da aplicação proprietária e não poderá actualizar-se de forma independente com as ferramentas multicast que bem entender. Assim será preferível exercer o controlo de QoS independentemente da aplicação, incorporando algum middleware a montante.
Precedendo a sessão interactiva e por forma a adaptar a parametrização, prévia ao lançamento (automático e transparente) das aplicações multicast de media em tempo real, computar-se-ão as condições de transmissão e recursos de processamento para cada novo membro interventivo.
Acrescente-se que a comunidade de e-alunos, tão heterogénea como a própria Internet, está impossibilitada de se sincronizar em termos de tecnologia, infoperícia, tipos de conexões, etc., pelo que o sistema de ensino terá de adaptar-se a este cenário real e incontornável.
No próximo capítulo abordar-se-á a temática do multicast IP, fornecendo os aspectos teóricos fundamentais da metodologia comunicacional que o sistema de EAD implementará.
Capítulo 3
Multicast IP
Neste capítulo apresentam-se os fundamentos técnicos do multicast IP. A totalidade das aplicações usadas neste trabalho comunicam nesta modalidade, emitindo/recebendo os seus fluxos para/de entidades abstractas, os grupos multicast. Sendo este trabalho orientado também para a gestão de recursos associados ao processo de EAD, justifica-se a escolha da tecnologia multicast IP pela poupança de recursos associada.
Usando a tecnologia de comunicação de difusão selectiva, ou multicast IP, as aplicações podem esperar da rede, uma entrega eficiente da informação que transaccionam. A eficiência advém da utilização de um árvore de encaminhamento que evita replicações desnecessárias dos pacotes multicast, i.e., por cada ramo apenas passa uma cópia da informação a transmitir. As replicações acontecerão, eventualmente em última instância, no router que serve directamente vários membros de um grupo
multicast. Por este motivo, a comunicação multicast adequa-se totalmente às aplicações
usadas neste trabalho, com relevância para a transmissão de áudio e vídeo em tempo real pois, diminui a carga da rede (usa menos largura de banda) e alivia o esforço de processamento dos routers intermédios.
Em [Almeroth99] pode encontrar-se uma resenha do desenvolvimento do multicast IP, inclusivamente as perspectivas de desenvolvimento para a Internet2.
Os protocolos multicast, relativos ao controlo, encaminhamento e transporte foram incluídos como anexo (ver Anexo I), fornecendo assim todo o suporte teórico para a completa compreensão dos mecanismos que regulam as comunicações multicast.
Como acontece em quase todos os quadrantes, existe a oposição ao multicast IP, alguns investigadores opinam que, a plataforma multicast IP apresenta problemas de escalabilidade e implantação e como tal propõem arquitecturas alternativas, um exemplo é a End System Multicast (ESM) descrita em [Chu01].