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Kjenner helseforetakene godt nok til den digitale risikoen?

Kapittel 6: Analyse og drøfting

6.1 Kjenner helseforetakene godt nok til den digitale risikoen?

No survey aplicado neste estudo, ao se indagar se as pessoas saíram de seus locais de origem diretamente para Bogotá, 68% responderam afirmativamente, enquanto 32% asseguraram ter passado por outro lugar. Destes últimos, 62% passaram por um lugar, 28% por dois e 10% por mais de três lugares. Para alguns, esse “outro destino” pode ser outra vila ou distrito, a área urbana do município mais próximo, uma cidade menor ou a capital do departamento. A intenção é sempre esperar que as hostilidades por parte dos atores armados

cedam e que, assim, possam recuperar as perdas e voltar a se instalar na aldeia ou distrito de origem.

Em nossa visita à casa da Yadira, ela descreveu o percurso de sua família antes de se instalar em Bogotá.

Faz 6 anos65 a família da Yadira (24 anos) teve que sair de XXXX-Tolima. Primos, tios, pais e até os avós, em total 22 pessoas foram ameaçadas pela guerrilha logo que souberam que em um dos golpes dados pelo exército, estava o irmão dela – naquela época no serviço militar – e que a “colaboração oferecida” chegou até a permitir que os helicópteros pousassem na chácara de seus pais. Então, o sobrenome deles começou a aparecer em todas as listas dos comandantes dos frentes das FARC na região. Uma parte da família saiu por uma estrada e outra por uma diferente. Vários dias depois, quando pensavam que tinham se perdido, encontraram-se em Ibagué, capital do departamento de Tolima. Ali, eles permaneceram por um mês esperando as coisas se acalmarem. Algumas das mulheres conseguiram se empregar no serviço doméstico, os homens procuravam como pedreiros, mas as dificuldades para se estabilizar no trabalho os fizeram continuar o percurso até chegar a Bogotá (...) (Caderno de campo, 28 de setembro de 2006).

Outro grupo de pessoas sai de sua região, chega a Bogotá e, não se acomodando nesta cidade, decide procurar outro destino, mas terminam, finalmente, voltando à capital.

Maria do Carmo (35 anos), seu marido (39 anos) e seus filhos (9 e 12 anos) saíram de XXXXX-Antioquia, direto para Bogotá. Ali, uma irmã e a mãe dela lhes ajudaram com moradia, uma cama, um colchão, uns cobertores e comida, cada vez que possível. Tentando melhores chances de emprego e por conselho de um amigo, decidem ir para Cali – terceira maior cidade do país. Ali as dificuldades econômicas e a violência na favela de Agua Blanca, lhes fazem pensar em voltar para Bogotá. De novo na capital, eles moram em uma casa da irmã que, embora estivesse em uma área de risco, lhes permite economizar o aluguel e destinar algo de dinheiro para alugar um sobrado na vizinhança para o forno velho e as vitrines de sua padaria (Caderno de campo, 9 outubro de 2006).

Yadira – a moça que sai com 22 membros de sua família de uma vez só – após dois anos de estar morando em Bogotá, decide se arriscar a voltar para a vila. Com o sobrenome de seu marido e trabalhando na chácara dos sogros, ela acha que pode se manter longe da ameaça que há sobre sua família. No entanto, um ano depois de chegar, é de novo despejada pela guerrilha – por outras razões que ela não comenta – e volta para Bogotá com seu filho e seu marido, se reencontrando com seus pais e irmãos (Caderno de campo, 26 de setembro de 2006).

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Essa data corresponde ao primeiro deslocamento dela. Mais para frente, neste mesmo ponto, está a história de seu segundo deslocamento.

Aqueles que chegaram, sem duvidar, ao ponto final de sua viagem, tinham experiências prévias na cidade, ou tinham os dados de familiares ou amigos que esperavam contatar à procura de apoio. Aqueles que não conheciam ninguém vieram porque acreditavam estar o suficientemente longes, para não continuarem a ser perseguidos pelos atores armados, além de achar que a grande cidade oferecia maiores oportunidades para se empregar e recomeçar a vida.

