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4. Laster og lastvirkninger

4.5 Karakteristiske laster

No cão, à semelhança do que ocorre no homem, a Leishmania pode determinar doença ou resposta imune protetora, através das células T e citocinas mediadas (SCOTT et al., 1989; SHEPPARD; SCOTT; DWYER, 1983). Os Mecanismos imunológicos que regulam a susceptibilidade ou resistência à infecção por Leishmania em cães não são completamente caracterizados. A resposta imune polarizada relatada em infecção experimental por L. major em camundongos tem servido de base para o paradigma Th1/Th2, por associar claramente o fenótipo resistente com uma resposta imune protetora mediada por células Th1 e o fenótipo susceptível regulado por Th2 (CABRAL; O'GRADY; ALEXANDER, 1992; CARDOSO et al., 2007; PINELLI et al., 1994; REED; SCOTT, 1993; REINER; LOCKSLEY, 1995). No entanto, este modelo imunológico provavelmente não é tão

facilmente aplicável a cães infectados por L. i. chagasi. Nestes casos, respostas envolvendo células Th1 e Th2 estão provavelmente envolvidas (SOLANO-GALLEGO et al., 2001).

Os avanços no modelo experimental canino permitiram induzir respostas polarizadas contra Leishmania, semelhante ao obtido no modelo murino, possibilitando o estudo dos mecanismos celulares que levam à condição de susceptibilidade ou resistência ao parasita (MORENO; ALVAR, 2002). Classicamente, cães sintomáticos são caracterizados por uma resposta Th2 dominante ou uma resposta mista entre Th1/Th2 e o padrão observado pode refletir o perfil imunológico. No entanto, é importante considerar fatores como co-infecções com helmintos ou ectoparasitas, tendo em vista que é possível que outros agentes possam interferir na indução de um perfil Th2 de resposta imune (ALVAR et al., 2004; BARBIERI, 2006; CARRILLO et al., 2007; CARRILLO; MORENO, 2009; CHAMIZO; MORENO; ALVAR, 2005; DEPLAZES et al., 1995; PINELLI et al., 1999; SANTOS-GOMES et al., 2002).

A resposta protetora em cães tem sido relacionada com a ausência de sinais clínicos, baixos níveis de anticorpos e carga parasitária e a presença de um padrão de resposta linfoproliferativa in vitro ou uma resposta de hipersensibilidade tipo tardia (DTH) ao antígeno de pele. Atualmente, os ensaios para avaliar a resposta imune celular de Leishmania em cães são poucos e menos padronizados do que as técnicas sorológicas e, geralmente, não são utilizados como ferramenta de diagnóstico, embora a imunidade celular específica seja um indicador fundamental de um fenótipo Th1 e possa ser detectada em cães com ou sem anticorpos específicos (CARRILLO; MORENO, 2009; FERNANDEZ-BELLON et al., 2005; LEANDRO et al., 2001).

Por sua vez a doença ativa é caracterizada por diminuição significativa de células TCD4+, o que leva a uma imunossupressão específica contra o parasita e acentuada resposta humoral, com proliferação intensa de linfócitos B, elevando assim a produção de anticorpos anti-Leishmania. Alterações hematológicas e nos níveis de proteínas e o surgimento de uma gama de sinais clínicos, cuja gravidade varia de acordo com o parasitismo nos diferentes tecidos, completam o quadro da LV canina (BOURDOISEAU et al., 1997; CAMPINO et al., 2000; MORENO et al., 1999; OLIVEIRA et al., 2009; PINELLI et al., 1994; REIS et al., 2006).

A produção de anticorpos geralmente é baixa nas fases inicial e final ou na infecção assintomática. Durante o curso da doença, os cães desenvolvem títulos de anticorpos que aumentam gradualmente ao longo do tempo. Em estudo experimental, foi possível observar que os títulos de imunoglobulina IgM anti-Leishmania se elevam após a elevação de IgG específica indicando que não pode ser utilizada para diagnóstico durante a fase inicial da LV canina (RODRIGUEZ-CORTES et al., 2007). A imunoglobulina IgE tem sido expressa apenas por animais que desenvolveram a doença, apontando para o seu papel potencial como marcador de doença ativa (INIESTA; GALLEGO; PORTUS, 2005; REIS et al., 2006). A imunoglobulina IgA também foi detectada em cães sintomáticos e sua produção foi associada à disseminação do parasita para as superfícies mucosas, tendo em vista sua função de imunidade de mucosas (REIS et al., 2006).

