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Karakteriserings analyser av syklet (2C/2C ved 25 °C) UR18650W celle

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1. Innledning

4.2 Analyser av syklede UR18650W celler

4.2.3 Karakteriserings analyser av syklet (2C/2C ved 25 °C) UR18650W celle

A recente chegada dos parques eólicos para geração de energia elétrica no Trairi, atraídos pela excelente condição dos ventos naquele litoral, está transformando significativamente a paisagem local. Durante o ano de 2013, diferentes empresas trabalhavam na instalação de oito parques (cada qual com, pelo menos, dez torres de produção) espalhados pelo município. As denominadas “contrapartidas sociais”, fazem parte dos investimentos de tais empresas, por ser essa uma recomendação do Banco Nacional do Desenvolvimento — BNDES, instituição credora de grandes empreendimentos como esses. As empresas se comprometem a realizar projetos sociais na região de implementação de grandes obras como forma de garantir sua chance de obter financiamentos e empréstimos.

As áreas nas quais investem são bastante diversificadas e visam, em linhas gerais, “melhorar a qualidade de vida dos habitantes” por meio de investimentos em captação e distribuição de água, atividades produtivas, de lazer, entre outras. O projeto aqui enfocado (“Fortalecimento da produção e comercialização da renda de bilro de Trairi”), patrocinado pela Tractebel Energia, desenvolvido e gerenciado pela empresa Administração e Controle LTDA, em parceria com a ARTECAN, surgiu nesse contexto. Seu principal objetivo era a geração de renda, por meio da diversificação e ampliação da rede de seus potenciais consumidores. Dessa maneira, as rendeiras poderiam, nas palavras da coordenadora, sair das mãos dos intermediários que pagam muito pouco pelas peças, além de ganhar um valor mais justo pela mão-de-obra, conforme os objetivos expressos no projeto.

O curso decorrente desta iniciativa foi mais extenso e mais abrangente do que os demais cursos já promovidos na Associação. Com duração total de oito meses e carga horária de 674 horas, o projeto visava “fazer do artesanato do município de Trairi uma atividade econômica sustentável, formando uma cadeia em torno da produção da renda e preparando-a para alcançar o mercado consumidor interno e externo” (FARIAS, 2011). Inicialmente, o curso visava atender um grupo de 100 rendeiras, de Canaan e Mundaú, além de 20 jovens, de ambos os distritos. As rendeiras receberiam capacitações de associativismo, gestão e comercialização, além de um curso de design, no qual seria elaborada uma coleção de peças com renda. O curso destinado aos jovens visava capacitá-los em informática e fotografia, de modo que pudessem auxiliar as rendeiras com as planilhas, além de manter e alimentar um site com fotografias e informações das peças produzidas. O curso foi dividido em uma série de módulos, compostos por oficinas com cargas horárias diferentes, e os encontros seriam semanais: o grupo de rendeiras, às quintas-feiras pela tarde e, os jovens, durante as manhãs de sábado. Acompanhei todas as etapas do projeto graças à autorização da coordenadora, instrutores e rendeiras.

de rendeiras não ultrapassava 15 pessoas e se resumia àquelas mais assíduas e envolvidas com as atividades da Associação. A desconfiança e o desânimo das rendeiras, em relação ao curso, se explicam pelo fato delas já terem participado de iniciativas semelhantes que, nas suas palavras, nunca vão pra frente. A principal motivação das rendeiras, ao se inscreverem nesses cursos, que não são remunerados17, é que possam receber, posteriormente, encomendas das peças desenvolvidas. Os argumentos dos designers seguem nesse sentido, que ao executarem rendas e peças diferentes terão acesso a novos consumidores e a um novo mercado. Dessa forma, dispensariam a atuação dos intermediários, considerada por designers e rendeiras como perversa, e poderiam ser mais bem remuneradas. Manifestando a opinião de muitas rendeiras, Elenir argumenta que isso não se realiza na prática: A gente faz os cursos, aprende, mas depois não recebe pedido. Aí não adiantou de nada! O desafio inicial que se apresenta ao grupo de instrutores e coordenadores de todos os cursos que acompanhei é, portanto, estimular e cativar as rendeiras a participarem e, mais uma vez, acreditarem, na proposta apresentada. Mesmo entre as rendeiras presentes, existe certa descrença, conforme uma delas destaca: Eu venho porque tenho chifre na cabeça, onde puxar eu vou.