No grupo de famílias com experiências anteriores na cidade, encontramos pessoas que haviam morado em Bogotá, ou que vinham à cidade por questões pontuais, como visitar um familiar ou receber tratamento médico. Os casos da Tahís, da Lúcia e da Daniela são exemplos disto.

Tahís já tinha morado em Bogotá com sua mãe e irmãos. Ela foi com seu marido para XXXXX-Meta faz 8 anos para trabalhar numa chácara que o esposo herdou dos pais. Como arranjar emprego em Bogotá estava muito difícil, ela não duvidou em ir. Trabalhando forte eles tinham conseguido cultivar e ter alguns animais naquela chácara, até quando o esposo ficou doente e ela decidiu, para pagar o tratamento, vender algumas vacas. Como a guerrilha controlava toda atividade comercial naquela região, ela preferiu sair com a família toda, antes de ser expulsa ou morta por não ter pagado a vacina para a guerrilha (Caderno de campo, 11 de outubro de 2006).

Lúcia (mãe, 52 anos) e Daniela (filha, 27 anos) já conheciam Bogotá. Elas levavam vários anos sendo tratadas por um médico na cidade. Sempre que elas vinham ficavam na casa de uma tia, que dispunha de um quarto mobiliado para alojá-las enquanto faziam seus tratamentos médicos (Caderno de campo, 10 de outubro de 2006).

Uma proporção dos entrevistados, muito próxima daqueles que asseguram ter chegado diretamente a Bogotá (68%), afirma ter um parente ou conhecido na cidade (70%). Desta porcentagem, 82% teve sucesso ao tentar encontrá-lo. Assim, nosso estudo confirma a tendência encontrada nas pesquisas sobre deslocamento interno de Erazo, Ibañez, Kirchnoff e Galán (1999), e Bello e Mosquera (1999), em que a preponderância para escolher um lugar como destino está estreitamente relacionada com a existência prévia de laços.

Familiares que têm migrado anos atrás fazem diferença na hora de chegar à cidade. Sua ajuda vai desde o material da sobrevivência até o imaterial do apoio moral.

João Davi sai de XXXX-Caldas com a mãe dele e a filha de 10 anos. Eles chegam à casa de uma irmã que mora em Bogotá, há mais de 20 anos. Ela os acolhe por quatro meses, tempo em que lhes ajuda a procurar uma casa e abrir uma mercearia parecida com a que ela e seu esposo possuem. Quando precisa de dinheiro ou assessoria sobre o negocio, é ela quem os apóia. Ele nos diz que, às vezes, fica chateado por conta da chácara que teve que abandoar e pelas dificuldades que agora vive – somado à grave doença da filha. Mas é sua irmã quem não o deixa se abalar, dando-lhe apoio para continuar (Caderno de campo 20 de setembro de 2006).

Do ponto de vista de quem recebe, são os laços de proximidade e o compromisso de apoio mútuo em momentos difíceis que predominam no momento da acolhida. Em consonância com Durham, as redes sociais baseadas no parentesco que definem obrigações recíprocas, dão aos migrantes a segurança de auxílio em caso de necessidade (1978, p.185). Apesar de que aprofundaremos este assunto na seguinte parte da análise, o caso de Danilo pode, desde já, nos mostrar como este mecanismo opera.

Eu estou na minha semana de treinamento em JBO, por isso programo saída com dois dos profissionais de JBO para entender sua dinâmica de trabalho. Vamos à casa do Danilo. Ele chegou faz 6 meses a Bogotá procedente de XXXXX-Córdoba, um município do litoral caribe-colombiano caracterizado por uma forte presença paramilitar. Ele chega com sua esposa e 3 filhos à casa de um irmão que lhe oferece hospedagem e lhe ajuda a procurar um apartamento onde morar. Já em sua própria moradia, recebe uma prima e uma irmã com seus dois filhos que chegaram também por causa da violência na região. Em XXXXX só ficaram os pais do Danilo. O dia que fizemos a nossa visita, no reduzido apartamento de dois cômodos, a prima do Danilo está dando café para as crianças, a esposa estava se preparando para levar os dois filhos para a creche, a irmã estava se arrumando para sair trabalhar no salão de beleza, e no meio daquela movimentação toda, estávamos nós três, os profissionais de JBO. Danilo diz que não se incomoda com o pouco espaço e a quantidade de pessoas que agora estão em seu apartamento, porque seus pais sempre lhes educaram para se ajudar entre si, e agora estavam precisando aplicar aquela lição (Caderno de campo, 26 de agosto de 2006).

