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Kjemikalier, materiale og instrumenter

3. Materialer og metoder

3.1 Kjemikalier, materiale og instrumenter

Para m elhor com preenderm os a pert inência da perspect iva haberm asiana de um a ação em ancipat ória e evidenciarm os subsídios à int eração pesquisador- pesquisa( n) do em educação popular, cont em plam os lim it es do GT - EP da ANPED. Com preendem os que há um a possibilidade, nesse cam po da pesquisa, capaz de tornar- se princípio. Referim o- nos ao ent endim ent o de que, a intersubj et ividade é capaz de convert er condições de sociabilidade em fusões de subj et ividade, criadas pela int eração. Assim sendo, a ação com unicat iva é um a realidade linguíst ica que pode ser desenvolvida porque a linguagem exerce um papel fundam ent al nos processos de sociabilidade.

Percebem os que a linguagem decorrent e de processos de int eração, vist os na am ost ra int erpretada no capít ulo ant erior, m ost rou- nos que o pesquisador da EP t ende a unir- se ao m undo dos pesquisa( n) dos. Sob int enções inst rum ent ais, pesquisadores ent relaçaram - se ao m undo vivido de pesquisa( n) dos at ravés de falas e escut as que com os m esm os com part ilhou. De linguagens com part ilhadas, pode surgir um a int ersubj et ividade necessária. Tornou- se visível o surgim ent o de um a int erat ividade m ediada pela hist ória e pelo m undo vivido de cada part icipant e dos processos cient íficos de sociabilidade. Na am ost ra est udada, vim os que a linguagem surge com o vínculo de ligação de um suj eit o ao out ro e de que t udo o que falam os faz part e dela.

Sob a perspect iva haberm asiana, vim os que a própria linguagem conduz a socialização porque se const it ui com o conj unt o de idéias e invenções, que dão cont inuidade a essa vinculação de um suj eit o ao out ro. Em pesquisas em EP, t ão logo int erações passem a ocorrer, a

linguagem m ost ra- se porque a m esm a é o m eio no qual vivem os, desde sem pre, com o seres sociais. Ela é algo que, at ravés da m ediação ocorrent e nos processos de individuação e na socialização de qualquer pesquisador, ou suj eit o- popular, faz- se present e.

At ravés do decurso da hist ória, a linguagem t am bém pode t er servido de inst rum ent o de coação. Mas, percebem os que, m esm o coagindo, ela não deixa de poder ser desdobrada sob novas experiências de int eração que se est abeleçam ent re pesquisadores e pesquisa( n) dos. Conform e o que as pesquisas do GT - EP da ANPED t êm m ost rado, é sob oport unidades de int eração linguíst ica que o pesquisador t em vivenciado sua experiência cognoscent e. Por isso, quando baseada em ações inst rum ent ais, a linguagem pode const it uir- se em um a realidade a ser desm ascarada ent re pesquisador- pesquisa( n) do. Seguindo a perspect iva haberm asiana, para desm ascararm os um a realidade oferecida pela linguagem , pesquisadores devem est ar at ent os aos sent idos de suas próprias ações. Cuidado est e que deve ser o foco a t erm os sobre o princípio de nossas ações j unt o a pesquisa( n) dos em EP.

Na am ost ra de art igos est udada, Est eban ( 2008) , Kavaya e Ghiggi ( 2009) m ost raram essa aproxim ação. Eles dem onst raram o desej o de livrar- se de am arras colonizant es. Suas at ividades cognit ivas aliaram - se ao esforço reflexivo de com preender o que está além do sent ido im ediat o. Est eban ( 2008) , m esm o em solidão subj et iva, abriu- se para fundir seus anseios a vont ades de equidade social. Ela esforçou- se para colocar- se às cost as do inst ant e present e e rem em orar um a consciência hist órica dos docum entos int erpret ados. Em Kavaya e Ghiggi ( 2009) , houve esforço sem elhant e. Eles int erpret aram post ulados freireanos, para com preenderem chances de criação de um a ident idade reflexiva, capaz de superar alienações.

Com isso, vem os que, um a vez que a subj et ividade do pesquisador libert e- se da rigidez de ações inst rum ent ais, o subj et ivism o cient ífico cede lugar à int ersubj et ividade. De um a criação linguística colaborat iva e do benefício com part ilhado do conhecim ent o cient ífico em EP, a em ancipação

t orna- se possível. A m ediat ização do pesquisador represent a o encont ro de subj et ividades, o m om ent o no qual cada suj eit o part icipant e da produção do conhecim ent o cient ífico, ent rega- se ao m edium da linguagem . Seria est e um dos passos do pesquisador da EP no processo de superação da ingenuidade naturalizada pela ação da inst it uição cient ífica. I nst it ut o est e que coloca um suj eit o ao lado, ou sobre, o out ro, em um fut uro j á inst it uído.

