4. STATOIL ASA
4.3 K OSTNADSALLOKERING I S TATOIL
Nesta subseção iniciamos nossa análise verificando como a implementação e o uso da ficha de acompanhamento de teletandem foram vistos pelos participantes deste estudo.
Apenas para esclarecimento, as fichas de acompanhamento deveriam ser preenchidas, após cada sessão de teletandem, por todos os alunos que a realizassem no laboratório da UNESP-Assis. As fichas eram recolhidas pelos monitores e arquivadas em pasta suspensa. As mesmas ficavam à disposição das pós-graduandas para consulta. O caráter rápido da ficha merece destaque, uma vez que deveria ser preenchida em um ou dois minutos para registro no e do laboratório. Até então não havia registro, pelos parceiros, das sessões realizadas naquele espaço.
A partir do roteiro elaborado para orientar nossa conversa com os alunos que frequentavam o laboratório de teletandem da UNESP-Assis, cujo objetivo era conhecer melhor o perfil daqueles alunos e como eles viam a ficha de acompanhamento recém implementada, passamos a registrar o posicionamento de cada um deles como notas de campo. Antes do encontro, tínhamos acesso às fichas que eles já haviam preenchido e levantávamos questões sobre avaliação, para que nossa conversa fosse mais objetiva. Alguns exemplos de questionamentos caracterizaram-se pelo propósito de: entender o porquê de uma sessão ter sido considerada melhor que outra pelo participante; saber porque alguns critérios não tinham sido avaliados pelos participantes em determinadas sessões; levar o participante a definir os critérios apresentados na ficha de teletandem para avaliação, dentre outros.
Quanto ao posicionamento dos alunos do grupo 1, seguem as próprias falas como respostas à pergunta “O que tem achado da ficha de acompanhamento?”:
Figura 14: Respostas à pergunta “O que tem achado da ficha de teletandem”?
De modo geral, observamos que os alunos deram mais valor à autoavaliação do que à avaliação do outro, ou seja, do que quando tinham que se posicionar em relação ao
desempenho do estrangeiro. Isso pode ser justificado pelo que os próprios alunos desse grupo revelaram durante os encontros. Primeiro, em relação à formação para ensinar português como LE: não me sinto professora de português (A4); ensinar português para estrangeiros é muito difícil (A6); em segundo lugar, pela informalidade que atribuem às sessões de teletandem: como não fazemos a correção é só uma conversa informal, um bate-papo; nos acostumamos com o parceiro e por isso não corrigimos o que ele fala (A8); preferimos levar uma conversa mais informal. Às vezes, comentamos uma coisa ou outra sobre a melhora no desempenho da língua, mas na maioria das vezes não (A5).
As participantes do grupo 2, ao responderem a pergunta 5 do questionário (Apêndices 3 e 4), “O que achou da ficha de acompanhamento de teletandem?”, afirmaram que:
A ficha de acompanhamento é importante para percebermos a nossa evolução e a do parceiro, além de criar metas para os próximos contatos. (PB2)
Foi útil para entender como maximizar as sessões: divisão do tempo para cada idioma, tratar de entender melhor a parceira. (PE2)
Boa para o reconhecimento do que realmente aconteceu durante a sessão, fazendo com que eu percebesse onde precisava melhorar minha fala e ajudar a da minha parceira. (PB1)
Válida, pois nos ajudava a relembrar como tinha sido a sessão, podendo assim avaliar tanto a mim quanto minha parceira e melhorar no nosso próximo encontro. (PB3)
A ficha de acompanhamento foi bem realizada porque ajuda para ver os progressos realizados. (PE1)
De forma mais detalhada que a visão dos participantes do grupo 1, as repostas das participantes do grupo 2 ratificam que o preenchimento da ficha de acompanhamento de teletandem contribui para a própria aprendizagem e para a aprendizagem do outro. Além disso, observamos que há espaço para a avaliação da interação, quando as participantes dão ênfase ao estabelecimento de metas para um próximo contato, ao entendimento melhor do parceiro e à melhoria do próximo encontro.
No entanto, a preparação para a avaliação, reconhecendo seu impacto na aprendizagem, mostrou-se fragilizada no teletandem, como ratificamos a seguir.
Além da impressão geral sobre a ficha de acompanhamento, as questões do instrumento que utilizamos, em conjunto com as fichas que os próprios alunos preencheram após as sessões de teletandem, deixaram claro o que apareceu explicitamente na fala de uma das participantes: só preenchi a ficha porque tinha que preencher, mas a vontade era de
deixar em branco por falta de clareza do que significa cada um desses itens (A1), quando fazia referência aos critérios pré-estabelecidos na ficha, principalmente em relação à fluência. Para termos uma ideia, fluência foi definida pelos alunos como compatibilidade entre os interlocutores (A1); conversar, não ficar preso só na gramática (A7); falar com clareza (A3); não precisa pensar tanto prá responder (A4); falar muito bem (A5); ser capaz de conversar sobre vários assuntos (A6). Essa dificuldade também foi justificada na revisão de literatura deste estudo, no capítulo 3, pelas diferentes acepções do termo (TEIXEIRA DA SILVA, 2000). Nesse sentido, a explicitação dos critérios de avaliação entre os pares é fundamental para o processo avaliativo e de aprendizagem.
Tal constatação foi também observada durante a oficina ministrada com o objetivo de explicitar os conceitos que fundamentam os critérios de avaliação da ficha de acompanhamento. Depois da apresentação e da dinâmica acerca dos conceitos sobre avaliação de proficiência em LE, os alunos afirmaram que a falta de conhecimento dos conceitos faz diferença na hora de preencher a ficha de acompanhamento de teletandem. Eles ainda revelaram acreditar que a maioria dos alunos que passa pelo laboratório não tem conhecimento suficiente para preencher a ficha adequadamente, e que por isso imaginam que a mesma esteja sendo preenchida apenas para cumprir uma exigência do laboratório. O espaço da ficha destinado para que os parceiros apontem o que o outro e o que ele próprio precisam melhorar, por exemplo, não estava apresentando contribuições, pois os alunos apenas repetiam os critérios assinalados como insatisfatórios anteriormente.
Assim, com base nos dois momentos de contato com os alunos, encontro inicial e oficina, percebemos que a avaliação estava sendo deixada para segundo plano durante as sessões de teletandem realizadas no laboratório da UNESP-Assis, considerando a redução do processo avaliativo à correção de desvios linguísticos.
Tendo como retorno esse panorama inicial do uso da ficha de acompanhamento de teletandem, de um lado como instrumento que otimiza a aprendizagem, e de outro pouco explorado pelos participantes brasileiros, procuramos dar maior ênfase, durante o processo de mediação das parcerias 1, 2 e 3 e da coleta dos dados junto a essas parcerias, ao entendimento de como otimizar o processo avaliativo no teletandem por meio da ficha de acompanhamento.