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Technical background

2.10 Correlations for axial turbine losses

2.10.3 Kacker-Okapuu loss system

Durante a década de 1970, Sadat deu início a uma significativa liberalização política e econômica dos modelos de governança do Egito

.

216 Além de recuar na

repressão típica do regime de Nasser, Sadat lançou um programa de eleições populares, aumentou a liberdade de imprensa e permitiu a criação de partidos políticos independentes

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Data também deste período de reforma o realinhamento da política externa do Egito, quando o país se afastou da União Soviética, aproximou-se dos Estados Unidos e concretizou a paz com Israel

.

Mas como Sadat teria conseguido implementar tantas mudanças estratégicas em tão pouco tempo?

Sugere-se aqui que o sucesso de Sadat ocorreu como resultado de sua decisão de se realinhar com os americanos; uma estratégia que foi facilitada pelo contexto de ausência de relacionamento entre os Estados Unidos e o regime autoritário anterior

.

De um ponto de vista puramente estratégico, o realinhamento da política externa egípcia produziu bônus inestimáveis na forma de mercados, tecnologia e assistência econômica e militar que foram centrais para o reavivamento da economia e das forças armadas do país

.

215 KEPEL, 2006, p. 81; REMNICK, 1994, p. 74. O Grupo de Oficiais Libertadores que havia

derrubado o Rei Farouk em 1952 estabeleceu-se originalmente durante a Guerra Árabe-Israelense de 1948, como uma célula da Irmandade Muçulmana. Após assumir o poder, entretanto, Nasser logo se voltou contra a Irmandade Muçulmana, culpando o grupo por um atentado contra a sua vida. A Irmandade foi banida como movimento político e milhares de seus membros foram presos ou fugiram do país.

216 Não se pretende sobrevalorizar o grau de democratização no Egito durante a era Sadat, afinal de

contas, a avaliação do Polity IV passa de -7 para -6, mantendo o país na classificação de autoritário. Contudo, a maioria dos analistas concordam, entretanto, que Sadat promoveu ―the return of Egypt to a relatively liberal political life‖ (FAHMY, 2002, p. 62).

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Em termos de política doméstica, o realinhamento da política externa não foi menos crítico para o sucesso de Sadat

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O fundamento de sua ideologia era o nacionalismo que chamava de ―Egito-primeiro‖, sob o qual o pró-americanismo não teria sido possível se Sadat houvesse herdado de Nasser um legado de patronagem americana

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Sem o fardo do apoio americano anterior, Sadat conseguiu incluir os Estados Unidos sob suas bandeiras de modernização e de independência

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A agenda pró-americana obteve conotação progressista, distanciando-se dos fracassos do nasserismo e do imperialismo soviético

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A oposição política doméstica permaneceu fraca e dividida em suas críticas a questões de política externa

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Paradigmática desta dinâmica foi a ambivalência do partido Al-Wafd

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Embora se colocasse como parte da oposição, o realinhamento de Sadat em aproximação aos Estados Unidos era em grande parte congruente com a orientação liberal do partido

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De maneira semelhante, conforme Sadat se aproximava dos Estados Unidos, os partidos islamistas também demonstraram apoio inicial ao nacionalismo antissoviético e antimarxista

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Sem o legado do apoio americano anterior, faltou a essas forças da oposição um ponto de apoio que os unificasse contra o realinhamento da política externa

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O realinhamento, aliás, não colocou em dúvida as credenciais nacionalistas de Sadat, permitindo que ele mantivesse o apoio popular à sua política externa

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Nas palavras de Hinnebusch, ―what was more remarkable was the very limited scale and effectiveness of mass protest against what was, after all, the dismantling of much of the work of the adored hero, Nasser‖

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217

É verdade que, ao final do regime de Sadat, o apoio doméstico pela proximidade com os Estados Unidos e pela normalização das relações com Israel havia começado a cair

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Entretanto, se os adversários de Sadat não conseguiram se unir durante a década de 1970, no início da década de 1980, ―opposition to the West and the westernization of the open door provides one important bridge between the

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left and the religious right‖

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218 A oposição veio, no entanto, tarde demais

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Sadat já

havia capitalizado a oportunidade do realinhamento em aproximação aos Estados Unidos sem enfrentar oposição política significativa

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Na ausência de apoio americano ao regime anterior, a liberalização levou a um realinhamento de política externa positivo em direção aos Estados Unidos

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3

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1

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6 Hipóteses Alternativas

O argumento apresentado aqui é que exigências políticas domésticas foram críticas na decisão de Sadat de realinhar a política externa do Egito aproximando-se dos Estados Unidos

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Mais especificamente, Sadat aproveitou os bônus potenciais (econômicos, diplomáticos e militares) que acompanharam o realinhamento e que também ajudaram a consolidar seu poder político entre as elites, assim como entre a população no geral

.

