4. MUSIKK OG KONSERTEN SOM INSTITUSJON _________________________________ 37
4.2 K ONSERTINSTITUSJONEN
A amostra foi composta de 80 cuidadores familiares. Para a análise dos dados descritivos foram usados: média e desvio padrão. Para as amostras independentes, foi realizado o teste t e o teste Qui-Quadrado, para os dados não paramétricos. A coleta dos dados sociodemográficos foi realizada por meio de um questionário elaborado pela própria pesquisadora, em que variáveis como: sexo, escolaridade, estado civil, grau de parentesco, atividade laborativa, atividade de lazer e horas de cuidado, foram descritas na tabela 1.
Em relação à pesquisa qualitativa, esta foi realizada por meio de entrevista individual com 10 cuidadores familiares, escolhidos aleatoriamente, por meio da aplicação de um questionário elaborado pela pesquisadora com temas previamente selecionados. Buscaram-se as percepções atuais e sentimentos do cuidador em relação ao motivo do uso de medicações psicotrópicas, tempo de uso e melhoras após a utilização.
Segundo Goldenberg (1997), a integração da pesquisa quantitativa e qualitativa permite ao pesquisador um cruzamento de suas conclusões, de modo a ter maior confiança, que seus dados não são produtos de um procedimento específico ou de alguma situação particular.
As entrevistas foram gravadas e arquivadas para as devidas análises e relatos mencionados neste estudo, a fim de complementar e enriquecer as discussões que se seguem.
Para a identificação destes cuidadores, escolheram-se letras e números a fim de se estabelecer códigos, visando preservar a identidade do cuidador e também para uma melhor visualização desses indivíduos quando inseridos na discussão – C1 para cuidador 1, C2 para o cuidador 2, e assim, sucessivamente. Para caracterizar os sexos, utilizou-se M para cuidador do sexo masculino e F para feminino.
Tabela 1 - Variáveis descritivas sóciodemográficas dos cuidadores familiares. Variáveis n % Sexo Masculino 17 21,2 Feminino 63 78,7 Escolaridade
Ensino Fundamental Incompleto 7 8,8
Ensino Fundamental Completo 17 21,3
Ensino Médio Incompleto 7 8,8
Ensino Médio Completo 30 37,5
Ensino Superior Incompleto 5 6,3
Ensino Superior Completo 14 17,5
Estado Civil Cônjuge 62 77,5 Solteiro 6 7,5 Outros 12 15,8 Grau de Parentesco Esposo 23 28,8 Filhos 53 66,2 Outros 4 5,0 Atividade Laborativa Sim 33 41,3 Não 47 58,8 Atividade de Lazer Sim 14 17,5 Não 66 82,5 Horas de cuidado 12 horas diárias 75 93,7 Dias alternados 5 6,3
Tabela 2. Idade dos cuidadores familiares.
n Mínima Máxima Média Desvio padrão
Idade 80 37 84 55,28 9,91
A idade dos cuidadores variou entre 37 e 84 anos, com média de 55, 28 e desvio padrão de 9,91 como demonstrado na tabela 2. Utilizou-se para os dados descritivos, média e desvio padrão.
Os dados encontrados pelo presente estudo, em relação à faixa etária destes cuidadores estão em congruência com as demais pesquisas realizadas com cuidadores familiares de idosos portadores de demência de Alzheimer e são demonstrados na literatura internacional e nacional por um estudo realizado por Caldeira e Ribeiro (2007) onde a maior parte dos cuidadores familiares que compunham o estudo era do sexo feminino com idade entre 50 e 80 anos. Somados a estes, Karsch (2003), identificou em sua pesquisa que 59% dos 183 cuidadores familiares tinham idade superior a 50 anos e também eram do sexo feminino.
Outras pesquisas internacionais, lideradas por diversos autores (TAUB, 2004; CRUZ; HANDAM, 2008; LAPOLA et al., 2008) corroboram com os dados encontrados e indicam que, salvo por razões culturais muito específicas, a mulher é a cuidadora tradicional (NATAKANI et al., 2003). A Associação de Cuidadores do Reino Unido constatou que 72% dos cuidadores familiares de idosos portadores de demência de Alzheimer entrevistados eram mulheres (GONCALVES, 2002), sendo um resultado semelhante ao encontrado neste estudo.
