MERKNADER TIL DISSE For så vidt gjelder de kapitler s om ikke er omtalt
5.8 Kap. 2450 og 5450 Luftfartsverket .1 Sammendrag
___________________________________________________________________________ Caso Maria
O diagnóstico da situação deste terceiro caso foi feito pela diretora de turma da aluna. A diretora de turma dirigiu-se ao Gabinete de Apoio ao Aluno para pedir que a aluna tivesse acompanhamento psicológico pois, numa reunião com a mãe da aluna, esta tinha-lhe confidenciado que as discussões entre mãe e filha eram constantes em casa, que a aluna ainda não tinha aceite o divórcio dos pais que tinha ocorrido há cerca de um ano e meio e que para além disso a aluna apresentava alguns sintomas de hipocondrismo, que a levavam a apresentar por diversas vezes ataques de ansiedade.
Uma vez que se tratavam de conflitos entre mãe e filha, o Gabinete de Apoio ao Aluno considerou a situação adequada ao processo de mediação. A aluna foi chamada ao Gabinete de Apoio ao Aluno para eu poder conversar com ela e saber se estava interessada em participar em algumas sessões de mediação de forma a resolver a situação conflituosa com a sua mãe. Inicialmente a aluna não se mostrou muito recetiva mas eu informei-a logo nesta primeira conversa que a mediação era um processo voluntário e que a qualquer momento poderia abandonar se assim entendesse. A aluna aceitou e por isso marcamos a primeira sessão de mediação.
Primeira sessão de mediação com a Maria
A primeira sessão de mediação com a Maria realizou-se no mês de novembro. A primeira sessão de mediação tinha como principais objetivos apresentar e explicar à Maria todo o processo de mediação, bem como as suas características próprias (voluntariedade das partes, a confidencialidade, a neutralidade e imparcialidade do mediador) e conhecer a perspetiva da aluna face aos problemas em causa. Foi necessário, ainda nesta sessão, obter uma autorização da Maria para iniciar o processo de mediação.
Apesar de ser a primeira sessão, a Maria mostrou-se bastante à vontade para expressar os seus problemas e a sessão teve a duração de uma hora. Nesta primeira sessão, a Maria narrou tudo aquilo que achou conveniente para expressar os problemas em causa e referiu que os desentendimentos entre ela e a mãe deviam-se principalmente ao facto de a mãe estar constantemente a denegrir a imagem do seu pai e disse-me claramente que nunca iria aceitar o divórcio dos pais.
A Maria referiu também que, antes do divórcio dos pais, tinha uma relação muito próxima com a mãe e que lhe confidenciava tudo. Durante o casamento dos pais, a relação da Maria com o pai não era muito boa e inicialmente apoiou a mãe quando esta decidiu se divorciar, pois a situação familiar já era insustentável. Mas segundo a aluna, foram algumas atitudes por parte da mãe após o divórcio que alteraram a relação entre elas, como o facto de a mãe da aluna estar, segundo a mesma, constantemente a falar mal do seu pai e o impedimento do seu pai entrar em casa para estar com a Maria e com os seus irmãos, imposto pela mãe.
No final desta sessão, foi marcada uma próxima para o mês de dezembro, de forma a acompanhar toda a situação. Esta próxima sessão tinha como objetivo perceber se o problema se mantinha, identificar possíveis melhorias e outros conflitos implícitos que ainda não tinham sido evidenciados.
Segunda e terceira sessão de mediação com a Maria
A segunda sessão de mediação estava marcada para o início do mês de dezembro, no entanto a Maria, por iniciativa própria, veio ao GAA para falar um pouco comigo alguns dias antes da sessão. A terceira sessão de mediação realizou-se já no mês de dezembro.
Nestas duas sessões, a aluna demonstrou estar mais animada, referiu que as discussões com a mãe já não se verificavam com tanta frequência e que por isso o ambiente familiar estava melhor. Relativamente ao pai, a Maria continuou a demonstrar uma forte ligação com ele e mostrou-se bastante feliz quando falava dos fins de semana em que estava com ele.
Para além dos conflitos que a Maria já tinha referido na primeira sessão, a aluna referiu outros assuntos que para ela tinham contribuído para a mudança da relação com a sua mãe. Contou que o facto de a sua mãe não ter qualquer tipo de relação com o seu pai a magoava bastante e que tanto ela como o seu irmão e o seu pai suspeitavam que a mãe já tivesse uma nova relação amorosa que, segundo o pai, já existia antes do divórcio. Quando questionei a aluna sobre o que pensava e sentia relativamente a esta possível relação da mãe, a Maria respondeu-me que não se importava que a mãe iniciasse uma nova relação, pois tinha consciência que a reconciliação entre os pais já não era uma hipótese, mas referiu-me que preferia que a mãe lhe contasse se esta relação realmente existisse.
