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K VALITATIVT CASE - DESIGN

3. METODEN OG MATERIALET

3.1 K VALITATIVT CASE - DESIGN

Defini¸c˜ao 3.2.1. Sejam X1 = (X, τ ) e X2 = (X, τ′) espa¸cos topol´ogicos de mesmo suporte.

Dizemos que X2 ´e uma expans˜ao de X1 se τ ⊂ τ′, ou seja, se τ′ ´e uma topologia mais fina

do que τ .

Proposi¸c˜ao 3.2.2. Sejam X1 = (X, τ ) e X2 = (X, τ′) espa¸cos topol´ogicos de mesmo

suporte, tais que X2 ´e uma expans˜ao de X1. Seja P um subconjunto de X. O interior de

P com respeito a X1 est´a contido no interior de P com respeito a X2 e o fecho de P com

respeito a X2 est´a contido no fecho de P com respeito a X1. Al´em disso, se p ´e um ponto

de acumula¸c˜ao de P em X2, ent˜ao p ´e, tamb´em, um ponto de acumula¸c˜ao de P em X1.

Demonstra¸c˜ao. Mostremos, primeiramente, que intX1(P ) ⊂ intX2(P ). Com efeito, seja

p∈ intX1(P ). Existe U ∈ τ tal que p ∈ U ⊂ P . Como τ ⊂ τ

, temos que U ∈ τe, portanto,

p∈ intX2(P ).

Mostremos, agora, que clX2(P ) ⊂ clX1(P ). De fato, seja p ∈ clX2(P ). Para todo U ∈ τ

tal que p ∈ U , temos que U ∩ P 6= ∅. Como τ ⊂ τ′ segue, em particular, que para todo

U ∈ τ tal que p ∈ U , vale que U ∩ P 6= ∅. Portanto, p ∈ clX1(P ).

Provemos, finalmente, que se p ´e um ponto de acumula¸c˜ao de P em X2, ent˜ao p ´e,

tamb´em, um ponto de acumula¸c˜ao de P em X1. Com efeito, seja p um ponto de acumula¸c˜ao

de P em X2. Para todo U ∈ τ′ tal que p ∈ U , temos que (U \ {p}) ∩ P 6= ∅. Como τ ⊂ τ′

segue, em particular, que para todo U ∈ τ tal que p ∈ U , vale que (U \ {p}) ∩ P 6= ∅. Logo, p´e ponto de acumula¸c˜ao de P em X1.

No pr´oximo teorema, investigaremos o comportamento de determinadas propriedades referentes a espa¸cos topol´ogicos, quando submetidas ao processo de expans˜ao.

Teorema 3.2.3. Toda expans˜ao de um espa¸co topol´ogico T0, T1 ou T2 ´e, ainda,

um espa¸co topol´ogico T0, T1 ou T2, respectivamente. Entretanto, as propriedades

de semi-regularidade, regularidade, regularidade completa, normalidade, metrizabilidade, compacidade e conexidade n˜ao s˜ao, em geral, preservadas por expans˜oes de espa¸cos topol´ogicos.

Demonstra¸c˜ao. Sejam X1 = (X, τ ) e X2 = (X, τ′) espa¸cos topol´ogicos de mesmo suporte,

tais que X2 ´e uma expans˜ao de X1.

Suponhamos que X1 seja um espa¸co topol´ogico T0 e mostremos que X2 tamb´em o ´e.

Com efeito, sejam x e y elementos distintos de X. Por hip´otese, existe U ∈ τ tal que U cont´em um, e somente um, dos pontos x e y. Como τ ⊂ τ′, conclu´ımos que U ∈ τ′ e, portanto, X2 tamb´em ´e um espa¸co topol´ogico T0.

De maneira an´aloga, mostramos que se X1´e um espa¸co topol´ogico T1 (respectivamente,

T2), ent˜ao X2 tamb´em ´e um espa¸co topol´ogico T1 (respectivamente, T2).