Uma pesquisa realizada por Naira e Juliana (2006) também confirma a semelhança destes resultados. Em uma amostra de 96 cuidadores familiares, o estudo indicou que a maioria dos cuidadores era do sexo feminino (89,7%), com faixa etária média de 58 anos, a idade mínima encontrada nos cuidadores foi 34 anos e máxima de 84 anos.
Portanto, em relação à faixa etária na amostra dos cuidadores familiares analisados pelo estudo, estes estão em concordância quando comparado às demais pesquisas realizadas com este perfil de amostra.
Tabela 3 – Uso de psicotrópicos relacionados à idade dos cuidadores.
Uso de Psicotrópicos Idade
Sim 56.00 ±10,10 anos
Não 51.86 ± 8,49 anos
A distribuição dos cuidadores familiares em relação à faixa etária e ao uso de psicotrópicos pode ser observada na tabela 3. Para a análise, foi utilizado o teste t para amostras independentes, com evidencia de p= 0,16, o que confere uma ausência de relação positiva entre a idade dos cuidadores e o uso de psicotrópico,
ou seja, não houve significância estatística para esta variável, configurando a rejeição da hipótese.
Não foram evidenciados relatos na literatura que apresentem resultados acerca desta temática, o que dificulta discussões que permitam confrontar os dados encontrados na pesquisa.
Gráfico 1 – Distribuição dos cuidadores familiares em relação ao sexo.
63 (78,70%)
17 (21,20%)
Mulheres Homens
A variável descritiva relacionada ao sexo dos cuidadores familiares é demonstrada no gráfico 1. Utilizou-se para os dados descritivos, média e desvio padrão. Os resultados demonstram que, 63 (78,7%) cuidadores eram mulheres e 17 (21,2%) eram homens. Observa-se, com base no perfil da amostra apresentada, o predomínio de cuidadores do sexo feminino.
Estes dados são congruentes com a pesquisa realizada por Cláudia et al. (2012), que evidenciou em seus estudos a predominância de cuidadores do sexo feminino. Em sua amostra, composta por 65 cuidadores familiares, 58 (89,2%) eram do sexo feminino e dentre estas, 42 (72,4%) eram filhas. Outros estudos também corroboram com essa evidência: Shiguemoto (2010) relata que a maioria de seus cuidadores é do gênero feminino (80,1%); Lapola et al. (2008), afirmam que o sexo predominante da pesquisa é o feminino (90,0%).
Por se tratar da predominância de sexo feminino em cuidadores familiares, como demonstrado no presente estudo e evidenciado nas demais pesquisas descritas acima, é importante ressaltar que a mulher exerce um papel singular no cuidado. Alguns autores como Luzardo et al., (2006) afirmam que a sobrevivência da família, na tarefa de cuidar e ter a autoridade moral, segue normas culturais; ou seja, é do homem a autoridade, e da mulher é esperado o cuidado com os filhos, com o idoso, a organização da vida familiar e tudo que se relaciona com a casa.
Somados a estes, Saraiva et al., (2007), vem acrescentar, justificando que, na cultura ocidental é tradição que o cuidador seja pertencente ao sexo feminino. O fato de a maioria dos cuidadores familiares serem mulheres evidencia que a tarefa de cuidar ainda parece ser vista como função primordialmente feminina (BURNS et al., 2003; KARSCH, 2003).
Historicamente, a mulher é a cuidadora tradicional; geralmente as que residem no mesmo domicílio se tornam as cuidadoras de seus maridos, pais e até mesmo de filhos. Devido a razões predominantemente culturais, o papel da mulher cuidadora ainda é uma atribuição esperada pela sociedade (BURNS et al., 2003).
Fernandes (2003) ressalta em seus estudos que, em relação ao sexo de cuidadores familiares, identificou 11 mulheres e três homens cuidando de seus familiares idosos com doença de Alzheimer. O autor defende que a atribuição de papéis segue normas culturais que, no geral, destinam à mulher a organização da vida familiar, o cuidado dos filhos e dos idosos.
Floriani (2005) destaca que, apesar do doente ficar aos cuidados da família, a tarefa é desempenhada, na maioria das vezes, por mulheres. Karsch (2003) complementa que isso é devido a paradigmas culturais, sendo que o cuidar está relacionado à função da mulher na sociedade, muitas vezes com diversas atribuições como o cuidado com os filhos, esposo, atividades domésticas e, em alguns casos, trabalho fora do lar.
