Kapittel 2: Kirkejubileet i 1930 – mellom klassekamp og kirkesplid
2.3. Kirken og Olav den hellige
Os cuidados no parto têm evoluído, ao longo dos tempos, com o principal objetivo de baixar as taxas de mortalidade e morbilidade materno-infantis (Leite, 2012). Apesar destes avanços terem correspondido às expectativas, o aumento da tecnologia conduziu a uma prática de assistência do parto uniformizada, intervencionista, destituindo a mulher do seu papel ativo causando-lhe, algumas vezes, um clima de descontentamento e receio.
Como refere FAME (2009), vários países procuram encontrar estratégias para promover o parto normal, como evento fisiológico na vida da mulher, com a menor intervenção técnica possível, de modo a que a parturiente possa tomar decisões informadas, possa participar ativamente no decurso do parto, garantindo o acesso e a qualidade na assistência ao parto normal.
Entende-se por parto normal, parto “de início espontâneo e de baixo risco no início do trabalho de parto, permanecendo assim durante todo o processo até o nascimento. A criança nasce espontaneamente, em posição cefálica de vértice, entre 37 e 42 semanas completas de gestação” (Leite, 2012, p.18).
No documento de Consenso «Pelo Direito ao Parto Normal – Uma Visão Partilhada» acordado e assinado em 2010 define parto natural assistido como
“parto de início e progressão espontâneos, culminando num nascimento espontâneo, sem qualquer intervenção, assistido por profissional de saúde” (Leite, 2012, p. 18).
É neste sentido que surgem os temas de Preparação para o Parto (PPP) e
Empowerment 3, que, pretendem promover a participação das mulheres no processo de tomada de decisão em todas as fases de trabalho de parto, parto e pós-parto.
O interesse por esta problemática surgiu primariamente durante a unidade curricular de Preparação para o Parto, lecionada no primeiro semestre do primeiro
3 Termo sem tradução fidedigna para a Língua Portuguesa pelo que opto por manter o termo original
ano, quando nos foi solicitado projetar um curso de PPP e Pós-Parto, passível de ser posto em prática num futuro próximo. Entretanto, durante o estágio de natureza profissional, o interesse pelo tema do empowerment foi crescendo, pois a realidade a que se assistiu é que a mulher não se sentia capaz de tomar decisões durante o seu TP e parto.
No sentido de contextualizar o conceito do empowerment, neste relatório, opta-se por realizar uma breve abordagem ao mesmo.
Empowerment é um termo da língua inglesa de difícil tradução para o
português e considerado de carácter multifacetado e complexo, alguns autores traduzem como “fortalecimento, aumento da autonomia, emancipação ou mesmo empoderamento” (Vasconcelos, Cit. por Mazza, 2007, p.36) “A inexistência do termo “empoderamento” na língua portuguesa e a diversidade de sentidos do termo “apoderamento”, ilustram a dificuldade de realizar uma tradução fidedigna de “empowerment” para o nosso idioma” (Carvalho, 2004, p. 1090). Surge da palavra
latina “potere”, que significa “ser capaz” (Gibson,1991).
Para Carvalho (2004, p. 1090) empowerment “é uma ideia que tem raízes nas lutas pelos direitos civis, no movimento feminista e na ideologia da “acção social” (…) Nos anos 70, este conceito é influenciado pelos movimentos de auto- ajuda, e, nos 80, pela psicologia comunitária.”
A definição de empowerment tem vindo a ser desenvolvida ao longo dos anos, pelo que foi sofrendo diversas abordagens adequadas ao contexto em que se insere, apresentando-se complexa e pouco concertada.
De um modo geral, este conceito consiste num processo em que uma pessoa adquire um maior poder e controlo sobre a sua vida, proporcionado quer por um ganho de conhecimentos como pelo desenvolvimento de competências, que lhes permitem a tomada de decisão e uma participação efetiva no seu projeto, neste caso no seu projeto de saúde (Pereira, 2010).
Autores como, Watts, Wheeler & Chin (Cit. por Pereira, 2010, p.35) expõem que o empowerment reflete “uma visão feminina do poder, em que o poder é conceptualizado como condição para ser capaz de atingir determinado objetivo em cooperação com os outros, contrapondo-se à visão masculina do poder, onde o poder é conseguido através da competição com os outros.” Deste ponto de vista o “importante não é ter mais poder mas sentir-se com mais poder” (Kiefer, Cit. por
Pereira, 2010, p.35).