Seja I o intervalo fechado [0, 1] munido de sua topologia usual. Tal espa¸co ´e compacto, conexo e metriz´avel (e, em particular, ´e normal, completamente regular, regular e semi- regular). Construiremos duas expans˜oes do mesmo, uma que n˜ao ´e conexa e compacta e a outra que n˜ao ´e semi-regular (e, portanto, n˜ao ´e regular, completamente regular, normal ou metriz´avel)

Seja S o conjunto [0, 1] munido da topologia discreta. Tal espa¸co topol´ogico n˜ao ´e compacto – j´a que a cole¸c˜ao de todos os unit´arios de seus pontos constitui uma cobertura aberta do mesmo, que n˜ao admite subcobertura finita – e tampouco ´e conexo, pois cada um de seus “pontos” ´e aberto e fechado no espa¸co topol´ogico em quest˜ao. Contudo, esta ´e, evidentemente, uma expans˜ao de I.

Consideremos, agora, T o espa¸co topol´ogico que tem como suporte o conjunto [0, 1] e cujos abertos s˜ao quaisquer uni˜oes de intervalos abertos em [0, 1], dos quais fora retirada

uma quantidade enumer´avel de pontos. Notemos que T ´e uma expans˜ao de I.

Afirmamos que T n˜ao ´e semi-regular. De fato, se U ´e um aberto n˜ao vazio de T , ent˜ao A\ B ⊂ U , onde A ´e um intervalo aberto em [0, 1] e B ´e um subconjunto enumer´avel de A. Logo, clT(A \ B) ⊂ clT(U ). Afirmamos que A ⊂ clT(A \ B). Com efeito, seja

p ∈ A. Como B ´e enumer´avel, todo intervalo aberto em [0, 1] do qual fora retirada uma quantidade enumer´avel de pontos e que cont´em p intersecta o conjunto A \ B. Portanto, p∈ clT(A \ B). Logo, todo aberto regular cont´em um intervalo aberto em [0, 1] e, portanto,

T n˜ao possui uma base de abertos regulares (pois existem abertos em T que n˜ao cont´em qualquer intervalo aberto em [0, 1]). Em outras palavras, T n˜ao ´e semi-regular.

O pr´oximo teorema nos mostra que o axioma de separa¸c˜ao de Urysohn ´e preservado por expans˜oes de espa¸cos topol´ogicos.

Teorema 3.2.4. Toda expans˜ao de um espa¸co topol´ogico T21

2 ´e, ainda, um espa¸co topol´ogico

T21 2.

Demonstra¸c˜ao. Seja X1 = (X, τ ) um espa¸co topol´ogico T212. Consideremos X2 = (X, τ′)

uma expans˜ao do espa¸co topol´ogico X1. Sejam x e y elementos distintos de X. Como X1 ´e

um espa¸co topol´ogico T21

2, existem U, V ∈ τ tais que x ∈ U , y ∈ V e clX1(U ) ∩ clX1(V ) = ∅.

Como τ ⊂ τ′, temos que U, V ∈ τ. Da proposi¸c˜ao 3.2.2 segue que cl

X2(U ) ⊂ clX1(U ) e

clX2(V ) ⊂ clX1(V ). Logo, clX2(U ) ∩ clX2(V ) = ∅. Portanto, X2 ´e um espa¸co topol´ogico T212.

N˜ao ´e dif´ıcil mostrar que todo espa¸co topol´ogico regular ´e, em particular, um espa¸co de Urysohn. Contudo, o espa¸co topol´ogico T apresentado na demonstra¸c˜ao do teorema 3.2.3

´e T21

2 (j´a que ´e uma expans˜ao de um espa¸co topol´ogico T2 1

2) que n˜ao ´e regular. Exemplos

de espa¸cos topol´ogicos T2 que n˜ao s˜ao T212 podem ser encontrados em [15].

Teorema 3.2.5. Uma fam´ılia qualquer de espa¸cos topol´ogicos de mesmo suporte constitui um sistema parcialmente ordenado com respeito `a seguinte rela¸c˜ao:

X1 ≺ X2 se, e somente se X2 ´e uma expans˜ao de X1.

Toda fam´ılia n˜ao vazia de espa¸cos topol´ogicos de mesmo suporte admite supremo com rela¸c˜ao `a ordem parcial ≺.

