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Flere typer kirkeskip i Troms – analyse og kommentarer

5 Kirkeskipene i Troms – en levende tradisjon?

5.5 Flere typer kirkeskip i Troms – analyse og kommentarer

Alguns autores têm chamado de reciprocidade forte a prática de punir os não-cooperadores mesmo que isto implique num custo para si próprio, e mesmo que não haja perspectiva de ganhos compensadores em relações futuras (GINTIS, 2000; HENRICH; BOYD, 2001; GINTIS et al., 2003; HENRICH, 2004).

Mecanismos equivalentes à reciprocidade forte já haviam sido apresentados anteriormente na literatura. Milo e Quiatt (1994, p. 335), por exemplo, mencionaram que sanções culturais como o ostracismo ou homicídio poderiam ser suficientemente efetivas para desencorajar o indivíduo a praticar atos proscritos. As normas e metanormas dos modelos de Axelrod (1997) também constituem mecanismos equivalentes à reciprocidade forte, como veremos adiante (seção 3.7).

3.4.1 Evidências empíricas

Gintis et al. (2003) apresentam evidências empíricas que deixam claro haver uma grande variação no nível de cooperação de diversas sociedades. Na terminologia da teoria dos jogos, pode-se dizer que diferentes sociedades alcançaram diferentes equilíbrios. Em algumas, o nível de cooperação é elevado e generalizado; em outras, é baixo e restrito a alguns setores da vida social. Em algumas, se ganha prestígio sendo generoso; em outras, se aceita qualquer migalha oferecida porque a generosidade não é algo comum. Em todas, entretanto, os cooperadores estão dispostos a incorrer em custos pessoais para punir os não-cooperadores.

cipavam de dez rodadas de um jogo em que deveriam contribuir para a produção de um bem público. O jogo se iniciava com um nível de contribuição mais alto do que seria de se esperar de atores racionais e egoístas, mas caía gradualmente. Os resultados encontrados, entretanto, estavam de acordo com a teoria da reciprocidade forte:

The explanation of the decay of cooperation offered by subjects when debriefed after the experiment is that cooperative subjects became angry at others who contributed less than themselves, and retaliated against free-riding low contrib- utors in the only way available to them—by lowering their own contributions. (GINTIS et al., 2003, p. 160).

[. . . ] when costly punishment is permitted, cooperation does not deteriorate, and in the partner game, despite strict anonymity, cooperation increases almost to full cooperation, even on the final round. (GINTIS et al., 2003, p. 161).

3.4.2 Obstáculos à evolução da Reciprocidade Forte

Como vimos acima, há evidências de que a reciprocidade forte evoluiu na espécie humana. Mas, para isso ter acontecido, foi necessário a superação do obstáculo representado pelo custo da punição para quem pune. Gintis argumenta que o aparecimento de armas foi um dos fatores que reduziu esse custo:

[. . . ] superior tool-making and hunting ability of Homo sapiens, the ability to inflict costly punishment [. . . ] at a low cost to the punisher [. . . ], probably distinguishes humans from other species that live in groups and recognize individuals, hence for which reciprocal altruism might occur. (GINTIS, 2000, p. 174).

Essa, aliás, é uma característica da condição humana já percebida por Hobbes, que conside- rava os seres humanos essencialmente iguais, entre outros motivos, porque mesmo um homem fisicamente fraco, usando armas, poderia matar um homem forte. É claro que as armas podiam e podem ser usadas tanto por cooperadores quanto por trapaceiros, e os atuais crimes contra a propriedade não deixam dúvida de que, atualmente, os não cooperadores são os maiores utilizadores de armas. Entretanto, num mundo em que não há grande acúmulo de bens, o maior benefício que se obtém de um outro indivíduo é por meio de favores feitos em momentos de dificuldade. Nessas circunstâncias, os cooperadores não seriam prejudicados pela eliminação dos trapaceiros, mas estes ficariam sem ter quem explorar se eliminassem os cooperadores.

Há, ainda, um certo tipo de punição de não-cooperadores que não implica em custos elevados para quem pune. Trata-se do caso em que um indivíduo normalmente cooperador trapaceia outro

que havia trapaceado alguém anteriormente, mas não recebe nenhuma punição por isso. Neste caso, é do interesse egoístico de cada um punir os infratores já que isto implica num ganho e não num custo. Esta situação faz parte do repertório de ditados populares brasileiros (Ladrão que rouba ladrão merece cem anos de perdão) e foi levada em consideração por Greif (1994) num modelo em que explorava a relação entre cultura e estrutura institucional. Como veremos na seção 3.9, alguns modelos de reciprocidade indireta fazem uso desta cooperação condicional. Outra característica da condição humana que pode tornar mais fácil a tarefa de punição é a capacidade de ação coordenada. Nem sempre é preciso agir sozinho para punir um não- cooperador. Muitas vezes, é possível fazer isso coletivamente, diluindo o custo da punição.

