A Global Reporting Initiative (GRI) constitui uma organização independente internacional, fundada em 1997, que teve como base a organização sem fins lucrativos “coligação para economias ambientalmente responsáveis” (CERES) e o Instituto Tellus. A GRI apoia as empresas, instituições governamentais e outras organizações, a compreenderem e
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comunicarem o impacto das suas atividades sobre a sustentabilidade, incluindo temas como as alterações climáticas, direitos humanos, corrupção, entre outros (GRI 2016).
A GRI promove a utilização dos relatórios de sustentabilidade como um método para que as organizações se tornem mais sustentáveis, contribuindo para o desenvolvimento sustentável. Para tal, a GRI disponibiliza, gratuitamente, diretrizes para a elaboração de RS, permitindo que as organizações possam comunicar o seu desempenho económico, ambiental e social (Buck et
al. 2014). Neste sentido, uma das principais características da iniciativa GRI assenta na sua
tentativa de normalizar a elaboração e disseminação de relatórios ambientais e de sustentabilidade (Montabon et al. 2007).
A quarta geração (G4) das diretrizes da GRI foi lançada em maio de 2013, a qual é resultado da revisão e melhoria das anteriores, ajustando-se às tendências atuais e futuras da comunicação da sustentabilidade (Buck et al. 2014). A utilização destas diretrizes permite que as organizações divulguem informação de forma fidedigna, relevante e, normalizada, a partir da qual são avaliadas as oportunidades e riscos, permitindo a tomada de decisões mais informadas – dentro da empresa e também por partes interessadas externas à organização (GRI 2013).
Segundo a GRI (2016) os RS ajudam as organizações a medir, perceber e comunicar o seu desempenho ambiental, económico e social, definir objetivos e, gerir mudanças de forma mais eficaz. Estes constituem uma plataforma-chave para comunicar o desempenho sustentável e impactes, sejam positivos ou negativos.
A organização GRI tem na sua composição uma base de dados de divulgação que corresponde a um extenso repositório de RS de acesso gratuito. O tipo de relatórios presentes nesta base de dados pode ser de três tipos (GRI 2015):
• Relatórios GRI – os que elaboram o relatório de sustentabilidade/relatórios integrados, de acordo com as diretrizes GRI (G1;G2;G3;G3.I;G4), apresentando um índice de conteúdo GRI;
• GRI-referenciados – os relatórios de sustentabilidade/relatórios integrados que referenciam de forma explícita a utilização das diretrizes GRI com base para a elaboração dos mesmos, embora não apresentem um índice de conteúdo GRI;
• Não-GRI – os relatórios de sustentabilidade/relatórios integrados nos quais a organização divulga informação do seu desempenho económico, ambiental e social sem referência à utilização das diretrizes GRI como base.
Um relatório integrado consiste nos documentos que indicam a inclusão, ou a não inclusão, de informação financeira e não-financeira, para além de informação económica básica (GRI 2015). São exemplos destes relatórios: Relatórios anuais, RSE, entre outros.
Quanto ao estado dos relatórios GRI, estes podem encontrar-se: autodeclarados; verificados- GRI e verificados por terceiros (GRI 2015). Um fator de extrema relevância para a presente
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dissertação é o facto das organizações se encontrarem classificadas por setores de atividade. Neste sentido, foi consultada a informação presente na base de dados para o setor de atividade do retalho.
Responsabilidade social empresarial
As empresas utilizam meios diferentes de comunicarem a forma como lidam com as questões ambientais e sociais. Umas focam-se no desempenho em termos de “triple bottom line” ou sustentabilidade. Outras estruturam as suas ações em termos de RSE, cidadania, ambiente, saúde e segurança – todas estas abordagens galvanizam as ações e criam uma eco-vantagem (Esty & Winston 2006).
Segundo o WBCSD (2002), “a responsabilidade social empresarial (RSE) consiste no “compromisso contínuo das empresas em contribuir para o desenvolvimento económico ao mesmo tempo que promovem a melhoria da qualidade de vida dos seus colaboradores e suas famílias, bem como das comunidades locais e da sociedade em geral”.
Existem quatro fundamentos para a RSE, nomeadamente: obrigação moral, sustentabilidade, licença para operar e reputação (Porter & Kramer 2006).
Dedicar um maior relevo à RSE leva as empresas a assumirem uma maior responsabilidade sobre as suas ações e, consequentemente, os seus efeitos nos funcionários, consumidores, comunidades, ambiente e outras partes interessadas (stakeholders). Este foco envolve uma inclusão deliberada da consideração do interesse do público nos processos de decisão. As empresas deixam de focar-se apenas nos lucros, adotando uma estratégia de “triple bottom
line” – lucro, pessoas, planeta (Baker et al. 2012).
O WBCSD (2002) sugere três conceitos que as empresas podem utilizar para definir os limites da sua RSE: (1) Esferas de influência (figura 2.24) – o diagrama ilustra os limites, através de círculos de responsabilidade, que vão aumentando de dimensão, e à medida que se vão afastando do núcleo diminui a sua esfera de influência, nomeadamente, maior grau de controlo, influência direta, influência direta/afetação, influência indireta; (2) Cadeia de valor (figura 2.25) – esta abordagem auxilia a delineação dos limites da RSE de uma empresa através da identificação de questões e impasses ao longo da cadeia de valor, ou ciclo de vida de um produto; (3) “Questions for the board” – este método consiste numa lista de questões, cujo propósito assenta na tentativa de identificar os parâmetros, âmbito dos problemas que as empresas enfrentam a nível de RSE.
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Figura 2.24 - Esferas de influência (Adaptado de: WBCSD 2002)
Figura 2.25 - Exemplo típico de uma cadeia de valor da indústria de fabrico (Adaptado de: WBCSD 2002)
Inúmeras organizações classificam as empresas através do desempenho da sua RSE e, estes
rankings atraem uma publicidade considerável. Este fator, torna a abordagem da RSE uma
prioridade para os líderes e gestores empresariais, mundialmente (Porter & Kramer 2006). Um número significativo de empresas abrange nos seus relatórios anuais questões sociais e ambientais, variando estes documentos amplamente em termos de formato, estilo e metodologia (Baker et al. 2012).