Demonstra¸c˜ao. Seja {(X, τi)}i∈I uma fam´ılia de espa¸cos topol´ogicos de mesmo suporte.

Mostremos que ≺ ´e uma rela¸c˜ao de ordem parcial no conjunto em quest˜ao. Com efeito, ≺ ´e reflexiva, pois um espa¸co topol´ogico (X, τi) ´e sempre uma expans˜ao de si pr´oprio e,

portanto, (X, τi) ≺ (X, τi).

Al´em disso, ≺ ´e anti-sim´etrica, pois se considerarmos (X, τi) e (X, τj) espa¸cos topol´ogicos

de mesmo de mesmo suporte tais que (X, τi) ≺ (X, τj) e (X, τj) ≺ (X, τi), teremos que

τi ⊂ τj e τj ⊂ τi e, portanto, τi = τj, ou seja, (X, τi) = (X, τj). Finalmente, temos

que ≺ ´e transitiva. De fato, dados espa¸cos topol´ogicos (X, τi), (X, τj) e (X, τk) tais que

(X, τi) ≺ (X, τj) e (X, τj) ≺ (X, τk), teremos que τi ⊂ τj e τj ⊂ τk. Logo, τi ⊂ τk e,

portanto, (X, τi) ≺ (X, τk).

Isto encerra a demonstra¸c˜ao de que ≺ ´e uma rela¸c˜ao de ordem parcial. Resta mostrar que uma fam´ılia n˜ao vazia de espa¸cos topol´ogicos de mesmo suporte admite supremo com rela¸c˜ao `a ordem parcial ≺.

Consideremos {(X, τi)}i∈I uma fam´ılia n˜ao vazia de espa¸cos topol´ogicos de mesmo

suporte X. Seja S = (X, τ ) o espa¸co topol´ogico de suporte X, cuja topologia ´e gerada pela subbase Si∈Iτi. Afirmamos que S = (X, τ ) ´e o supremo de {(X, τi)}i∈I, com respeito

da fam´ılia {(X, τi)}i∈I. Al´em disso, se M = (X, τ′) for um limitante superior da fam´ılia

{(X, τi)}i∈I, ´e necess´ario que τ′ contenha τ e, portanto, S ≺ M .

Relembramos que o car´ater de dispers˜ao de um espa¸co topol´ogico X ´e denotado por ∆(X) e ´e definido por

∆(X) = min{|U | : U ´e um aberto n˜ao vazio de X}.

Teorema 3.2.6. Todo espa¸co topol´ogico infinito e T0 admite uma expans˜ao que ´e um espa¸co

topol´ogico T1 e que possui o mesmo car´ater de dispers˜ao do espa¸co topol´ogico original.

Demonstra¸c˜ao. Seja X1 = (X, τ ) um espa¸co topol´ogico infinito e T0. Consideremos o

espa¸co topol´ogico X2 de suporte X, munido da topologia cofinita. Sabemos que X2 ´e um

espa¸co topol´ogico T1. Consideremos S = (X, τ′) o supremo da fam´ılia {X1, X2}. Temos que

S´e um espa¸co topol´ogico T1, j´a que ´e, em particular, uma expans˜ao de X2. Temos, tamb´em,

que S ´e uma expans˜ao do espa¸co topol´ogico X1. Mostremos que S possui o mesmo car´ater

de dispers˜ao de X1. Com efeito, se ∆(X1) = 1, ent˜ao ∆(S) = 1. Suponhamos, portanto,

que X1 tenha car´ater de dispers˜ao infinito (j´a que X1 ´e T0). Temos que τ′ ´e a topologia

gerada pela subbase

τ ∪ {E ⊂ X : X \ E ´e finito}. Portanto, o conjunto das intersec¸c˜oes finitas de elementos de

τ∪ {E ⊂ X : X \ E ´e finito}

constitui uma base de abertos para S. Qualquer uma destas intersec¸c˜oes finitas ou ´e um elemento de τ , ou ´e um subconjunto de X cujo complementar ´e finito, ou ´e da forma U ∩ E, onde U ∈ τ e E ´e um subconjunto de X tal que |X \ E| < ω. No primeiro caso, a

cardinalidade de tal intersec¸c˜ao ´e maior ou igual a ∆(X1). No segundo caso, a cardinalidade

de tal intersec¸c˜ao ´e igual a |X| e, portanto, ´e maior ou igual a ∆(X1). No terceiro caso,

a cardinalidade de U ∩ E ´e igual `a cardinalidade de U , pois U ´e infinito e retiramos de U, no m´aximo, um n´umero finito de pontos. Logo, |U ∩ E| ≥ ∆(X1). Isto prova que

∆(S) = ∆(X1).