A determinação das subclasses de IgG específicas geralmente não é usada para diagnóstico da infecção por Leishmania, porém estudos sugerem que as respostas às subclasses de IgG canina se relacionam com a atividade

de células T específicas (DAY, 2007), portanto, os níveis de subclasses de IgG anti-Leishmania em cães tem sido testados como marcadores de susceptibilidade e conseqüente status clínico de animais infectados (CARDOSO et al., 2007; DAY, 2007; DE ANDRADE et al., 2007; INIESTA et al., 2002; INIESTA; GALLEGO; PORTUS, 2005; LEANDRO et al., 2001; OLIVA et al., 2006; PINELLI et al., 1994; QUINNELL et al., 2003a).

Segundo Oliveira et al, 2009, o arranjo dos genes que codificam as imunoglobulinas caninas parece ser equivalente ao dos seres humanos, como previamente demonstrado por (MAZZA et al., 1993), que descreveram a purificação de quatro subclasses de IgG de soro canino e a geração de um painel de anticorpos monoclonais capaz de detectar especificamente estas 4 subclasses em testes sorológicos (MAZZA et al., 1994b; MAZZA et al., 1994a). As quatro subclasses de IgG canina foram nomeadas IgG1, IgG2, IgG3 e IgG4, baseado na similaridade com as subclasses de IgG humana, com relação à mobilidade eletroforética e à concentração sérica relativa em cães e humanos. De acordo com (DAY, 2007), as concentrações relativas de subclasses de IgG no soro canino são: IgG1>IgG2>IgG3>IgG4 (DAY, 2007; MAZZA et al., 1993; OLIVEIRA et al., 2009).

A maioria dos estudos com produção de subclasses de imunoglobulinas em cães tem focado na identificação das respostas IgG1 e IgG2 e vem tentando associar os níveis dessas subclasses com resposta imune celular predominantemente Th2, caracterizada por susceptibilidade e presença de sintomas ou resposta imune celular Th1 dominante com desenvolvimento de resposta protetora e resistência à infecção. Além disso, é provável que a expressão de subclasses de IgG venha a ser de fato indicativo de uma

dicotomia na resposta de cães imunizados, diferenciando da resposta de cães infectados espontaneamente, e um marcador do tipo de resposta imune celular (CARDOSO et al., 2007; DE OLIVEIRA et al., 2003; DEPLAZES et al., 1995; FUJIWARA et al., 2005; INIESTA; GALLEGO; PORTUS, 2005; NIETO et al., 1999; RODRIGUEZ-CORTES et al., 2007).

Os estudos realizados, até o momento, revelam discordâncias quanto a expressão de subclasses de IgG e a apresentação clínica do animal. Se por um lado a resposta sorológica à infecção natural e experimental por Leishmania não se mostra polarizada, apresentando elevação geral das subclasses de IgG durante a infecção em cães sintomáticos e assintomáticos (CARSON et al., 2010; QUINNELL et al., 2003a; STRAUSS-AYALI; BANETH; JAFFE, 2007), por outro lado a produção de IgG1 e IgG2 aponta relações com a sintomatologia. Altos títulos de IgG2 encontram-se associados tanto com infecção assintomática (DEPLAZES et al., 1995) quanto com doença clínica (BOURDOISEAU et al., 1997). Por sua vez, é possível que uma maior proporção de IgG1 esteja associada à doença clínica (DEPLAZES et al., 1995). Em animais vacinados experimentalmente com antígenos de Leishmania observou-se uma predominância nos títulos da imunoglobulina IgG2 entre os cães vacinados, enquanto que, títulos sorológicos mais elevados da IgG1 esteve associado aos cães não vacinados apresentando infecção natural (DEANDRADE et al., 2007; DE OLIVEIRA et al., 2003).

O uso do perfil de subclasses de IgG em resposta imune humoral antígeno-específica é uma das correlações mais fortes com imunidade polarizada em ratos. Tendências similares são reportadas em alguns estudos de LV humana. Por essas razões, a investigação de subclasses de IgG tornou-

se um foco de pesquisa na LV canina, no entanto, estes estudos não forneceram, até o momento, a clara distinção que é vista na infecção experimental murina (CARDOSO et al., 2007; DAY, 2007; DE ANDRADE et al., 2007; INIESTA; GALLEGO; PORTUS, 2005; QUINNELL et al., 2003a; QUINNELL et al., 2003b).

Devido à complexidade das respostas imunológicas durante o curso natural da infecção por Leishmania em cães e considerando a relevância destes reservatórios para a doença humana, observou-se a necessidade de avaliar a resposta das subclasses de imunoglobulinas de acordo com o status clínico dos cães no Estado do Rio Grande do Norte.

3. OBJETIVOS