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O risco de crédito é um conceito cada vez mais importante na sociedade actual, contribuindo inclusivamente para a ocorrência de graves crises económicas, como por exemplo a crise do subprime, iniciada em 2007 nos EUA e propagada posteriormente a nível mundial.

Este conceito reveste-se ainda de maior importância no caso das instituições financeiras, uma vez que a sua actividade principal é precisamente a concessão de crédito, tornando- se impreterível que estas possuam uma gestão de risco eficaz que permita antecipar eventuais ocorrências de incumprimento por parte dos seus clientes. Este crescimento do crédito vencido deu-se em todos os sectores de actividade, destacando-se sobretudo o sector da construção.

De acordo com estudos recentes, observa-se que, do ponto de vista do risco de crédito, as PME são bastante diferentes das grandes empresas, surgindo a necessidade de desenvolver modelos de avaliação de risco específicos para PME. Algumas referências bibliográficas indicam que a informação qualitativa, quando adicionada a um modelo de avaliação de risco, aumenta a sua capacidade de previsão da ocorrência de incumprimento, sobretudo nas PME onde a informação financeira é mais escassa e difícil de obter.

O objectivo a que me propus inicialmente era perceber se existem idiossincrasias sectoriais ao nível do risco de crédito e se a variável sector é ou não uma variável importante para melhorar a capacidade preditiva de um modelo de avaliação de risco de uma média empresa portuguesa.

No presente estudo procedi à análise univariada de 5 rácios financeiros e 2 variáveis qualitativas, o sector de actividade e a localização geográfica, tendo utilizado para o efeito o cálculo do Information Value e do Coeficiente de Gini, de uma amostra de mais de 10.000 médias empresas, clientes de uma Instituição Financeira portuguesa. Através do cálculo destes indicadores, pôde-se comparar o poder discriminante de cada variável e perceber quais as que possuíam maior capacidade em prever o risco de incumprimento.

Adicionalmente, analisou-se o impacto da crise económica iniciada em 2007 sobre a capacidade preditiva das variáveis, tendo-se verificado que as variáveis financeiras registam um incremento destes indicadores a partir de 2007, enquanto nas variáveis qualitativas se verifica um aumento a partir de 2008, ainda que não seja tão evidente o impacto da crise sobre as variáveis qualitativas como nas variáveis financeiras.

Observou-se ainda a evolução média anual por sector de actividade dos rácios financeiros, tendo-se verificado que estes evoluíram de forma diferente ao longo do tempo, salientando-se que o exercício de 2007 marca alterações nos comportamentos dos rácios financeiros de forma diferente nos diversos sectores de actividade.

Para além disso, o estudo demonstra ainda que no período 2006-2011 se observa uma tendência de crescimento da percentagem de empresas com crédito vencido na generalidade dos sectores de actividade.

De uma forma global, os resultados obtidos expressam que as variáveis financeiras são as que possuem maior poder discriminante, possuindo no geral valores médios ou elevados de IV e Gini. Relativamente às variáveis não financeiras, verifica-se que apesar de a variável localização geográfica da empresa ser menos importante em termos de capacidade preditiva, registando índices de IV e Gini relativamente reduzidos, o mesmo não acontece quanto ao sector. Efectivamente, observa-se que a variável sector possui uma capacidade preditiva relevante segundo o IV e Gini. Os valores obtidos são inclusivamente superiores aos de um dos rácios financeiros aqui analisados, confirmando-se assim que a informação sectorial é relevante e, muito provavelmente, aumentará a capacidade de previsão de incumprimento, caso seja considerada num modelo de avaliação de risco. Na sequência desta conclusão, uma questão que muito naturalmente se pode colocar é a seguinte: deve a informação sectorial ser considerada como variável exógena da previsão do incumprimento, ou justificar-se-á, em alternativa, desenvolver para cada sector um modelo específico de previsão de incumprimento? De forma equivalente, se poderia questionar, numa perspectiva de análise multivariada, se a correlação entre a variável sector e as variáveis financeiras poderá ser elevada ao ponto de inibir a inclusão do sector como variável explicativa. Estas são questões que ficam em aberto e que poderão ser tratadas em futuras análises.

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