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6.2   Karplanter

Como é apontado pelo relatório Zinc Metal Service, October 2006, da Brook Hunt, indicadores da economia mundial apontam que particularmente alguns setores têm mostrado sinais de resistência às várias nuances e flutuações, decorrentes das instabilidades dos mercados mundiais.

Nos mais importantes mercados mundiais, os setores onde há uma forte relação com a indústria do zinco, têm sido impactados pela forte elevação dos padrões de eficiência, como conseqüência das transformações tecnológicas, da rápida difusão das tecnologias e dos aspectos inovadores na organização das produções.

A própria natureza das tecnologias e dos mercados considerados, as relações entre as diferentes indústrias e os fatores macroeconômicos que caracterizam os diversos mercados, impõem limitações e reforçam a especificidade dos padrões de concorrência de cada setor.

Segundo o Relatório Brook Hunt, Zinc Metal Service, October 2006, na particularidade da economia norte-americana, o mercado da construção civil, que é fortemente relacionado com a indústria do aço e da galvanização (consequentemente impactando o mercado de zinco), tem apresentado sinais de retração em relação ao crescimento dos últimos anos.

O mesmo não é observado no mercado de construção civil voltado para construções não residenciais, que vêm crescendo de forma constante desde outubro de 2005. O maior crescimento tem sido observado no setor de hospedagem, onde os investimentos cresceram cerca de 64,0%, de outubro de 2005 a outubro de 2006. Outros setores de forte crescimento incluem energia (30,0%), manufatura (28,0%), mobiliário urbano (18,0%), construções comerciais (15,0%), saúde (13,0%); todos eles setores intensivos em zinco, principalmente para aplicação em galvanização.

O setor norte americano de construção civil não residencial tem compensado, de certa forma, o declínio verificado no mercado da construção civil residencial, o que deverá continuar acontecendo durante todo o ano de 2007. O setor da construção civil não residencial americano continuará sendo marcado principalmente pela construção de escolas, armazéns, hotéis e edifícios industriais.

O crescimento do setor americano da construção civil não residencial direciona a demanda de zinco principalmente através da produção e consumo de chapas de aço galvanizadas, além da produção de peças e estruturas de aço galvanizadas, tais como torres de comunicação e de transmissão de energia, defensas metálicas (guard rails), postes e torres de transmissão de energia, entre outros.

Os galvanizadores gerais do mercado norte-americano sinalizam que no decorrer do ano de 2006, é observada uma retomada dos seus negócios, com o intuito de atender às fortes demandas internas por serviços de galvanização. O Relatório Brook Hunt, Zinc Metal Service, October 2006 salienta ainda que um decréscimo de 5,0% observado na produção automotiva norte americana, provoca um grande impacto sobre o mercado de chapas de aço galvanizadas. Essas movimentações apontadas anteriormente sinalizam que o consumo de zinco nos próximos anos no mercado americano será menos expressivo em 2007, crescendo aproximadamente 2,8% em 2007 e cerca de 2,2% em 2008, conforme dados do Relatório Brook Hunt, Zinc Metal Service, October 2006.

Em contrapartida, de acordo com o mesmo relatório, apesar de a economia americana apresentar sinais alternantes, a economia européia mantém-se forte, com os níveis de operação muito próximos dos índices recordes alcançados em 2000, enaltecendo a possibilidade de que os investimentos cresçam e continuem intensos por um maior período de tempo.

A produção industrial alemã em 2006 apresenta crescimento de 7,0% em relação a 2005, impulsionada pelo alto índice de exportações (para os Estados Unidos e para a China), particularmente nos setores automotivos e de bens de capital. Além disso, o mercado doméstico também apresenta em 2006 uma movimentação bastante intensa, especialmente no setor da construção civil (tanto para construções residenciais, quanto não residenciais) e no setor automotivo, fortalecendo as altas na demanda de zinco. O setor da construção civil na França também tem crescido (em torno de 7,0%) em relação a 2005; a mesma situação verificada no mercado espanhol.

De uma forma geral, apesar do alto desempenho verificado na produção industrial do mercado europeu; ajustes fiscais na Alemanha e na Itália, além do impacto negativo

decorrente de uma menor movimentação na economia americana (impactando negativamente a demanda de exportação), ocasionarão uma diminuição no índice de consumo de zinco na Europa Ocidental em 2006, aponta o Relatório Brook Hunt, Zinc Metal Service, October 2006.

Ao mesmo tempo, em 2006, a China apresenta altos índices de crescimento na produção de chapas de aço galvanizado, chegando a cerca de 50,0% de crescimento em relação à produção de 2005. Apesar de a produção industrial chinesa continuar crescente, indicadores econômicos apontam uma diminuição na economia chinesa como um todo, direcionada por medidas governamentais. Mesmo assim, nos próximo anos, o consumo de zinco na China continuará respondendo por mais de 30,0% do consumo mundial de zinco.

