7 Torskesektoren
7.3 Kapasitetsutvikling
“Cada parte do mundo natural e seus sistemas sociais e económicos interdependentes estão, ou serão afetados pelas alterações climáticas” é uma afirmação presente no Living Planet Report, publicado pela
organização não-governamental World Wide Fund for Nature (WWF) [3], que coloca em perspetiva toda a iteração económica, social e ambiental com as ações humanas e desenvolvimento sustentável. A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera é um dos problemas mais primordiais para as alterações climáticas, apresentando valores nunca antes alcançados, e com tendência a subir [1]. O
Living Planet Report [3] apresenta dados da estação de medição contínua de CO2 mais antiga do mundo situada em Mauna Loa (Hawaii), com valores preocupantes de concentrações deste elemento atmosférico, que atinge dados nunca antes registados em mais de um milhão de anos. Em termos numéricos, as primeiras medições deste elemento atmosférico em 1958 registavam 280 partes por milhão (ppm), sendo que na década atual estes valores já atingiram os 400 ppm.
Importa salientar que, a nível nacional, entre 1990 e 2002 registaram-se valores ascendentes de emissões de CO2 per capita, seguido de uma tendência de redução deste valor, em vista ao cumprimento das metas estabelecidas do Protocolo de Quioto (estabelecido em 1997). Portugal apresentava em 2010, valores de emissões abaixo das médias europeias [4].
Com os registos e evolução atuais das concentrações de CO2 mundiais na atmosfera, e com os padrões de crescimento económico dos países menos desenvolvidos e mais populosos (nomeadamente a China e a Índia) é previsível que em 2050 as concentrações deste elemento atinjam os 550 ppm [1].
A concentração de CO2 na atmosfera está intimamente relacionada com o aumento da temperatura global média que se tem presenciado. O aumento da temperatura, apesar de apresentar variações acentuadas a curto prazo, numa perspetiva geral acompanha o escalar de CO2 atmosférico [1]. O Living Planet Report salienta que, mesmo que seja possível manter estáveis as concentrações de gases de estufa na atmosfera, a temperatura continuará a aumentar aproximadamente 0,6 ºC durante o século XXI, sendo este valor adicionado ao aumento de 0,85ºC já registados desde 1880 [3].
Na atmosfera, a radiação emitida pela terra é absorvida e reemitida pelos gases com efeito de estufa, como o CO2, o ozono (O3), o óxido nitroso (N2O), o metano (CH4) e os clorofluorcarbonetos (CFC’s). Estes gases desempenham um papel importante no balanço energético da atmosfera da terra [5]. Quando ocorrem desequilíbrios nas concentrações de gases na atmosfera, nomeadamente do CO2, é amplificada a absorção e cativeiro da radiação infravermelha pela atmosfera, resultando no aumento da temperatura global média do ar [1] [6].
Quadro 2.1 - Contribuição dos GEE para o efeito de estufa, adaptado de [7] GEE Contribuição para Efeito
de Estufa Exemplos de Fontes de Emissão Antropogénicas
CO2 60% Combustíveis fósseis e destruição florestal
CH4 20% Produção e consumo de energia, águas residuais, aterros
sanitários,
N2O 6% Fertilização, queima de biomassa e combustíveis fósseis.
Outros Compostos 14% Aerossóis, espumas expandidas e solventes.
O impacte do aumento global da temperatura pode ser medido em níveis de risco através de uma escalada de cores, dividido por cinco categorias que englobam os ecossistemas, eventos atmosféricos, distribuição espacial de impactes, impactes sociais e eventos singulares.
Fig. 2.3 - Níveis de risco associados com as alterações climáticas e aumento de temperatura média global [3]
Em níveis concretos, a subida da temperatura média do ar terá como resultado uma subida do nível médio do mar provocado pela dilatação térmica da água. Sem a contabilização exata do contributo do degelo das calotes polares resultante dos incrementos de temperatura, estima-se que o aumento do nível médio do mar poderá atingir os 0,59 metros entre o ano de 2007 e 2100. Um dos efeitos destes valores será a submersão de regiões costeiras, e a consequente perda de superfície terrestre com relocação de populações e atividades humanas [1].
Outra influência da temperatura na água do mar é a potencialização da ocorrência de fenómenos atmosféricos extremos, como períodos de seca fomentando a ocorrência de incêndios, ondas de calor e frio, chuvas torrenciais e furacões. Para estes últimos, Torgal apresenta dados que apontam para um crescimento de 40% de ocorrência de furacões para uma subida de apenas 0,5 ºC na temperatura da água do mar. Outro efeito adverso da subida da temperatura média do ar é a expansão das áreas desertificadas [1].
A circulação termohalina, deslocação de massa oceânica por temperatura, salinidade e ação do vento desde os trópicos até aos polos, onde ocorre o arrefecimento da água e o aumento do nível de oxigénio no fundo do oceano, poderá ser interrompida com as alterações de temperatura. Advêm deste fenómeno mudanças climáticas extremas, com consequências para a biodiversidade [1].
Para além das alterações climáticas, são ainda fatores de risco para a preservação da biodiversidade a elevada exploração de recursos e produção de resíduos resultantes da ação humana [1]. O crescimento populacional, o desenvolvimento económico e de qualidade do nível de vida das populações, e principalmente a dependência energética, resultam em impactes ambientais muito pronunciados [8]. Outro fator de risco para a biodiversidade encontra-se nos elevados índices de urbanização [1]. O relatório World Urbanization Prospects publicado em 2014 pela Divisão das Nações Unidas para a População do Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais (DESA) divulga que 54% da população
milhões em 2045 [9]. Em Portugal, já existe maior número de habitantes urbanos que rurais, tendência esta que tende a crescer até 2050 [10].
Fig. 2.4 Evolução da população urbana e rural em Portugal, e comparação europeia [10]
É possível então sintetizar o princípio básico para a minimização dos impactes ambientais da atividade humana, através da limitação da produção de gases de efeito de estufa (GEE), como as emissões de dióxido de carbono.
2.2. DESENVOLVIMENTO E CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL