7. AVSLUTTENDE BETRAKTNINGER OG KONKLUSJON
7.1 K ONKLUSJON OG ANBEFALINGER TIL VIDERE ARBEID
Nos últimos anos têm-se observado, em vários campos da ciência, mudanças significativas no que se refere à relação entre cognição22 e afetividade23. Se antes o funcionamento cerebral e o comportamento humano eram explicados apenas sob uma perspectiva cognitivista, na qual as emoções ocupavam um papel coadjuvante e pouco explorado, atualmente já se considera que os aspectos afetivos não apenas estão presentes em todas as ações humanas, mas também que as influenciam de forma bastante intensa.
Muitos são os autores (ARANTES, 2002; DAMÁSIO, 1996; LE DOUX, 2001; entre outros) que constataram, de alguma forma, a relação entre cognição e afetividade como um processo contínuo e indissociável. Talvez um dos principais adeptos desse pensamento tenha
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Tradução: A mente humana está sempre cheia de emoções, que atuam como causas subjacentes de muito do que fazemos. Somente às vezes nos damos conta de sua influência, mas geralmente atribuímos nossas ações a “razões” elaboradas pelo intelecto, cuja função de sobrevivência é controlar nossa produção e dar sentido ao entorno. Esta e todas as demais traduções incluídas em nota foram feitas livremente pela pesquisadora.
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Entendemos por cognição o processo cerebral que transforma informações em conhecimento. As ciências cognitivas buscam entender de que maneira adquirimos o conhecimento do mundo que nos cerca e que uso fazemos dele para aí vivermos (LE DOUX, 2001, p. 23).
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São muitas as definições do termo “afetividade”. Neste trabalho, a consideramos “em sentido amplo, como os aspectos da emoção, do sentimento, do estado de ânimo ou da atitude que condicionam a conduta”, conforme definido por Arnold e Brown (2000, p.19).
sido Jean Piaget, profundo estudioso do desenvolvimento cognitivo, para quem “apesar de diferentes em sua natureza, a afetividade e a cognição são inseparáveis, indissociadas em todas as ações simbólicas e sensório-motoras” (PIAGET, 195424 apud ARANTES, 2002, p. 162). Para ele, toda ação e pensamento comportam um aspecto cognitivo, representado pelas estruturas mentais, e um aspecto afetivo, representado por uma estrutura energética, que é a afetividade.
Para Greenberg, Rice e Elliot (199625 apud ARANTES, 2002, p. 167) a relação entre cognição e afetividade é complementar e bidirecional:
[...] enquanto a emoção nos sinaliza a respeito do que está nos afetando e estabelece a meta para que possamos alcançá-la, a cognição nos ajuda a dar sentido à nossa experiência, assim como a razão nos ajuda a imaginar o melhor modo de alcançarmos a meta.
Igualmente, Arantes (2002, p. 159) postula que “o conhecimento dos sentimentos e das emoções requer ações cognitivas, da mesma forma que tais ações cognitivas pressupõem a presença de aspectos afetivos”.
Le Doux, pesquisador no campo da neurologia, considera que a emoção e a cognição são companheiras na mente. Salienta que, depois de anos de domínio cognitivista, a ciência voltou a conseguir que o estudo dos estados mentais fosse respeitado, e agora insiste que convém reconciliar a cognição e a emoção na mente (2001, p. 36):
Mas agora é chegado o momento de ressituar a cognição em seu contexto mental – reunindo cognição e emoção no seio da mente. A mente possui pensamentos e emoções, e o estudo de qualquer um deles sem o outro jamais será plenamente satisfatório.
Nessa mesma perspectiva situa-se o neurologista português António Damásio, autor do livro O erro de Descartes (1996). A obra é baseada em seus estudos com pacientes que apresentavam deficiências neurológicas na tomada de decisões e distúrbios da emoção. A hipótese principal de Damásio (conhecida como hipótese do marcador somático) estabelece que a emoção é parte integrante do processo de raciocínio e pode auxiliá-lo ao invés de, como se costumava supor, necessariamente perturbá-lo. Contrariamente à visão cartesiana de
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PIAGET, J. Les relations entre l'intelligence et l'affectivité dans le developpement de l'enfant. In: RIMÉ, B.; SCHERER, K. (Eds.). Les Émotions. Textes de base en psychologie. Paris: Delachaux et Niestlé, 1989. p. 75- 95. As obras, cujos textos citamos via terceiros (apud), têm sua referência completa em nota de rodapé. Como não nos foi possível consultá-las no original, elas não constam das Referências da tese.
