4. FUNN OG DISKUSJON
4.1 K OMPETANSE – HVA ER DET ?
Defini¸c˜ao 5.1.1. Um subconjunto N de um espa¸co topol´ogico X ´e dito raro se int( ¯N) = ∅. Caso contr´ario, N ´e dito abundante. A cole¸c˜ao de todos os subconjuntos raros de um espa¸co topol´ogico X ser´a denotada por N (X).
Defini¸c˜ao 5.1.2. Um espa¸co topol´ogico X ´e dito NODEC se todo subconjunto raro de X for fechado em X.
Proposi¸c˜ao 5.1.3. Um espa¸co topol´ogico X ´e submaximal se, e somente se, ´e OHI e NODEC.
Demonstra¸c˜ao. Seja X um espa¸co topol´ogico submaximal. Mostremos, primeiramente, que X ´e OHI. Com efeito, seja D um subconjunto denso qualquer de X. Da submaximalidade de X, segue que D ´e aberto em X e, portanto, int(D) = D ´e denso em X. Do teorema 3.1.2 decorre que X ´e OHI. Mostremos, agora, que X ´e NODEC. Para tanto, seja N um subconjunto raro qualquer de X. Provemos que N ´e fechado em X ou, equivalentemente, que X \ N ´e aberto em X. Afirmamos que X \ N ´e um subconjunto denso de X. De fato, se U ´e um aberto n˜ao vazio de X temos que U 6⊂ ¯N e, portanto, U 6⊂ N . Desta forma, U ∩ (X \ N ) 6= ∅. Utilizando novamente a submaximalidade de X, conclu´ımos que X \ N ´e aberto em X, o que encerra a demonstra¸c˜ao de que X ´e NODEC. Reciprocamente, seja X um espa¸co topol´ogico OHI e NODEC. Afirmamos que X ´e submaximal. De fato, seja D um subconjunto denso qualquer de X. Queremos mostrar que D ´e aberto em X (ou seja, que X \ D ´e fechado em X). Como X ´e NODEC, basta provar que X \ D ´e um subconjunto raro de X. Uma vez que X ´e OHI, do teorema 3.1.2 segue que int(D) ´e denso em X. Logo, X \ int(D) ´e um subconjunto fechado de X com
interior vazio. Como X \ D ⊂ X \ int(D), segue que (X \ D) ⊂ [X \ int(D)] e, portanto, int[(X \ D)] ⊂ int[(X \ int(D))] = ∅. Da´ı, conclu´ımos que X \ D ´e um subconjunto raro de X, o que encerra a demonstra¸c˜ao de que X ´e submaximal.
Lema 5.1.4. Seja X um espa¸co topol´ogico. Se todo subconjunto abundante de X cont´em um aberto n˜ao vazio de X, ent˜ao todo subconjunto denso de X tem interior denso em X. Demonstra¸c˜ao. Seja D um subconjunto denso de X. Suponhamos, por absurdo, que int(D) n˜ao seja denso em X. Existe, portanto, um aberto n˜ao vazio U de X tal que int(D) ∩ U = ∅. Como D ´e denso em X, segue que U ∩ D = ¯U e, portanto, int(U ∩ D) = int( ¯U) ⊃ U 6= ∅. Logo, U ∩ D ´e um subconjunto abundante de X. Por hip´otese, existe V um aberto n˜ao vazio de X tal que V ⊂ U ∩ D. Portanto, V ⊂ D e V ⊂ U . Como V ´e aberto em X, segue que V ⊂ int(D) e, portanto, ∅ 6= V ⊂ int(D) ∩ U , uma contradi¸c˜ao. Logo, int(D) ´e denso em X.
Exibiremos, a seguir, o resultado mais importante desta se¸c˜ao. A demonstra¸c˜ao que apresentamos para o teorema 5.1.5 ´e in´edita e foi obtida atrav´es da adapta¸c˜ao de t´ecnicas introduzidas em [12].
Teorema 5.1.5. O cubo de Cantor 2c
possui um subespa¸co enumer´avel, denso e submaximal.
Demonstra¸c˜ao. Do teorema de Hewitt-Marczewski-Pondiczery, segue que 2c
cont´em um subespa¸co denso e enumer´avel, o qual ser´a denotado por Y . Notemos que todo subconjunto
denso de 2c
´e, na verdade, ω-denso no cubo de Cantor em quest˜ao, j´a que 2c
´e um espa¸co topol´ogico T1 e todo aberto n˜ao vazio de 2c´e infinito.