Teorema 3.2.7. Todo espa¸co topol´ogico infinito e T2 admite uma expans˜ao que ´e um espa¸co

topol´ogico T21

2 e que possui o mesmo car´ater de dispers˜ao do espa¸co topol´ogico original.

Demonstra¸c˜ao. Seja X1 = (X, τ ) um espa¸co topol´ogico infinito e T2 e consideremos

{xi}i<|X| uma indexa¸c˜ao do conjunto X.

Se x1 ´e separ´avel de x2 em X1 (isto ´e, se existem abertos U e V de X1 tais que x1 ∈ U ,

x2 ∈ V e clX1(U ) ∩ clX1(V ) = ∅), n˜ao adicionamos a τ nenhum subconjunto de X para

o par de pontos (x1, x2). Suponhamos que x1 n˜ao seja separ´avel de x2 em X1. Como X1

´e T2, existem abertos U e V de X1 tais que x1 ∈ U , x2 ∈ V e U ∩ V = ∅. Portanto,

clX1(U ) ∩ V = ∅ e, em particular, x2 6∈ clX1(U ).

Se W ´e um aberto de X1 tal que ¯U∩ W 6= ∅, existe x ∈ ¯U∩ W . Como x ∈ ¯U e W ´e uma

vizinhan¸ca aberta de x em X1, segue que U ∩ W 6= ∅. Logo, U ∩ W ´e um aberto n˜ao vazio

de X1 e, portanto, |U ∩ W | ≥ ∆(X1). Como U ∩ W ⊂ ¯U∩ W , segue que | ¯U∩ W | ≥ ∆(X1).

Seja X1,2 o espa¸co topol´ogico que tem X como suporte e cuja topologia ´e gerada pela

subbase τ ∪ {clX1(U )}. Em virtude do par´agrafo anterior segue que ∆(X1,2) = ∆(X1).

Afirmamos, ainda, que x1 e x2 s˜ao separ´aveis em X1,2. De fato, x1 ∈ clX1,2(U ), x2 ∈ V e

clX1(U ) ∩ V = ∅. Como clX1(U ) ´e aberto em X1,2, segue que clX1(U ) ∩ clX1,2(V ) = ∅. Logo,

Ordenemos o conjunto dos pares de n´umeros ordinais da seguinte maneira: (γ, δ)⋖ (α, β) se, e somente se, vale que γ < α ou vale que γ = α e δ < β.

Suponhamos terem sido definidos espa¸cos topol´ogicos Xγ,δ que verificam ∆(Xγ,δ) =

∆(X1) e tais que os pontos xγ e xδ sejam separ´aveis em Xγ,δ, para todos os pares de

ordinais (γ, δ)⋖ (α, β).

Consideremos Sα,β o supremo da fam´ılia {Xγ,δ}(γ,δ)⋖(α,β). Temos que ∆(Sα,β) = ∆(X1),

j´a que ∆(Xδ,η) = ∆(X1), para todo (δ, η)⋖ (α, β). Al´em disso, temos que quaisquer dois

elementos xγ e xδ de X, com (γ, δ)⋖ (α, β) s˜ao separ´aveis em Sα,β.

Se os pontos xα e xβ de X forem separ´aveis em Sα,β, fa¸camos Xα,β = Sα,β. Se n˜ao,

expandimos Sα,β da maneira acima descrita, de modo que xα e xβ sejam separ´aveis nesta

expans˜ao, a qual ser´a denotada por Xα,β.

Por indu¸c˜ao transfinita, constru´ımos os espa¸cos Xα,β.

Seja X2 o supremo de todos os espa¸cos Xα,β em quest˜ao. Temos que X2 ´e uma expans˜ao

de X1. Al´em disso, ∆(X2) = ∆(X1) e X2 ´e T21 2.