Tones (Cit. por Fontes, 2007) afirma que as pessoas que acreditam controlar as suas vidas conseguem atingir os objetivos que consideram importantes para se sentirem bem, alcançam uma independência e são capazes de proteger a sua saúde e bem-estar. “Considera a auto-estima como um factor influente no
73
empowerment, uma vez que as crenças que cada um tem sobre o seu controlo lhe estão associadas. Assim sendo, a auto-estima é considerada intrinsecamente saudável” (Fontes, 2007, p.45).
O empowerment tem sido difundido e considerado como um conceito fundamental no movimento para a Promoção da Saúde, presente implicitamente ou explicitamente nos pressupostos que fazem parte da Carta de Ottawa (1986). Nela estão definidas três estratégias essenciais da Promoção da Saúde: a primeira é a defesa de causa, baseia-se na união de esforços para tornar todas as condições políticas, sociais, entre outras, favoráveis à saúde; a segunda é a capacitação em que se procura assegurar a igualdade de recursos e oportunidades para a população ser capaz de potenciar a sua saúde, esta capacitação ocorre através do processo de empowerment; a terceira e última é a mediação, ou seja, os profissionais de saúde tem o papel de mediar os diferentes interesse em relação à saúde existentes na sociedade.
Este conceito surge também associado à promoção de saúde divulgada pela Organização Mundial de Saúde (WHO, 1998), que o define em saúde como um processo através do qual as pessoas ganham um maior controle sobre as decisões e as ações que afetam a sua saúde
O empowerment pressupõe que as escolhas mais importantes que afetam a saúde e o bem-estar da pessoa são feitas pelo próprio, ao torna-se consciente do seu domínio, o indivíduo, poderá alcançar o controlo que tem sobre a sua saúde e melhorá-la. Conjetura um processo de educação, colaboração, cooperação e reciprocidade entre os profissionais de saúde e o indivíduo alvo de cuidados (Leal, 2006).
Durante as duas últimas décadas, o empowerment tem sido cada vez mais usado no âmbito da obstetrícia e parte da ideia de dar à mulher o poder, a liberdade e a informação que lhe permite tomar opções e participar ativamente no processo de tomada de decisão. Aliado a este conceito encontramos a humanização do parto em que se deseja dar às mulheres o que lhes é de direito, ou seja, um atendimento focalizado nas suas necessidades, e não em crenças e mitos, ou em que a técnica se torna mais importante que as pessoas envolvidas, como referem as Amigas do Parto ([Em linha]). Quando falamos no parto humanizado, referimo-nos ao respeito pela mulher e pela fisiologia do parto. “Parto Humanizado significa direcionar toda
atenção às necessidades da mulher e dar-lhe o controle da situação na hora do nascimento, mostrando as opções de escolha baseados na ciência e nos direitos que tem.” (Rodrigues, 2004)
Reis & Patrício (Cit. por Silvani, 2010 p.10) referem que a promoção do parto humanizado é um grande desafio, mas isto não quer dizer que se deva voltar
ao tempo das nossas antepassadas e ao modo como pariam, mas sim tentar que a experiência do parto, antes tão natural, seja em ambiente hospitalar, um ritual muito próximo do “familiar”.
Hoje em dia a mulher é rotineiramente desrespeitada na sua sabedoria íntima e nas suas necessidades femininas, com o “empoderamento feminino (…)
queremos promover não somente a consciência dos direitos da mulher, de seu valor como ser social que participa da construção do mundo no qual vivemos, mas buscamos ir mais fundo, mais dentro, mais no íntimo” (Nogueira, 2009, p. 10).
Assim, o objetivo do EEESMO seria o de preparar a mulher para o parto natural, dando-lhe toda a informação necessária para controlar a dor, capacitá-la que é capaz de parir, gerir o seu corpo e que todos os procedimentos deverão ser efetuados com a sua autorização. A mulher tem a capacidade para tomar boas decisões, mas em caso de complicações deve estar recetiva aos cuidados que os profissionais de saúde precisem de efetuar para não colocar em risco a sua vida e a do feto.
Foi neste sentido que se considerou pertinente investigar se os EEESMO promovem estratégias de empowerment na PPP, no sentido de tornar a mulher “protagonista desse evento e não mera espetadora, dando-lhe liberdade de escolha
nos processos decisórios” (Medinas, Duarte & Duarte, 2010, p.77).
Ao efetuar a pesquisa sobre o tema do empowerment no contexto específico da gravidez constata-se que a informação é escassa e pouco definida.