Seja {fi}i<ω uma enumera¸c˜ao do conjunto Y . Por indu¸c˜ao transfinita em ν < c
construiremos, a partir de Y , um subespa¸co enumer´avel e denso do cubo de Cantor 2c
que ser´a, tamb´em, OHI e NODEC (e, portanto, submaximal).
Consideremos c = I0∪I′uma parti¸c˜ao de c, com |I0| = ω e |I′| = c. Particionemos, agora,
I0 em uma cole¸c˜ao de subconjuntos enumer´aveis e n˜ao vazios JA,α, para todo A ∈ [Y ]<ω e
todo α ∈ Y \ A. Note que ´e poss´ıvel obter uma tal parti¸c˜ao, uma vez que |[Y ]<ω| = ω.
Por indu¸c˜ao transfinita em ν < c, definiremos
• Fun¸c˜oes parciais finitas ην ∈ Fn(c, 2) e subconjuntos
Kν ⊂ I′\ [ [ ζ<ν Kζ ∪ [ {domηζ : ζ < ν}] de modo que Kν = ∅ ou |Kν| = ω.
Note que isto ´e poss´ıvel, uma vez que |I′| = c, |K
ζ| ≤ ω e |domηζ| < ω, para todo
ζ < ν < c.
• Subespa¸cos Yν = {fiν}i<ω enumer´aveis e densos no cubo de Cantor 2c, verificando a
seguinte propriedade: se ζ ´e um ordinal menor do que ν, ent˜ao fiν ↾(c\Iν)∪Iζ= fiζ ↾(c\Iν)∪Iζ
para todo i < ω, onde
Iα := I0∪ (∪β<αKβ)
ν = 0
Seja Y0 := {fi0}i<ω, onde fi0(ξ) := fi(ξ), se ξ ∈ c\I0. Se ξ ∈ I0, existem ´unicos A ∈ [Y ]<ω
e α ∈ Y \ A tais que ξ ∈ JA,α. Neste caso, fa¸camos
fi0(ξ) := 0 se fi 6= α e (fi(ξ) = 0 ou fi ∈ A) 1 se fi = α ou (fi(ξ) = 1 e fi 6∈ A)
Afirma¸c˜ao 1. Y0 ´e denso no cubo de Cantor 2c.
Um aberto b´asico do cubo de Cantor 2c
´e da forma Ω(p) =Y ζ<c Aζ onde p ∈ Fn(c, 2) e Aζ := {p(ζ)} se ζ ∈ domp 2 se ζ 6∈ domp Seja Ω(p) um aberto b´asico de 2c
. Como Y ´e denso no cubo de Cantor 2c
, segue que |Y ∩ Ω(p)| = ω. Seja {fi}i∈I⊂ω uma enumera¸c˜ao do conjunto Y ∩ Ω(p).
Consideremos {f0
i}i∈I ⊂ Y0. Afirmamos que |{fi0}i∈I| = ω. De fato, se |{fi0}i∈I| < ω,
existiriam i, j ∈ I, com i 6= j, tais que f0
i = fj0. Desta forma, teremos que fi = fj pois, do
contr´ario, seria poss´ıvel considerar A = {fi} e α = fj, resultando que fi0(ξ) = 0 e fj0(ξ) = 1,
para todo ξ ∈ JA,α, o que ´e absurdo, uma vez que fi0 = fj0. Todavia, isto contradiz o fato
Se domp ⊂ c \ I0, temos que {fi0}i∈I ⊂ Y0∩ Ω(p), pois fi0(ξ) = fi(ξ) = p(ξ), para todo
ξ∈ domp. Portanto, ω = |{f0
i}i∈I| ≤ |Y0∩ Ω(p)| ≤ ω, de onde segue que |Y0∩ Ω(p)| = ω.
Se domp 6⊂ c \ I0, consideremos
[
{A ∪ {α} ⊂ Y : JA,α∩ domp 6= ∅}.
Este ´e um conjunto finito e n˜ao vazio, j´a que {JA,α : A ∈ [Y ]<ω, α ∈ Y \ A} constitui
uma parti¸c˜ao de I0, |domp| < ω e |A| < ω. Seja {fi}i∈J⊂ω uma indexa¸c˜ao do conjunto em
quest˜ao.
Consideremos {f0
i}i∈J ⊂ Y0. Claramente, |{fi0}i∈J| < ω. Mostremos que {fi0}i∈I \
{f0
i}i∈J ⊂ Y0∩ Ω(p).
