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Segundo a Diretoria Assistencial, alguns indicadores de desempenho hospitalar têm melhorado, alguns estão dentro da média e alguns sinalizam o que deve ser mudado na FHEMIG. Em outras palavras, a Diretoria Assistencial trabalha com os indicadores hospitalares para averiguar o que está acontecendo nos hospitais. Existem médias que são aceitas pela administração hospitalar de um modo geral. Mas se algum indicador desse tipo estiver acima da média, o hospital é investigado, e mudanças são feitas para reverter a situação. A taxa de cesariana é um exemplo. Ela deve estar abaixo de 30%; se estiver acima dessa porcentagem, são feitas averiguações para saber se a cirurgia está sendo indicada desnecessariamente.

Os indicadores hospitalares são considerados uma ótima ferramenta para avaliar a qualidade, mas são difíceis de serem coletados. Normalmente, os dados dos pacientes são coletados desde o momento em que eles entram no hospital e também pelos prontuários médicos. Nesse sentido, a FHEMIG está investindo em um sistema de informação com prontuários eletrônicos, o que torna mais fácil o trabalho de coleta de dados para a construção e o acompanhamento de indicadores. Além disso, a área clínica (médicos e enfermeiros) precisa estar mais ciente da importância dessa ferramenta desde sua formação profissional.

Uma das metas da FHEMIG é aumentar a taxa de ocupação e, com isso, a arrecadação por meio das AIHs. Porém, é comum haver pessoas esperando para serem internadas. Mesmo assim, a taxa de ocupação hospitalar não costuma ser de 100%. A explicação para isso está relacionada a casos de doenças contagiosas. Por exemplo, se em uma enfermaria tem algum paciente com doença contagiosa, isso impede a ocupação dos demais leitos. Outro fator é a prioridade que se dá para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI), que tem alta taxa de

ocupação. Já cirurgias eletivas que ocupam as enfermarias não geram taxa de ocupação de 100%, porque a rede pública precisa atender mais às urgências e maternidades. Isso pode não ser uma situação ideal, mas é uma realidade.

Um fator relacionado a isso é a carência de médicos, especialmente os médicos clínicos que atendem às enfermarias. Também é necessário que se tenha residência médica, o que diminui o número de candidatos para as vagas da FHEMIG. Além disso, o salário é considerado baixo, principalmente por aqueles que comparam com o investimento realizado nas faculdades de medicina particulares. Portanto, é desejável que as universidades públicas aumentem o número de vagas, com programas voltados especialmente para hospitais da rede pública.

Outro indicador importante é a taxa de infecção hospitalar, obtida pelo acompanhamento do quadro dos pacientes. Para todo paciente internado é registrada a doença que ele apresenta. Se ele adquire outras doenças no hospital, então é identificada a infecção hospitalar. Existe um patamar aceitável dessa taxa – ou seja, até um certo limite não são feitas intervenções mais sérias nos hospitais. Foi destacado que normalmente não existe taxa de infecção hospitalar igual a zero em nenhum hospital, tanto público quanto privado.

Existe uma ligação entre os indicadores hospitalares, o orçamento e o planejamento estratégico da FHEMIG. Conforme este último, foram traçadas as metas da Fundação no chamado “Acordo de Resultados”, no qual estão propostos limites para os indicadores hospitalares. Nesse sentido, o acompanhamento dos indicadores é feito constantemente, inclusive para se tomar decisões que têm impacto no orçamento. Um exemplo disso é a solicitação de contratar um enfermeiro. Nesse caso, são analisados alguns indicadores, tais como número de enfermeiros por leito e taxa de ocupação, para averiguar se realmente é necessário incluir esse gasto no orçamento.

Por outro lado, como é feita uma estimativa de como os indicadores hospitalares devem se manter, no orçamento são incluídos os gastos necessários para tanto. Foi ressaltado que os principais gastos para melhorar os indicadores de desempenho estão mais relacionados aos procedimentos de trabalho, que podem ser aprimorados em cursos e treinamentos. Mas os investimentos em infra-estrutura dão um apoio nesse sentido, como equipamentos que realizam exames mais rápidos e aumento no número de leitos.

É importante ressaltar que uma avaliação satisfatória por meio dos indicadores de desempenho hospitalar reflete uma administração positiva da verba orçamentária. Em outras palavras, não se pode fazer uma análise somente sob o enfoque financeiro – ou seja, verificar se o limite orçamentário não é excedido, se as contas são pagas dentro do prazo, etc, mas não investigar se as metas ou objetivos da organização estão sendo alcançados. Portanto, se os indicadores estão indo bem, isso pode significar que a verba está sendo bem administrada e que o orçamento está cumprindo seu papel de auxiliar no controle das contas, e não o de ser um instrumento que deve ser cumprido mecanicamente, independente das metas e objetivos da organização.

Por sua vez, o indicador de taxa de mortalidade é o mais difícil de ser analisado, porque a sua relação não está totalmente relacionada ao cuidado médico, mas também à gravidade do paciente. Isso é mais fácil de entender nos prontos socorros que recebem pacientes em casos muito graves. Ou seja, mesmo com o atendimento sendo rápido e com todos os recursos disponíveis, o quadro clínico pode ser irreversível. Outro exemplo diz respeito aos sanatórios, cujos pacientes têm uma média de idade de 70 anos, tendência que futuramente irá refletir no aumento da taxa de mortalidade. Em outras palavras, não se pode analisar a taxa de mortalidade e tirar uma conclusão sobre a eficácia do hospital. Como a maioria dos indicadores, o acompanhamento das variações de um período para outro não indica por si só que o desempenho tenha melhorado ou piorado. É necessário que uma

investigação seja feita para averiguar os acontecimentos e decidir que tipo de intervenção deve ser realizada, ou não. De modo geral, os indicadores hospitalares são importantes para dar uma noção do que está acontecendo e para incentivar uma investigação, que pode levar à adoção de medidas para se obter melhores resultados.

Uma das metas da FHEMIG é descentralizar o atendimento da Capital para as outras cidades do interior do estado. Isso significa que o número de procura nos hospitais de Belo Horizonte por pessoas de outras cidades deve diminuir no médio e no longo prazo. Para tanto, investimentos foram realizados em hospitais do interior, como o de Barbacena, o de Juiz de Fora e o de Pato de Minas, como foi evidenciado na análise do Relatório de Gestão do período de 2003 a 2006.