Kapittel 6: Analyse og drøfting
6.3 Hvordan er sikkerhetskulturen i helseforetakene?
Bogotá é uma cidade complexa, como qualquer outra metrópole do mundo moderno. Ativa, cheia de contrastes, possibilidades e iniqüidades, a cidade tem sofrido mudanças importantes nos últimos 15 anos, tanto em seu aspecto físico quanto na percepção que habitantes e visitantes têm dela. Essa interação entre a “organização física e moral” da cidade66, como denomina Park ({1916}1973), é o que brevemente apresentaremos a seguir.
Localizada no centro do país, sobre a cordilheira dos Andes, Bogotá acolhe migrantes de todo o país. Este processo se deu como produto de várias circunstâncias: do processo de industrialização na década de 20; da violência desatada na década de 50 e do conflito armado interno a partir dos anos 80; e, é claro, da movimentação daqueles que, especialmente desde os anos 70, chegaram à cidade com a esperança de melhorar suas condições de vida. Hoje, Bogotá tem, aproximadamente, 7.9 milhões de habitantes, concentra
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Uma região moral, para Park, corresponde àquela que, dentro da organização da vida citadina, se assume espontaneamente: “(...) longe daquela organização que poderia se derivar de interesses ocupacionais ou econômicos, a população tende a se segregar não apenas de acordo com seus interesses, mas de acordo com seus gostos e seus temperamentos. Uma região moral não é necessariamente um lugar de domicílio, pode ser apenas um ponto de encontro, um local de reunião. São zonas que toda cidade tende a desenvolver, ambientes isolados nos quais os impulsos, as paixões e os ideais vagos e reprimidos se emancipam da ordem moral dominante” (Park, 1973:64-65).
15% da população do país e se constitui na cidade mais povoada e de maior índice de crescimento populacional anual na Colômbia (2,1% frente a 1,8% nacional) 67.
Bogotá se divide em 20 localidades – subprefeituras – que, unidas, abrangem quatro grandes áreas: centro, sede das dependências políticas e administrativas do país e da cidade; compreende também a parte histórica e turística. A região norte, pólo de desenvolvimento financeiro, concentra as classes média e alta da cidade. O oeste, setor industrial, de moradia de classes trabalhadoras, concentra boa parte da infra-estrutura esportiva e de lazer da cidade (parques, reservas ecológicas urbanas, etc.); e o sul, setor industrial, se configura com bairros de operários que albergam os substratos mais pobres da cidade (figura 9).
Apenas duas décadas atrás, a cidade era vista, pelos colombianos e pelos moradores mesmos, como uma cidade fria no clima e na forma de agir de seus habitantes. Bogotá era uma cidade sem bogotanos, era a cidade dos que moravam havia 30 anos ou dos que lá nasciam, mas não se sentiam comprometidos com a solução dos seus problemas, tampouco identificados como cidadãos daquela urbe.
A transformação física e cultural da cidade surgiu como produto da gestão articulada dos últimos quatro prefeitos da cidade, que assumiram este processo em várias etapas: saneamento das finanças públicas (Jaime Castro, 1992-1994), cultura cidadã e convivência (Antanas Mockus – 1995-1997 e 2001-2003), infra-estrutura urbana com perspectiva social e ambiental (Enrique Pañalosa – 1998-2000) e investimento social (Luis Eduardo Garzón – 2004-2007). Assim, as transformações nas áreas de educação, serviços públicos, transporte e espaço público, convivência e segurança68 fazem que a cidade, tanto em
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Dados obtidos em Indicadores generales Bogotá em www.bogota.gov.co, acesso realizado em 23/06/2007.