Para tanto, seja f0
i ∈ {fi0}i∈I \ {fi0}i∈J, qualquer. Se ξ ∈ domp ∩ (c \ I0), ent˜ao
f0
i(ξ) = fi(ξ) = p(ξ). Se ξ ∈ domp ∩ I0, ent˜ao existem ´unicos A ∈ [Y ]<ω e α ∈ Y \ A
tais que ξ ∈ JA,α. Como fi0 6∈ {fi0}i∈J (isto ´e, i 6∈ J), temos que fi 6∈ A ∪ {α} e, portanto,
f0
i(ξ) = fi(ξ) = p(ξ).
Logo, f0
i ∈ Y0∩ Ω(p).
Assim, temos que {f0
i}i∈I \ {fi0}i∈J ⊂ Y0∩ Ω(p). Como |{fi0}i∈I| = ω e |{fi0}i∈J| < ω,
segue que ω = |{f0
i}i∈I\ {fi0}i∈J| ≤ |Y0 ∩ Ω(p)| ≤ ω.
Portanto, |Y0∩ Ω(p)| = ω.
Afirma¸c˜ao 2. |Y0| = ω.
Como Y0 = {fi0}i<ω, temos que |Y0| ≤ ω. Da afirma¸c˜ao 1 segue que |Y0| ≥ ω. Logo,
|Y0| = ω.
ν ordinal limite
fiν(ξ) := fi(ξ) se ξ ∈ c \ Iν fi0(ξ) se ξ ∈ I0
fiζ+(ξ) se ξ ∈ ∪ζ<νKζ onde ζ ´e o ´unico ordinal tal que ξ ∈ Kζ
Note que c = (c \ Iν) ∪ I0∪ (∪ζ<νKζ).
Como as hip´oteses de indu¸c˜ao s˜ao v´alidas para todo ζ < ν, conclu´ımos que fiζ(ξ) = f0 i(ξ),
para todo ξ ∈ (c \ Iν) ∪ I0 (pois, se ζ < ν, ent˜ao Iζ ⊂ Iν e, portanto, c \ Iζ ⊃ c \ Iν).
No caso em que ξ ∈ (c\Iν), temos que fi0(ξ) = fi(ξ), j´a que I0 ⊂ Iν. Logo, fiν(ξ) = fi0(ξ),
para todo ξ ∈ (c \ Iν) ∪ I0 e, portanto, fiν(ξ) = f ζ
i(ξ), para todo ξ ∈ (c \ Iν) ∪ I0, onde ζ < ν
´e ordinal.
Afirma¸c˜ao 3. Yν ´e denso no cubo de Cantor 2c.
Seja Ω(p) um aberto b´asico de 2c
. Temos, por hip´otese de indu¸c˜ao, que |Yζ∩ Ω(p)| = ω,
para todo ordinal ζ < ν. Mostremos que |Yν ∩ Ω(p)| = ω.
Caso 1: domp ⊂ [(c \ Iν) ∪ I0]
Sabemos que |Y0∩ Ω(p)| = ω. Seja {fi0}i∈I⊂ω uma enumera¸c˜ao do conjunto Y0∩ Ω(p).
Consideremos {fν
i }i∈I ⊂ Yν. Neste caso, fiν(ξ) = fi0(ξ) = p(ξ), para todo ξ ∈ domp e
para todo i ∈ I. Portanto, {fν
i }i∈I ⊂ Yν ∩ Ω(p). A fim de demonstrar que |{fiν}i∈I| = ω,
utilizaremos o lema 4 enunciado abaixo.
Demonstra¸c˜ao. De fato, como f0
i 6= fj0, temos que fi 6= fj. Assim, fa¸camos A = {fi}
e α = fj. Escolhemos ξ ∈ JA,α ⊂ I0. Como fj = α, segue que fj0(ξ) = 1. Como fi 6= α e
fi ∈ A, segue que fi0(ξ) = 0.
Suponhamos, por absurdo, que |{fν
i }i∈I| < ω. Ent˜ao, existem i, j ∈ I, com i 6= j, tais
que fν
i = fjν. Em particular, fiν(ξ) = fjν(ξ), para todo ξ ∈ I0. Mas, se ξ ∈ I0, ent˜ao
fiν(ξ) = fi0(ξ) e fjν(ξ) = fj0(ξ). Da´ı, segue que fi0(ξ) = fj0(ξ), para todo ξ ∈ I0. Do lema
acima, vem que f0
i = fj0, o que ´e absurdo, pois {fi0}i∈I⊂ω ´e uma enumera¸c˜ao de Y0∩ Ω(p).
