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Conceito de inclusão

Segundo o elemento da direção entrevistado, a instituição tem um ambiente aberto, onde os espaços podem ser frequentados sem restrições, acessível quando solicitado tanto por clientes como por instituições, possibilitando ajuda em algumas questões e disponibilizando informação sobre a instituição. A instituição tenta responder ao que é pedido ou ao que possa ser exigido da comunidade, mantendo-se atualizada e atenta ao que acontece na comunidade, estando disponível não só para os seus clientes como para o resto da comunidade, aumentando parceiros e reforçando-os.

Para a instituição incluir não é apenas pôr os clientes no exterior, colocá-los num trabalho; é tudo o que está por de trás dessa integração, é ir ao encontro das necessidades, dos desejos e das capacidades, é o convívio, o conhecimento, a aprendizagem, o estar juntos, transformando mentalidades. Tenta-se promover a inclusão na comunidade, mantendo-a informada e criando meios para que esta aprenda a incluir, criando aproximação para que haja uma noção da realidade de cada pessoa.

A instituição demonstra preocupação com situações pontuais que poderão não ir ainda ao encontro da sua missão, mas cria continuamente estratégias para chegar à inclusão, pretendendo melhorar a qualidade de vida dos clientes pelo menos em alguns aspetos, sendo a integração no mercado de trabalho uma delas.

Se calhar é muito mais importante esta pessoa estar lá, não fazer nada de jeito no trabalho mas ser convidada para um jantar de natal, ser convidada para sair, ser convidada para ir ao cinema e ter atenção, almoçarem com ele, do que se calhar fazer o trabalho muito bem, tudo muito certinho mas depois não há relação, não há aquelas redes não é, portanto

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inclusão tem de ser feita em todas as vertentes, o CEERIA tenta de alguma maneira, claramente é isto, é transformar mentalidades e incluir é isto.

(…) a inclusão é um aspeto muito importante, a inclusão não se faz apenas do CEERIA para fora, faz-se de fora também para o CEERIA.

(…) é importante estar lá fora, mas não estar lá fora isoladamente, estarmos de alguma maneira cruzados com todos, é por aí.

(…) ao querermos melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, naturalmente não podemos só ter a pretensão de querer arranjar um emprego, não é, porque aí não estamos ao melhorar a qualidade de vida destas pessoas, estamos a melhorar um aspeto da qualidade de vida destas pessoas, portanto, se nós queremos ser mediadores neste processo de inclusão temos que abranger todas as vertentes e, portanto, o trabalho naturalmente tem que se especializar dentro de uma área, não conseguimos estar em todas as frentes, mas ao fazermos isto numa área queremos de alguma maneira que ela se alastre para todas as outras da vida desta pessoa (…)

Gestão de clientes/ funcionalidade

Segundo a direção do CEERIA, as infraestruturas não são a sua prioridade. Inaugurou-se um novo espaço a fim de responder à necessidade de dispor de um lar, abrangendo um maior número de clientes e respondendo a variadas problemáticas:

(…) infraestruturas naturalmente não é esse o nosso objetivo claramente que abrimos um espaço para dar resposta sobretudo mais à questão do lar (…) essa era uma necessidade fundamental e naturalmente também abrangemos aqui um maior número de pessoas no CAO, pessoas também mais dependentes, mas o objetivo não é permanecer cá dentro.

Percebeu-se que o CEERIA tenta não só responder internamente às diversidades existentes, como procura que esse trabalho seja feito na comunidade e prestado pela mesma de modo a estimular também a uma maior interação a nível social.

É importante salientar que todos os clientes são avaliados segundo a classificação internacional de funcionalidade (CIF) da pessoa com deficiência, para perceber o tipo de deficiência e em que valência ou programa podem ser inseridos. Um caso mais específico é

52 o que está ligado à valência socioprofissional em que o cliente tem de estar inscrito nos serviços de emprego e ser encaminhado a partir daí.

(…) cada serviço como é muito direcionado para a necessidade da pessoa e para o desejo da pessoa também precisa de ter critérios muito bem definidos relativamente a isso (…)

Como resposta a necessidades também houve o aumento de colaboradores.