Além disso, considerando que este movimento ocorreu no contexto de maior abertura política no Egito desde a independência, Sadat conseguiu colocar sua estratégia em prática porque não precisou carregar o fardo de interferências americanas no país durante o regime anterior

.

Ao invés de apontar obstáculos políticos insuperáveis, a oposição mostrou-se dividida em relação à mudança pró-Ocidente

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A seguir, serão consideradas as três explicações alternat ivas para o realinhamento político em questão

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3

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1

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6

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1 Teoria do Equilíbrio de Poder

A teoria do equilíbrio de poder estipula que, se uma potência regional como o Egito fosse alterar suas alianças de uma superpotência para outra, o motivo seria a manutenção do equilíbrio contra pretensões de hegemonia de uma das partes

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Em outras palavras, o Egito alinhar-se-ia aos Estados Unidos em um movimento de auto-

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defesa contra uma hipotética União Soviética em ascensão que objetivasse a dominação do sistema internacional

.

Os fatos, porém, não sustentam essa hipótese

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No início da década de 1970, a União Soviética já havia começado a buscar uma acomodação com os Estados Unidos

.

Após assumir o governo em 1969, a administração Nixon concordou em participar de negociações que resultaram, por exemplo, na assinatura do primeiro Tratado de Redução de Armas Estratégicas (SALT I, na sigla em inglês), em 1972

.

219 Negociações a respeito de um segundo

tratado de controle de armamentos se iniciaram no ano seguinte

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Em 1975, as duas partes participaram da Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa, que culminou na assinatura dos abrangentes Acordos de Helsinque

.

220 Assim, enquanto Sadat realizava seu dramático realinhamento, a União Soviética reduzia seus arsenais e começava um processo de détente com os Estados Unidos

.

As evidências são, portanto, insuficientes para sustentar um argumento apresentando o realinhamento egípcio como uma reação defensiva à possibilidade de hegemonia soviética

.

3

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1

.

6

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2 Teoria do Equilíbrio de Ameaças

Uma versão alternativa do realismo ofereceria uma explicação ligeiramente diferente

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Em especial, ao invés de se focar no poder militar genérico da União Soviética, seria necessário analisar ameaças diretas que os soviéticos impunham ao Egito

.

Como argumenta Steven Walt, mesmo que o poder de um país não seja ascendente, suas intenções agressivas ainda poderiam provocar um comportamento de

219 Para uma discussão do SALT I, cf. GARTHOFF, 1978.

220 O documento representou um passo significativo para reduzir as tensões da Guerra Fria. Do lado

soviético, uma grande vitória foram as cláusulas de inviolabilidade de fronteiras nacionais e d e respeito à integridade territorial, pelas quais se reconheceu pela primeira vez suas incorporações territoriais na Europa do Leste. Do lado ocidental, as cláusulas de direitos humanos permitiram a criação e o funcionamento do Grupo de Helsinque em Moscou, organização não governamental que vigiaria o cumprimento do acordo pela parte soviética. Essa organização se estendeu a vários comitês regionais que acabaram formando a Human Rights Watch. Os Acordos de Helsinque serviram também de base para a formação da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), maior organização intergovernamental de segurança do mundo, com 57 membros.

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contra-equilíbrio

.

221 Mais uma vez, entretanto, o registro histórico não sustenta tal

possibilidade

.

O realinhamento em aproximação aos Estados Unidos não aconteceu porque o Egito se encontrava sob ameaça soviética

.

222 É verdade que os soviéticos diminuíram a assistência militar a Sadat no início da década de 1970

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Entretanto, esta não foi uma tentativa de enfraquecer o Egito com o propósito de criar uma vantagem militar para a União Soviética

.

A estratégia soviética foi adotada depois que Nasser rompeu o cessar-fogo com Israel, patrocinado pelos Estados Unidos e pela União Soviética, o que parece ter sido, na verdade, um esforço para evitar um conflito no Oriente Médio que inevitavelmente arrastaria as duas superpotências para a guerra direta

.