Logo, ω = |{fν i }i∈I| ≤ |Yν ∩ Ω(p)| ≤ ω e, portanto, |Yν∩ Ω(p)| = ω. Caso 2: domp 6⊂ [(c \ Iν) ∪ I0] Seja ζ0 := max{ζ < ν : domp ∩ Kζ 6= ∅} < ν ´
E f´acil ver que o conjunto acima descrito ´e finito e n˜ao vazio. Como ν ´e ordinal limite, temos que ζ0+ < ν. Al´em disso, sabemos que |Yζ+
0 ∩ Ω(p)| = ω.
Seja {fζ0+
i }i∈I⊂ω uma enumera¸c˜ao do conjunto Yζ0+ ∩ Ω(p). Considere {f ν
i }i∈I ⊂ Yν.
Como ζ0+< ν temos, por hip´otese de indu¸c˜ao, que
fζ0+
i ↾Iζ+= fζ
+
i ↾Iζ+
para todo ordinal ζ < ν tal que domp ∩ Kζ 6= ∅, qualquer que seja i ∈ I.
Se ξ ∈ domp ∩ [(c \ Iν) ∪ I0], ent˜ao fiν(ξ) = f ζ0+
i (ξ) = p(ξ), para todo i ∈ I.
Se ξ ∈ domp ∩ (Iν \ I0) = domp ∩ (∪ζ<νKζ), ent˜ao fiν(ξ) = f ζ+
i (ξ) = f ζ0+
i (ξ), j´a que
Iζ+ ⊃ Kζ, para todo i ∈ I. Em particular, teremos que
{fν
Por um argumento an´alogo ao utilizado no caso anterior, conclu´ımos que |Yν∩Ω(p)| = ω.
Afirma¸c˜ao 5. |Yν| = ω.
Como Yν = {fiν}i<ω, temos que |Yν| ≤ ω. Da afirma¸c˜ao 3, segue que |Yν| ≥ ω. Logo,
|Yν| = ω.
Afirma¸c˜ao 6. Para todo ordinal ζ < ν, temos que fiν ↾(c\Iν)∪Iζ= fiζ ↾(c\Iν)∪Iζ para todo i < ω.
Com efeito, fixemos i < ω, qualquer.
Fixemos, tamb´em, um ordinal ζ < ν arbitr´ario. Sabemos que se ξ ∈ [(c \ Iν) ∪ I0], ent˜ao fiν(ξ) = f
ζ i(ξ).
Se ξ ∈ Iζ \ I0 = ∪µ<ζKµ, ent˜ao existe um ´unico µ < ζ tal que ξ ∈ Kµ. Temos, por
defini¸c˜ao de Yν, que fiν(ξ) = f µ+
i (ξ). Como Kµ ⊂ Iµ+, segue que ξ ∈ Iµ+. Note que
µ+ ≤ ζ < ν e, portanto, por hip´otese de indu¸c˜ao, conclu´ımos que fζ
i(ξ) = f µ+ i (ξ). Logo, fν i(ξ) = f ζ i(ξ). Assim, fiν ↾(c\Iν)∪Iζ= f ζ i ↾(c\Iν)∪Iζ . ν+ 1 Seja F = {F0
ν : ν < c} uma indexa¸c˜ao dos subconjuntos de Y0 que tˆem cardinalidade ω.
Para cada ν < c, seja
Jν = {j < ω : fj0 ∈ F 0 ν e f 0 j 6= f 0
i para todo i < j tal que f 0
i ∈ F
0 ν}
e consideremos {f0
j}j∈Jν⊂ω uma enumera¸c˜ao do conjunto F
0 ν.
Definamos, para cada ν < c, Fν = {fjν}j∈Jν ⊂ Yν.
Caso 1: Fν ⊃ Ω(p) ∩ Yν, para algum aberto b´asico (n˜ao vazio) Ω(p) de 2 c
Neste caso, escolhamos alguma p ∈ Fn(c, 2) tal que Fν ⊃ Ω(p) ∩ Yν e definamos ην := p.
Definamos, tamb´em, Kν = ∅.
Fa¸camos Yν+1 := {fiν+1}i<ω, onde fiν+1 := fiν, para todo i < ω.
