Como o ambiente pré-natal é o corpo da mãe, praticamente tudo que afeta o bem-estar dela, desde sua dieta a seu humor, pode alterar o ambiente da criança e afetar seu cres- cimento.
Nem todas as ameaças ambientais oferecem o mesmo risco para todos os fetos. Alguns fatores que são teratogênicos (produzem defeitos congênitos) em alguns casos têm pouco ou nenhum efeito sobre outros. O momento de exposição a um teratógeno, sua intensidade e sua interação com outros fatores podem ser importantes (consultar a Figura 3-10).
A vulnerabilidade pode depender de um gene do feto ou da mãe. Por exemplo, fetos que possuem uma determinada variante de um gene de crescimento, chamado/a- tor de crescimento transformador a, tem seis vezes mais risco do que outros fetos de de- senvolver uma fenda palatina se a mãe fumar durante a gravidez, e quase nove vezes mais risco se ela fumar mais do que 10 cigarros por dia (Hwang et ai., 1995). As mulhe-
V E R I F I C A D O R Você é capaz de ...
Identificar dois princípios que regem o
desenvolvimento físico e dar exemplos de sua aplicação durante o período pré- natal?
Descrever como um zigoto torna-se um embrião? Explicar por que defeitos e abortos espontâneos tendem a ocorrer durante a fase embrionária?
Descrever descobertas sobre a atividade fetal, o desenvolvimento sensório e a memória? Que influências ambientais podem afetar o desenvolvimento pré-natal? teratogênico
Capaz de causar defeitos congênitos.
res que não possuem o alelo anormal e que fumam pelo menos 20 cigarros por dia têm maior risco de terem filhos com fenda palatina, mas o risco é ainda maior se o gene anormal estiver presente (Shaw, Wasserman et al.,1996).
Nutrição
Durante a gravidez, as mulheres precisam comer mais do que o normal: tipicamente, de 300 a 500 calorias a mais por dia, incluindo proteína extra (Winick, 1981). As gestan- tes que ganham entre 10 e 21 kg são menos propensas a abortar ou ter bebês natimor- tos ou com peso natal perigosamente baixo (Abrams e Parker, 1990).
A desnutrição durante o crescimento fetal pode ter efeitos a longo prazo. Na zona rural da Gâmbia, no oeste da África, os nascidos durante a estação "da fome", quando os alimentos da safra anterior estão escassos, têm 10 vezes mais chances de morrer no início da idade adulta do que os que nascem durante outras épocas do ano (Moore et al., 1997). Exames psiquiátricos de recrutas militares holandeses cujas mães sofreram privação de alimentos durante a gestação devido à guerra sugerem que deficiências nu- tricionais pré-natais profundas no primeiro ou segundo trimestre afetam o desenvolvi- mento cerebral, aumentando o risco de transtornos de personalidade anti-social aos 18 anos (Neugebauer, Hoek e Suer, 1999).
Mulheres desnutridas que tomam suplementos alimentares durante a gravidez tendem a ter bebês maiores, mais saudáveis, mais ativos e visualmente mais alertas (J. L. Brown, 1987; Vuori et al., 1979); mulheres com baixos níveis de zinco que tomam su- plementos de zinco diariamente são menos propensas a ter bebês com baixo peso natal e pequena circunferência craniana (Goldenberg et al., 1995). Entretanto, algumas vita- minas (incluindo vitaminas A, B6, C, D e K) podem ser prejudiciais em quantidades ex-
cessivas. A deficiência de iodo, a menos que corrigida antes do terceiro trimestre de gra- videz, pode causar cretinismo, o que pode envolver graves anormalidades neurológi- cas ou problemas de tireóide (Cao et al., 1994; Hetzel, 1994).
Apenas recentemente soubemos da importância crítica do ácido fólico (uma vita- mina do grupo B) na dieta de uma gestante. Há algum tempo os cientistas sabem que a China tem a maior incidência mundial de bebês nascidos com anencefalia e espinha bí- fida, que são defeitos no tubo neural (ver Tabela 3-1), mas só nos anos de 1980 os pes- quisadores relacionaram esse fato com a época da concepção dos bebês. Tradicional- mente, os casais chineses casam-se em janeiro ou fevereiro e tentam engravidar o mais breve possível. Isso significa que as gravidezes, muitas vezes, se iniciam no inverno, quando as mulheres de zonas rurais têm pouco acesso a frutas e legumes frescos, fon- tes importantes de ácido fólico.
Depois que trabalhos médicos investigativos estabeleceram a carência de ácido fólico como causa de defeitos no tubo neural, a China iniciou um programa geral de fornecimento de suplementos de ácido fólico para as futuras mães (Tyler, 1994). Nos Es- tados Unidos, as mulheres em idade reprodutiva agora são aconselhadas a incluir essa vitamina na dieta mesmo antes de ficarem grávidas, pois o dano por deficiência de áci- do fólico pode ocorrer durante as primeiras semanas de gestação (American Academy of Pediatrics [AAP] Committee on Genetics, 1993; "Wellness Facts", 1999). O aumento do consumo de ácido fólico em apenas quatro décimos de miligrama a cada dia redu- ziria a incidência de defeitos no tubo neural em cerca de 50% (Daly, Kirke, Molloy, Weir e Scott, 1995).
Mulheres obesas também arriscam ter filhos com defeitos no tubo neural. As mu- lheres que, antes da gravidez, pesam mais de 80 quilos, ou possuem um índice de mas- sa corporal (peso em relação à altura) elevado são mais propensas a produzir bebês com esses defeitos, independentemente da ingestãos de folato. A obesidade também aumenta o risco de outras complicações da gravidez, incluindo aborto, parto de bebê natimorto e morte neonatal (morte durante o primeiro mês de vida) (Goldenberg e Ta- mura, 1996; Shaw, Velie e Schaffer, 1996; Werler, Louik, Shapiro e Mitchell, 1996).
Atividade Física
Exercícios moderados não parecem pôr em perigo os fetos de mulheres saudáveis (Car- penter et al., 1988); uma mulher grávida geralmente pode continuar correndo, andando de bicicleta, nadando ou jogando tênis. A prática regular de exercício previne constipação e melhora a respiração, a circulação, o tônus muscular e a elasticidade da pele, todos os quais contribuem para uma gravidez mais confortável e uma parto mais fácil e seguro.
Desenvolvimento Humano 131 As atividades de trabalho durante a gravidez geralmente não envolvem riscos es-
peciais. Entretanto, condições de trabalho exaustivas, fadiga ocupacional e horas de tra- balho prolongadas podem estar associadas com maior risco de nascimento prematuro (Luke et al., 1995).
A Escola Americana de Obstetrícia e Ginecologia (1994) recomenda que as mulhe- res com gestação de baixo risco orientem-se por sua própria capacidade e resistência. O mais seguro para gestantes parece ser praticar exercícios moderadamente, sem forçar- se e sem elevar a freqüência cardíaca acima de 150 e ir parando aos poucos ao final de cada sessão em vez de parar abruptamente.