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S VAKHETER I FUNNENE

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Essa categoria temática compreende 22 artigos publicados no período compreendido entre 1911 e 1998 e que focalizaram a educação e o ensino brasileiros em diferentes períodos históricos. O Quadro 8 apresenta a distribuição dos artigos, de acordo com ano de publicação, os autores e os títulos.

Quadro 8 – Artigos sobre educação e ensino publicados na RIHGSP

Ano Autores Títulos

1911 Affonso D’Escragnolle Taunay Os princípios da moderna crítica histórica 1911 Luiz Gastão D’Escragnolle Doria Fundação dos cursos jurídicos

1923 Ernesto Goulart Penteado A instrução popular em São Paulo 1931-

1932 Armando de Arruda Pereira São Paulo, berço da engenharia nacional 1938 Vicente Temudo Lessa Um sábio educador [o bispo Azeredo Coutinho] 1952 Tito Livio Ferreira Grupos escolares paulistas e seus patronos

1956 Ernesto de Sousa Campos Escolas rurais: origem, evolução e estado atual do problema 1957 Astor França Azevedo João Lourenço Rodrigues, educador insigne, historiador consumado 1959 Ernesto de Sousa Campos Origens do ensino da engenharia e da medicina no Brasil 1959 Tito Livio Ferreira A Universidade de Coimbra, Camões e Manoel da Nóbrega 1960 Edgard de Cerqueira Falcão Sesquicentenário da criação do ensino médio oficial no Brasil 1961 Alexandre D'Alessandro Antônio Francisco de Paula Souza, fundador e primeiro diretor da Escola Politécnica de São Paulo 1965 Aureliano Leite A propósito da criação de uma universidade - documento inédito 1970 Ernesto de Sousa Campos Colaborações: origem, evolução e desenvolvimento da instituição universitária brasileira 1970 Nilva Rogick Mello Onde se dá conta de mensagem inédita de Campanha da Princesa a Pedro I pleiteando a criação de uma universidade

em Minas Gerais

1971 Antônio D'Avilla Um educador brasileiro: Almeida Júnior 1973 Alfredo Gomes Educação a religião

1985 Mário Savelli Meio século da universidade

1987 Maria Amália Corrêa Giffoni Subsídios para a história da Escola de Educação Física da USP 1991 Moisés Gicovate Lourenço Filho o educador

1996 Hélio Abranches Viotti Ensino público em São Paulo entre 1551 e 1759 1998 Marly T. Germano Perecia A educação pública no interior do estado de São Paulo

Os resultados do Quadro 8 apontam que os 22 artigos sobre “educação e ensino” foram escritos por 20 autores, pois Tito Lívio Ferreira comparece com dois artigos e Ernesto de Sousa Campos, com 3 artigos.

Entre os temas abordados nos artigos encontram-se a criação de cursos e de instituições de ensino superiores no Brasil.

Assim, foram focalizados os cursos jurídicos de Recife e de São Paulo; o ciclo evolutivo do ensino de Engenharia no Brasil, com destaque para o fato de que o berço da engenharia nacional localizava-se no estado de São Paulo; as origens do ensino de Engenharia e de Medicina no Brasil, destacando Ernesto de Sousa Campos (1959, p. 184) que “se São Paulo não tinha a primazia do ensino de Engenharia, possuía as divisas de instituidor do ensino oficial da Medicina”; a história da Escola de Educação Física da USP, da Escola Politécnica de São Paulo. Além disso, abordam a criação de uma universidade em Minas Gerais e da Universidade de Coimbra em Portugal, bem como sobre a instituição universitária. Outros artigos abordam um dos criadores do ensino comercial e econômico no Brasil e em Portugal (bispo Azeredo Coutinho) e outros tratam do ensino médio, da instrução e do ensino públicos. Há artigos sobre as escolas rurais, os grupos escolares paulistas e seus fundadores, bem como sobre personalidades educacionais (João Lourenço Rodrigues, Lourenço Filho, Almeida Junior) e defensores do ensino público, como, por exemplo, Antonio Francisco de Paula Souza.

Na impossibilidade de comentar cada um desses 22 artigos da categoria temática “educação e ensino” – e posteriormente, no capítulo 4 dessa tese, faremos a análise de conteúdo de uma amostra do total de artigos – selecionamos para comentar um deles, publicado em 1952, por Tito Lívio Ferreira, sob o título “Grupos escolares paulistas e seus patronos”.

O pretexto do autor para a escrita do artigo foi um decreto do governo paulista, de 15 de janeiro de 1947, sobre a denominação de 102 estabelecimentos de ensino. Embora o autor mencione o número do decreto como sendo 1.672, na verdade o correto é 16.72031, datado de 15 de janeiro de 1947. Por meio desse decreto, na visão de Tito Lívio Ferreira (1952) buscava-se

[...] cultuar a memória de vultos nacionais e de homens cujas vidas estão ligadas à formação histórico-social de cidades paulistas, com

mandar gravar-lhes os nomes nas frontarias de estabelecimentos de ensino, em localidades onde esses pioneiros, fundadores, povoadores viveram, trabalharam, sofreram e morreram. (...) A justificativa aposta a cada nome de patrono, revela, na síntese biográfica, o historiador que as foi carinhosamente traçando. .(FERREIRA, 1952, p.155-156)

Esse decreto foi assinado por José Carlos de Macedo Soares, sócio e presidente perpétuo do IHGSP, naquela data pelo interventor federal em São Paulo tendo como secretário da Educação Plínio Caiado de Castro e como diretor geral da Secretaria de Governo o poeta Cassiano Ricardo (ALESP, 1947).