Percebem os que a im aculação da ação do pesquisador em EP deve ser corrom pida at ravés da m ediat ização da criação do conhecim ent o. Sob o prism a haberm asiano, a m ediat ização é o m edium , o lugar onde pesquisador e pesquisa( n) do com unicam - se im ediat am ent e, cada qual, com si m esm o e com o out ro. Tam bém é o m om ent o em que am bos passam pela exposição de gest os, sím bolos, form ação de ident idades e inst it ucionalização de vont ades sociais criadas na colaboração e dist ribuídas at ravés de novos m eios de m ediação. O m edium da linguagem é um lugar de com unicação, onde reciprocidades passam a bailar em um dest ino de falas colaborat ivas, rum o ao ent endim ent o.

Haberm as ( 2001b) deposit a confiança no que os at os de fala propiciam em t erm os de entendim ento ent re suj eit os- populares. Para ele, a vont ade de int egração social do pesquisador é condição básica de um a int eração que possa validar a apresent ação dos com ponent es est rut urais dos at os de fala ( ilocucionário, proposicional e expressivo) de pesquisa( n) dos. O que cada part icipant e propõe com o ação de fala, são os t erm os nos quais um a possibilidade de em ancipação pode est ar apresent ada. I sso acont ece, principalm ent e, quando podem os considerar que as em oções, que nela fazem - se present es, const it uem a vont ade de um a ação em ancipat ória em det rim ent o às condições de dom inação, às quais podem os est ar subm et idos.

Em nossa am ost ra, vim os que o est udo de Guim arães e Valla ( 2009) prom oveu reciprocidades ent re pesquisadores e suj eit os- populares. A m et odologia, por eles cham ada de t erapia com unit ária, foi de sum a im port ância no fom ent o de oport unidades de fort alecim ent o da autonom ia

dos pesquisa( n) dos. Suj eit os- populares t iveram a segurança psicológica de at uarem em um espaço de escut a e diálogo, onde expuseram seu m undo vivido e puderam encont rar soluções para seus problem as. Os pesquisadores relat aram que foi essa m et odologia que os levou a desvelar conhecim ent os. Mas, a cont radição que percebem os foi a de que os vínculos conquist ados foram rom pidos pela validação inst it uint e do conhecim ent o cient ífico.

Para Haberm as ( 2001b) , cada part icipant e de um a int eração, t ant o pesquisador quant o pesquisa( n) do, oferece oport unidades de vínculo de int egração social. A aceit ação de um a propost a de diálogo pelo out ro depende da aceit ação do que est á sendo falado e do que cada um desej a conhecer e com part ilhar. No caso de um pesquisa( n) do aceit ar ou não o que um pesquisador propõe, t al aceit ação t ende a depender da capacidade reflexiva dest e últ im o de abrir- se à com unicação com o out ro. Em EP, a t arefa inicial de com preensão sobre o que o out ro vive é buscada pelo pesquisador nos enunciados nos quais o prim eiro apresent a- se e na observação das em oções que ext erna.

Ao opt arm os pelo uso de um a ação com unicat iva, essa escolha não se t orna t arefa sim ples. Percebem os que, além de pesquisadores est arem const it uídos com o inst rum ent os cient íficos, a ciência t am bém lhes perm it e fazer uso de est rat égias de inst rum ent ação do out ro. Ao m esm o t em po em que a ciência subvenciona um a com preensão sobre um a problem át ica de pesquisa, ela dá ao pesquisador o encargo de reconhecer a necessidade de part icipação do pesquisa( n) do na aquisição do conhecim ent o. Mas, esse reconhecim ent o faz surgir cont radições. I sso porque sobre os com ponent es est rut urais dos at os de fala de pesquisa( n) dos, pesquisadores viabilizam as próprias est rat égias de influenciação e persuasão.

Ent endem os que a ação de um pesquisador pode correr o risco de, a fim de desvelar um conhecim ent o, execut ar sua vont ade de poder na superfície de um saber popular. É por isso que a perspect iva haberm asiana m ostra- nos que a ação com unicat iva é o pressupost o que

precisa est ar sit uado nas m ot ivações do pesquisador. Na const it uição de um a int eração, para evit ar o uso da sua influenciação sobre o que colet a do pesquisa( n) do, é preciso que o pesquisador adapt e sua proposit ura à nova sit uação que est á vivendo.

