5 Kirkeskipene i Troms – en levende tradisjon?
5.3 Kirkeskipstradisjonen i Troms dannes i starten av 1700-tallet
Uma segunda solução para o problema da cooperação, desta vez comum tanto a biólogos quanto a cientistas políticos, é a do altruísmo recíproco. De acordo com esta teoria, será benéfico para um indivíduo ajudar outro se isso implicar numa probabilidade significativamente maior de no futuro receber ajuda do outro. Nesse caso, é discutível se temos um indivíduo genuinamente altruísta ou um egoísta com visão de longo prazo. Por um lado, examinando o indivíduo de perto, fazendo-lhe perguntas sobre sua motivação para ajudar, podemos concluir que ele ajuda outros porque seus sentimentos o levam a querer ajudar sem nenhuma intenção de receber algo em troca. Ele simplesmente se sente bem ao ajudar o outro. Por outro lado, tais sentimentos evoluíram na história de sua espécie pela razão egoísta mencionada acima. De qualquer maneira, dois indivíduos que estabelecem uma relação de altruísmo recíproco de longa duração podem ser chamados de amigos.
Em grupos grandes, a maioria dos indivíduos não são nem parentes nem amigos. Apesar disso, alguns psicólogos evolucionistas argumentam que o altruísmo recíproco evoluiu na espécie humana durante o período de milhões de anos em que nossos ancestrais viveram em grupos pequenos. Nestas circunstâncias, ajudar um outro indivíduo qualquer do grupo seria, provavelmente, ajudar um parente próximo ou, pelo menos, alguém com quem se conviveria ainda por muito tempo e, portanto, que teria muitas oportunidades de retribuir o favor. A
1Nesta tese, qualifico um comportamento altruísta de genuíno ou puro quando ele reduz as chances de sobrevi-
seleção de parentesco e o altruísmo recíproco explicariam a evolução da cooperação nestes grupos. Atualmente, é rotineiro o encontro com estranhos, mas dada a raridade de tais encontros no passado evolutivo de nossa espécie, os seres humanos seriam geralmente predispostos a cooperar e seriam cognitivamente pouco preparados para discriminar entre estranhos e parentes ou amigos no momento de serem altruístas. Nossos mecanismos psicológicos nos levam a agir altruisticamente em situações em que ajudar o outro já não é mais adaptativo.
A reciprocidade seria uma boa explicação para a existência do altruísmo apenas para grupos pequenos e não ameaçados de extinção, ou seja, em que a probabilidade de interações futuras é alta, mas para alguns autores é pouco provável que longos períodos de estabilidade tenha sido predominantes na pré-história da humanidade (GINTIS, 2000, p. 170). Henrich e Boyd (2001, p. 79) consideram que a combinação de altruísmo recíproco e seleção de parentesco não é suficiente para fazer a cooperação evoluir em grupos grandes. Segundo Gintis et al. (2003, p. 154), é necessário mais do que a teoria do altruísmo recíproco para explicar o sucesso da nossa espécie, e Henrich enumera algumas razões pelas quais estaria errada a tese de que a cooperação que evolui como altruísmo recíproco continuaria a ser praticada mesmo em períodos em que fosse mal adaptativa:
This explanation has a number of problems. First, even in small-scale societies, there are plenty of distant relatives, and probably a fair number of strangers, that altruists need to distinguish from close kin [. . . ]. The idea that individual in small-scale societies did not have ephemeral encounters with anonymous others is empirically groundless [. . . ]. Second, although large-scale cooperation is prevalent in many societies, people everywhere favor their kin over non-kin— showing that we can, and we do, distinguish these behaviorally. Third, lots of non-human primates also live in small-scale societies but show no generalized tendency to cooperate with all members of their group. (HENRICH, 2004, p. 9). A evolução da cooperação será favorecida se os indivíduos puderem se recusar a entrar em relações associativas com os não-cooperadores, ou seja, se praticarem o ostracismo dos caronas. Se a probabilidade de haver encontros futuros for permanentemente alta, o ostracismo será suficiente para que a cooperação evolua. Entretanto, dadas as condições reinantes no nosso passado evolutivo, é mais provável terem sido comuns períodos em que não havia nenhuma certeza de interações futuras e, portanto, a prática do ostracismo parece ainda não ser suficiente para garantir a evolução da cooperação:
[. . . ] when the group is threatened with extinction or dispersal, say through war, pestilence, or famine, cooperation is most needed for survival. During such critical periods, which were common in the evolutionary history of our species, future gains from cooperation become very uncertain, since the probability that the group will dissolve becomes high. The threat of ostracism then carries
little weight, and cooperation cannot be maintained if agents are self-interested. Thus, precisely when a group is most in need of prosocial behavior, cooperation based on reciprocal altruism will collapse. (GINTIS et al., 2003, p. 163). É necessário que os indivíduos tomem uma atitude mais ativa do que a simples prática do ostracismo dos caronas ou a associação preferencial com amigos de confiabilidade já comprovada.
Segundo Richerson e Boyd (1998, p. 5), nossas mais antigas propensões a sentir emoções se formaram sob pressão dos processos de seleção de parentesco e altruísmo recíproco, mas essas emoções sociais seriam suficientes apenas para manter a coesão de grupos pequenos. O desenvolvimento da linguagem permitiu o desenvolvimento de sistemas punitivos mais elabora- dos do que os derivados do simples sentimento de indignação despertado momentaneamente. Com a linguagem, os indivíduos podem dialogar e conhecer os argumentos uns dos outros, modificando o próprio juízo do que é certo ou errado. A compreensão das motivações para a ação permite elaborar normas que prevêem a punição não de todo e qualquer indivíduo que não tenha contribuído para a produção de um bem coletivo, mas apenas daqueles que, mesmo tendo condições objetivas, intencionalmente decidiram trapacear.