Os instrutores das capacitações, Marilda e Severino, aproveitaram o momento para se apresentarem. Eles pertencem ao Instituto de Desenvolvimento Sustentável, uma Organização Não Governamental que atua em projetos de geração de renda, especialmente entre artesãos. Ambos já trabalharam com instituições como a CEART e o SEBRAE, além de terem atuado em diversos projetos cujo objetivo era a maior adequação do artesanato às demandas do mercado e sua inserção nas redes de comercialização, especialmente em grandes redes de varejo. Eles destacaram a oportunidade de desenvolver um trabalho com previsão de oito meses de duração, prazo consideravelmente maior que as demais iniciativas das quais já participaram. Marilda explicou que o planejamento prevê que, ao longo do curso, elas tenham a oportunidade de vivenciar na prática todas as etapas do processo produtivo, desde a compra do material até a comercialização. Ela destacou que precisam de, pelo menos, cinco pessoas comprometidas para atender um pedido, além das rendeiras que irão produzir as peças. Nesse sentido, pretende formar e capacitar um grupo gestor que possa dar continuidade às atividades de produção e venda após o encerramento do projeto.

Dentre as várias atividades de capacitação, o projeto previa uma oficina de design na qual as rendeiras, em parceria com uma equipe de designers, produziriam uma coleção com três peças das seguintes linhas de produtos: brindes corporativos, decoração, vestuário e acessórios. O processo de elaboração dessa coleção, que nos 17 Durante o mesmo período estavam sendo oferecidos no município diversos cursos do Pronatec

(cabelereiro, maquiagem, auxiliar de caixa, entre outros), nos quais os alunos recebem um auxílio financeiro. Muitas pessoas chegaram a procurar a Associação, para se informar se esse curso também seria pago.

interessa mais diretamente aqui, transcorreu ao longo de seis meses e envolveu o grupo de rendeiras contempladas pelo projeto em todas as etapas. Quando comparado aos cursos de design promovidos pelo CEART e SEBRAE, nos quais apenas a “mestra artesã” participa da definição da renda a ser elaborada, no curso na eólica a

participação das rendeiras foi muito mais efetiva.

4.4.1 Primeiro encontro entre designers e rendeiras

A primeira visita da equipe de designers, formada por uma designer e um estilista, tinha por objetivo constituir um diagnóstico acerca das potencialidades do grupo e levantar temas e ideias para a logomarca. Dispostos em uma grande roda no salão principal da ARTECAN, a apresentação foi iniciada pela equipe de design. Waleska e Ivanildo são consultores, instrutores de cursos e trabalham com artesanato há muitos anos. No atual projeto, Waleska ficou encarregada da criação da logomarca e do design das peças de decoração e acessórios, enquanto Ivanildo seria responsável pelo vestuário. Ele destacou que sempre utiliza o artesanato em seus desfiles e que já participou de cinco edições do Dragão Fashion, maior evento de moda do Ceará. Ele afirma que o objetivo do seu trabalho é sofisticá-lo, deixá-lo com uma cara diferente, para agregar valor. Argumentou, ainda, que as rendas produzidas em todo o estado do Ceará diferem muito pouco e que aquele era um momento de inspiração, no qual buscavam elementos que trariam distinção à renda de Canaan e agregariam valor às mesmas. Waleska enfatizou que aquele momento era importante para terem ideias interessantes, que tenham ressonância com o contexto local e que vocês se identifiquem.

Em seguida, foi a vez das rendeiras se apresentarem. Além dos seus nomes, foram orientadas pelo estilista a mencionar se tinham alguma preferência de trabalho com a renda (linha grossa ou fina; peça pequena ou grande). É importante mencionar que o grupo que participa mais efetivamente do cotidiano e das atividades da ARTECAN é, em sua maioria, composto por senhoras acima dos cinquenta anos. Elas aprenderam a fazer renda ainda no tempo da linha fina, hoje em desuso (conforme mencionado no Capítulo 2). Fato que explica o apreço de algumas por essa renda, conforme atesta Maria: Me sinto mais feliz fazendo linha fina. É mais delicada, você se sente mais. . . não tem comparação. É uma diferença muito grande, com a linha fina fica tão bonita! A maior parte do grupo, no entanto, afirmou não ter preferência de linha ou tipo de renda. O importante para elas é fazer a renda, atividade pela qual se dizem viciadas: Hoje eu me sinto viciada, eu sou viciada. Faço qualquer coisa de renda, sacudindo meus bilros tá tudo bem!

