DEL 6 DISKUSJON
6.1 Fiskepiren som mobilitetspunkt
A indústria do vinho, possuidora de uma natureza própria que lhe permite uma combinação com o turismo, representa um papel na estratégia do turismo regional, já que ao vinho se associa normalmente relaxamento, consumo de alimentos, convivência com os outros, aprendizagem de algo novo e hospitalidade, algo que o turista procura quando se encontra de férias (Bruwer, 2003).
O enoturismo, além de envolver o desenvolvimento e comercialização do produto turístico, que é o vinho, envolve igualmente a prestação de serviços e o planeamento e estratégia de marketing do destino, reconhecimento manifestado no conceito de rotas de vinho pela Wine Tourism Strategy, Western Australian (2000, referido por Charters e Ali-Knight, 2002)). As rotas enoturísticas são o veículo ideal para a ligação entre o turismo e produtores de vinho, atividades e tradições, atuando principalmente como um instrumento privilegiado de divulgação e promoção de um turismo regional (Getz, 2000; Hashimoto & Tefler, 2003).
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Um conceito inicial de espaço delimitado, na forma de uma região de vinho oficialmente demarcada que tem uma identidade na forma de um nome descritivo, é fundamental para a ideia de uma rota do vinho, já que o vinho e os seus produtores reclamam uma entidade de atributos únicos para o seu vinho, assim como para o património cultural, clima e solo onde as vinhas se encontram inseridas (Preston-Whyte, 2002). Uma rota do vinho tem que articular uma série de atributos que lhe conferem um retrato do território, uma marca, afirmando-lhe uma característica única, sem fragmentação ou divisões administrativas.
O desenvolvimento das rotas de vinho é parte integrante da indústria do vinho, onde a combinação entre os sectores agricultura (produção de uva), indústria e transformação da uva e turismo (prestadores de serviço) e os atores locais, como as organizações públicas, têm de trabalhar coordenadamente e em redes internas, permitindo, deste modo, que o conceito de rotas de vinho seja um conceito dinâmico e que tenha um papel fundamental na estratégia de desenvolvimento regional de turismo, respondendo ao crescente processo de globalização económica (Jaffe & Pasternak, 2004). Este é um processo que se torna difícil, já que, na perspetiva dos produtores de vinho, o vinho tem mais a oferecer do que o turismo (Gammack, 2006).
Um dos objetivos da criação de uma rota do vinho é o incremento da imagem de um território circunscrito ou designado, na maior parte dos casos, por uma região demarcada ou uma região de indicação geográfica e que tem sempre um nome descritivo identificativo, o que poderá ser de grande importância para as empresas produtoras de vinho, assim como para o incremento das vendas, nas próprias adegas, a clientes que são atraídos pelas rotas, o que se torna relevante para as adegas de menores dimensões (Bruwer, 2003; Hashimoto & Telfer, 1999; Correia & Ascensão, 2006). Assim, as rotas de vinho podem ser consideradas como um fator importante tanto para a promoção e desenvolvimento do enoturismo regional, como para a diversificação das economias das regiões e o aumento da reputação das regiões vitivinícolas e suas regiões (Cambourne et al., 2002).
Cada rota do vinho, que, pelas suas características, é de base regional, procura articular o conjunto de atributos ou alguma característica única que lhe confere a sua identidade (Bruwer, 2003). A construção da identidade de uma região vai ser uma característica que contribui para o sucesso do futuro daquele vinho.
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Assim, a criação de uma rota do vinho consiste na integração, sob um mesmo conceito temático, dos recursos e serviços turísticos de interesse existentes e potenciais de uma zona vitivinícola, com o fim de construir um produto desde a identidade própria de um destino, de facilitar a comercialização conjunta de toda a zona e de garantir o nível de satisfação da procura, impulsionando desta forma o desenvolvimento socioeconómico integral da mesma. Com a criação de uma rota promovem-se negócios e oportunidades em determinados destinos rurais, para o produto turístico cultural e rural, baseado nas experiências do vinho, da gastronomia e da cultura, que incluem o alojamento e uma gama de serviços relacionados com o vinho, como lojas de vinho, wine bars e museus de vinho, bem como uma vasta gama de atividades complementares de entretenimento (Gomis, Lluch, Civera, Torres, Mollá-Bauzá, Poveda, de Los Rios & Pedregal, 2010).