Não obstante esses atenuantes, punir os não-cooperadores continua sendo um obstáculo à evolução da cooperação e os autores que defendem a hipótese de que a evolução da cooperação se deu através da reciprocidade forte argumentam que o processo de transmissão cultural de conhecimentos e comportamentos foram importantes no processo evolutivo.

3.4.3 Transmissão cultural

Segundo Mark (2002, p. 325), transmissão cultural não é propriamente a transmissão direta de comportamento, mas a transmissão de informações que afetam o comportamento, e há evidências empíricas de que a transmissão cultural é um dos fatores que levam à cooperação:

Experimental studies show that children exposed to an adult model who behaves altruistically [. . . ] behave more altruistically [. . . ] than do children exposed to a selfish adult model. (2002, p. 328).

Para os teóricos da reciprocidade forte, aqueles que podem ser considerados receptores das informações têm um papel ativo no processo de transmissão cultural de maneiras de agir. Henrich e Boyd mencionam dois mecanismos que podem levar um indivíduo a tentar copiar o comportamento de outro e que, por conseguinte, podem ser importantes para a evolução da cooperação: (1) tendência a imitar o comportamento daqueles que têm sido mais bem sucedidos segundo algum critério de sucesso; (2) tendência a ser conformista e “copiar o comportamento mais freqüente na população” (HENRICH; BOYD, 2001, p. 79). Ao imitar os mais bem sucedidos ou o comportamento mais freqüente num grupo, o indivíduo tem uma boa probabilidade de estar fazendo a coisa certa para ser bem sucedido sem a necessidade de passar pela custosa experiência de aprender com os próprios erros (HENRICH; BOYD, 2001, p. 80).

Como estamos falando de propensão biológica à imitação, o critério de sucesso deve estar direta ou indiretamente relacionado a sucesso reprodutivo. Na prática, pelo menos nas sociedades

contemporâneas com padrão sócio-econômico elevado, os seres humanos reais não parecem ter um desejo inato de ter muitos filhos e os indivíduos de prole numerosa não costumam ser considerados modelos a serem seguidos. Portanto, sejam quais forem os critérios utilizados pelas pessoas para decidir quem imitar, as conseqüências para o sucesso reprodutivo podem ser indiretas.

Um forte candidato a mecanismo motivacional à imitação dos mais bem sucedidos é o já discutido sentimento de inveja (ver p. 18). A propensão a sentir inveja é adaptativa porque motiva o indivíduo a aproveitar melhor o que a natureza e a sociedade têm a oferecer.

Um indivíduo emite informações por meio da fala ao mesmo tempo em que exterioriza maneiras de agir específicas. Se este for um indivíduo visto como bem sucedido, outros tentarão imitá-lo, mas o receptor das informações terá que interpretar o significado das mensagens para que elas possam ser incorporadas ao seu estoque de conhecimentos e certamente haverá falhas nesse processo. As ações também não serão copiadas com precisão e o resultado são valores muito mais altos para a “taxa de mutação” num processo de transmissão cultural do que num processo de transmissão genética, ou seja, um comportamento culturalmente condicionado se modifica mais rapidamente e está mais sujeito a oscilações aleatórias do que comportamentos geneticamente condicionados. Assim como no processo de diferenciação genética, as barreiras naturais, como rios, mares e montanhas, ao reduzirem a migração de indivíduos entre os grupos, levariam à heterogeneidade cultural, mas o distanciamento cultural entre grupos que tenham pouco contato será muito mais rápido do que a diferenciação genética que poderia levar à constituição de espécies distintas. Assim, um processo de permanente transformação da cultura tende a levar grupos relativamente isolados à diferenciação comportamental, enquanto os processos de transmissão cultural contribuem para manter a homogeneidade dos comportamentos no interior dos grupos (HENRICH, 2004).