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Segundo dados da Prefeitura, em termos de educação, a cobertura passou de 95,5% em 1997 a 98,5% em 2004, com um índice médio de deserção de 3,9% para o período. Em 2004, a cobertura de serviços públicos domiciliares, especialmente água, esgoto e energia, era de 99%, 99,7% e 99,9%, respectivamente. O serviço de gás natural domiciliar tem se incrementado, passando de 64,3%, em 2001, a 79,8% em 2004. A respeito da segurança, entre 2000 e 2004, a cidade apresentou importantes avanços na diminuição de delitos, como lesões pessoais, furtos, homicídios e mortes por acidentes de trânsito (Alcaldia Mayor de Bogotá, 2005, p. 186-195). No que concerne ao transporte público, a cidade conta com o sistema Transmilenio, que opera em 7 importantes vias da cidade por meio de 1047 ônibus articulados e 410 alimentadores que integram o sistema com aproximadamente 500 bairros da cidade. Também conta com 291,3 km de ciclovias, utilizadas por um grande número de pessoas como meio de transporte (www.trasnmilenio.gov.co e www.idu.gov.co acesso realizado em 04/07/2007).
esfera nacional como mundial69, se destaque como modelo de desenvolvimento social e ambiental.
Figura 9. Mapa administrativo de Bogotá.
Fonte: Instituto Geográfico Agustín Codazzi – IGAC –, em www.dapd.gov.co, acesso realizado em
24/01/2006, em Chaparro, R (2006, p.59).
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O último prêmio recebido pela cidade foi o Leão de Ouro à melhor cidade, na X Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Venecia-Itália (2006), “pelas transformações sociais, econômicas e culturais e pelos projetos urbanos e arquitetônicos que têm contribuído a construir um melhor ambiente para as pessoas que moram nela”. Antes disso, a cidade foi designada, em 2005, pela UNESCO, como capital mundial do livro (2007), pela rede de bibliotecas públicas e os múltiplos programas de fomento à leitura; o Banco Interamericano de Desenvolvimento e as Nações Unidas lhe outorgaram o prêmio “Cidade Coração”, no ano 2004, por seus programas e ganhos sociais. Também em relatório sobre saúde e violência da OMS (2002), recebeu destaque pela diminuição das taxas de mortes violentas; e, em 2000, recebeu o Stocholm Challenger Award, na categoria meio ambiente, pela experiência “um dia sem carro”.
A população começou a mudar junto com a cidade: o respeito às normas de trânsito, o uso massivo dos espaços culturais e de lazer e a fiscalização da população sobre a administração e o investimento público são algumas das novas atitudes dos bogotanos, agora otimistas e orgulhosos de sua cidade70.
No entanto, apesar dos avanços e reconhecimentos obtidos, Bogotá ainda se caracteriza pela desigualdade social – produto da distância entre ricos e pobres71 –, a insuficiência de serviços sociais nos bairros periféricos da cidade e a violência urbana, que embora tenha diminuído, ainda é expressão de intolerância entre diversos setores sociais.
Com relação ao conflito interno, na visão de muitos, Bogotá está afastada de uma guerra que, acredita-se, acontece apenas nas áreas rurais do país. No entanto, como vimos no capítulo 2, tem-se comprovado a presença de diversos atores do conflito, tais como milícias urbanas da guerrilha das FARC e do ELN, blocos paramilitares e grupos de delinqüentes. Todos eles concentram suas atividade nas subprefeituras de Ciudad Bolívar, Bosa, Kennedy, Usme, Mártires e Barrios Unidos, arrecadando taxas em troca de proteção a comerciantes e moradores de alguns bairros, planejando ações de desestabilização e controlando as áreas periféricas da cidade.
Nesta cidade cheia de contrastes, milhares de migrantes forçados tentam reorganizar suas vidas. Segundo a Conferencia Episcopal e Codhes (2006), entre 1999 e 2005 deslocaram-se, aproximadamente, 266 mil pessoas para Bogotá, uma média de 124 pessoas por dia – em sua maioria, migrantes que chegam a um dos bairros das subprefeituras de Ciudad Bolívar, Bosa, kennedy e Usme – aquelas que também destacávamos como sede dos
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Ver matéria no jornal El tiempo, “Le va bien en imagen, pero regular en movilidad, al alcalde Luis Eduardo Garzón”, 4 de agosto de 2007, em http://www.eltiempo.com/bogota/2007-08-05/ARTICULO-WEB- NOTA_INTERIOR-3667613.html, acesso realizado em 05/08/2007.