Baseado no modelo híbrido de Schwartz-Barcott & Kim, Hermansson & Martensson (2011), estes autores definem o empowerment no contexto das
midwifery como um processo dinâmico e social em que a midwife e o casal
desenvolvem uma relação de confiança com base no respeito mútuo e integridade. Pela aprendizagem dialética e tomada de consciência da situação de mudança, torna-se possível mobilizar os recursos necessários e melhorar a capacidade dos casais. A mulher e o seu companheiro são, portanto, participantes ativos no processo de crescimento e estão habilitados a fazer as suas próprias escolhas informadas. Um ambiente de suporte e competências dos profissionais de saúde são componentes necessários neste processo.
Para Kameda & Shimada (2008) o empowerment da mulher grávida é definido como um sentimento de autorrealização e de independência, adquirida na interação entre o seu meio ambiente e as pessoas que as rodeiam, levando a um aumento de spontaneous psychological energy para alcançar a gravidez e o parto que desejam. Segundo as mesmas autoras, a autoeficácia é um dos conceitos- chave no empowerment da mulher grávida, pois permite que sinta que é capaz de gerir a sua gravidez/parto e fazer uma autoavaliação da sua aptidão física.
75 É importante referir que, na pesquisa efetuada à literatura existente sobre o
empowerment, surgem algumas variações nas dimensões que o constituem
(Tabela 1) (Aires, 2012, p.29).
Tabela 1: Componentes do empowerment na literatura de enfermagem (Aires, 2012, p.29)
Autor Ano Componentes
Hermansson
Martensson 2011
Satisfação pessoal, autoeficácia, mestria, sentido de controlo, autodesenvolvimento, tomada de decisão
Kovach [et al] 2004 Autodeterminação, capacidade de decisão, autossuficiência
Rogers [et al] 1997 Autoeficácia/autoestima, poder/impotência, ativismo comunitário,
otimismo e controlo sobre o futuro, raiva
Rodwell 1996 Valorização pessoal e da parceria com os outros, tomada de decisão, liberdade para fazer escolhas, aceitar a responsabilidade
Gibson 1995 Descoberta da realidade, reflexão crítica, assumir comando,
resistir
Gibson 1991
Autodeterminação, autoeficácia, senso de controlo, motivação, autodesenvolvimento, aprendizagem, crescimento, senso de domínio, sentido de conexão, melhoria da qualidade de vida, melhor saúde, senso de justiça social
Na “desconstrução” do conceito do empowerment e ao analisar a tabela realizada por Aires (2012), distinguimos os seguintes conceitos: autodeterminação, autoeficácia, autoestima e tomada de decisão que permitiram alargar a pesquisa sobre o tema. Apesar de não aparecer referido, o Coping está também estreitamente ligado ao conceito do empowerment, não devendo no entanto ser comparado ou confundido, este é caracterizado pela CIPE Versão 1 (2005, p. 80) como um processo psicológico em que a pessoa apresenta uma
“disposição para gerir o stress que desafia os recursos que cada indivíduo tem para satisfazer as exigências da vida e padrões de papel autoprotectores que o defendem contra ameaças, percebidas como ameaçadoras da auto-estima positiva; acompanhada por um sentimento de controlo, diminuição do stress, verbalização da aceitação da situação, aumento do conforto psicológico.”
Para compreendermos os conceitos que se sobrepõem ao de empowerment apresentamos de seguida as suas definições.
Autoestima, segundo a CIPE Versão 2 (2011, p.41) é a “opinião que cada
um tem sobre si próprio e visão do seu mérito e capacidades, verbalização das crenças sobre si próprio, confiança em si, verbalização de auto-aceitação e de
autolimitação, desafiando as imagens negativas sobre si, aceitação do elogia e do encorajamento.”
A autodeterminação é encarada como uma teoria, que foi inicialmente desenvolvida por Edward L. Deci e Richard M. Ryan (SDTO, 2014) e aperfeiçoada ao longo dos tempos por estudiosos de vários países. Esta é considerada a teoria da motivação e preocupa-se com o desenvolvimento das nossas disposições naturais ou intrínsecas, de maneira a que estas se comportem de forma eficaz e saudável (SDTO, 2014).
Autoeficácia, segundo Bandura (Cit. por Neves & Faria, 2009, p.208), refere- se “à crença ou expectativa de que é possível, através do esforço pessoal, realizar
com sucesso uma determinada tarefa e alcançar um resultado desejado”.
O processo de tomada de decisão são os “processos mentais para determinar o curso de acção, baseadas na informação relevante, consequências potenciais de cada alternativa e recursos” (CIPE Versão 2, 2011, p.69).
A adoção da filosofia de empowerment na saúde materna afigura-se uma questão de debate e pesquisa pertinentes. Pretendendo-se com este modelo
“democratizar a tomada de decisão, tornar a informação acessível a todos e emponderar os doentes” (Taylor Cit. por Viana, 2010, p.13).
77