Estudaremos, no pr´oximo teorema, a preserva¸c˜ao de alguns axiomas de separa¸c˜ao pelo supremo de uma fam´ılia de espa¸cos topol´ogicos.

Teorema 3.2.8. Seja {Xi}i∈I uma fam´ılia n˜ao vazia de espa¸cos topol´ogicos de mesmo

suporte, totalmente ordenada pela rela¸c˜ao ≺. Se, para algum i ∈ I, o espa¸co topol´ogico Xi ´e

T0, T1, T2ou T21

2, ent˜ao o supremo S da fam´ılia em quest˜ao ´e, tamb´em, um espa¸co topol´ogico

T0, T1, T2 ou T212, respectivamente. Se, para todo i ∈ I, o espa¸co topol´ogico Xi for regular

(respectivamente, completamente regular), ent˜ao S tamb´em ser´a regular (respectivamente, completamente regular).

Demonstra¸c˜ao. A primeira afirma¸c˜ao decorre dos teoremas 3.2.3 e 3.2.4.

Suponhamos, agora, que para todo i ∈ I, o espa¸co topol´ogico Xiseja regular. Mostremos

que S tamb´em o ser´a. Seja G um aberto qualquer de S. Fazendo Xi = (X, τi), para todo

i∈ I, temos que

G= [

λ∈Λ

Gα1(λ)∩ ... ∩ Gαn(λ)

onde cada Gαi(λ) ∈ τi(λ) e i(λ) ∈ I.

Como {Xi}i∈I ´e totalmente ordenado pela rela¸c˜ao ≺, temos que

G= [

α∈A

onde A ⊂ I e cada Gα ´e aberto em Xα.

Se p ´e um ponto qualquer de G, existe α0 ∈ A tal que p ∈ Gα0. Como Xα0 ´e regular,

por hip´otese, existe um aberto H de Xα0 tal que

p∈ H ⊂ clXα0(H) ⊂ Gα0 ⊂ G.

Da proposi¸c˜ao 3.2.2 segue que clS(H) ⊂ clXα0(H). Logo,

p∈ H ⊂ clS(H) ⊂ Gα0 ⊂ G.

Portanto, S ´e T3. Como S ´e T1, segue que S ´e regular.

Suponhamos, agora, que para todo i ∈ I, o espa¸co topol´ogico Xi seja completamente

regular. Mostremos que S tamb´em o ser´a. Seja F um subconjunto fechado de S e p um ponto de S que n˜ao pertence a F . Ent˜ao, G = X \ F ´e um aberto de S ao qual p pertence. Repetindo o argumento utilizado acima, conclu´ımos que existe α0 ∈ I tal que p ∈ Gα0,

para algum Gα0 ⊂ G aberto em Xα0.

Como Xα0 ´e regular, existe

cont´ınua tal que f (p) = 0 e f (q) = 1, para todo q ∈ X \ Gα0.

Como S ´e uma expans˜ao de Xα0, temos que a fun¸c˜ao f exibida acima, considerada agora

com dom´ınio S, tamb´em ´e cont´ınua.

Al´em disso, f (F ) ⊂ {1}, pois F ⊂ X \ Gα0. Logo, S ´e T312. Como S ´e T1, segue que S

´e completamente regular.

Defini¸c˜ao 3.2.9. Seja κ > 1 um cardinal. Um espa¸co topol´ogico X que tem car´ater de dispers˜ao maior ou igual a κ e tal que toda expans˜ao pr´opria de X tem car´ater de dispers˜ao menor que κ ´e dito κ-maximal.

Observamos que um espa¸co topol´ogico T0 ´e ω-maximal se, e somente se, ´e maximal.

Defini¸c˜ao 3.2.10. Seja P uma propriedade topol´ogica. Se toda expans˜ao de um espa¸co topol´ogico que goza da propriedade P tamb´em a verifica, dizemos que P ´e invariante por expans˜oes.