Outras pesquisas corroboram com os dados demonstrados pelo presente estudo e indicam que, a mulher é a cuidadora familiar tradicional (NATAKANI et al., 2003). A Associação de Cuidadores do Reino Unido constatou que 72% dos cuidadores familiares de idosos portadores de demência de Alzheimer entrevistados eram mulheres (GONCALVES, 2002).
Vários pesquisadores evidenciam que, em sua maioria, os cuidadores são do sexo feminino, especialmente esposas e filhas (MOHIDE, 1993; HINRICHSEN;
NIEDEREHE, 1994; HALEY, 1997; DUNKIN; HANLEY, 1998; GARRIDO; ALMEIDA, 1999; KARSCH, 2003; BURNS 2003; GARRIDO; MENEZES, 2004; TAUB, 2004). Essa constatação reflete um padrão cultural em que o papel de cuidador ainda é visto como uma função feminina (GOLDFARB; LOPES, 1996; KARSCH, 2003).
A distribuição dos cuidadores familiares usuários de psicotrópicos em relação ao sexo pode ser observada no gráfico 2. Neste grupo de cuidadores, não foi evidenciado uma significância em relação ao uso de psicotrópicos e sexo. Para a análise, foi utilizado o teste Qui-Quadrado, com evidencia de p= 0,99 o que confere uma ausência de relação positiva entre o sexo dos cuidadores e o uso de psicotrópico.
Gráfico 2 - Uso de psicotrópicos em relação ao sexo dos cuidadores.
52 (78,8%)
14 (82,4%)
Mulheres Homens
Dentre os 17 cuidadores familiares do sexo masculino, 14 (82, 4%) utilizam medicamento psicotrópico e 3 (17,6 %) não utilizam. Dos 63 cuidadores do sexo feminino, 52 (78,8%) utilizam medicamento e 11 (17,5%) não fazem uso. Ou seja, observa-se, proporcionalmente, um uso maior de psicotrópico no sexo masculino, quando comparado ao feminino.
O dado encontrado na pesquisa, relacionado ao predomínio de homens como usuário de psicotrópicos demonstra haver discordância com alguns trabalhos já publicados na literatura por Huf et al., (2000); Herrera et al., (2002) e Alvarenga (2008). Estes autores descrevem que a predominância de cuidadores familiares usuários de psicotrópicos ocorre frequentemente no sexo feminino. Os mesmos
justificam que, em suas amostras, além de evidenciar um percentual maior de cuidadores do sexo feminino quando comparado ao sexo masculino, estas utilizavam cerca de 80% a mais de psicotrópicos que os cuidadores masculinos. O uso de medicamentos psicotrópicos por parte destas cuidadoras, segundo os autores, se dá pelo fato destas serem mais perceptivas em relação à sintomatologia das doenças, além de procurarem mais precocemente ajuda, sendo menos resistentes ao uso de medicamentos quando comparadas aos homens (HUF et al; 2000; HERRERA et al., 2002).
Segundo Cruz e Hamdan (2008) os cuidadores do sexo feminino sofrem um impacto maior devido à atribuição de tarefas outras quando comparadas ao cuidador do sexo masculino. Alvarenga (2008) também diverge do presente estudo indicando haver forte relação entre o uso de psicotrópicos com o sexo feminino. Segundo o autor, as mulheres utilizam em maior frequência os serviços de saúde, além de serem mais adeptas a consultas médicas e são mais propensas a problemas de cunho afetivo e psicológico, o que confere a elas aproximadamente 30% de prevalência na utilização de medicação.
Alguns autores evidenciam que a prevalência do uso de psicotrópicos é mais evidente no sexo feminino (CRUZ et al., 2006;). Alvarenga (2008) constatou ainda que mais de 80% das pessoas idosas que utilizam psicotrópicos são do sexo feminino. O fato de o sexo feminino utilizar mais psicotrópico quando comparado ao sexo masculino, pode ser explicado pela evidência de que as mulheres vivem mais que os homens, e por isso tendem a sentir mais as dificuldades no enfrentamento do processo de cuidar e pelo próprio envelhecimento (ALVARENGA, 2008).