223

Além do mais, foi a expulsão dos militares soviéticos do Egito por Sadat, em 1972, e não um movimento soviético, que levou à deterioração final do relacionamento entre os dois países

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Mesmo depois disso, a União Soviética continuou considerando o Egito como um parceiro importante na região

.

Ao invés de punir ou de ameaçar os egípcios, os soviéticos responderam tentando manter sua influência, passando a enviar a Sadat carregamentos de armamentos em quantidades sem precedentes, especialmente durante a Guerra do Yom Kippur

.

224 Fica claro, portanto, que Sadat não optou pelo realinhamento com os Estados Unidos em resposta a uma ameaça militar direta vinda da União Soviética

.

221 WALT, 1985.

222 Sadat, em nível individual, parecia acreditar que os soviéticos eram hostis em relação a seu

regime, tendo supostamente financiado seus rivais durante a disputa doméstica pela sucessão de Nasser em 1971 (KARAWAN, 1994, p. 254). Poderia ser argumentado, portanto, que Sadat via uma ameaça a seu regime, ainda que não ao Egito em si. Este tipo de nível de an álise, embora não previsto na formulação original da Teoria do Equilíbrio de Ameaças, deve certamente ser considerado. Nas conclusões desta tese, serão consideradas as interações entre o modelo teórico proposto aqui e a Teoria do Equilíbrio de Ameaças.

223 Em agosto de 1970, após três meses de negociação com União Soviética, Egito e Israel, o

secretário de Estado americano William Rogers havia conseguido convencer Egito e Israel a adotarem um cessar-fogo temporário, em uma tentativa de por fim à Guerra de Desgaste que durava desde o fim da Guerra dos Seis Dias, de 1967. Minutos depois de o cessar -fogo entrar em efeito, no entanto, Nasser violou as provisões do acordo, construindo bases de lançamento de mísseis e movendo armamentos soviéticos para a região do Canal de Suez. (―The Rogers Plan- an American peace plan for the Middle East‖, The Israeli Knesset).

129 3

.

1

.

6

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3 Liberalismo – Ideologia

Uma terceira hipótese alternativa poderia propor que as características pessoais de Sadat foram as forças motrizes por trás do realinhamento do Egito com os Estados Unidos

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Esta linha de argumentação sugere que Sadat era um verdadeiro ocidentalista, e que o realinhamento da política externa do país foi uma manifestação desta inclinação liberal normativa

.

Tal explicação estaria de acordo com teorias liberais que preveem que movimentos de liberalização política levarão a um processo de promoção de valores liberais

.

Como a política externa no Egito depende diretamente de iniciativas do presidente, esta seria uma explicação plausível da perspectiva da arquitetura institucional do governo do país

.

225

Contudo, será que o realinhamento do Egito em aproximação aos Estados Unidos teria sido simplesmente o produto de uma decisão ideológica? Não parece ser o caso

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Embora Sadat fosse conhecido por suas iniciativas ousadas, ―it would be wrong to attribute these events to Sadat‘s personality alone‖

.

226 Em uma análise do

sistema de crenças e do código operacional de Sadat, Karawan indica uma série de razões para se duvidar que apenas preferências pré-existentes possam explicar as escolhas políticas de Sadat

.

227 Vale destacar que a natureza estratégica do

realinhamento da política externa foi amplamente compreendida no âmbito doméstico

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A maioria das elites da época compartilhava a visão de que a paz com Israel era parte do interesse nacional egípcio e que a participação americana era vital para a consecução desse objetivo

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228 A notável falta de oposição à política externa de

Sadat também ilustra o consenso estratégico que sustentava o realinhamento do país

.

225 DAWISHA, 1976, p. 107. 226 MEITAL, 1997, p. 177.

227 KARAWAN, 1994, p. 258-261. 228 Ibid, p. 258-259.

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Outro problema com esta perspectiva normativa deriva da cronologia das decisões tomadas por Sadat

.

229 Se fosse guiado apenas pela ideologia, seria difícil

explicar porque Sadat decidiu trabalhar com os soviéticos e iniciar a guerra do Yom Kippur, em um primeiro momento, para depois se realinhar com os Estados Unidos e celebrar a paz com Israel

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Ao que tudo indica, Sadat era um grande estrategista, não um ideólogo

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