O conceito de viticultura está presente durante todas as etapas das viagens de um turista por uma rota do vinho, sendo o vinho, o eixo temático da rota que deve ser percebido em cada etapa da viagem e em qualquer componente da cadeia de valor que constitui a rota (Mancha, 2005). O turista, ao incorporar essa imagem, que suporta a noção de exploração e de descoberta, e incentivado pelos atributos específicos da rota que a caracterizam, vai encontrando durante o seu percurso uma série de experiências inesperadas (Bruwer, 2003). Do resultado da interpretação do conjunto dessas características ambientais, culturais e sociais, o turista reconhece e valoriza a diferença na paisagem, quando se desloca através de uma região (Hall et al., 2002a). Os visitantes podem assim construir o seu próprio itinerário e optar pelos recursos que julguem mais apropriados para as suas férias (atrações, locais, espaços, equipamentos, facilidades), optar pela estrada a seguir assim como pelas experiências (como é o contacto com o produtor e o enólogo, ou com espaços abertos). É intenção que uma rota não seja algo fechado e estanque, mas que possa criar alguma flexibilidade de escolha (Brás, Costa e Buhalis, 2010).
Uma rota do vinho consiste em regra, num ou mais itinerários, devidamente sinalizados9, que se desenvolvem através de uma determinada região vinícola e, ao longo de rede viária ou de outro tipo de comunicação, por determinada área geográfica, devendo-se iniciar em algum ponto ou lugar, onde a entidade organizadora oferece ao
9 Podendo também ser interpretada através de um folheto, brochuras, mapa ou quiosques onde se encontram registados informações importantes como o nome das vinhas, dos enólogos, etc. e que tornam a sua presença mais visível ao viajante (Brunori & Rossi, 2000).
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viajante todas os elementos necessários ao correto desenvolvimento e interpretação da mesma, como mapas ou folhetos com informações sobre locais de interesse, permitindo que o turista a possa realizar sem dificuldades, resultando assim uma distribuição eficaz dos turistas pela região (Bruwer, 2003; Lopes-Guzman & Cañizares, 2008).
A rota, ao unir vários centros turísticos incentiva o turista a viajar de um lado para o outro, facilitando os serviços em cada área aproveitando um conjunto de recursos de acordo com a apetência da procura. A soma dos recursos deve apresentar-se de uma forma ordenada, surgindo como uma oferta única (Elias Pastor, 2006).
As rotas do vinho, além de se poderem organizar em itinerários, podem igualmente encontrar-se sinalizadas ao longo de todo o seu percurso, apresentando mapas de informação, com a indicação de explorações vitivinícolas individuais ou associadas, que são os instrumentos através dos quais os territórios agrícolas e as suas produções podem ser divulgados, comercializados e dispostos em forma de oferta turística (Getz et al., 1999). Em simultâneo, fornecem informações sobre lugares históricos, naturais, culturais ou de outro interesse (AREV, 2002). As rotas oferecem, deste modo, a quem as percorre, uma série de atividades e prazeres relacionadas com os seus elementos, como adegas abertas ao público e respetivas visitas, vinhas, museus e outros centros de interesse vitivinícola, edifícios históricos, comunidade local, atrativos naturais e desportivos, recetividade, artesanato, agências turísticas, restaurantes típicos, animação turística, permitindo também que os visitantes contatem mais facilmente com o mundo rural e a cultura, tradição e costumes de uma região vitivinícola (Sánchez Vargas et al., 2008b; Corigliano, 1999)10.
