4. ANALYSE
4.1 P RESENTASJON AV KVANTITATIVE DATA
4.1.1 Kartlegging av ordbruk
Nesta subcategoria, a intenção é, dando voz aos nossos interlocutores, explicitar os desafios/dificuldades que estes enfrentaram/enfrentam como docentes de Ensino Religioso. A intenção é refletir como nossos colaboradores vêm procurando avançar na construção/desconstrução da profissão e problematizar alguns aspectos da prática que nos parecem fundamentais no sentido de melhoria do trabalho docente.
Compreendemos, pois, que nas suas trajetórias os docentes de Ensino Religioso enfrentam mais desafios/dificuldades do que os outros docentes de áreas diferentes, uma vez que este profissional ainda é visto como o professor inferior aos demais professores de áreas diferentes por iniciarem o trabalho sem uma profissão específica, em nível superior, carecendo, assim, de uma fundamentação adequada ao magistério, da mencionada disciplina. A esse respeito o professor P1 relata:
Os desafios são grandes. Deparamo-nos com o preconceito, a rejeição e a intolerância dos próprios colegas de trabalho que ainda insistem em ver o Ensino Religioso como uma catequese e aproveitam para nos diminuir. As pessoas não dão muita credibilidade ao Ensino Religioso, nem mesmo na escola onde trabalhamos, e isso é muito triste.
O relato de P1, ―[...] as pessoas não dão muita credibilidade ao Ensino Religioso, nem mesmo na escola onde trabalhamos [...]‖, coincide com a preocupação de outros narradores, com a situação de desânimo e insatisfação dos professores que atuam na área de Ensino Religioso e que sentem no cotidiano que esta é uma área que ainda precisa ser mais reconhecida, mais valorizada. Para alguns, isso afeta o estado de espírito tanto do profissional quanto dos alunos, o que não contribui com o fortalecimento da área.
De forma correlata, o professor P2 retraduz sua opinião refletindo sobre sua vivência como docente de Ensino Religioso, conforme seu relato:
A falta de valorização por parte da direção, a não reprovação por não ser exigida uma nota, e a não reprovação, deixa o professor de Ensino Religioso desacreditado e isso me deixa triste. Gosto muito do que faço, mas sinto que
a direção da escola não contribui para que sejamos vistos como os outros professores, pois sempre que tem uma reunião de pais o professor de ER quase não é citado; também, não reprova: os pais não se preocupam.
O relato que vimos acima, a exemplo de outros relatos, registra o apelo pelo reconhecimento social do professor no contexto da escola. Pelos relatos observamos que a desvalorização deste profissional, a falta de credibilidade perante a comunidade escolar, é um desafio constante que dificulta a prática docente, que poderia ser mais interpessoal, efetiva e integradora. Essa situação acaba contribuindo para que o docente de Ensino Religioso se sinta marginalizado perante os demais colegas de profissão.
Diante do exposto, cremos que o fortalecimento do Ensino Religioso no espaço da escola acontecerá a partir de uma proposta pedagógica que aprecie o desenvolvimento da formação de um profissional qualificado e que este possa se identificar com a docência do ER.
A formação continuada é, segundo Nóvoa, (1991), Freire, (1991), e Melo (1994), saída possível para a melhoria da qualidade do ensino, dentro do contexto contemporâneo; é recente o bastante para não dispor ainda de mais teorias consistentes, provavelmente, ainda em processo. É uma tentativa de resgatar a figura do mestre, tão carente do respeito devido a sua profissão tão desgastada em nossos dias.
Um profissional consciente sabe que sua formação não termina na Universidade. Esta lhe mostra caminhos, fornece conceitos e ideias, a matéria prima de sua especialidade, o resto é por sua conta. ―Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador permanentemente, na prática e na reflexão da prática‖. (FEIRE, 1991, p. 58).
Assim, compreendemos que o ser humano, enquanto ser vivo constrói-se a cada dia e assim vai dominando cada vez mais o seu espaço. A formação continuada é o espaço onde o professor vai se construindo como educador.
Segundo outro interlocutor da nossa pesquisa, a prática do professor de Ensino Religioso é bastante questionada, conforme suas palavras:
Ainda temos o desafio de precisar mostrar a todo tempo nossa capacidade para lidar com o ER hoje, diferente de aulas de religião. As pessoas geralmente pedem para que eu reze com os alunos trabalhosos, e para mostrar que eu não sou professor de religião tenho que, em todas as aulas, mostrar
uma prática nova e também passar um bom tempo explicado o que vem a ser o Ensino Religioso hoje, mas parece que não entendem. (P3)
Percebemos no relato do professor P3 a dificuldade de veicular o Ensino Religioso na escola. Percebe-se, daí, que não há uma visualização da abrangência do Ensino Religioso como área de conhecimento. Deduz-se disso, como é importante levar o corpo docente a refletir sobre a concepção de Ensino Religioso, seu significado, como área de conhecimento, para que se consiga suscitar mudanças na área, rompendo com a concepção do estudo de uma religião ou das religiões, da catequese, e, assim, no enfoque centrado na antropologia religiosa.
