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O aparecimento da internet fez com que houvesse uma abertura de fronteiras virtuais. Qualquer utilizador da rede passou a ter ao seu alcance todo um nicho de informações úteis. Tudo isto à distância de um clique (Amaro, 2009, p.7).

De acordo com Alves (2012) todos nós já somos seres multimédia há muito tempo, pois consumimos diariamente múltiplos meios de comunicação. Além disso, agora temos um meio que nos disponibiliza conteúdos com as características de todos os outros meios. “A internet pode ser rádio, TV, jornal, revista, tudo ao mesmo tempo.” (p.98)

Os jornais vespertinos surgem depois de pesquisas revelarem que o “horário nobre do tablet está próximo do hábito de chegar em casa, de ligar a TV, do jantar.” (Barbosa & Seixas, 2013, p.66). São criados na lógica do “a mais”, e tentam noticiar análises mais aprofundadas (Marques, 2015, p.222) dos assuntos tratados nas edições matutinas. Os repórteres deste tipo de edições dispõem de espaço ilimitado para escrever mas preocupam-se com o leitor e descartam os textos longos e densos (Marques, 2015, p.231).

O primeiro jornal vespertino para dispositivos móveis foi lançado no dia 18 de março pelo jornal The Times que oferecia a iPad Evening Edition. Saía às 17 horas e fazia uma atualização das notícias dadas pela manhã. Um mês depois, a 20 de Abril, o The Orange County lançou uma edição que, todos os dias, às 18 horas, reúne e hierarquiza as notícias mais lidas na edição da manhã, em função das preferências dos leitores.

No Brasil, foi a Globo que deu os primeiros passos nesta nova realidade. A 30 de janeiro de 2012 nasceu o Globo A Mais, mas acabou por ser extinto a 15 de maio deste ano para dar lugar a outro projeto que ainda não foi lançado. A edição ficava disponível às 18 horas e surgiu depois de uma investigação sobre os momentos do dia em que as pessoas usam mais os dispositivos móveis (Canavilhas & Satuf, 2013). Depois disto, multiplicaram-se as edições

seguiram o mesmo modelo. Portugal não escapou à tendência. A 6 de maio de 2014, no seio do grupo Impresa, proprietária da SIC e da SIC Notícias, nasce o projeto pioneiro “Expresso Diário”13. Um jornal vespertino de acesso exclusivo na internet.

O “Expresso Diário”14 (Figura 10) não é um produto autónomo em termos de modelo de negócio ou de distribuição de conteúdos. É como um acrescento à política editorial do jornal Expresso que consegue disputar assinantes ao lado do jornal Público, por exemplo. O jornal fica disponível sempre às 18:00 e pode ser acedido em qualquer tablet, smartphone ou computador pessoal. A primeira app para tablet do Expresso nasceu a 26 de fevereiro de 2012 quando foi para as bancas o número 2000 do semanário. A aplicação dava ao leitor a possibilidade de consultar a edição tradicional do jornal em formato digital. A assinatura digital do jornal Expresso inclui o acesso ao jornal vespertino, de segunda a sexta-feira e à edição digital do semanário que sai ao sábado (Fernandes, 2015, p.204).

Figura 10-Aspeto visual do jornal vespertino “Expresso Diário” Fonte: autoria própria.

O leitor pode optar por várias modalidades de acesso. Como aponta Fernandes (2015) o leitor pode escolher uma das quatro possibilidades de acesso pago. Pode subscrever uma assinatura digital anual, com um custo de 99,90€, uma assinatura semestral, com um custo de 59,90€ e uma assinatura mensal que custa 9,90€ ou pode optar por comprar a versão tradicional do semanário, que custa 3,20€, e utilizar o código impresso na revista. Este código permite que o leitor tenha acesso durante cinco dias aos conteúdos do jornal vespertino. (p.205)

13 Disponível em: http://expresso.sapo.pt/dossies/diario 14 Disponível em: http://expresso.sapo.pt/

Este projeto estava a ser estudado desde o final de 2013 e passou por várias fases de investigação e desenvolvimento. Depois de 41 anos, o semanário Expresso arriscou e fez história no jornalismo português. O jornal passou a disponibilizar informação, análises, opinião e reportagem do dia em formato digital e interativo.

Canavilhas (2012) propõe que as edições digitais dos jornais, sejam elas matinais ou vespertinas, se organizem em três grupos. (p.10)

Numa versão mais simplificada, o autor sugere o “Modelo Suporte” em que o dispositivo é apenas utilizado como plataforma. Este formato tem grandes semelhanças com o formato tradicional. É uma versão que serve apenas para a leitura da versão tradicional mas em PDF. Utiliza as vantagens de um leitor portátil que permite a leitura em qualquer lugar, tenha ou não iluminação, já que este tipo dispositivos é retroiluminado. Esta forma de distribuição é vantajosa para as empresas já que permite anula as despesas de impressão.

Para as versões para smartphones Canavilhas (2012) propõe o “Modelo Agência”, em que a informação é simples, usa a georreferenciação (que permite ter acesso a notícias relacionadas com a localização do dispositivo) e aposta nos conteúdos de “última hora”.

O autor sugere ainda o “Modelo Complemento”, que aposta nas atualizações matinais, nos conteúdos multimédia e num designadaptado ao dispositivo. As edições vespertinas podem incluir-se neste modelo, pois o objetivo principal das empresas que apostam neste tipo de modelo é “enriquecer as notícias matinais com novas informações”.

Canavilhas (2012) sugere que se acrescente ainda o “Modelo Nativo”, uma versão avançada do modelo anterior, mas sem ligação ao meio tradicional já existente. Este modelo apoia-se numa “edição exclusiva, com conteúdos, design, possibilidades de participação integrada na aplicação e uso das potencialidades tecnológicas das plataformas de acesso.”

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