A LATIZA, por meio do seu boletim InfoZinc, Información y Análisis del Mercado de Zinc, Noviembre 2006, também aponta que a mudança anunciada em 2006 sobre a política cambial na China, pode ter um impacto positivo a longo prazo, no crescimento da América Latina. A transição da China em direção a um regime monetário mais flexível e as recentes melhorias em seu sistema financeiro, facilitam a transição para uma economia mais dirigida ao mercado. Verifica-se, portanto, um contínuo fortalecimento e uma reestruturação do setor financeiro chinês, assim como uma melhor rentabilidade das empresas estatais.

O mercado japonês também tem apresentado índices crescentes de consumo de zinco em 2006, decorrentes de um fortalecimento nas exportações e no setor automotivo doméstico, onde há também um alto índice de consumo de zinco para a produção de latão, utilizado nos sistemas elétrico, de combustível e hidráulico dos veículos, conforme descreve o Relatório Brook Hunt, Zinc Metal Service, October 2006.

Conforme informações do boletim InfoZinc, Información y Análisis del Mercado de Zinc, Noviembre 2006, a China tem se convertido em um crescente mercado de exportação para os países da América Latina, especialmente para o setor de commodities, que representa cerca de 40,0% do total de exportações da região. Apesar disso, a América Latina representa somente cerca de 3,0% do total de importações da China.

O efeito combinado de uma moeda mais forte, com o contínuo crescimento econômico na China, poderá gerar um aumento na demanda das exportações de commodities da América Latina.

Nos últimos anos, a América Latina tem experimentado um melhor desempenho macroeconômico, em comparação com as médias históricas. A crescente demanda externa de commodities, um fenômeno mundial impulsionado pelo alto crescimento econômico da

China, tem sido um fator de extrema importância para a recuperação econômica da América Latina, após períodos prolongados de baixo crescimento e instabilidade financeira.

A movimentação nas economias mundiais, impactando diretamente os balanços de oferta e demanda de produtos e matérias primas, também exerce um efeito direto e imediato na indústria de commodites e consequentemente, na indústria do zinco.

Como pode ser visto nas análises pontuais das demandas nas diferentes regiões geográficas mundiais, o consumo de zinco sofre uma interferência direta tanto das economias locais (regionais) e internacionais, quanto da disponibilidade de metal refinado. Os diferentes produtores de zinco são bastante similares nas suas atuações em seus respectivos mercados, além de terem bastante parecidas as diretrizes que norteiam as suas trajetórias futuras.

Tendo em vista a importância e a continuidade das movimentações observadas nos mercados mundiais do zinco, as ações da concorrência e a postura das firmas atuando nessa indústria, além das interações existentes em toda a cadeia produtiva; no próximo capítulo será apresentada uma discussão acerca do padrão de concorrência na indústria do zinco, tomando- se como base os fatores críticos de competitividade que compõem o padrão de concorrência nas indústrias produtoras de commodities, conforme a abordagem apresentada por Ferraz, Kupfer e Haguenauer (1995).

3 PADRÃO DE CONCORRÊNCIA NA INDÚSTRIA DO ZINCO

Este capítulo apresenta inicialmente uma abordagem acerca do modelo Estrutura- Conduta-Desempenho (ECD) fundamentado em Scherer e Ross (1990), seguida por uma discussão acerca de concentração industrial e as suas diferentes medidas, com foco em Índice de Concentração e Índice de Hirschman-Herfindahl (HH).

Posteriormente, a discussão é trazida para o contexto das diferentes classes de estrutura de mercado, ou seja, concorrência perfeita, concorrência monopolista, oligopólio (oligopólio puro ou homogêneo, oligopólio diferenciado) e monopólio. Em seguida, é feita uma discussão acerca da estrutura de mercado na indústria do zinco, em que são mencionadas as principais características das indústrias oligopolistas e as barreiras aos novos entrantes.

Sequencialmente a indústria do zinco é analisada sob a ótica do modelo Estrutura- Conduta-Desempenho (ECD), com abordagens sobre os aspectos estruturais, estratégicos (conduta) e de desempenho, observados nessa indústria.

Na seção seguinte, é discutido o padrão de concorrência nas indústrias produtoras de commodities, tomando-se como referência a abordagem apresentada por Ferraz, Kupfer e Haguenauer (1995), envolvendo uma análise dos fatores críticos de competitividade (fontes de vantagens competitivas, fatores internos às empresas, mercado, conção da indústria, regime de incentivos e regulação).

Posteriormente são analisados os fatores determinantes da competitividade, no contexto empresarial (com abordagens acerca de inovação, gestão, recursos humanos e produção), estrutural (em que são tratados os fatores relativos a características do mercado, da indústria ou complexo industrial, regime de incentivos e regulação da concorrência) e sistêmico (externalidades à empresa). Também são abordados nesta seção, os diferentes enfoques de competitividade.

Na última seção deste capítulo, a discussão é trazida para o âmbito do padrão de concorrência e competitividade na indústria do zinco.