5. Resultat
5.2.2. Kartlegg forvaltningsoppgåver som må utførast og utfordringar som må løysast
Por fim, os autores, retomando outros aspectos da tendência múltipla além da industrialização e da modernização, pensam elementos dela que poderiam se tornar pesadelos para o futuro. Assim, consideram que dentro da atividade especulativa, seria absurdo e perigoso ignorar as possibilidades referentes a uma grande guerra, à depressão, aos novos movimentos políticos violentos e outros desenvolvimentos menos agradáveis. Por mais que tais acontecimentos parecessem improváveis, os autores argumentam que o otimismo, como característica da vida intelectual e política do Ocidente, facilitaria a tendência a acreditar que as catástrofes do passado seriam mais aberrações do que características recorrentes na história459.
Um caminho para uma situação catastrófica seria a disseminação dos artefatos nucleares. Assim, consideram que seria absurdo tratar do futuro sem refletir explicitamente sobre a possibilidade de utilização dos sistemas nucleares. A guerra nuclear, portanto, poderia ser acidental ou irracional ou, dentro de algumas circunstâncias incomuns, racional ou deliberada460.
Inicialmente, os autores reconhecem a dificuldade em elaborar cenários de guerra nuclear dentro de qualquer contexto do mundo padrão e de suas variações canônicas. Isso se deve, primeiramente, às mudanças de concepção sobre as forças nucleares nos anos 50 e 60, tendendo, nesse período, a uma posição menos propensa a acidentes e menos vulnerável a ataques surpresas. Isso conduziria à crença de que os que decidem seriam possivelmente mais prudentes e sentiriam a pressão da iniciativa, em uma crise, por medo que o oponente revidasse. Outra razão é que os governos não mais tendiam a pensar que as armas nucleares deveriam ser usadas de acordo direto com cálculos de necessidade ou como vantagem militar. Parecia possível, portanto, que qualquer solicitação militar para usar tais armas seria indeferida tanto pelos EUA como pela URSS. Mas, para os autores, a mais a importante das razões para a mudança se assentava no contexto político, tal como já vimos, na questão da coexistência. Dessa forma, os futuristas defendem que os cenários mais plausíveis de guerras nucleares seriam as sino-americanas461.
Contudo, se para uma crise nuclear acontecer seria necessário um processo implausível, os autores lembram que a sequência de eventos que produziu a I Guerra foi
459
KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 316-317. 460
Ibid., p. 317. 461 Ibid., p. 317-318.
bastante implausível, não se encaixando em padrões. Pensam, ainda, que uma guerra nuclear poderia iniciar-se de maneira semelhante à II Guerra. Inicialmente, ocorreria uma importante mudança no governo de uma grande potência. Algo como a indicação de Hitler como Chanceler da Alemanha em 1933. Esse governo, aos poucos, tornar-se-ia mais agressivo e ofereceria uma série de indicativos dos perigos que estariam prestes a acontecer, como, por exemplo, a saída da Alemanha da Liga das Nações, ou a campanha contra os elementos judeus e liberais. Então, avisos flagrantes surgiriam, como a Anschluss (anexação da Áustria), por exemplo. Nesse ponto ficaria claro, para a maioria, que a guerra seria possível, porém, para aqueles que ela ainda seria impensável, esperar-se-ia outras crises, que logo esclareceriam o perigo, tal como a ocupação da Tchecoslováquia, em março de 1939. Seria esperado, então, o rearmamento, a corrida armamentista e um incidente no qual um aliado de uma grande potência nuclear seria atacado ou ameaçado sob circunstâncias que levariam a força nuclear a declarar guerra sem, contudo, usar suas armas nucleares. Elas, de fato, ficariam de prontidão enquanto a “Polônia” seria destruída. Poderia surgir, então, um período de guerra convencional ou “falsa”, de modo que ambos os lados, assustados pela escalada, sondar-se-iam, provocar-se-iam, barganhariam, bajular-se-iam e ameaçar-se-iam. Poderia haver ações limitadas e contra-ações, represálias e, finalmente, a escalada para algum nível da guerra nuclear462.
Os autores acreditam que, em qualquer ponto, essa seqüência poderia ser interrompida, restabelecendo-se, assim, um status normal. Argumentam também que a duração dessa seqüência de eventos faria o comportamento “hitleriano” do futuro mais prático. Isso aconteceria, pois enquanto o equilíbrio do terror é um grande desencorajador para as potências conservadoras, para uma potência ousada, esse equilíbrio, e a cautela que ele gera nos outros, poderia parecer uma oportunidade ou um escudo atrás do qual essa potência poderia ficar impune. Os autores pensam, então, outros cenários decorrentes dessa situação, como um conflito Europeu, ou entre China e EUA, ou URSS e EUA, ou China e URSS, ou mesmo pequenas guerras nucleares e uma grande guerra convencional. Independente da maneira, esse tipo de guerra acabaria com qualquer possibilidade de coexistência pacífica e competitiva, que permitiria outros desenvolvimentos, como a sociedade pós-industrial. Instaurar-se-ia, portanto, um conflito aberto e destrutivo que poderia tanto culminar em novos regimes ou novas potências, assim como em uma política mais contida de armas nucleares463.