Teorema 3.2.11. Sejam κ um cardinal infinito e P uma propriedade v´alida para espa¸cos topol´ogicos, invariante por expans˜oes. Todo espa¸co topol´ogico T0 que goza da propriedade

P e cujo car´ater de dispers˜ao ´e maior ou igual a κ admite uma expans˜ao κ-maximal que tamb´em goza da propriedade P.

Demonstra¸c˜ao. Seja E o suporte de um espa¸co topol´ogico X = (E, τ ) que ´e T0, goza da

propriedade P e cujo car´ater de dispers˜ao ´e maior ou igual a κ.

Seja B a cole¸c˜ao das subfam´ılias de P(E) que s˜ao bases de abertos para espa¸cos topol´ogicos que s˜ao expans˜oes de X, que gozam de P e que tem car´ater de dispers˜ao maior ou igual a κ, ordenada pela inclus˜ao.

Seja C = {Bi}i∈I uma cadeia em B. Seja Y o espa¸co topol´ogico de suporte E que tem

como base de abertosSi∈IBi. Notemos queSi∈IBi ´e, de fato, base de abertos para alguma

topologia sobre E (mais fina do que τ ), pois C ´e uma cadeia. Temos que ∆(Y ) ≥ κ. De fato, se U ´e um aberto n˜ao vazio de Y , ent˜ao U ⊃ Ui, para algum Ui ∈ Bi e, portanto,

|U | ≥ |Ui| ≥ κ. Logo, C ´e majorada por Y .

Do lema de Kuratowski-Zorn segue que B possui um elemento maximal M de B. Seja (E, σ) o espa¸co topol´ogico que tem M como base de abertos. Temos que (E, σ) ´e uma expans˜ao de X que tem car´ater de dispers˜ao maior ou igual a κ e, claro, goza de P, pois P ´e invariante por expans˜oes. Al´em disso, qualquer expans˜ao pr´opria (E, ρ) de (E, σ) ter´a car´ater de dispers˜ao menor do que κ, em virtude da maximalidade de M.

Teorema 3.2.12. Se κ ´e um cardinal infinito, ent˜ao todo espa¸co topol´ogico T0 cujo car´ater

de dispers˜ao ´e maior ou igual a κ admite uma expans˜ao κ-maximal que ´e, necessariamente, um espa¸co topol´ogico T1. Al´em disso, todo espa¸co topol´ogico T2 cujo car´ater de dispers˜ao

´e maior ou igual a κ admite uma expans˜ao κ-maximal que ´e, necessariamente, um espa¸co topol´ogico T21

2.

Demonstra¸c˜ao. Segue dos teoremas 3.2.6, 3.2.7 e 3.2.11.

Teorema 3.2.13. Seja κ um cardinal infinito. Existe um espa¸co topol´ogico κ-maximal que ´e T21

2.

Demonstra¸c˜ao. Em vista do teorema 3.2.12, basta mostrar que existe um espa¸co topol´ogico T2 de car´ater de dispers˜ao maior ou igual a κ. Seja

Como κω ´e metriz´avel, segue que Y tamb´em o ´e e, portanto, Y ´e T 2.

Al´em disso, temos que |Y | = κ e ∆(Y ) = κ.

Defini¸c˜ao 3.2.14. Seja κ > 1 um cardinal infinito e seja P uma propriedade v´alida para espa¸cos topol´ogicos. Um espa¸co topol´ogico X que goza da propriedade P, que verifica ∆(X) ≥ κ e tal que qualquer expans˜ao pr´opria de X ou n˜ao mais satisfaz a propriedade P ou tem car´ater de dispers˜ao menor do que κ ´e dito κ-maximal com respeito `a propriedade P.

Defini¸c˜ao 3.2.15. Seja P uma propriedade topol´ogica. Se o supremo de toda fam´ılia de espa¸cos topol´ogicos que gozam de P, totalmente ordenada pela rela¸c˜ao ≺, tamb´em verifica P, dizemos que P ´e uma propriedade de expans˜ao monotˆonica.

Teorema 3.2.16. Seja κ um cardinal infinito. Se P ´e uma propriedade de expans˜ao monotˆonica, ent˜ao todo espa¸co topol´ogico que goza de P e cujo car´ater de dispers˜ao ´e maior ou igual a κ admite uma expans˜ao κ-maximal com respeito `a propriedade P.

