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2. Teori og forskning

2.2. Språklige ideologier

2.2.4. Kapital, lingvistisk marked og språklige hierarkier

as responsabilidades desses docentes acerca dos saberes educativos que os alunos das escolas do SME estão construindo nesses tempos de alta modernidade, haja vista que nela também

31 Versão popular disponível em: <http://letras.cifras.com.br/musicas-infantis/ciranda-cirandinha>. 32 Versão cantada e brincada pelo [S1].

recaem todas as mudanças sociais. Como aponta Giddens (2002, p. 19), a alta modernidade “se estende bem além dos domínios das atividades individuais e dos compromissos pessoais [...] e também penetra profundamente no centro da auto-identidade e dos sentimentos pessoais”, considerando as constantes mudanças sociais e a imposição de novos modelos econômicos e culturais.

Nesse sentido, mesmo os espaços escolares sendo inadequados para a realização das atividades de lazer, os docentes utilizam-se das cantigas de roda para estimular e desenvolver os conteúdos pedagógicos propostos pelo currículo. Então, ao investigar os significados atribuídos às cantigas de roda pelos docentes, encontrou-se no fragmento, a narrativa a seguir:

“Iniciamos cantando músicas que eles conhecem, que fazem parte da geração deles, que a gente tenta resgatar. Pede também pra eles trazerem musiquinhas de casa. Eu peço para eles trazerem as cantigas de roda, aí eles trazem e a gente confecciona livros e outras atividades. É uma estratégia que a gente utiliza pra não deixar esquecida a questão das cantigas de roda, dessas brincadeiras”. [S4]

Ao verificar os aspectos anunciados nesta narrativa, retoma-se a discussão da organização do trabalho docente quanto ao uso das estratégias e recurso didáticos nos espaços escolares. Ao solicitar que os alunos que tragam para a sala de aula músicas de seus interesses, de sua geração, o docente demonstra que a presença da música possa, de fato, contribuir para a ampliação do conhecimento dos alunos. Sob o ponto de vista pedagógico, Melo (1985) assegura que “Brincando de roda, a criança exercita o raciocínio e a memória, estimula o gosto pelo canto, desenvolve naturalmente os músculos aos ritmos das danças”.

Pensa-se que as cantigas de roda quando escolhidas, cantadas e brincadas pelos próprios alunos, mais do que um recurso pedagógico, representa o cuidado em proporcionar às crianças oportunidades de vivenciar escolhas, ao brincar de roda resgatando os costumes antigos, as crianças vivem particularidades de seu tempo e de outrem.

Nas palavras de Moscovici (2003, p.35) “Nós pensamos através de uma linguagem; nós organizamos nossos pensamentos, de acordo com um sistema que está condicionado, tanto por nossas representações como por nossa cultura”. Então, as características pessoais, a realidade cultural do cuidar, interagir e partilhar pensamentos, opções, descobertas com os seus alunos de 1º e 2º anos do EF, com idades de 6 a 8 anos, permite ao docente o reconhecimento de sua função social.

Na Figura a seguir estão indicadas as cantigas de roda que foram apresentadas pelos docentes como cantadas e brincadas nas escolas pesquisadas.

Figura 14 – Cantigas de Roda Identificadas pelos Docentes

Fonte: Elaborada pela autora a partir dos dados coletados.

Em síntese, essas cantigas de roda trabalhadas como atividades didático-pedagógicas, desenvolvidas no cotidiano de sala de aula, conforme apontaram os docentes, em parte estão ressignificadas, posto que são cantadas e brincadas em roda, às vezes utilizando-se de recursos multimídias, nos horários de recreios, em que os alunos ficam livres para brincar da forma que lhes convierem.

Nas salas de aula, os alunos obedecem a uma sistemática planejada, ora brincam, ora cantam, se movimentam, fazem coreografias, dramatizam as músicas, produzem cartazes e linhas do tempo com palavras dos textos das cantigas; leem os livros de historinhas infantis e os que retratam os fatos históricos da comunidade; assistem filmetes, entre outras atividades Todos esses instrumentos objetivam a apropriação da linguagem oral e textual pelos alunos.

As Representações Sociais expressadas pelos docentes trazem consigo “os saberes sociais e a elas se dirigem à construção e transformação dos saberes sociais em relação a diferentes contextos sociais” (JOVCHELOVITCH, 2008, p. 87). Nesse caso, os saberes indicados pelos docentes como próprios das cantigas de roda cantadas, brincadas e trabalhadas nas salas de aula e/ou área livre em torno da escola, transversalizam as práticas didático-pedagógicas, que são portadoras de atividades lúdicas, de cognição, de interação, de sociabilidade e de valores culturais.

Ainda aproximando os conceitos de RS das falas dos sujeitos sobre as cantigas de roda, pode-se verificar de que maneira essas cantigas se constituem instrumentos didático-

pedagógicos do trabalho docente. Assim sendo, foi constatado pela pesquisa que as cantigas de roda são trabalhadas pelos docentes como instrumentos didático-pedagógicos, previstos em seus planos de ensino. E que os mesmos reconhecem sua importância para a aprendizagem dos alunos, respeitando a faixa etária que apresentam, entre 6 a 8 anos de idade, e os níveis de ensino em que se encontram dos 1ºs e 2ºs anos do EF.

Então, é preciso ter a compreensão de que compartilhar com alunos, comunidade escolar e com os outros espaços sociais as atividades diárias de sala de aula, é entender que são as “[...] práticas interativas do dia a dia, que produzem as RS, onde está o senso comum a conversação” (GUARESCHI, 2003, p. 212). Em síntese, fazê-los apreender e se apropriar de conhecimentos próprios de sua idade e de seu cotidiano. A figura abaixo apresenta as RS expressas pelos docentes por meio das cantigas de roda.

Figura 15 – Representações Sociais Expressas pelos Docentes

Fonte: Elaborada pela autora a partir dos dados coletados.

Nesse sentido, as novas metodologias de ensino devem ser experimentadas a partir das vivências em situações concretas de ensino e aprendizagem. Conforme Freire (2003, p. 25), “Ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção”. Então, na dinâmica do processo de construção de conhecimento exigem-se questionamentos constantes dos saberes e fazeres docentes, da aproximação entre os conhecimentos escolares e as práticas culturas dos sujeitos, seja a partir da oralidade ou de texto escritos, mas que propiciem as intervenções pedagógicas adequadas e a re-elaboração de novos saberes.

Dessa maneira, ao evidenciarem o cantar e o brincar em suas práticas, utilizando-se das cantigas de roda como estratégias de ensino e como recursos didático-pedagógicos, os docentes potencializam o lúdico, o lazer, a sociabilidade, a criatividade e o desenvolvimento

Ensino e aprendizagem / Práticas / Oralidade /

RS Expressas pelos docentes por meio das

cantigas de roda Sociabilidade / Afetividade Recursos didáticos / Estratégias de ensino Brincadeiras / Lazer / Criatividade / Costumes / Gerações

da afetividade. São nestas trocas de experiências com seus alunos, que os docentes revelam as suas RS.

Como diz Moscovici (1978, p. 63), “a representação social é uma preparação para a ação, tanto por conduzir o comportamento, como por modificar e reconstituir os elementos do meio ambiente. Para ele o ser humano é um ser pensante que formula questões, busca respostas e compartilha realidades”. Assim, os fazeres do docente cumprem o seu papel social de mediador entre o conhecimento formal, as crenças, os costumes de sua geração e gerações passadas e as dos alunos, sujeito das aprendizagens.