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Já em 2001, Allen Scott104 considera existirem relevantes impactes da globalização ao nível regional urbano, onde se processam grandes transformações. Ele chama regiões urbanas

126 globais a um novo regionalismo, em que a região urbana se encontra, por um lado, menos sujeita aos desígnios da administração central – que tende a territorializar menos a sua intervenção – mas por outro se encontra agora vulnerável à turbulência económica internacional. Scott refere que nem todas as regiões urbanas se encontram do mesmo modo e com a mesma profundidade envolvidas pelo processo de globalização; por outro lado, nem todas as regiões urbanas globais são de grande dimensão.

Os padrões de surgimento das regiões urbanas são múltiplos. As situações mais comuns são:

( Desenvolvimento a partir de um conjunto de unidades territoriais que já apresentam forte urbanização e onde se verifica alguma tendência de polarização espacial, sem qualquer orientação estratégica;

( A extensão de uma área metropolitana para áreas menos densificadas do território envolvente, funcionalmente subordinado e de extensão variável;

( Sobreposição ou convergência de conurbações, com os respectivos territórios contíguos e funcionalmente subordinados;

( Alianças de centros urbanos geograficamente distintos e próximos, tendo em vista criar sinergias para benefício comum, ou “redes de sinergias” de cidades médias, como estão a começar a florescer na “Europa das regiões”, incluindo situações de regiões urbanas fronteiriças, como é o caso de Copenhaga – Malmö.

Este despontar de inúmeras novas entidades regionais urbanas na Europa recebeu já o epíteto de “revolução infra(nacional”.

Confirmando as previsões de Scott em 1996, as regiões urbanas estão de facto a tornar( se os motores básicos da economia global, a que alguém já chamou “novo capitalismo global urbanamente centrado”, onde as regiões urbanas funcionam como plataformas territoriais para a economia pós(fordista, designadamente para as operações das corporações multinacionais, sendo especialmente importantes para os sectores de produção flexível, como a alta tecnologia, as indústrias neo(artesanais e os serviços, nomeadamente os relacionados com os media, as transacções comerciais e os financeiros.

Do ponto de vista social, as regiões urbanas experimentam também grandes alterações, parte delas problemáticas e de difícil solução, como sejam a ampliação dos leques de rendimentos, com graves situações de desigualdade, com o risco sério de criação e/ou ampliação de bolsas de pobreza, agudizado pelas novas vagas de emigrantes, exigidas pela

127 procura constante de mão(de(obra barata.

As vagas sucessivas de emigrantes, por outro lado, estão a transformar as regiões urbanas em áreas de rápida, quando não súbita e ampla diversidade cultural e étnica. Dependendo das estratégias de ordenamento e integração que forem prosseguidas, o fenómeno traduzirá mais oportunidades ou mais problemas.

Para Peter Hall, a rede interna de processamento de informação é a característica definidora das regiões urbanas globais, na sequência lógica do critério consensualizado para as cidades globais, que são as trocas de informação exteriores105. A geografia interna das regiões urbanas é por ele definida do seguinte modo:

1. A Baixa, ou o centro urbano tradicional, com uma estrutura baseada em distâncias pedonais, servido por interfaces de transportes públicos de configuração radial. Nesta área localizam(se os serviços mais antigos de natureza informacional: bancos, seguros, governo/administração.

2. O novo centro económico ou de serviços, que se desenvolve por vezes em bairros residenciais prestigiados, onde se localizam os novos serviços cuja expansão decorreu no século XX, nomeadamente sedes de empresas, as agências de publicidade e relações públicas, os designers, os fotógrafos e as agências noticiosas.

3. Uma nova centralidade urbana interna, que resulta normalmente da pressão urbanística sobre os centros tradicionais.

4. Uma nova centralidade externa, normalmente localizada no eixo do aeroporto principal, quando não duma estação de comboio de alta velocidade.

5. Complexos de grande qualidade para escritórios de retaguarda e Investigação & Desenvolvimento, normalmente localizados junto às maiores estações ferroviárias e num raio de cerca de cerca de 30 a 65 km de distância a partir do centro.

6. Subcentros especializados, designadamente para educação, lazer, desporto, espectáculos ou convenções, com diversas formas e localizações, em zonas recicladas relativamente próximas do centro urbano, em centros históricos, ou noutras centralidades da área metropolitana.

7. Este tipo de estrutura urbana policêntrica progressiva, tende a ocasionar crescente especialização. Muitas das funções para que se vocaciona, como a gestão logística ou os grandes equipamentos desportivos e de lazer, tendem a relocalizar(se em localizações

128 descentralizadas, a ritmos e com efeitos dissemelhantes.

Scott veio confirmar a tendência de menor territorialização da administração, tendência que Portugal iniciou, mas interrompeu. Essa menor territorialização relaciona(se com tudo o que deixámos escrito atrás, mas também – embora Scott não faça essa ligação, com a necessidade de as "extremidades" regionais do sistema de Estado responderem agora, na fase de maior turbulência internacional, mais rapidamente e portanto com maior autonomia aos estímulos positivos e negativos, de modo a que o Estado, na sua globalidade, se torne mais eficaz e mais eficiente.

A geografia de Hall é, como todas as descrições deste tipo, um conjunto de possibilidades baseadas na observação, que não caracterizam necessariamente toda a realidade, muito mais rica.

A região urbana global, com ou sem laboratórios de pesquisa junto à estação ferroviária ou ao metro ligeiro, e quer de situem a 30 km ou a 100 km do centro, caracteriza(se sem dúvida pelas trocas de informação exteriores e por algum grau de sofisticação da rede de informações interna, ao menos entre bolsas mais viradas ao contacto internacional – a rede mais sofisticada não tem de servir a generalidade da região urbana global.

O grau de cobertura depende muitas vezes da capacidade de investimento e uma capacidade menor não inibe o estabelecimento de laços relacionais internacionais que permitam globalizar a intervenção e o marketing da região urbana, ainda que em campos seleccionados.

In document Development of Gaze Tracking Platform (sider 42-55)