Numa rota do vinho, as empresas da região deverão trabalhar em estreita colaboração com a instituição que gere o território, zelando pelos impactes da atividade no território onde estão implementadas e pelo desenvolvimento da sua atividade. Deste modo, contribuem para um melhor desenvolvimento económico e social do território, criando uma oferta específica à volta da cultura do vinho e um melhor conhecimento dos seus clientes. É intenção de uma rota atrair mais turistas e diferentes tipos de turistas
10Para além deste tipo de atrações responsáveis por “puxar” as pessoas para um destino, existem outros
fatores também responsáveis pela escolha de um destino, como é a proximidade do destino e a perceção dessa distância, onde incluímos a distância geográfica entre o destino e a origem do turista, a soma de dinheiro necessária para cobrir essa viagem, o tempo de viagem e a distância cognitiva correspondente à perceção da distância entre a região de origem e o destinoem contraste à distância real(Bruwer, 2003).
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(Lourens, 2007). As parcerias entre os sectores públicos e privados criam os incentivos necessários para motivar os turistas a deslocarem-se aos locais onde as adegas e as vinhas estão localizadas. O estabelecimento de parcerias e de diálogo entre a indústria, a comunidade empresarial e os órgãos governamentais, permite estabelecer uma rede que é fundamental, já que promove o fluxo de informação de negócios e igualmente dos visitantes que passam pela região (Gammack, 2006; Jaffe & Pasternack, 2004).
Para o sucesso de uma rota, o estabelecimento de uma rede entre as empresas produtoras de vinho é fundamental, devendo desenvolver um trabalho conjunto, tanto formal como informalmente, apesar de este trabalho conjunto poder parecer, por vezes, um paradoxo, já que adegas e caves deverão trabalhar em sintonia com os seus “rivais”. Mas todos os parceiros envolvidos têm um objetivo comum, que é comercializar e promover a imagem da sua região e das suas empresas de vinho (Telfer, 2001; Frochot, 2004). O envolvimento e a participação devem ser pró-ativos e desenvolver parcerias e colaboração com outros elementos do setor, sendo uma oportunidade de criar sinergias entre diferentes atividades turísticas. O suporte ou a existência de uma legislação, território próprio, vinhos de qualidade ou a presença de infraestruturas não são por si suficientes para o sucesso. A chave do sucesso encontra-se na capacidade de todos os agentes serem capazes de interagir entre si, o que é decisivo na diferenciação e distinção relativamente a outros territórios.
As rotas são normalmente organizadas por um conjunto de associados, possuidores de características e potencialidades em turismo, que têm a sua própria organização mas sujeitos a apoios institucionais da indústria do vinho que em articulação proporcionam um turismo dinâmico capaz de fornecer ao território onde se encontram um conjunto de atividades ligadas ao vinho e à cultura do vinho. Cada associado é um elo entre o turista e a sua rede turística. A criação de uma organização estrutural é responsável pela gestão e animação da rota (Correia et al., 2006).
Uma rota é geralmente gerida por uma entidade coordenadora que deve atuar com uma liderança eficaz, profissional e dinâmica. Cabe a essa entidade implicar todos os agentes envolvidos na sua fundação e manutenção que contribuem monetariamente para a sua gestão e gastos, tendo com principal função a promoção do enoturismo na região junto de adegas, restaurantes, hotéis. A promoção das parcerias devidas, que poderão ser de
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carácter jurídico, é um outro papel que cabe a essa gestão e que deverá assumir a responsabilidade de prestarem os respetivos serviços.
Cabe, igualmente, à gestão da rota impulsionar a imagem e o destino turístico através da análise quantitativa e qualitativa do turista e a sua segmentação, conhecer as suas principais motivações para a realização da visita e verificar se é possível, através da oferta atual, dar respostas às motivações da visita. Também o desenvolvimento de uma estratégia comum, para o incremento da imagem da própria região vitivinícola, assim como o desenvolvimento de uma estratégia de comercialização inteligente, para a venda de vinhos nas próprias adegas, é um incremento para as pequenas empresas que não conseguem vender os vinhos pelos canais normais de distribuição11 (Sánchez Vargas et
al., 2008b, Sparks & Malady, 2006; Correia et al., 2004). A gestão de uma rota possui,
normalmente, um espaço próprio com um centro de receção onde se poderá vender vinho e fornecer informações aos interessados, bem como fomentar a oferta através de infraestruturas e atividades complementares.