Os resultados desta pesquisa, discordantes da literatura existente, pode ter ocorrido porque, nesta amostra, os cuidadores do sexo masculino também têm as mesmas percepções sobre o cuidado demonstradas pelas mulheres, fazendo com que estes tendam a apresentar as mesmas dificuldades enfrentadas por parte das cuidadoras, tornando-os mais vulneráveis ao aparecimento de doenças, justificando, desta maneira, o predomínio, em porcentagem, do uso de psicotrópicos por parte dos cuidadores do sexo masculino.
A fala de um dos cuidadores entrevistados sinaliza esse sentimento e percepção em relação ao uso de psicotrópicos:
[...] Eu sou o único filho homem que cuida da minha mãe. Eu cuido dela com muito carinho porque ela cuidou de mim também com muito carinho.
Eu tomo remédio pra ver se eu consigo dormir melhor e melhoro o choro. Mas não é porque eu cuido da mãe, é porque eu sinto que preciso.C1M Portanto, é significativo dizer que, apesar do número de cuidadores do sexo feminino ser maior quando comparado ao masculino neste estudo, o uso de psicotrópicos dentre os homens, proporcionalmente, foi superior quando comparado aos cuidadores do sexo feminino. É importante ressaltar que, para o atual estudo, esta diferença observada entre o elevado número de homens que utilizam psicotrópicos quando comparado ao de mulheres pode se dar pelo fato de que foram realizadas entrevistas com um numero muito maior de cuidadores do sexo feminino do que masculino.
O gráfico 3 a seguir, indica os medicamentos psicotrópicos utilizados nesta amostra de 80 cuidadores familiares. Buscou-se discriminar o psicotrópico mais utilizado, sendo que o Rivotril (Clonazepam) é usado por 13 (16,3%) cuidadores, como demonstrado posteriormente.
O resultado evidenciou o Rivotril (Clonazepam) como o psicotrópico mais utilizado pelos cuidadores e isto pode ser verificado na fala de uma cuidadora que relata o uso da medicação e a melhora dos sintomas de ansiedade após o uso:
[...] Eu cuido do meu pai todos os dias o dia todo, inclusive nos finais de semana. Sinto-me cansada porque além de cuidar do meu pai, eu também tenho que fazer todas as tarefas da casa sozinha porque tenho três filhos pequenos. Eu fico vendo a situação do meu pai doente e fico tão ansiosa...mas esse remédio rivotril tem me ajudado. Eu já melhorei muito minha ansiedade depois que comecei a usar. C2F.
Marcia e Maria (2011) corroboram estes resultados em pesquisa realizada com 208 cuidadores familiares. Destes, 178 eram do sexo feminino. De acordo com o estudo, 130 cuidadoras relataram fazer uso de medicações. Dentre estas, 16% eram de antidepressivos e 36% de ansiolíticos. O Rivotril foi o mais utilizado (30%) na maioria das medicações psicotrópicas do estudo.
Gráfico 3 – Relação de psicotrópicos mais utilizados por parte dos cuidadores familiares.
O consumo elevado de Clonazepam, que pertence ao grupo dos benzodiazepínicos, pode ser justificado porque este medicamento possui alta potência, longo tempo de circulação como forma ativa e peculiaridades farmacodinâmicas, tornando-o um dos tranquilizantes mais receitados (MENDONÇA; CARVALHO, 2005; OLIVEIRA, 2009).
Assim, o Rivotril é indicado para a depressão, o controle da fobia social, do distúrbio do pânico, das formas de ansiedade generalizadas e para ajudar a controlar os sintomas de ansiedade normais decorrentes de situações extremas da vida de qualquer um (RANG; DALE, 2012). Estas propriedades farmacológicas descritas contribuem para justificar o alto consumo deste psicotrópico por parte da maioria dos usuários de psicotrópicos desta amostra.
A seguir, a variável relacionada ao grau de escolaridade dos cuidadores familiares do estudo é demonstrada no gráfico 4. Utilizou-se para os estes dados descritivos, média e desvio padrão.
Foi constatado que 7 (8,8%) cuidadores apresentavam Ensino Fundamental incompleto, 17 (21,3%) Ensino Fundamental Completo, 7 (8,8%) Ensino Médio Incompleto, 30 (37,5%) Ensino Médio Completo, 5 (6,3%) Ensino Superior Incompleto e 14 (17,5%) Ensino Superior Completo.