Lembrar de um amigo ou conhecido que mora em Bogotá, embora às vezes não tenha um vínculo de amizade muito forte com aquela pessoa, é uma das opções para os que não têm familiares na cidade.

Denise vem com sua família do Valle del Cauca. Enquanto trabalhava na fazenda, ela e seu marido conheceram um pedreiro que era contratado pelo patrão para pintar e fazer pequenos consertos na casa dele. Nas vezes em que ele esteve lá, ficavam conversando. Ele lhes contou que morava em Bogotá, mas viajava para onde “tivesse trabalho”. Deu-lhes seu telefone e ofereceu sua casa para quando decidissem conhecer a capital. Denise guardou bem o telefone e lembrou da oferta quando precisou sair do distrito. Já em Bogotá, tiveram medo de não conseguir encontrar aquele senhor, mas, para sua sorte, além de encontrá-lo, ele lembrava bem deles e da sua oferta (Caderno de campo, 18 de Outubro de 2006).

Nem todos têm a mesma sorte. Alguns possuem familiares cujos dados se perderam com o passar dos anos. Em uma cidade de 8 milhões de habitantes, assustadora pelo tamanho e pela complexidade, torna-se quase impossível seguir o último rastro deixado pelo familiar ou sair à sua procura. Passa-se, então, a depender da caridade da Igreja, de ONGs que acolhem os deslocados, de pessoas solidárias e, em menor medida, da ajuda governamental.

Karine veio do Tolima há um ano. Chegou à rodoviária de Bogotá sem saber onde passar aquela noite. O motorista do ônibus lhe disse para procurar as irmãs da Pastoral do Migrante, que mantém um pequeno escritório na rodoviária. Ela e suas três filhas passaram alguns dias na casa-albergue das irmãs até procurar emprego e fazer o registro no SUR. Seus laços na cidade foram os outros deslocados que chegavam ao albergue. Benjamin foi um deles. Ele a ajudou a conseguir um quarto na casa onde Karine mora hoje. Suas filhas o chamam de tio, pelo grande apreço que sentem por ele (Caderno de campo, 31 de agosto de 2006).

Inês e seus filhos chegaram ao bairro Santa Librada, no sul de Bogotá, procurando pela irmã dela. No entanto, sem endereço certo não há como encontrar ninguém em Bogotá. Já no início da noite, com fome e sem roupas adequadas para o frio da cidade, são alojados por uma senhora que os viu na rua. Inês contou que procurava a irmã. A senhora lhe ofereceu moradia por uns dias enquanto ela arrumava outro lugar para morar. Assim, foram três dias na casa daquela senhora. Depois, alugou um quarto por R$ 100/mês, valor que consegue pagar com seu emprego como diarista (Caderno de campo, 06 de julho de 2006).

Ao final, a maioria das pessoas termina resolvendo sua situação alugando um cômodo e devendo um aluguel após outro, à espera de um emprego ou de ser aprovado pelo SUR para receber a ajuda humanitária do governo.

Em conclusão, a trajetória da saída mostra claramente os mecanismos utilizados pelos atores em confronto para ameaçar a vida e reduzir a população ao seu domínio. O exercício da liberdade para se movimentar, para eleger como se vestir, com quem compartilhar, como se organizar, é restringido ao máximo – a ponto de ser perseguido, ameaçado e até morto, por desconsiderar as normas e restrições impostas. É nesse momento que sair se converte em uma “opção obrigada”.

A capacidade de decisão ou de agir das pessoas, da qual tratávamos no capítulo 1 deste trabalho, se observa na habilidade para avaliar os lugares de chegada – muitos deles reduzidos a uma única opção; na análise da pertinência de se deslocar de uma só vez ou enviar primeiro os integrantes da família diretamente ameaçados; ou na espera em um local intermediário antes de enfrentar a grande cidade. Em meio a tantas restrições e a um leque de

opções bastante reduzido, as pessoas vêem, no deslocamento, uma forma de defender sua vida e a de sua família.