O enoturismo na Europa tem-se desenvolvido predominantemente através das rotas do vinho. Muitas das rotas de vinho, começaram a ser desenvolvidas com o apoio do
European Council of Wine Roads12. Este conselho integra mais de 60 regiões de vinho e tem direcionado o seu trabalho para a realização de um inventário de estradas e rotas de vinho existentes na Europa, o desenvolvimento da sinalização padronizada e representação pictográfica de rotas, o desenvolvimento de normas de rotas de vinho e requisitos de acreditação e a produção de produtos de marketing de turismo de vinho, através da produção de guias. São ainda de considerar, a nível europeu, as seguintes organizações de turismo de vinho: a RECEVIN que é uma rede de cidades produtoras de vinho (cidades do vinho), que visa melhorar o padrão de vida dos moradores das cidades aderentes, promovendo a cultura do vinho e o desenvolvimento do turismo com base no vinho e a Dyonísio, que é uma rede das regiões produtoras de vinho (Cambourne et al., 2002).
11 McDonnell e Hall (2008) referem que há exemplos em que a venda de vinho nas adegas diretamente ao consumidor representa mais de 75% da receita obtida.
12 O European Council of Wine Roads (AREV – assembleia das regiões europeias vitivinícolas) é uma rede de cooperação inter-regional que agrupa instituições públicas e privadas, regionais e locais interessadas na temática do turismo vitivinícola e tem como principal objetivo, entre outros, a promoção e o incremento da qualidade dos serviços prestados pelas adegas (Cambourne et al., 2000).
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O enoturismo em Portugal encontra-se organizado e estruturado tendo como ponto central as rotas do vinho. Os itinerários das rotas do vinho encontram-se sinalizados nas regiões vitivinícolas, denominadas regiões de denominação de origem controlada. As rotas do vinho foram criadas com a publicação do Despacho Normativo n.º 669/94, de 22 de setembro.
Síntese conclusiva
O vinho e a vinha podem, em conjunto, funcionar como um conjunto de elementos que promovem o fluxo de turistas para uma zona de produção de vinho. O turista possui determinado número de intenções quando se desloca a uma região produtora de vinhos. O local por um lado, e o turista, com as suas intenções e interesses, por outro lado, são os principais fatores que determinam a oferta e a procura do enoturismo. É necessário perceber quais as crenças que um turista possui em relação aos atributos de determinada região que o levam a visitar um destino produtor de vinho e de que modo é que essas crenças são valorizadas pelo visitante, de modo a identificar e promover determinados atributos de uma região produtora de vinhos.
Paisagens, clima, adegas, feiras, a interação social, a “diferença de lugar”, etc. são alguns dos atributos de uma região de vinhos que fazem com que o turista tenha motivos para visitar esse destino. Poder comprar e provar vinho são motivos que levam um indivíduo a procurar uma região vinhateira. O turista cria uma imagem resultante da soma das crenças formadas em relação a um destino que o levam a uma tomada de decisão relativamente ao destino a visitar.
Já pelo lado da oferta, o conjunto de todas as infraestruturas e atividades associadas à visita a adegas e outros estabelecimentos ligados ao setor, tendo como objetivo o propósito da criação de uma experiência autêntica relacionada com a temática do vinho, contribuem para a criação da oferta do enoturismo. A oferta criada faz com que o enoturista pretenda passar por experiências confortáveis e autênticas numa atmosfera emocionante e relaxante
A indústria do turismo e a indústria do vinho harmonizam-se, originando o compósito do enoturismo que, contextualizado como uma cadeia de valor, torna possível
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acrescentar valor à fase anterior. Esse valor acrescentado pode ser económico mas também social, cultural ou ambiental.
As rotas do vinho, veículo fundamental de ligação entre a indústria do turismo, e os produtores e vinho, potenciam que diferentes setores e atores locais trabalhem em rede – conferindo um conceito dinâmico e estratégico ao desenvolvimento regional.
Pretendemos no capítulo seguinte abordar os aspetos relacionados com o enoturista em si, de modo a compreendermos aspetos fundamentais do comportamento do consumidor.
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