462
KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 318-319. 463 Ibid., p. 319-332.
Aqui temos, então, um problema claro do desenvolvimento da tendência do aumento da capacidade de destruição em massa da tendência múltipla.
Outra possibilidade que Kahn e Wiener aventam é um mundo de ciclos econômicos. Nesses mundos, as projeções econômicas lineares ou exponenciais do mundo padrão são interrompidas por problemas maiores no ciclo de negócios. Para os autores, se a depressão ocorresse nos anos 60 ou 70, causando declínios graves na atividade econômica e bastante agitação social e política, as previsões feitas anteriormente seriam bastante alteradas. Conforme os futuristas, agitações populares poderiam se manifestar de diversas formas, incluindo novos movimentos políticos redentores em Estados avançados e semi-avançados, ou movimentos de “protesto primitivo” nos Estados menos desenvolvidos e semi-avançados. Portanto, são cenários que consideram possibilidades de concretização daqueles movimentos de cunho messiânico decorrentes dos insucessos da industrialização e modernização, além das possibilidades de interrupção do desenvolvimento econômico que impediria ou retardaria a concretização da sociedade pós-industrial464.
Além dos problemas dos ciclos econômicos, as disparidades resultantes do desenvolvimento econômico poderiam também trazer problemas morais. Essa amplitude de problemas decorreria da apropriação, por parte das elites das nações subdesenvolvidas, não dos modelos históricos dos países desenvolvidos, mas sim dos estágios presentes de desenvolvimento destes países. Isso, então, estabeleceria um padrão tão alto que até mesmo as políticas efetivas de desenvolvimento poderiam causar desapontamento. Por outro lado, políticas sem sucesso poderiam de fato ocorrer, causando uma estagnação e um retrocesso, que poderiam conduzir tanto à apatia ou à indolência, quanto a movimentos políticos radicais465.
Porém, essa dicotomia dificilmente resultaria em conflito, pois os países subdesenvolvidos, conforme os autores, dificilmente possuiriam recursos econômicos e militares para empreender campanhas contra as nações mais desenvolvidas. Kahn e Wiener acreditavam, ainda, que, em um futuro próximo, uma ou mais nações subdesenvolvidas poderiam incorrer em um ataque irracional contra outras, como resposta a suas inseguranças domésticas ou fazer ataques suicidas contra uma nação desenvolvida. Por outro lado, o medo de tais ameaças poderia criar uma opinião sobre a necessidade de controle dos estabelecimentos militares dos países subdesenvolvidos. Porém, os futuristas não
464
KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, ., p. 333-334. 465 Ibid., p. 364.
identificavam uma forma de prevenir tal eventualidade ou seqüência de eventos, pois várias das medidas necessárias poderiam soar como neo-colonialistas aos países subdesenvolvidos e, persistindo essa crença de neo-colonialismo, guerras entre norte e sul poderiam acontecer. Ou seja, a integração internacional talvez não resolvesse a questão. Por outro lado, não fazer nada também teria algum impacto466.
Outra possibilidade cogitada é uma nova onda pan-européia, a qual poderia surgir, por exemplo, de uma crise do desenvolvimento econômico, ou estagnação. Nesse contexto, protestos entre a classe de pequenos empreendedores e administradores da Europa Ocidental e dos EUA eclodiriam, rompendo com o governo parlamentarista e dramatizando a incompetência ou a irrelevância de vários dos partidos e instituições do Ocidente. Desta classe, aliada com, por exemplo, classes trabalhadoras insatisfeitas com a crise, poderia nascer um novo sentimento pan-europeu contrário aos EUA, condenando o espírito burguês e comercial. Esse grupo retomaria, assim, ideais romantizados da aristocracia e de cavalaria, além de defenderem uma unidade européia. Esse movimento fortaleceria algum país inicialmente, para, depois, unir a Europa Ocidental e Central. A Europa seria muito hostil à URSS e aos EUA, tornando-se, então, resistente às influências estrangeiras e atacando os interesses e as políticas americanas na África, Ásia e América Latina. A Europa também se militarizaria, podendo se estabelecer, com isso, uma aliança EUA-URSS contra a Europa. Frente a isso, qualquer conflito seria muito violento467. Ou seja, além de uma variação possível para qualquer mundo com o dinamismo europeu, é uma fuga contra alguma forma de desilusão com a ideologia ocidental e, então, uma reação extremada e que buscaria fugir dos aspectos ocidentais modernos. É interessante ver como a maioria desses cenários decorre de experiências e problemas do passado, sem, contudo, eliminar algo de um elemento ficcional e imaginativo.