É de se esperar que a tendência dos indivíduos de imitar os outros se mantenha próxima de algum nível ótimo. Se a taxa de transmissão cultural conformista for muito alta, a cultura se torna estática por não haver difusão de novas formas de comportamento, e isso representaria uma adaptação mais lenta a situações novas. Se os indivíduos forem demasiadamente inovadores, ficarão em desvantagem porque inovar significa arcar com os custos dos próprios erros.

Os mecanismos de transmissão cultural podem levar os indivíduos de diversos grupos de uma mesma espécie a uma grande diversidade de comportamentos. Assim, contanto que os mecanismos de transmissão cultural conformista e de imitação dos mais bem sucedidos sejam suficientemente fortes, como o são na espécie humana, será de se esperar que os diversos grupos humanos apresentem diferentes proporções de cooperadores e de não-cooperadores. Como

sabemos, uma proporção elevada de cooperadores não se mantém estável por um longo período porque os não cooperadores são em média mais bem sucedidos e, conseqüentemente, aumentam de número por serem imitados pelos demais e por terem maior sucesso reprodutivo.

Portanto, se a evolução da cooperação dependesse apenas da tendência a copiar os indivíduos mais bem sucedidos, sua ocorrência seria pouco provável, pois um indivíduo pode estar entre os mais bem sucedidos tanto porque é um cooperador num grupo de cooperadores quanto porque é um desertor num grupo onde predominam cooperadores. Dificilmente, um grupo chegaria a um equilíbrio cooperativo e, mesmo que chegasse, seria muito vulnerável à migração de indivíduos de um grupo para outro. Um grupo de altruístas poderia receber um não altruísta que passaria a obter vantagens nas suas relações com os cooperadores. É, pois, preciso mais do que difusão cultural para a evolução do altruísmo.

Segundo Henrich (2004), se um ou mais grupos, em decorrência de oscilações culturais aleatórias, vier a apresentar uma elevada proporção de cooperadores, e se os agentes forem não apenas cooperadores mas indivíduos dispostos a punir os não cooperadores, a transmissão cultural conformista seria capaz de estabilizar a cooperação neste grupo através da estabilização da punição dos não cooperadores. Punir é custoso também para quem pune, mas, mesmo assim, os demais indivíduos, por serem conformistas, adquiririam o hábito de punir os não cooperadores, e o indivíduo punido seria, em decorrência da punição, ainda menos bem sucedido do que o punidor.

A estabilização da cooperação no interior de um grupo ocorreria por ter se tornado vantajoso para o indivíduo cooperar. Os indivíduos dos grupos de cooperadores produziriam um maior número de descendentes do que aqueles dos grupos de não-cooperadores. Paralelamente, se puderem observar e imitar os mais bem sucedidos de outros grupos, também os membros de grupos de não cooperadores se tornariam cooperadores e punidores, pois os cooperadores dos grupos de cooperadores seriam os indivíduos mais bem sucedidos de toda a população. Além disso, internamente aos grupos de cooperadores, a seleção natural atuando sobre o nível dos indivíduos passaria a favorecer a evolução de genes favoráveis ao altruísmo porque os geneticamente predispostos a cooperar raramente não cooperariam e, conseqüentemente, quase nunca seriam punidos.

O modelo da reciprocidade forte é um modelo baseado em equações que se utiliza da noção de seleção de grupo para elaborar uma hipótese sobre como ocorreu a evolução da cooperação entre os humanos. O modelo tem como ponto de partida a equação de Price, que mede a variação na freqüência de um alelo numa população de uma geração para outra tendo por base a soma da variação devida à pressão seletiva sofrida pelo indivíduo dentro do grupo a que pertence e da

variação devida à aptidão de cada grupo (ou seja, aptidão média dos indivíduos de um grupo). Como vimos no capítulo anterior, há fortes restrições à complexificação de tais modelos. Pepper e Smuts argumentam que modelos de seleção em múltiplos níveis podem ser mais ricamente abordados por modelos baseados em agentes:

Virtually all published quantitative models of group selection are based on systems of equations. However, such models have several critical limitations for modeling multilevel selection. First, they require simplifying assumptions, such as homogeneous randomly mixed populations and infinite population sizes, that can limit the possible outcomes in important ways. Second, in equation-based models, population structure (the division of a population into more or less discrete groups, or the absence of such divisions), must be assumed a priori. (PEPPER; SMUTS, 2000, p. 3).

Nas próximas seções, revisaremos alguns modelos de evolução da cooperação feitos em computador. De uma maneira geral, quanto mais recente, maior a complexidade e a busca de realismo em tais modelos.