Em um a ação cient ífica em EP, o pesquisador necessit a abrir- se a um a conversão de acordo que lhe perm it a descort inar um a est rut ura de ent endim ent o com o pesquisa( n) do. O pesquisador precisa perm it ir que um diálogo vá t om ando vida, bem com o esforçar- se para com preender as realizações int ersubj et ivas válidas ent re eles. Um a ident idade com um aos dois deve ser por ele fom ent ada, passando a ser dirigida pela norm at ividade, result ant e de um consenso de com preensão firm ado, ent re os m esm os.

Ao abrir- se à realização de um diálogo com um pesquisa( n) do, est ando o pesquisador disponível à busca pelo ent endim ent o, o rigor de suas reflexões deve perm it ir- lhe exercer a com preensão da presença do out ro. Trat a- se de um exercício de escut a at ent a e de aut o- quest ionam ent o perm anent e. Cabe ao invest igador reflet ir sobre o que é dit o pelo out ro, perm it indo- se com preendê- lo. Ele quest iona a si m esm o sobre quais m ot ivações pesquisa( n) dos abrem - se à int eração. O pesquisador confront a as divergências ocorrent es ent re o que ele, inicialm ent e, com preende e o significado do que o out ro apresent a em seus at os de fala.

O pesquisador abre- se à reciprocidade. Ele passa a ouvir as respost as que pesquisa( n) dos oferecem às indagações, ent re eles, levant adas. Eles t êm algo a quest ionar, a propor com o part e do SRD em t orno do qual o diálogo vai sendo por eles realizado. As ações de um pesquisador, ao passo em que um dado saber é descort inado, perm it em - lhe aprender, e não ser o m elhor, m as sim capaz de reconhecer que sua aprendizagem depende da int eração que perm it e fazer- valer a presença do out ro na realização do conhecer. Suas ações, ao passo em que um dado saber é descort inado, perm it em - lhe saber que a int ensidade de sua aprendizagem dependerá das condições de reflexão, às quais ele

subm et e- se, quando passa a considerar a pert inência do out ro no processo de um conhecer.

Em EP, o pesquisador precisa exercer a reflexividade, para que sua consciência o conduza no alcance da com preensão de que os cont eúdos – com os quais ele t em lidado no t ranscurso de suas aprendizagens – são apenas im pressões iniciais ou conceit os concebidos previam ent e. As perspect ivas que ele leva consigo são const it uídas por experiências de aprendizagem que ant ecedem a nova sit uação de ent endim ento, que é aquela à qual se subm et e.

Ao pret ender realizar um a pesquisa sob a abrangência de um a ação com unicat iva, o pesquisador da EP necessit a t om ar consciência de que suas int enções j unt o aos pesquisa( n) dos são result ant es de aprendizagens ant eriores. Ele precisará t om ar consciência de que o entendim ento inicial que possui sobre algo que se quer com preender pode, não só, levá- lo ao equívoco, m as t am bém m ant ê- lo sob o equívoco. Sua abert ura deve est abelecer- se, para que oport unidades de em ancipação sej am oferecidas aos pesquisa( n) dos. No cont ext o de um diálogo, ele deve deixar- se sit uar no significado das enunciações.

Conform e o que Haberm as ( 2001b) apresent a, precisam os perceber que o com ponent e ilocucionário faz- se present e em breves conversas, relat os det alhados, cont os, clam ores e t ext os, at ravés da pret ensão de verdade que neles enunciam - se a part ir das subj et ividades dos pesquisa( n) dos. O com ponent e proposicional, form ado pela fala, faz- se present e nos diálogos at ravés das orações declarat ivas ocorrent es ent re pesquisadores e pesquisa( n) dos. Tam bém o com ponent e expressivo faz- se present e at ravés do cont eúdo de convicção em ocional, cont ido nas conexões int ernas dos m esm os diálogos.

Com preendem os que os com ponent es de um at o de fala t am bém se fazem present es em desenhos, pint uras e cant os, podendo, principalm ent e, servirem de vínculos de interação ent re pesquisador e pesquisa( n) dos da EP. I sso porque t ant o um quant o o out ro são capazes de m anifest ar proj eções de forças idealizadoras de cont eúdos. Quando

eles part icipam de um a int eração, am bos m anifest am SNTs e SRDs acerca do cont eúdo que enunciam .