(…) beneficiamos de um alargamento muito grande de colaboradores da instituição, portanto, passámos cerca de dois três anos passámos de sessenta, quase para noventa, quase cem e portanto, um reforço (…)

Satisfação em relação à instituição

Na instituição é feita avaliação de satisfação aos clientes, colaboradores e parceiros no final de cada ano. O entrevistado afirma que para uma plenitude da felicidade e da qualidade de vida os aspetos que influenciam esses estados devem continuar fora da instituição, continuando o trabalho feito pelos familiares. A família deve confirmar aquilo que é visto e proposto pela instituição.

Considera que os jovens se sentem bem na instituição:

(…) este trabalho que é feito, que tem de ser feito permanentemente, a pessoa não pode ser feliz só em determinadas horas do dia não é, pronto, e essa se calhar poderá ser a questão mas, basta perguntar a qualquer um deles eu acho que sim, claramente que eles gostam de estar na instituição.

Integração na Comunidade

A instituição tem o intuito de colocar os clientes na comunidade, mesmo que seja apenas uma hora, fazendo-os interagir com o mundo “fora das paredes” do CEERIA.

53 O CEERIA tem trabalhado para conseguir preparar e sensibilizar a comunidade para receber e interagir com as pessoas que frequentam esta instituição.

(…) sentir unidades hoteleiras a falarem sobre o que é que é uma pessoa com necessidades especiais, têm um conceito têm uma forma de ver as coisas, que é totalmente oposta à nossa, oposta, não se contraria, mas foge muito daquilo que achamos que é uma necessidade educativa, uma necessidade especial para estas pessoas da unidade hoteleira, era ter uma necessidade especial, era ter uma cadeira de rodas, portanto, temos que adaptar só um quarto, temos que ter mais espaço, temos que ter algumas coisas, alguns equipamentos que possam de alguma maneira estar disponíveis para esta pessoa, mas é sobretudo a deficiência motora que está na cabeça dos empresários (…)

Assume-se que a intenção é melhorar e facilitar a relação dos jovens com a comunidade, mas esta também deve ser preparada para receber e interagir, estando em constante atualização. Deste modo a instituição proporciona a participação em eventos abertos a toda a comunidade, mostra-se acessível a novos estudos e promove estágios, estimulando a interação entre clientes e o resto da sociedade.

Na questão sobre as visitas à instituição o entrevistado fala da forma como os clientes recebem os visitantes e como se apresentam, da sua curiosidade em relação a estes e do desejo em mostrar o trabalho que fazem dentro e fora da instituição.

É referido o problema de a sociedade nem sempre acolher bem a pessoa com deficiência, mencionando que o problema não está na pessoa.

(…) eles sentem-se muito bem com os outros, eu acho que a dificuldade é os outros não terem ainda capacidade ou conhecimento, isto não é julgar nem é uma crítica, é claramente o que é mais natural, ter essa capacidade de estar com eles.

Considera-se que há uma relação de bem-estar com a comunidade havendo exceções: alguns não se sentem bem nesta interação por serem “olhados de lado” ou por serem tratados com pouca simpatia e com menos assertividade.

Refere-se que a maioria dos clientes do CEERIA estão habituados a interagir com a comunidade mas:

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(…) naturalmente que há exceções, portanto há pessoas que não se sentem muito bem na comunidade ou porque são olhadas de lado ou porque não são tratadas da mesma maneira, as vezes nem sempre com simpatia, com assertividade, há realmente exceções mas a maioria dão-se muito bem com o exterior e com a comunidade.

Relação profissional

O CEERIA oferece para além da formação profissional, as medidas de apoio à integração e medidas que acompanham o trabalho, disponibilizando a ajuda técnica, apoios e avaliando as capacidades de trabalho. É referido que depois da inscrição dos clientes efetua-se sempre uma avaliação, onde se tenta compreender as necessidade e capacidades, identificar as competências de forma a encaminhar as pessoas da melhor maneira para a formação profissional, estipulando cargas horarias e tarefas mediante a condição de cada um.

(…) fazemos esta avaliação no contexto de trabalho, percebemos que de acordo às suas competências e capacidades ela está apta para fazer determinadas tarefas, daí resulta uma percentagem, que nos diz que ela está apta para integrar aquela tarefa, que é destinada aquela tarefa, para integrar, portanto, tem uma capacidade de 50% para integrar aqueles trabalho e depois a entidade de alguma maneira que está a contratá-la, recebe um apoio financeiro pela baixa capacidade ou competência para a função (…)