O nosso interlocutor P4, em sua fala, também confirma que a falta de reconhecimento é um problema, bem como o desafio de se ministrar um componente curricular cuja carga horária é de uma hora/aula semanal, como está verbalizado em seu relato:
O desafio é lutar sempre pelo espaço da disciplina, o reconhecimento por parte de todos, com a falta de recursos, ministrar uma aula por semana, o que implica num maior número de turmas para completar a carga horária. As dificuldades são o descaso com a disciplina até mesmo dos companheiros de profissão, muitas vezes da própria escola, a falta de livros didáticos.
O depoente reconhece que o Componente Curricular de ER ainda precisa ocupar um espaço de valorização, que se comparada com outras áreas, é bem menor. Cita ainda como dificuldades a falta de recursos didáticos, principalmente o livro didático, e a carga horária semanal. Percebemos na sua fala que o espaço ocupado pelo Ensino Religioso na grade curricular deveria ser maior e não apenas uma aula semanal, que foi justificado como insuficiente e que, com isso, o professor fica sobrecarregado, pois, no cumprimento de sua carga horária semanal (vinte horas) sempre assume vária turmas.
No relato a seguir, o nosso interlocutor P5 cita como desafio/dificuldade a questão do preconceito e da intolerância em relação às diferentes crenças. Para ele, ―[...] vencer o preconceito existente em relação à diversidade de crenças existente é muito complicado, assim como desmitificar a ideia do ER como formação religiosa‖. Com base no relato do nosso colaborador P5, entendemos que o Ensino religioso ainda é concebido como aula de religião. Para os educadores que apresentaram suas dificuldades isto acontece em virtude do preconceito em relação ao componente.
Na sequência, percebemos nos relatos dos nossos colaboradores que as dificuldades encontradas em seus fazeres docentes são semelhantes, como podemos conferir em seus depoimentos:
Por ser uma disciplina optativa e muito difícil tenho que levar o aluno a ter responsabilidade com a mesma. Mesmo assim sinto-me feliz e apaixonada pelo que faço. (P6)
Tive muitos desafios e dificuldades no inicio. Sentia-me um peixe fora d‘agua, mas com as formações fui aprendendo a ter mais segurança no meu trabalho. Ainda enfrento a falta de compromissos dos alunos pela falta de notas. O alunado só pensa em números. A sorte é que gosto muito do ER para enfrentar essas dificuldades. (P7)
O tempo é muito pouco. Uma aula por semana deixa um pouco a desejar. Há ainda a falta de investimentos nos profissionais por parte de alguns segmentos e isso não é bom. Todos os outros professores de outras disciplinas são citados nas reuniões, quando é o de ER, ninguém fala nada. Mesmo assim, estou realizada com o que faço. (P8)
O maior desafio é ter que trabalhar com uma disciplina que é obrigatória para a escola e em contrapartida, é facultativa para o aluno que só visa as notas. Procuro realizar atividades diversificadas para prender a atenção deles, pois acredito no ER e gosto de dar essas aulas. (P9)
Acredito que os desafios são muitos. Dar aula uma vez por semana é pouco. Passamos uma semana sem ver nossos alunos que não têm muito compromisso com esta área de conhecimento. Também vejo como dificuldade a falta de uma formação inicial, o que causa certa insegurança no começo. Felizmente, as formações continuadas nos ajudam a ter mais segurança e isso é positivo. Amo o ER e isso também fortalece meu fazer em sala de aula. (P10)
Reconhecemos as críticas devido às condições desfavoráveis de trabalho e a falta de reconhecimento do lugar da disciplina na escola. É recorrente aqui a insatisfação quanto à carga horária semanal de uma hora/aula, a falta de compromisso dos alunos com as aulas de ER proveniente da não obrigatoriedade de notas, a falta de formação inicial como razão para insegurança no fazer pedagógico, a falta de reconhecimento do ER e do profissional da área, por parte de outros professores, direção, alunos e pais.
Entendemos, assim, que esses desafios/dificuldades enfrentados por nossos colaboradores comprometem a qualidade do trabalho docente, principalmente no tocante aos direitos trabalhistas55, considerando o fato de não são serem do quadro efetivo da escola.
55
Todos os colaboradores desta pesquisa não são efetivos na Rede Municipal de Ensino de João Pessoa. Nunca houve um concurso público para professor de Ensino Religioso. Esta condição não lhes garante
Os professores revelam ainda a importância dos cursos de formação continuada em seus processos de aprendizagem profissional, ressaltando que esses cursos são veículos que proporcionam adquirir e ampliar saberes científicos e pedagógicos necessários ao bom andamento do fazer docente. Por fim, demonstram construir uma análise crítica quanto aos desafios e dificuldades enfrentadas em suas trajetórias como