Os resultados inerentes ao perfil da amostra demonstram haver um grau de escolaridade elevado entre os cuidadores pesquisados.
Gráfico 4 – Escolaridade dos Cuidadores familiares.
7 (8,8%) 17 (21,3%) 7 (8,8%) 30 (37,5%) 5 (6,3%) 14 (17,5%) 0 5 10 15 20 25 30 35 Ensino Fund. Incompleto Ensino Fund. Completo Ensino Médio Incompleto Ensino Médio Completo Ensino Superior Incompleto Ensino Superior Completo
Com base na literatura, evidencia-se um levantamento realizado por Silva et al., (2008) em Belo Horizonte com cuidadores participantes de grupos de apoio, em que foi encontrado um perfil de escolaridade semelhante ao atual estudo. Essa pesquisa buscou avaliar a sobrecarga e qualidade de vida em 523 cuidadores familiares de idosos portadores de D.A. Destes, 46,6% apresentaram ensino superior completo. Os autores acreditam que a elevada escolaridade possa ser justificada por viés de seleção.
Um estudo realizado por Claudia et al., (2012), quanto ao nível de escolaridade dos 59 cuidadores participantes, 33 (55,9%) dos entrevistados apresentavam ensino médio completo; 12 ( 20,3%) ensino superior; 2 (3,3%) ensino médio incompleto; 7 ( 11,8%) ensino fundamental completo e 4 ( 6,7%)
ensino fundamental incompleto, demonstrando desta maneira, semelhança aos dados encontrados por esta pesquisa.
Alguns estudos, como o de Rodríguez-Sánchez et al., (2011) e Silveira et al (2008) sugerem que baixa escolaridade pode interferir, direta ou indiretamente, na prestação de cuidados aos idosos, havendo uma queda na qualidade do serviço prestado, pois o cuidador necessita seguir dietas, prescrições e manusear medicamentos. O nível de escolaridade apresentada pelos cuidadores contribui diretamente para manter um bom nível na qualidade dos cuidados dispensados aos idosos assistidos.
A elevada proporção dos cuidadores familiares com ensino médio completo e superior completo deste estudo, não se replica com frequência na maioria das demais pesquisas realizadas (FERREIRA et al., 2001; AMENDOLA et al., 2008; PINTO et al., 2009; BERGSTROM et al., 2011 ; BORGHI et al., 2011 ; McPHERSON et al., 2011 ; OLIVEIRA et al., 2011 ; UESUGUI et al., 2011). Este fato, talvez possa ser justificado pelo reflexo da amostragem adotada e pela característica urbana da população pesquisada já que estes cuidadores eram, em sua grande maioria, alfabetizados, apresentando mais de 8 anos de estudo.
No gráfico 5 a seguir, observa-se a relação entre o uso de psicotrópicos e o grau de escolaridade dos cuidadores familiares. Para a análise, foi utilizado o teste Qui-Quadrado, com evidência de p= 0,94 o que confere uma ausência de correlação positiva entre as variáveis, ou seja, não foi evidenciada uma significância estatística para justificar o uso de psicotrópicos quando comparado com o grau de escolaridade nos indivíduos desta amostra.
Importante ressaltar que na variável escolaridade e uso de psicotrópicos, os dados evidenciam que 62,2% dos cuidadores têm mais de 11 anos de estudo. Em contrapartida, 37,8 destes apresentam menor nível de escolaridade. Apesar de não haver uma relação significante de psicotrópico e escolaridade, observa-se, no gráfico a seguir, que o consumo de psicotrópico é mais evidente nos indivíduos com maior grau de ensino formal.
Os resultados encontrados no estudo não se replicam quando se busca estudos que objetivam comparar a semelhança destes, como é demonstrado na maioria das pesquisas realizadas (SILVA et al., 2008; SILVEIRA et al., 2008; RODRÍGUEZ -SANCHEZ et al., 2011; CLAUDIA et al., 2012), evidenciando que, o
elevado uso de psicotrópicos está proporcionalmente relacionado aos cuidadores familiares que possuem grau de escolaridade menor que 8 anos de estudos.
Gráfico 5 – Uso de psicotrópico relacionado com a escolaridade dos cuidadores.