Temos, portanto, que Yν+1 = Yν e, desta maneira, todas as hip´oteses da indu¸c˜ao
transfinita em quest˜ao est˜ao trivialmente satisfeitas.
Caso 2: Ω(p) ∩ Yν 6⊂ Fν, para todo aberto b´asico (n˜ao vazio) Ω(p) de 2c
Neste caso, tomemos ην = ∅ e escolhamos
Kν ⊂ I′\ [ [ ζ<ν Kζ ∪ [ {domηζ : ζ < ν}]
tal que |Kν| = ω. Seja {ξj : j < ω} uma enumera¸c˜ao de Kν.
Definamos Yν+1 := {fiν+1}i<ω, onde
fiν+1(ξ) := fi(ξ) se ξ ∈ c \ Iν+1 fi0(ξ) se ξ ∈ I0 fν i (ξ) se ξ ∈ ∪ζ<νKζ
Como c = (c \ Iν+1) ∪ I0∪ (∪ζ<νKζ) ∪ Kν, resta apenas definir o valor de fiν+1 nos pontos
de Kν, para cada i ∈ ω.
fiν+1(ξj) := fν i (ξj) se fiν = fjν fν i (ξj) se fiν 6= fjν e fiν 6∈ Fν 1 − fν j(ξj) se fiν 6= fjν e fiν ∈ Fν
Sabemos que se ξ ∈ (c \ Iν+1) ∪ I0, ent˜ao fiν+1(ξ) = fi0(ξ), uma vez que se ξ ∈ c \ Iν+1,
ent˜ao fi(ξ) = fi0(ξ) (pois I0 ⊂ Iν+1).
Como as hip´oteses de indu¸c˜ao valem para ν, temos que
fiν ↾(c\Iν)∪I0= fi0 ↾(c\Iν)∪I0 . Logo, se ξ ∈ c \ Kν, ent˜ao fiν+1(ξ) = fiν(ξ).
Afirma¸c˜ao 7. Yν+1 ´e denso no cubo de Cantor 2c.
Suponhamos, por absurdo, que exista Ω(p) um aberto b´asico (n˜ao vazio) de 2c
tal que |Yν+1∩ Ω(p)| < ω. Seja {fiν+1}i∈I⊂ω uma indexa¸c˜ao do conjunto Yν+1∩ Ω(p).
Afirmamos que existe ξ∗ ∈ I
0\ domp tal que fiν+1(ξ∗) = 0, para todo i ∈ I. Com efeito,
consideremos {fi}i∈I ⊂ Y . Claramente, |{fi}i∈I| < ω. Desta maneira, fa¸camos A = {fi}i∈I.
Tomando α ∈ Y \ A qualquer, segue que, para todo ξ ∈ JA,α ⊂ Y0, teremos que fi0(ξ) = 0,
para todo i ∈ I. Como {α ∈ Y \ A : domp ∩ JA,α 6= ∅} ´e finito, para obter ξ∗ ∈ I0 \ domp
tal que f0
i(ξ∗) = 0, para todo i ∈ I, basta escolher α ∈ Y \ A tal que domp ∩ JA,α = ∅, o
que ´e poss´ıvel, j´a que |Y \ A| = ω. Como fiν+1 ↾I0= f
0
i ↾I0, segue a tese.
Seja q ∈ Fn(c, 2) tal que domq = domp ∪ {ξ∗}, q ↾
domp= p e q(ξ∗) = 1.
Afirmamos que Yν+1 ⊃ Yν \ Fν. De fato, seja fiν ∈ Yν \ Fν, para algum i < ω, qualquer.
Sabemos que fiν+1(ξ) = fiν(ξ), para todo ξ ∈ c \ Kν. Se ξj ∈ Kν, ent˜ao fiν+1(ξj) = fiν(ξj),
j´a que fν
i 6∈ Fν. Logo, fiν = fiν+1 ∈ Yν+1.
Desta forma, Yν+1 ⊃ Yν \ Fν e, em particular, temos que
Yν+1∩ Ω(q) ⊃ [Yν ∩ Ω(q)] \ Fν 6= ∅
o que ´e absurdo, posto que Yν+1∩ Ω(q) = ∅.
Logo, |Yν+1∩ Ω(p)| ≥ ω.
Como Yν+1 = {fiν+1}i<ω, segue que |Yν+1| ≤ ω.
Portanto, |Yν+1∩ Ω(p)| = ω.