Demonstra¸c˜ao. Seja E o suporte de um espa¸co topol´ogico X = (E, τ ) que goza da propriedade P e cujo car´ater de dispers˜ao ´e maior ou igual a κ.

Seja B a cole¸c˜ao das subfam´ılias de P(E) que s˜ao bases de abertos para espa¸cos topol´ogicos que s˜ao expans˜oes de X, que gozam de P e que tem car´ater de dispers˜ao maior ou igual a κ, ordenada pela inclus˜ao.

Seja C = {Bi}i∈I uma cadeia em B. Consideremos τi a topologia sobre E que tem

Bi como base de abertos. Seja S = (E, σ) o supremo da fam´ılia {(E, τi)}i∈I. Como P ´e

uma propriedade de expans˜ao monotˆonica, segue que S goza de P. Al´em disso, ∆(S) ≥ κ. Portanto, S majora C.

Do lema de Kuratowski-Zorn segue que existe um elemento maximal M de B. Seja (E, σ) o espa¸co topol´ogico que tem M como base de abertos. Temos que (E, σ) ´e uma expans˜ao de X que goza de P e cujo car´ater de dispers˜ao ´e maior ou igual a κ. Al´em disso, qualquer expans˜ao pr´opria (E, ρ) de (E, σ) ter´a car´ater de dispers˜ao menor do que κ, ou n˜ao verificar´a a propriedade P, em virtude da maximalidade de M.

Teorema 3.2.17. Se κ ´e um cardinal infinito, ent˜ao todo espa¸co topol´ogico regular cujo car´ater de dispers˜ao ´e maior ou igual a κ admite uma expans˜ao que ´e κ-maximal com respeito `a propriedade de ser regular. Al´em disso, todo espa¸co topol´ogico completamente regular cujo car´ater de dispers˜ao ´e maior ou igual a κ admite uma expans˜ao que ´e κ-maximal com respeito `a propriedade de ser completamente regular.

Demonstra¸c˜ao. Segue dos teoremas 3.2.8 e 3.2.16.

Teorema 3.2.18. Seja κ um cardinal infinito. Existem espa¸cos topol´ogicos κ-maximais com respeito `as propriedades de regularidade e de regularidade completa.

Demonstra¸c˜ao. Em vista do teorema 3.2.17, basta mostrar que existem espa¸cos topol´ogicos regulares e completamente regulares de car´ater de dispers˜ao maior ou igual a κ. O espa¸co topol´ogico considerado no teorema 3.2.13 possui estas caracter´ısticas.

Teorema 3.2.19. Todo espa¸co topol´ogico T0 e denso em si mesmo admite uma expans˜ao

que ´e um espa¸co topol´ogico T1 e submaximal. Todo espa¸co topol´ogico T2 e denso em si

mesmo admite uma expans˜ao que ´e um espa¸co topol´ogico T21

Demonstra¸c˜ao. Basta aplicar o teorema 3.2.12 para κ = ω e utilizar o teorema 3.1.8.

Teorema 3.2.20. Seja κ um cardinal infinito. Existe um espa¸co topol´ogico de cardinalidade κ que ´e T21

2 e submaximal.

Demonstra¸c˜ao. Basta aplicar o teorema 3.2.19 ao espa¸co considerado no teorema 3.2.13.

Teorema 3.2.21. Todo espa¸co topol´ogico ω-maximal com respeito `a propriedade de ser completamente regular ´e hereditariamente irresol´uvel.

Demonstra¸c˜ao. Seja (X, τ ) um espa¸co topol´ogico ω-maximal com respeito `a propriedade de ser completamente regular. Suponhamos, por absurdo, que X n˜ao seja HI. Ent˜ao, existe A ⊂ X resol´uvel na topologia induzida. Da proposi¸c˜ao 2.1.5 segue que ¯A ´e, tamb´em, resol´uvel na topologia induzida e, portanto, cont´em dois subconjuntos densos complementares P e (X \ P ) ∩ ¯A. Seja {Ui}i∈I uma indexa¸c˜ao de τ .