5 (7,6%) 14 (21,2%) 6 (9,1%) 26 (39,4%) 4 (6,1%) 11 (16,7%) 0 5 10 15 20 25 30 Ensino Fund. Incompleto Ensino Fund. Completo Ensino Médio Incompleto Ensino Médio Completo Ensino Superior Incompleto Ensino Superior Completo .
Para estes autores, segundo os resultados encontrados em seus estudos, quanto menor o nível de escolaridade dos cuidadores familiares, mais evidenciado é o uso de psicotrópicos, fato este que diverge dos resultados encontrados nesta pesquisa, visto que nesta amostra, quanto maior o nivel de instrução, maior o consumo de psicotrópicos.
O estado civil, dos participantes deste estudo, é demonstrado no gráfico 6. Na análise estatística, utilizaram-se os dados descritivos, média e desvio padrão, na qual 62 (77,5%) dos cuidadores eram casados, 6 (7,5%) solteiros e 12 ( 15,8%) considerados como outros ( divorciados e viúvos)
Gráfico 6 – Estado civil dos cuidadores familiares. 62 (77,5%) 6 (7,5%) 12 (15,8%) 0 10 20 30 40 50 60 70
Casado Solteiro Divorciados / Viúvos
O estudo de Nakatani (2003) identificou que 66,6% dos cuidadores eram solteiros, diferenciando os resultados encontrados entre os cuidadores deste estudo. Em contrapartida, os estudos de ETTERS et al., (2000); NERI E CARVALHO, (2002); GONCALVES et al., (2006); CALDAS, (2007); KLUTHCOVSKY; TAKAYANAGUI, (2007); AMENDOLA e ALVARENGA, (2008); BRONDANI et al., (2009), evidenciam a alta prevalência de cuidadores familiares casados, corroborando com os dados encontrados nesta amostra. Ainda em relação ao estado civil, Renata et al., (2006) constatou em sua pesquisa, que todos os 16 dos cuidadores familiares que compunham sua amostra eram casados.
Portanto, esta variável abordada pelo estudo, se encontra em consonância com as demais pesquisas que relatam o estado civil dos cuidadores familiares de idosos portadores de demência de Alzheimer como casados.
A distribuição dos cuidadores familiares em relação ao grau de parentesco pode ser observada na tabela 4. Utilizou–se para os dados descritivos, média e desvio padrão
Verificou-se que, dos 23 cuidadores cônjuges, 6 (26,0%) eram do sexo masculino e 17 ( 35,2%) feminino, em relação aos filhos, 10 ( 18,8%) eram do sexo
masculino e 43 ( 23,2%) do sexo feminino. Neste estudo houve predomínio de cuidadoras filhas, seguido pelas esposas, e por último os demais cuidadores classificados como outros (noras, genros, sobrinhas e parentes próximos), de acordo com a tabela que se segue:
Tabela 4. Grau de Parentesco.
Grau de Parentesco n %
Cônjuge 23 28,7%
Filho 53 66%
Outros 4 5%
Relativamente aos descendentes, segundo Sequeira (2007) a escolha do cuidador recai habitualmente na decisão de cada filho, bem como na disponibilidade, relativamente ao cuidar dos pais. Esta observação vem ao encontro aos dados obtidos neste estudo, visto que 66% dos cuidadores eram filhos e, destes, a maioria (81,13%) eram filhas.
O fato das mulheres, antigamente, não desempenharem funções fora de casa, permitia maior disponibilidade para o cuidado da família e da casa. Isso pode ser encontrado em estudos como os de SCAZUFCA (2002); KARCH (2003); GARRIDO e MENESES (2004); AMENDOLA e ALVARENGA (2008); ETTERS et al., (2008), os quais relatam a presença da mulher como cuidadora, geralmente sendo a filha seguido pela esposa.
Os estudos de AGUGLIA et al., (2004); McCURRY et al., (2007) e INOUYE et al., (2008) também encontraram a filha como principal cuidadora familiar nas suas pesquisas. Como discussão, os autores relatam que na vida familiar, existe uma hierarquia de rede de apoio: em primeiro lugar, vem a esposa e, em seguida, vêm os descendentes diretos, sendo a filha mais velha a candidata mais provável. CATTANI e GIRARDON-PERLINI (2004) discorrem que, raramente o cuidador é uma pessoa