Afirma¸c˜ao 8. |Yν+1| = ω.
Como Yν+1 = {fiν+1}i<ω, temos que |Yν+1| ≤ ω.
Da afirma¸c˜ao 7 segue que |Yν+1| ≥ ω.
Logo, |Yν+1| = ω.
Afirma¸c˜ao 9. Para todo ordinal ζ < ν + 1, temos que fiν+1 ↾(c\Iν+1)∪Iζ= f
ζ
i ↾(c\Iν+1)∪Iζ
para todo i < ω.
Seja ζ < ν + 1 um ordinal qualquer. Como Kν ⊂ Iν+1 e Kν ∩ Iζ = ∅, temos que se
ξ ∈ (c \ Iν+1) ∪ Iζ, ent˜ao fiν+1(ξ) = fiν(ξ). Como as hip´oteses de indu¸c˜ao valem para ν,
segue que fν i (ξ) = f ζ i(ξ), para todo ξ ∈ (c \ Iν+1) ∪ Iζ. Logo fiν+1(ξ) = f ζ i (ξ), para todo ξ ∈ (c \ Iν+1) ∪ Iζ. Seja Z = Yc:= {f c i}i<ω, onde
fc i(ξ) := fi(ξ) se ξ ∈ c \ Ic fi0(ξ) se ξ ∈ I0
fiζ+(ξ) se ξ ∈ ∪ζ<cKζ onde ζ ´e o ´unico ordinal tal que ξ ∈ Kζ
e
Ic:= I0∪ (∪ζ<cKζ).
Por um argumento an´alogo ao utilizado no passo limite da indu¸c˜ao transfinita, conclu´ımos que Z ´e um subespa¸co enumer´avel e denso do cubo de Cantor 2c
tal que se ζ < c, ent˜ao
f
c i↾
(c\Ic)∪Iζ= f
ζ i↾
(c\Ic)∪Iζ para todo i < ω.Al´em disso, observamos que todo aberto n˜ao vazio de Z cont´em um conjunto da forma Z ∩ Ω(p), para alguma p ∈ Fn(c, 2). Como Z ´e denso em 2c
, segue que |Z ∩ Ω(p)| = ω e, portanto, todo aberto n˜ao vazio de Z cont´em, pelo menos, ω pontos distintos (em outras palavras, ∆(Z) = ω).
Afirma¸c˜ao I. Todo subconjunto finito de Z ´e raro. Com efeito, como 2c
´e um espa¸co topol´ogico T1, segue que Z tamb´em o ´e e, portanto,
de todo subconjunto finito de Z tem interior vazio em Z e, portanto, todo subconjunto finito de Z ´e raro.
Afirma¸c˜ao II. Z ´e NODEC.
Seja F um subconjunto raro de Z. Mostremos que F ´e fechado em Z. J´a sabemos que se F ´e finito, ent˜ao F ´e fechado em Z. Portanto, basta considerar o caso em que |F | = ω.
Seja {fc
i}i∈I⊂ω uma enumera¸c˜ao do conjunto F .
Consideremos {f0
i}i∈I ⊂ Y0. Temos que, se i, j ∈ I e i 6= j, ent˜ao fi0 6= fj0 (pois, do
contr´ario, ter´ıamos que fc i = f
c
j, o que ´e absurdo, uma vez que {f c
i}i∈I ´e uma enumera¸c˜ao
de F ). Em particular, segue que |{f0
i}i∈I| = ω.
Como F ´e a cole¸c˜ao dos subconjuntos de Y0 de cardinalidade ω, conclu´ımos que
{f0
i}i∈I ∈ F e, portanto, existe ν < c tal que Fν0 = {fi0}i∈I.
Consideremos Fν = {fiν}i∈I ⊂ Yν.
Se Fν ⊃ Yν ∩ Ω(p), para alguma p ∈ Fn(c, 2), podemos assumir que Fν ⊃ Yν ∩ Ω(ην).
Afirmamos que F ⊃ Z ∩ Ω(ην).