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GREENBERG, L. S.; RICE, L. N.; ELLIOT, R. Facilitando el cambio emocional: el proceso terapéutico
separação abissal entre corpo e mente, Damásio postula que ambos caminham intrinsecamente ligados e não hierarquicamente organizados:
Conhecer a relevância das emoções nos processos de raciocínio não significa que a razão seja menos importante do que as emoções, que deva ser relegada para segundo plano ou deva ser menos cultivada. Pelo contrário, ao verificarmos a função alargada das emoções, é possível realçar seus efeitos positivos e reduzir seu potencial negativo. Em particular, sem diminuir o valor da orientação das emoções normais, é natural que se queira proteger a razão da fraqueza que as emoções anormais ou a manipulação das emoções normais podem provocar no processo de planejamento e decisão. (1996, p. 277).
Sintonizada com as mudanças de paradigma na ciência, a área da educação também começou a valorizar de forma mais intensa os aspectos afetivos dentro do processo de aprendizagem, principalmente após o surgimento da psicologia humanística na década de setenta. Conforme explicitado por Williams e Burden (1999, p. 39),
Los enfoques humanísticos acentúan la importancia del mundo interior del alumno y colocan los pensamientos, los sentimientos y las emociones individuales al frente del desarrollo humano. Estos son unos aspectos del proceso de aprendizaje que a menudo se olvidan injustamente pero que resultan de vital importancia si queremos entender el aprendizaje global del ser humano.26
Gross (199227, p. 139, apud ARNOLD, 2000, p. 25), referindo-se às grandes tendências da aprendizagem no século XXI, também destaca a importância da aprendizagem que considera a totalidade do cérebro, reconhecendo a contribuição da afetividade:
[...] as idéias relacionadas ao funcionamento do nosso cérebro provocaram uma enorme agitação nos círculos científicos e educativos durante a década passada. Agora parece evidente que se pode estimular e fortalecer a aprendizagem ativando uma maior capacidade do cérebro. Podemos acelerar e enriquecer nossa aprendizagem utilizando os sentidos, as emoções e a imaginação.
Nas últimas décadas, portanto, passam a intensificar-se, na área da Pedagogia, os estudos que tratam de variáveis afetivas. Aspectos como ansiedade, retraimento social,
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Tradução: Os enfoques humanísticos acentuam a importância do mundo interior do aluno e colocam os pensamentos, os sentimentos e as emoções individuais à frente do desenvolvimento humano. Estes são aspectos do processo de aprendizagem que freqüentemente são esquecidos injustamente, mas que se mostram de vital importância se queremos entender a aprendizagem global do ser humano.
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GROSS, R. Lifelong learning in the learning society of the twenty-first century. In: COLLINS, C.; MANGIERI, J. (Eds.) Teaching Thinking: An Agenda for the Twenty-First Century. Hillsdale, Nueva Jersey: Lawrence Eribaum, 1992. 352p.
vergonha, depressão, auto-estima, auto-eficácia, autonomia, e motivação (entre outros) tornaram-se temas freqüentes de discussão e objeto de pesquisas28. Por parte dos professores, entretanto, o conhecimento das relações entre cognição e fatores afetivos ainda encontra-se, comumente, no campo da intuição. Reconhece-se a presença e a influência das emoções no processo de aprendizagem, mas raramente sabe-se como tirar o melhor proveito delas e como trabalhá-las em sala. Conforme afirmam Sastre e Moreno (2003, p. 144):
As emoções e os sentimentos raramente constituem um objeto de reflexão no âmbito escolar, como se o seu conhecimento fosse inato ou desnecessário. Apesar de ser um dos campos mais complexos do pensamento humano – ou talvez por isso –, seu conhecimento é deixado ao acaso, mesmo sabendo-se que esse é o tema que pode conduzir aos estados mentais positivos ou aos mais profundamente negativos.
Reconhecer a importância dos fatores afetivos no contexto de aprendizagem é essencial para que se formem cidadãos mais completos, intelectual e emocionalmente equilibrados. Ademais, faz-se necessário buscar caminhos através dos quais as diferentes manifestações emocionais presentes em cada aluno possam ser observadas, diagnosticadas e trabalhadas, de forma que emoção e cognição se integrem na busca de um desenvolvimento integral do indivíduo.