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Segundo estudo da Secretaria da Fazenda de Bogotá, realizado em 2006, as famílias mais pobres sobrevivem com a metade de um salário mínimo por mês ($217.949 equivalente a R$218); no entanto, as famílias mais ricas têm um ingresso mensal de 6.291.142 pesos (R$6.300, aproximadamente). O mapa por localidades reflete esta situação: a renda per capita mensal mais alta se encontra na localidade de Chapinero, com uma média de $1.570.671 (R$1.500). Por outro lado, em localidades como Usme ou Ciudad Bolívar, essa média é de $19.677 (R$20). Assim, em média, a renda de 10% das famílias mais ricas é 28,8 vezes maior daquela obtida por 10% das famílias mais pobres (La ciudad de las desigualdades, El Tiempo, domingo 18 de junio de 2006, C2, Bogotá, pag.2.1 e 2.2).
grupos armados na cidade. Do total, aproximadamente a metade delas – 117 mil pessoas –, registrou-se no SUR72.
Caracterizada como área industrial e de moradia de trabalhadores, Ciudad Bolívar ocupa o 4º lugar em população entre as vinte subprefeituras da cidade, com aproximadamente 700 mil habitantes, distribuídos em 360 bairros. Dentro do imaginário urbano, esta área da cidade tem sido identificada com pobreza e com violência. Ciudad Bolívar é, para muitos, um local onde as pessoas moram em casas feitas de papelão e lâminas de alumínio, construídas nas ladeiras da montanha, que se desabam a cada inverno com a chegada da chuva. Também é identificada como o local onde operam grupos delinqüentes e frações da guerrilha e dos paramilitares, que causam horror entre seus moradores e ameaçam a segurança de toda a cidade. É o local das mortes violentas, das ruas que não podem ser percorridas durante a noite, dos jovens sem educação e sem oportunidades, das pessoas que trabalham na informalidade ou que se encontram desempregadas.
No entanto, da mesma forma como acontece com a cidade em geral, Ciudad Bolívar é um espaço cheio de contrastes. Na subprefeitura também se encontram evidências da transformação geral ocorrida na cidade: vias de acesso e linhas de transporte vinculadas ao sistema Transmilenio; colégios públicos de excelente qualidade acadêmica e instalações renovadas, onde se articulam outros programas da prefeitura, como os refeitórios escolares; bibliotecas públicas, parques e calçadas com equipamento urbano moderno; serviços públicos domiciliares e programas de prevenção de desastres em áreas de risco; experiências de convivência através de centros de conciliação e delegacias de família, entre outras. As fotos das figuras 10 a 15 são exemplos dos contrastes encontrados nos bairros de Ciudad Bolívar.
Para as pessoas deslocadas, a entrada em Bogotá é a vivência de todas as contradições e os imaginários descritos até aqui. É o choque com um espaço alheio e agreste, do qual têm poucos referentes, além de escassas ferramentas para nele se desenvolver – o que os faz extremamente vulneráveis. Um espaço no qual esperam esquecer o ocorrido e iniciar uma nova vida. Dado o contexto no qual se situa nosso trabalho, passaremos a conhecer as
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Dado SUR acumulado de população deslocada desde 1995 até outubro de 2006, em http://www.accionsocial.gov.co/Estadisticas/Publicacion%20Abril%2021%20de%202007.htm, acesso realizado em 5/07/2007.
primeiras experiências no processo de estabelecimento na cidade, relacionado com moradia e emprego, desde a narrativa das pessoas que fizeram parte deste estudo.
Figura 10. Bairro Casagrande – Ciudad Bolívar. Figura 11. Bairro Brisas del volador – Ciudad
Bolívar.
Foto: Olga Vásquez, 2006 Foto: Olga Vásquez, 2006
Figura 12. Calçada 1 bairro La Estrella – Ciudad
Bolívar
Figura 13. Calçada 2 bairro La Estrella – Ciudad
Bolívar
Figura 14. Refeitório comunitário bairro Bella flor
– Ciudad Bolívar
Figura 15. Transmilenio, portal El Tunal – Ciudad
Bolívar
Foto: Olga Vásquez, 2006 Foto Olga Vásquez, 2006