Quarta sessão de mediação com a Maria
Esta sessão de mediação realizou-se por iniciativa da Maria e a aluna mostrou-se muito abalada e fez um esforço para não chorar enquanto falava sobre os últimos acontecimentos em casa.
A Maria referiu-me que discutiu novamente com a mãe, devido a esta estar constantemente a denegrir a imagem do pai. Para além disto, nesta sessão a Maria referiu outro problema que a incomodava bastante, que era o facto de os seus pais a utilizarem um pouco como uma intermediária entre eles relativamente a assuntos que apenas diziam respeito ao casal, uma vez que não existia qualquer comunicação entre os mesmos.
Algumas destas atitudes por parte dos pais da aluna estavam a dificultar todo o processo de aceitação do divórcio por parte da mesma e a alterar cada vez mais a relação entre mãe e filha.
Quinta sessão de mediação com a Maria
Esta sessão de mediação realizou-se por iniciativa da aluna no mês de janeiro. Para além dos conflitos que a aluna já tinha evidenciado nas sessões anteriores, contou-me que o seu pai tinha conversado com ela e lhe tinha contado que tinha iniciado uma nova relação amorosa. Questionei a Maria sobre o que sentia em relação a esta nova relação do pai e a aluna mostrou-se muito recetiva, justificando que o simples facto de o pai ter sido sincero com ela e se ter preocupado em vir contar que tinha um novo relacionamento, de onde era a senhora, que idade tinha, o que fazia, etc. foi necessário para que a Maria aceitasse este novo relacionamento. Já relativamente ao suposto relacionamento que a mãe tinha, a Maria referiu que não aceitava, não só porque desconfiava que se tratava de um homem casado e que não estava à espera desta atitude por parte da mãe, porque a mãe era um modelo para ela, mas principalmente porque a mãe supostamente estaria a esconder esta relação e não estava a ser sincera com ela. Perguntei à Maria se achava que a mãe não tinha o direito de iniciar uma nova relação e ela respondeu-me que sim, mas que queria que a mãe lhe contasse em vez de esconder. Depois de ouvir a resposta da Maria, perguntei-lhe como é que ela poderia ter a certeza que a mãe já tinha um novo relacionamento amoroso e ela respondeu-me que tinha quase a certeza que esse relacionamento amoroso existia devido às saídas que a mãe fazia depois do seu horário de trabalho. Encorajei a aluna a falar com a mãe sobre este assunto de forma a não especular nem julgar a mãe, mas a Maria disse-me que não tinha ainda coragem suficiente para o fazer.
Sexta sessão de mediação com a Maria
A sexta sessão de mediação com a Maria tinha como principal objetivo perceber como estava a situação familiar e a relação entre a aluna e a mãe.
A Maria referiu-me que a comunicação com a sua mãe estava melhor e que já não discutiam tanto. À medida que as sessões de mediação foram decorrendo, a Maria foi demonstrando uma melhor aceitação do divórcio dos pais, sendo que já era percetível algum impacto da mediação na Maria.
Nesta sessão convidei também a aluna a fazer uma reflexão dos impactos positivos e negativos resultantes do divórcio dos pais, de forma a perceber que as mudanças resultantes do divórcio dos pais não tinham sido apenas negativas. No final da reflexão, a aluna tomou consciência de que apesar de a sua relação com a mãe se ter deteriorado, a sua relação com o seu pai melhorou bastante e estava bastante satisfeita com isso.
As sessões seguintes foram realizadas no sentido de continuar a acompanhar a situação. Uma vez que já conhecia a perspetiva da Maria face à situação conflituosa com a sua mãe, era necessário também conhecer a perspetiva da mãe e por isso pedi à Maria que falasse com a mãe no sentido de esta comparecer na escola para realizar uma sessão de mediação com ela.
Primeira sessão de mediação com a mãe da Maria
A primeira sessão de mediação com a mãe da aluna tinha como principal objetivo conhecer a sua perspetiva relativamente às discussões entre ela e a filha.
A mãe da Maria começou por narrar determinadas situações que me eram desconhecidas. Contou, um pouco emocionada, que inicialmente a sua filha a tinha apoiado muito e que lhe tinha dado muita força para a mãe dar início ao processo de divórcio. No entanto, após a separação do casal, a relação entre mãe e filha alterou-se completamente. A mãe da Maria referiu-me, tal como a aluna já me tinha contado, que eram muito próximas, mas que naquele momento a filha estava mais próxima do pai e que a culpabilizava pelo divórcio.