Terminada a rodada de apresentações, o estilista passou a falar sobre suas intenções para a coleção. Repetiu que as rendas feitas no Ceará são todas muito parecidas. Parece que uma única pessoa que faz o papelão, que tem só uma matriz. Só estica para o lado, para cima, mas é sempre igual. Disse que, embora hoje todos os

padrões sejam retilíneos, no passado os desenhos eram mais trabalhados. As rendeiras concordaram e enumeraram o nome de várias rendas antigas que se enquadravam naquela descrição. O estilista continuou enfatizando a importância de se diferenciarem: Vocês já tem o costume de fazer o quadrado, mas há possibilidades diferentes. Não é fácil mudar, é difícil mudar. No passado era feito, se a gente conseguir trazer vai agregar valor à renda que fazem.

A insistência do designer na semelhança entre as rendas produzidas no Ceará e na necessidade de se diferenciarem nos remete à distinção entre o artesanato enquanto a simples reprodução de um padrão (ou um artefato) e a arte, tida como algo que envolve criação, inovação e autoria (RISATTI, 2007). Quando Ivanildo fala que, aparentemente, existe uma única matriz (ou molde) que é amplamente reproduzida por todo o Estado, ele está aproximando a renda a essa concepção de artesanato. Por outro lado, a posição do designer, estaria mais próxima daquela do artista. Ele próprio argumenta, que sua função, em busca da valorização da renda

(. . . ) é inseri-la em conceitos de moda, de design e de arte. A

gente traz para o artesanato as tendências mundiais da moda, a modelagem contemporânea, novos desenhos, que fujam um pouco do tradicional. Sem perder a técnica, mas com um desenho mais arrojado, mais limpo e contemporâneo.

Vale aqui um breve comentário sobre essa distinção que remonta ao século XVIII e à Revolução Industrial e que, conforme mencionado, provocou a separação e o distanciamento entre trabalho o intelectual (arte, design) e o manual (artesanato e demais técnicas). A oposição entre o planejamento mental (mente) e a execução prática (corpo) era acompanhada de uma série de outras distinções impostas por aquela conjuntura: criatividade e repetição, liberdade e necessidade, utilitário e estético, mental e material. A desvalorização do artesanato enquanto algo ‘puramente técnico’ ou uma simples execução mecânica foi acompanhada da elevação da arte como um exercício criativo da imaginação (RISATTI, 2007, p. 14). Enquanto as operações técnicas seriam predeterminadas, a arte seria espontânea. O artefato, nessa concepção deixa de ser visto enquanto um resultado original de um engajamento habilidoso, mas como uma cópia reproduzida mecanicamente a partir de um molde (INGOLD, 2002b, p. 350). Resulta desse processo, a diferenciação entre artista e artesão, assim como entre a obra de arte e o artesanato. No entanto, a própria etimologia das palavras ‘arte’ e ‘técnica’ nos remete à proximidade e à semelhança que tais conceitos guardam entre si, conforme argumenta Ingold (2002b, p. 249):

Originally, tekhne and ars meant much the same thing, namely

skill of the kind associated with craftsmanship. The words were

used, respectively in Greek and Roman society, to describe every kind of activity involving the manufacture of durable objects by people who depend on such work for a living.

Gell (1992), também aborda a relação entre arte e técnica ao buscar romper com a noção de estética enquanto um veículo de mensagens simbólicas e distinções sociais. Ele defende que o objeto de arte seja compreendido enquanto um componente da tecnologia, tendo em vista que resulta de um processo técnico, conforme aponta a seguir: “We recognize works of art, as a category, because they are the outcome of technical process, the sort of technical process in which artists are skilled” (GELL, 1992, p. 43). Ao enfocar nos objetos de arte e não na estética (enquanto valor universal), Gell busca destacar suas características como um objeto feito, ou produto de uma técnica de alto nível de excelência. É o “milagre técnico” que provoca o encantamento, a maestria, o controle dos processos e ações envolvidas na produção, além da possibilidade de ver a marca do criador nos objetos.

Essa perspectiva, que vincula a arte aos processos técnicos envolvidos em sua produção, permite a aproximação entre arte e artesanato. Se observarmos a produção das rendeiras, dificilmente diríamos que suas rendas são simples cópias umas das outras, ou que sua atividade se resume à mera reprodução de um molde. Conforme foi apresentado no Capítulo 3, a execução de uma renda por meio do molde é um processo de engajamento físico e perceptivo extremamente versátil e criativo, no qual a rendeira pode optar por diversos caminhos, sequências, padrões ou pontos.

A partir dessa breve digressão sobre arte e artesanato pretendo destacar que não partimos, ou buscamos reforçar, dessa oposição. Aqui, design e renda são igualmente considerados enquanto atividades e processos técnicos, que demandam habilidades específicas, possibilitam formas de engajamento diferentes e produzem subjetividades e visões de mundo próprias. Dito isso, podemos retornar à elaboração da CVV.

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