Com efeito, seja fc
i ∈ Z ∩ Ω(ην) qualquer, onde i < ω. Sabemos que fiν ∈ Yν. Temos
tamb´em que se ξ ∈ domην, ent˜ao ξ 6∈ Kµ, para todo µ > ν. Lembremos tamb´em que,
neste passo da indu¸c˜ao transfinita, fizemos Kν = ∅ e, portanto, ξ 6∈ Kν. Logo, temos que
ξ ∈ (c \ ∪ν≤µ<cKµ) = (c \ Ic) ∪ Iν e, portanto, segue que f c
i(ξ) = fiν(ξ). Assim, como
fc
i ∈ Ω(ην), temos que se ξ ∈ domην, ent˜ao fic(ξ) = ην(ξ). Logo, fiν(ξ) = ην(ξ), de onde se
conclui que fν
i ∈ Ω(ην). Como Yν ∩ Ω(ην) ⊂ Fν, segue que fiν ∈ Fν = {fiν}i∈I e, portanto,
fc i ∈ F .
Deste modo, ¯F ⊃ Z ∩ Ω(ην) = Ω(ην) ⊃ Ω(ην) 6= ∅, o que ´e absurdo, pois F ´e um
subconjunto raro de Z.
Logo, Fν 6⊃ Yν∩ Ω(p), qualquer que seja p ∈ Fn(c, 2).
Para tanto, seja fν+1
i ∈ {f
ν+1
i }i∈I, qualquer.
Consideremos p ∈ Fn(c, 2) tal que domp = {ξi} ⊂ Kν e p(ξi) = fiν(ξi).
Temos que fiν+1(ξi) = fiν(ξi) = p(ξi) e, portanto, fiν+1 ∈ {f ν+1
i }i∈I ∩ Ω(p). Se
fjν+1 ∈ {fν+1
i }i∈I (isto ´e, se j ∈ I) ´e tal que fjν+1 6= fiν+1, ent˜ao fjν ∈ Fν e fjν 6= fiν.
Logo, fjν+1(ξi) = 1 − fiν(ξi) 6= p(ξi).
Da´ı, conclu´ımos que Ω(p) ∩ {fiν+1}i∈I = {fiν+1}.
Portanto, {fiν+1}i∈I ´e discreto em Yν+1.
Suponhamos, por absurdo, que exista fjν+1 ∈ {fiν+1}i∈I\ {fiν+1}i∈I.
Consideremos p ∈ Fn(c, 2) tal que domp = {ξj} ⊂ Kν e p(ξj) = fjν(ξj).
Afirmamos que Yν+1 ∩ Ω(p) ´e um aberto de Yν+1 ao qual fjν+1 pertence e que n˜ao
intersecta {fiν+1}i∈I. Com efeito, fjν+1(ξj) = fjν(ξj) = p(ξj) e, portanto, fjν+1 ∈ Ω(p) ∩ Yν+1.
Al´em disso, se fiν+1 ∈ {fiν+1}i∈I (isto ´e, se i ∈ I), ent˜ao fiν+1(ξj) = 1 − fjν(ξj) 6= p(ξj), pois
neste caso fν
i ∈ Fν e fiν 6= fjν. Da´ı, segue que Yν+1∩ Ω(p) ´e uma vizinhan¸ca aberta de fjν+1
que n˜ao intersecta {fiν+1}i∈I, o que ´e absurdo, pois fjν+1 ∈ {fiν+1}i∈I.
Logo, {fiν+1}i∈I ´e fechado em Yν+1.
Mostremos, agora, que F = {fc
i}i∈I ´e discreto e fechado em Z.
Para tanto, seja fc
i ∈ F , qualquer.
Consideremos p ∈ Fn(c, 2) tal que domp = {ξi} ⊂ Kν e p(ξi) = fiν(ξi).
Temos que F ∩ Ω(p) = {fc
i}. De fato, f c
i(ξi) = fiν+1(ξi) = fiν(ξi) = p(ξi), pois
ξi ∈ Kν ⊂ Iν+1 e ν + 1 < c. Portanto, fic ∈ F ∩ Ω(p). Al´em disso, se f c j ∈ F ´e tal que fc j 6= f c i, ent˜ao fjν 6= fiν e, portanto, f c
j(ξi) = 1 − fiν(ξi) 6= p(ξi). Da´ı, segue que
fc
j 6∈ Ω(p). Logo, F ∩ Ω(p) = {f c i}.
Suponhamos, por absurdo, que exista fc
j ∈ ¯F \ F .
Consideremos p ∈ Fn(c, 2) tal que domp = {ξj} ⊂ Kν e p(ξj) = fjν(ξj).