Ainda nesta sessão, a mãe da Maria referiu-me outros conflitos que não tinham sido evidenciados pela Maria. Contou-me que a situação antes do divórcio estava insustentável, pois as discussões entre o casal eram constantes, existiram algumas ameaças de violência doméstica por parte do pai sobre a mãe da Maria, tanto a aluna como o seu irmão mais velho tinham assistido a algumas destas situações e para além disto, existiram várias traições da parte do pai da Maria.
Referiu também que a Maria, após o divórcio, falou muito mal dela na escola aos seus colegas. Em conversas com os seus amigos na escola, a Maria referiu-se à mãe chamando-lhe alguns nomes ofensivos. A mãe queixou-se também que a aluna não a ajudava nas tarefas domésticas ou quando fazia alguma tarefa, demorava bastante tempo até ter iniciativa para a realizar.
Outra situação que a mãe da aluna referiu, que também contribuiu muito para a deterioração da relação delas, foi o facto de a Maria ter mexido nas coisas da mãe, inclusive no seu telemóvel, para quem a aluna fez uma chamada e enviou uma mensagem de texto para o suposto novo companheiro da mãe. A mãe da Maria disse que essa situação fez com que perdesse a confiança que tinha na filha. Décima sessão de mediação com a Maria
Esta sessão de mediação realizou-se no mês de fevereiro. A Maria apareceu no Gabinete de Apoio ao Aluno para conversar comigo. Estava bastante animada e contou-me que tinha resolvido os problemas existentes entre ela e a mãe. Contou-me que tomou a iniciativa de falar com a mãe em casa pois achava que estava na altura de conhecerem a perspetiva uma da outra sobre os problemas entre elas. A aluna referiu que perguntou diretamente à sua mãe se tinha um novo relacionamento amoroso e a mãe disse-lhe que não. O facto de a Maria ter tomado iniciativa para falar com a mãe sobre os problemas que existiam entre elas e de ter sido capaz de lhe colocar algumas questões que no início do processo de mediação lhe pareciam tão difíceis, mostra a evolução e a transformação da Maria.
Cada uma das mediadas expôs a sua perspetiva acerca do conflito o que permitiu uma melhoria na comunicação entre as duas.
Primeira sessão com ambas as mediadas
A primeira sessão conjunta realizou-se no mês de março. Antes de iniciar a sessão com ambas as mediadas, reuni-me com a Maria no sentido de perceber quais os pontos que ela considerava serem mais importantes para serem abordados com a mãe. Depois de estabelecidos os pontos, demos início à sessão de mediação conjunta.
Comecei por referir que já tinha sido informada, através da Maria, que a comunicação entre as mediadas estava melhor e ambas confirmaram. De seguida referi que iríamos abordar alguns pontos que constituíam os principais problemas de ambas as partes. No que concerne à perspetiva da Maria relativamente aos aspetos que levaram à deterioração da relação com a sua mãe, referi que um dos
aspetos referidos por esta mediada era o facto de a sua mãe estar constantemente a denegrir a imagem do seu pai. A mãe não concordou muito com este ponto e disse que apenas fala do pai da Maria quando alguém pergunta algo sobre ele. A Maria disse que o que a mãe estava a dizer não era verdade e que mesmo em casa referia-se ao seu pai de uma forma negativa. Outro ponto que a Maria referiu nas sessões de mediação e que a incomodava bastante era ser ela a intermediária entre os seus pais. A mãe concordou com este ponto mas referiu que muitas das vezes era a própria Maria que interferia nos assuntos que apenas diziam respeito ao casal e a Maria concordou. No que concerne à perspetiva da mãe relativamente aos problemas existentes, referi à Maria que um dos aspetos que a mãe considerava também ser motivo das discussões entre elas era o facto de a Maria não mostrar iniciativa para ajudar nas tarefas domésticas em casa. A Maria concordou e confessou que faz as tarefas domésticas mas apenas muito tempo depois de a mãe lhe pedir para as fazer. O último aspeto abordado nesta sessão e sobre a perspetiva da mãe foi o facto de a Maria ter mexido nas coisas da mãe e principalmente ter efetuado algumas comunicações a partir do telemóvel da mãe com um dos contactos da mesma. A mãe disse à Maria que ficou bastante ofendida com essa atitude por parte da filha e que perdeu a confiança que tinha nela. A Maria mostrou ter consciência que não foi a atitude mais correta da sua parte.
No final da sessão, estabeleci com as mediadas os pontos essenciais do acordo e cada uma delas assinou. Posteriormente fotocopiei e entreguei o acordo a ambas as mediadas.
As sessões seguintes realizaram-se no sentido de continuar a acompanhar a situação e de forma a perceber se a melhoria da comunicação e da relação entre elas se mantinha.
A última sessão de mediação realizou-se com ambas as mediadas e tinha como principais objetivos concluir o processo de mediação e realizar a avaliação do impacto da mediação nas mediadas bem como do meu desempenho nas sessões.