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Kan Covid-19 pandemien påvirke utviklingen

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DEL 6 DISKUSJON

6.4 Kan Covid-19 pandemien påvirke utviklingen

Apesar de a realização de grande parte de estudos científicos sobre o enoturismo serem de origem recente, encontram-se na literatura alguns trabalhos de relevo no que diz respeito à classificação dos enoturistas tendo por base o seu perfil. Não existe contudo uma opinião unânime em relação ao que são os enoturistas. Getz e Brown (2006) atribuem esta discordância em parte, ao facto de o produto enoturístico ou a experiência enoturística ainda não poderem ser definidos com confiança. No intuito de se compreender melhor o fenómeno do enoturismo, é fundamental definir um perfil do enoturista (Mitchell et al., 2002). A falta de qualidade de informações disponíveis confirma que esta é uma área em que é preciso investir.

Ao contrário das investigações realizadas respeitantes às políticas do turismo de vinho e da economia, a pesquisa em relação aos enoturistas encontra-se bem desenvolvida (Goldberg & Murdy, 2006). Grande parte dessa investigação recai sobre os enoturistas e as suas relações com questões especiais relativas aos produtos ou serviços específicos de vinho e não sobre os enoturistas de um modo geral, designadamente em realação aos seus perfis (Williams & Kelly, 2001).

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As primeiras referências que se encontram em relação aos enoturistas não constituem as descrições mais lisonjeiras. Por exemplo, Spawton (1986, citado por Macionis & Cambourne, 1998:42) descreve-os como mobile drunks. Um ano mais tarde, Mckinna (também citado por Macionis & Cambourne, 1998:42) refere-se ao enoturista como the

passing tourist trade who think a winery crawl is just a good holiday. Já Edwards

(1989, citado por Cambourne & Macionis, 2000) não aludindo diretamente aos enoturistas mas aos wine connoisseur considera-os como um segmento de mercado com grande probabilidade de realizarem enoturismo, qualificando-os como indivíduos educados e sofisticados.

The South Australian Tourism Comission (1996) alude à questão da experiência ao

considerar que os enoturistas são aqueles turistas ou excursionistas que levam a cabo qualquer experiência relacionada com as adegas e a produção de vinho. Conceito algo semelhante com o de O’Neill e Palmer (2004) ao considerarem que o enoturista é qualquer pessoa que se envolve na apreciação dos elementos que estão relacionados com o vinho enquanto visita uma região de produção vinicola (O’Neill & Palmer, 2004 referido por Marzo-Navarro & Pedraja-Iglesias, 2010).

A pesquisa bibliográfica remete para uma série de características que os enoturistas possuem em comum: (1) níveis superiores de educação e formação, (2) crescente interesse pelo turismo rural, (3) interesse pela gastronomia local, (4) a procura da autenticidade, (5) a necessidade de paz e tranquilidade e (6) a consciência de que as atividades ao ar livre se relacionam com saúde (Reyes, 2012).

Ao contrário de Sparks (2007:1189) que não identifica qualquer perfil para o enoturista, ao afirmar que os enoturistas “represented a diversity of age groups, occupations,

educational and economic backgrounds”, Mitchell et al. (2002) e Mitchell e Hall (2006)

consideram que os enoturistas são tipicamente indivíduos entre os 30 e os 50 anos de idade e encontram-se numa faixa de rendimento de moderada a alta, vivem perto da região que visitam e são regulares consumidores de vinho, possuindo um conhecimento sobre vinho que se pode considerar de intermédio.

No que diz respeito ao facto de todos os visitantes de vinho serem ou não considerados enoturistas, Johnson (1998, referido por Alebaki e Iakovodou, 2011) coloca em questão

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se todos os visitantes de adegas são enoturistas já que há grupos que visitam uma adega apenas para compreenderem o processo de produção e não para provar o vinho.

São diversos os procedimentos usados para analisar os enoturistas como um potencial mercado, tendo por base a sua caracterização. No entanto, dois procedimentos são comummente utilizados pela maior parte dos investigadores: um primeiro procedimento em que os investigadores classificam os enoturistas considerando as suas características demográficas, de que são exemplo a origem, a idade, a educação e a família, ou então um segundo procedimento em que os autores estabelecem um perfil detalhado das características psicográficas dos enoturistas como sejam as suas motivações, os seus interesses, as suas opiniões, os seus valores, as suas atitudes, as suas crenças ou os seus estilos de vida (Mitchell & Hall, 2006; Charters & Ali-Knight, 2002). Mas os procedimentos não se limitam às características demográficas ou psicográficas. Getz (2000), por exemplo, considera ainda um outro critério para classificar o enoturista, o qual está relacionado com a forma como o turista procura a informação, denominado

communications. Outros autores aditam ainda o parâmetro relativo ao comportamento

do enoturista como consumidor de vinho (Williams & Young, 1999).

Somente em 1995 os académicos começaram a focar o enoturista, embora na maior parte das vezes o enfoque e a recolha de informações tenham sido realizados do lado da oferta em vez de tomarem a perspetiva dos consumidores de turismo de vinhos (Mitchell et al., 2002), sendo os estudos normalmente feitos a partir da perceção que os vitivinicultores possuem sobre o indivíduo que visita a sua adega e não com base em recolha de dados e respetiva análise sustentadas em credibilidade científica, (Mitchell et

al., 2002; Tassiopoulos & Haydam, 2006). Para o produtor os visitantes ou são sophisticated drinkers que anseiam por novas informações e a maneira como elas

podem ser obtidas, que correspondem a uma baixa percentagem dos visitantes de adegas (variando com a dimensão da adega e a reputação dos seus vinhos), ou em número maior os casual tourists que se limitam a olhar, a provar e a pouco mais, ou, maioritariamente, a categoria intermédia que corresponde aos indivíduos que não têm conhecimento específico sobre o vinho, mas que bebem regulamente vinho e que estão interessados em aprender e em passar por aquela experiência (Charters & Ali-Knight, 1999).

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Contudo, muitos dos enoturistas não se autointitulam com este rótulo. Certamente, o nível de interesse em relação ao vinho é o melhor indicativo da motivação do enoturista para visitar uma adega (Charters & Ali-Knight, 1999). Torna-se, no entanto, necessário distinguir o seu papel geral como enoturista do seu propósito específico para visitar uma adega. Charters e Ali-knight (2002) utilizam o termo intention para relacionar o nível de interesse geral de um indivíduo pelo vinho com o seu propósito imediato de visitar uma adega específica e as razões que o levam a planear a visita à região – os seus planos para visitar atrações não relacionadas com o vinho. Assim, a intenção de uma visita deve ser classificada de baixo a alto envolvimento (integration) com a experiência do vinho, não se restringindo apenas a uma apreciação sobre o vinho, mas a uma maior abrangência educativa. Os autores apresentam no seu artigo um modelo tridimensional, que permite delinear o tipo de enoturista e a sua atividade em qualquer visita a uma adega (Figura 3.1).

Figura 3.1 O enoturista – uma análise tridimensional

Fonte: Charters e Ali-Knight (2002:317)

Numa avaliação, há que considerar sempre o aspeto da variação cultural, que é demasiado relevante, principalmente quando se comparam enoturistas ou enoturismo, entre países da Europa e países do novo mundo. Além da estrutura da indústria do vinho

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ser completamente diferente, por exemplo entre a Europa e o novo mundo, também o enoturismo, de acordo com as suas regiões produtoras, pode apresentar características completamente diferentes.

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