Afirmamos que Z ∩ Ω(p) ´e um aberto se Z ao qual fc
j pertence e que n˜ao intersecta
F. Com efeito, fc
Portanto, fc
j ∈ Z ∩ Ω(p). Al´em disso, se f c
i ∈ F (isto ´e, se i ∈ I), ent˜ao f c
j(ξj) = fjν+1(ξj) =
1 − fν
i (ξj) 6= p(ξj), pois fiν ∈ Fν e fiν 6= fjν. Contudo, isto ´e um absurdo, j´a que f c j ∈ ¯F.
Logo, F ´e fechado em Z. Portanto, Z ´e NODEC. Afirma¸c˜ao III. Z ´e OHI.
De acordo com o teorema 3.1.2, ´e suficiente mostrar que todo subconjunto denso de Z tem interior denso em Z. Utilizando o lema 5.1.4, basta provar que todo subconjunto abundante de Z cont´em um aberto n˜ao vazio de Z.
Para tanto, seja E um subconjunto abundante de Z. J´a observamos que |E| = ω. Seja {fc
i}i∈I⊂ω uma enumera¸c˜ao de E.
Consideremos {f0
i}i∈I ⊂ Y0. Temos que se i, j ∈ I e i 6= j, ent˜ao fi0 6= fj0 (pois, do
contr´ario, ter´ıamos que fc i = f
c
j, o que ´e absurdo, uma vez que {f c
i}i∈I ´e uma enumera¸c˜ao
de F ). Em particular, segue que |{f0
i}i∈I| = ω.
Como F ´e a cole¸c˜ao dos subconjuntos de Y0 de cardinalidade ω, conclu´ımos que
{f0
i}i∈I ∈ F e, portanto, existe ν < c tal que {fi0}i∈I = Fν0.
Seja Fν = {fiν}i∈I.
Se Fν 6⊃ Yν ∩ Ω(p), qualquer que seja p ∈ Fn(c, 2), ent˜ao E ser´a fechado e discreto em
Z (ver demonstra¸c˜ao da afirma¸c˜ao II) e, portanto, E n˜ao ser´a abundante em Z (de fato, como ¯E = E, basta mostrar que int(E) = ∅. Caso existisse um aberto n˜ao vazio U de Z contido em E, tomar´ıamos p ∈ U ⊂ E. Como E ´e discreto em Z, existe um aberto V de Z tal que V ∩ E = {p}. Logo, U ∩ V = {p} ´e um aberto de Z, o que significa que ∆(Z) = 1, um absurdo).
Desta forma, Fν ⊃ Yν∩ Ω(p), para alguma p ∈ Fn(c, 2). Da demonstra¸c˜ao da afirma¸c˜ao
II, conclui-se que E ⊃ Z ∩ Ω(ην).
Das afirma¸c˜oes II e III, conclu´ımos que Z ´e OHI e NODEC e, portanto, do lema 5.1.3, segue que Z ´e submaximal.
O resultado que consta no pr´oximo corol´ario j´a havia sido demonstrado, por outros m´etodos, em [2].
Corol´ario 5.1.6. O cubo de Cantor 2c
possui um subespa¸co enumer´avel, denso e irresol´uvel. Demonstra¸c˜ao. Segue imediatamente do teorema 5.1.5, uma vez que todo espa¸co topol´ogico submaximal ´e, em particular, irresol´uvel.
Observamos, por fim, que cada subespa¸co denso e enumer´avel de 2c
´e homeomeorfo a um subespa¸co denso de [0, 1]c
. De fato, seja S um subconjunto denso e enumer´avel de 2c
. ´
E poss´ıvel obter uma parti¸c˜ao {Iν : ν < c} de c de modo que |Iν| = ω e tal que 2Iν\ (S ↾Iν)
´e denso em 2Iν, qualquer que seja ν < c. Para cada ν < c, tomemos um subconjunto denso
enumer´avel Dν ⊂ 2Iν\ (S ↾Iν). ´E conhecido que o espa¸co topol´ogico 2
Iν\ D
ν ´e homeomorfo
ao espa¸co P dos n´umeros irracionais, para todo ν < c. Claramente, S ↾Iν⊂ 2
Iν \ D
ν e,
portanto, S ´e naturalmente homeomorfo a um subespa¸co denso deQ{2Iν\ D
ν : ν < c} que,
por sua vez, ´e homeomorfo ao cubo Pc
. Logo, S ´e homeomorfo a um subespa¸co denso de [0, 1]c
. Portanto, do teorema 5.1.5, segue que o cubo de Tychonoff [0, 1]c
tamb´em cont´em um subespa¸co enumer´avel, denso e submaximal.