Consideremos σ a topologia gerada pela subbase τ∪ {P } ∪ {(X \ P ) ∩ ¯A}. Temos que (X, σ) ´e uma expans˜ao de (X, τ ) e

τ ∪ {P ∩ Ui}i∈I∪ {[(X \ P ) ∩ ¯A] ∩ Ui}i∈I

´e uma base de abertos para (X, σ).

Afirmamos que (X, σ) ´e um espa¸co topol´ogico denso em si mesmo. Com efeito, basta mostrar que se U ∈ τ e U ∩P 6= ∅ (respectivamente, U ∩[(X \P )∩ ¯A] 6= ∅), ent˜ao |U ∩P | > 1

(respectivamente, |U ∩[(X \P )∩ ¯A]| > 1). Se U ∩P 6= ∅, ent˜ao U ∩ ¯A6= ∅, pois P ⊂ ¯A. Logo, U∩ ¯A´e um subconjunto aberto n˜ao vazio de ¯A. Como P ´e denso em ¯Ae ¯A´e, em particular, T1 (j´a que X ´e completamente regular), temos que |P ∩ (U ∩ ¯A)| = |P ∩ U | ≥ ω > 1.

Analogamente, mostramos que |U ∩ [(X \ P ) ∩ ¯A]| > 1.

Seja ψB : X → [0, 1] tal que ψB(B) ⊂ {0} e ψB(X \ B) ⊂ {1}, onde B ´e um subconjunto

arbitr´ario e fixado de X.

Como P e X \ P = [(X \ P ) ∩ ¯A] ∪ (X \ ¯A) s˜ao abertos em (X, σ), segue que a fun¸c˜ao ψP : (X, σ) → [0, 1]

´e cont´ınua. Analogamente, conclu´ımos que a fun¸c˜ao ψ[(X\P )∩ ¯A]: (X, σ) → [0, 1] ´e cont´ınua.

Se Ui´e um subconjunto aberto n˜ao vazio qualquer de (X, τ ) e se p ´e um ponto arbitr´ario

de Ui, existe, em virtude da regularidade completa do espa¸co topol´ogico em quest˜ao, uma

fun¸c˜ao cont´ınua

fp,Ui : (X, τ ) → [0, 1]

tal que fp,Ui(p) = 0 e fp,Ui(q) = 1, para todo q ∈ X \ Ui.

Como (X, σ) ´e uma expans˜ao de (X, τ ), segue que fp,Ui : (X, σ) → [0, 1]

´e, tamb´em, uma fun¸c˜ao cont´ınua.

Seja H um aberto b´asico qualquer de (X, σ) e p um ponto qualquer de H. Se H = Ui,

definimos

Se H = P ∩ Ui, definimos

gp,H = max{ψP, fp,Ui}.

Se H = [(X \ P ) ∩ ¯A] ∩ Ui, definimos

gp,H = max{ψ[(X\P )∩ ¯A], fp,Ui}.

As fun¸c˜oes gp,H acima definidas mostram que (X, σ) ´e completamente regular.

Como (X, σ) ´e denso em si mesmo e completamente regular, segue que seu car´ater de dispers˜ao ´e infinito. Do fato de (X, τ ) ser ω-maximal com respeito `a propriedade de ser completamente regular vem que (X, σ) = (X, τ ). Portanto, P e (X \ P ) ∩ ¯A s˜ao abertos disjuntos em (X, τ ), o que contradiz o fato de ambos serem densos em ¯A. Logo, (X, τ ) ´e HI.

Teorema 3.2.22. Todo espa¸co topol´ogico completamente regular e denso em si mesmo admite uma expans˜ao completamente regular, densa em si mesma e hereditariamente irresol´uvel.

Demonstra¸c˜ao. Basta aplicar o teorema 3.2.17 para κ = ω e, em seguida, utilizar o teorema 3.2.21.

Teorema 3.2.23. Seja κ um cardinal infinito. Existe um espa¸co topol´ogico completamente regular, denso em si mesmo e hereditariamente irresol´uvel de cardinalidade κ.

Demonstra¸c˜ao. Basta aplicar o teorema 3.2.22 ao espa¸co topol´ogico considerado no teorema 3.2.13.

Resolubilidade finita e