Segundo Haberm as ( 1990) , em um a ação com unicat iva, o pesquisador vai vivendo a oport unidade de, no ent recruzam ent o de seu at o de fala com o do pesquisa( n) do, dest acar um saber relat ivo com um aos dois. Esse saber que vai sendo dest acado é relat ivo porque depende do t em a da conversa e dos horizont es nos quais seus part icipant es encont ram - se. O tem a é o que há de com um int eresse ao ent endim ent o e os horizont es são const it uídos pelo m om ent o e lugar, onde eles est ão sit uados em suas falas. O SRD está sit uado no ent recruzam ent o dos respect ivos planos de ação.

Na fusão de subj et ividades ent re pesquisador e pesquisa( n) do em EP, o int eresse de ent endim ent o que cada um alm ej a corresponde aos seus planos de ação específicos. Os planos de ação represent am a vont ade de legit im ação de um a det erm inada expect at iva ou significado, os quais são expressos som ente at ravés dos com ponent es est rut urais dos at os de fala. Expect at ivas e significados abrangem a const it uição t ricot ôm ica dos atos de fala, as quais correspondem à propost a de ent endim ent o de cada part icipant e, aos t erm os e às em oções, às quais cada um recorre, para fazer- se com preender, com vist as à obt enção de um acordo de ent endim ent o.

Na perspect iva haberm asiana, em um ent recruzam ent o de planos de ação, cada part icipant e coloca- se em condições de perseguir a apresent ação que j ulga adequada à aquisição da legit im idade de que precisa. Cada um vai ao encalço com unicat ivo do acordo sobre a proposit ura que defende. No cont ext o de um a ação com unicat iva, os at os de fala represent am a vontade de com unicação do pesquisador com o pesquisa( n) do e vice- versa. Tam bém represent am o m undo vivido de cada um . Um a ação é com unicat iva quando um acordo é alcançado, ist o é, quando int erações evidenciadas at ravés dos planos de ação de cada part icipant e result am em um consenso.

É assim que se t raduz um a ação com unicat iva, com a m anifest ação do esforço de quem busca rom per com as norm as e os cont eúdos que foram , at ravés dos processos de individuação, cegam ente int eriozados ou im post os sobre o m undo vivido do suj eit o. Por isso, a int erpret ação do pesquisador em EP, sobre seu vínculo com os pesquisa( n) dos, é o processo de alcance do consenso que sust ent a o enraizam ent o da em ancipação com um aos dois. É com a int erpret ação que, na condição de pesquisadores, viabilizam os o com part ilham ent o do cont eúdo que est á sendo ent endido.

Por isso, ao pesquisador cabe t raçar um m apa de interpret ação, onde suas int enções t ornem - se claras, perm it indo- lhe um exercício reflexivo. Na condição de pesquisadores, cabe- nos a clareza de que, no cam inhar desse m apa, atos de fala t endem a surgir, const it uindo oport unidades válidas de legit im ação de consensos obt idos, os quais t êm o m undo da vida, m uit o frequent em ent e, com o pano de fundo de m anifest ação da t radição. O m undo da vida é onde o cot idiano com unicat ivo descansa. A t radição é um a condição da progressão hum ana, na qual a t ransm issão da linguagem encont ra t erreno fért il para desenvolver- se.

Sob a perspect iva haberm asiana, m undo da vida e t radição const it uem elem ent os de um a pesquisa que t razem um ao out ro, porque convergem ent re si. I sso ocorre por duas j ust ificações. Prim eiro, porque, ao passo em que suj eit os dialogam e reflet em sobre algo que lhes é com um , a t radição vai sendo encarnada, ao m esm o t em po em que eles vão im prim indo novos sent idos à m esm a t radição. Segundo, porque, ao passo em que ocorre diálogo e reflexão sobre algo com part ilhado, o m undo da vida t ende a ser ret om ado, resgat ado e consult ado, sob form a de um exercício reflexivo de um a int erpret ação colaborat iva, ist o é, pelo encont ro da subj et ividade do pesquisador com a do pesquisa( n) do.

Na perspect iva haberm asiana, em um a ação com unicat iva, o pesquisador necessit a da t om ada de consciência hist órica, m as som ent e, com o form a de encont rar novas condições de com unicação, fora do que

sej a im post o pelo cont eúdo norm at ivo da t radição. Esse cont eúdo serve para que o pesquisador aperceba- se da necessidade de vivência da liberdade de obt enção de novos consensos, os quais viabilizem sem pre novas int egrações com unicat ivas. A t radição faz part e das pesquisas em EP. Por isso, o pesquisador precisa dar- se cont a de que se encont ra