Tito Lívio Ferreira também faz considerações a respeito da identidade do historiador incumbido pelo interventor federal de traçar as sínteses biográficas dos patronos escolhidos, o sócio do IHGSP José Pedro Leite Cordeiro, a respeito de quem assim se expressava: “inteligência moça e arejada ao serviço da pesquisa histórica e um dos mais formosos espíritos desse sodalício. E se lhe pronuncio o nome nesta oportunidade, é porque ele bem merece os nossos louvores e aplausos”. (FERREIRA, 1952, p. 158)

Além disso, o autor também dá sua interpretação a respeito do ato do interventor federal do governo paulista, que ao propor essas denominações aos grupos escolares, demonstrou

[...] de maneira cabal, de forma notável, embora voltado para a solução dos altos problemas administrativos de nossa terra, como está inteiramente identificado com o seu talento de historiador erudito. E assim o autor de "Fronteiras do Brasil no Regime Colonial" e de "Santo Antonio de Lisboa Militar no Brasil" e de tantas outras obras de investigação histórica, reacende a lareira de nossas tradições históricas, com reavivar-lhe as chamas do civismo, em nossos estabelecimentos de ensino. (FERREIRA, 1952, p.158)

Em vista da publicação desse decreto, Tito Lívio Ferreira propõe que o IHGSP consigne na ata dos trabalhos do Instituto um voto de aplausos e louvores ao embaixador José Carlos de Macedo Soares e interventor federal em São Paulo, pela “beleza cívica” do decreto 16.720, de 15 de janeiro de 1947, que dá denominações a mais de cem grupos escolares, levando em conta

[...] a história dos municípios em que estão localizados, rende tributo e homenagem aos fundadores e precursores, ou aos filhos ilustres de cidades nossas, levando os atuais moradores a se recordarem deles; institui ou dá ocasião de instituir, entre professores e alunos, o culto

do passado, pois todos eles saberão ou procurarão saber quem foram os patronos dos respectivos estabelecimentos; ensina as crianças e aos adolescentes a nossa história e chama a atenção do povo para as nossas tradições, com exaltar o civismo de nossos maiores; focaliza os nomes de Dom Duarte, Dom Bernardo Rodrigues Nogueira, Orvile Derby, Pedro Taques, Capistrano de Abreu, Pandiá Calógeras, Diogo de Faria, Frei Gaspar da Madre de Deus, Bartolomeu Bueno da Silva, e em decretos posteriores, os nomes de Francisco Cardona, para Mogi- Mirim e Antônio Cândido de Camargo, para Limeira, além de em

decreto especial e com a mais longa justificação, salienta a personalidade mareante de Afrânio Peixoto; revela o espírito cívico de um governo a cuja frente se acha o Presidente perpétuo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, estadista e homem de letras,

historiógrafo e homem de governo, e, para orgulho nosso, membro integrante de nosso venerando sodalício; grava, nas frontarias desses

estabelecimentos de ensino de nossa terra, nomes de cientistas, historiadores, professores, linhagistas de projeção nacional e de bandeirantes. Fundadores e povoadores de cidades paulistas, figuras evocativas cujas vidas estiveram vinculadas para todo o sempre a esses lugares onde viveram, penaram, trabalharam e morreram. Assim sendo levar-se-á, por ofício, ao conhecimento de Sua Excia. o Sr. Embaixador José Carlos de Macedo Soares a nossa resolução, extensiva a Sua Excia. o Sr. Dr. Plínio Caiado de Castro e ao Dr. José Pedro Leite Cordeiro, pela brilhante contribuição de ambos, ao recordar, reviver e reavivar esses vultos do passado, projetados no presente e engrandecidos no futuro (FERREIRA, 1952, p. 158-159).

É interessante notar que a lógica que presidia a escolha do patrono dos grupos escolares recaia, na maioria das vezes, a personalidades da vida política nacional e local, sendo muito poucos educadores ou pessoas ligadas à educação. O exame das biografias desses patronos corrobora esse entendimento, pois entre 102 nomes (APÊNDICE B) encontramos apenas nove que, de alguma forma, possuem ligações com o campo da educação: Lamartine Delamare, Padre Leonardo Nunes – o padre voador, Desembargador Manuel Jorge Rodrigues, Pedro Teixeira de Queiroz, Brasílio Machado, Clóvis Bevilaqua, Joaquim Ignácio Ramalho, Barão de Ramalho, Capistrano de Abreu.

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