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5 - Meus Questionamentos e Decisões

As oportunidades que surgiram na minha experiência como pesquisador e educador me incentivam a rumar pelo ensino da Matemática, buscando por mudanças ontológicas, visto que não é possível ser o mesmo na partida e no retorno.

Para prosseguir nessa jornada, preciso de algumas decisões: o curso da navegação; os artefatos e mentefatos a utilizar, os parceiros com quem dialogar e os critérios para responder aos meus questionamentos. Esses, por sua vez, serão norteadores das minhas investigações sobre as possibilidades de interação Matemática e Cultura, a partir do registro e análise das práticas socioculturais do trabalho e suas relações com os saberes dos movimentos aparentes dos corpos celestes:

Minhas questões são: como são elaborados referenciais para a construção de calendários? Como práticas sócio-históricas e culturais são interpretadas sob a ótica da Linguagem Matemática? Como saberes dos movimentos aparentes dos corpos celestes, próprios dos ribeirinhos e indígenas, são utilizados na forma de sistema de referência de objetiva(ação)

do tempo? Como podem ser mobilizados na forma de matrizes9 didáticas para o ensino de conceitos e habilidades geométricas em cursos de formação de professores de Matemática?

Esses questionamentos serão respondidos a partir do desenvolvimento dos três capítulos desse trabalho. A primeira e a segunda questão serão respondidas no Capítulo II – Caminhos e Modos de Objetiva(ação) das Naturezas do Tempo, que trata do processo de construção da ideia de tempo, visando sua objetiva(ação), a partir da adoção de referenciais para a quantificação do tempo decorrido associado as diferentes práticas socioculturais.

A terceira questão, respondo no Capítulo III – Objetiva(ação) nas Práticas Culturais e do Trabalho, a partir da descrição das práticas de observação dos movimentos aparentes dos astros, próprias dos pescadores de Vigia e dos índios Tembé-Tenetehara.

A quarta questão responderei no Capítulo IV – Objetiva(ação) do Tempo em práticas Educativas, como resultado das atividades realizadas com os alunos de Matemática da UFPA, no campus de Altamira/PA.

Para organizar o desenvolvimento deste estudo e responder aos meus questionamentos tomo as seguintes decisões:

1 – Minha jornada é pela Educação Matemática, por onde sigo com o desejo de contribuir com a superação das dificuldades enfrentadas pelos professores de Matemática quanto às relações entre os conteúdos escolares e as práticas socioculturais;

2 – Faço uma narração-reflexiva de parte das interações resultantes da minha jornada como educador e pesquisador no Planetário do Pará e na UFPA - meus espaços de diálogos e investigações no período de 1998 a 2006 - na busca por alternativas à interação da Matemática Escolar às práticas socioculturais, a partir da interface Matemática e Astronomia;

3 – Meus companheiros e interlocutores nessa jornada são: os índios Tembé-Tenetehara da aldeia Teko-Haw e os pescadores da cidade

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Utilizo o termo Matriz para indicar um conjunto de recursos matemáticos que envolvem algoritmos, formas, quantidades e outros elementos matemáticos utilizados nas atividades de ensino em sala de aula.

de Vigia, com quem realizei registros etnográficos da sua Astronomia; os alunos dos cursos de Licenciatura Plena em Matemática do Campus de Altamira, da UFPA, com ao quais exercitei representações matemáticas dessas práticas socioculturais;

5 – Adoto como critério de análise dos processos de objetiva(ação) do tempo às práticas do trabalho, a partir da orientação pelos movimentos aparentes dos astros – técnicas próprias dos ribeirinhos e indígenas – visando a elaboração de matrizes para o ensino de Geometria: a) interação sujeito-objeto mediada pela concepção de tempo, como processo orientador da adoção de referenciais e construção de artefatos, visando a objetiva(ação) do tempo; b) elaboração de esquemas para a matematização do processo de orientação temporal e espacial.

Minha jornada fluvial se dá por dois braços de rio: o Planetário do Pará e a UFPA., No primeiro braço de rio, o encontro entre Matemática e Astronomia ocorreu a partir das leituras das constelações e o uso do gnômon por pescadores e indígenas, com o objetivo de garantir a realização de tarefas relacionadas ao trabalho, a produção de alimentos e a realização de rituais. Essa fase corresponde, segundo Vergani (2000, 2007), à Lua Crescente.

No segundo braço de rio, apresento e discuto práticas de ensino desenvolvidas com os alunos do curso de Licenciatura em Matemática, no Campus de Altamira, da UFPA, relacionando Matemática Escolar e Astronomia dos ribeirinhos e indígenas. Essa etapa, conforme Vergani (2000, 2007), corresponde à fase de Lua Cheia.

Para concluir a minha descida pelo rio e analisar as respostas aos meus questionamentos, utilizo o termo Lua Azul para descrever a repetição de uma fase de Lua Cheia, no mesmo período mensal (mesma lunação). Nessa Lua Azul, portanto, descrevo minhas reflexões acerca das contribuições que meu estudo traz para a compreensão do processo de mobilização de práticas sócio- históricas e culturais na (re)organização de saberes e práticas disciplinares em sala de aula, como forma de tornar o ensino da Matemática mais significativo aos alunos, visando concretizar uma proposta metodológica para o ensino de

conceitos e habilidades geométricas, de simetria e proporcionalidade nessa formação de professores.

Defendo, então, nesse estudo, que o processo de mobilização interativa envolvendo práticas sócio-históricas e culturais e a Matemática Escolar, mesmo não priorizando o rigor dos processos algorítmicos e de um ensino técnico da Matemática, contribui sobremaneira para o desenvolvimento do pensamento matemático dos estudantes e da valorização de seus modos de representar tal pensamento, visto que, os processos de objetiva(ação) no âmbito das práticas sócio-históricas e culturais, compreendem complexos esquemas gerados na: percepção do mundo físico, construção lógico- matemática das relações sujeito-objeto e significação dessas relações para o meio cultural por processo de abstração construtiva.

Antes de encontrar a entrada dos meus braços de rio, vou seguir pelas primeiras águas deste estudo, nas quais pretendo compreender como são elaborados os referenciais à contagem do tempo. Nesse momento, serei navegador atento às diferentes vozes que ecoam pelo tempo, revelando: o mundo pensado, o mundo vivido e o mundo imaginado que nos dão noção da mortalidade e dos ciclos da nossa vivência.

Capítulo 2

Caminhos eM odos de