«O fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertar»
Fernando Pessoa, Páginas de Estética e Teoria Literárias64
Com o eclodir da crise de 2008, o mundo vira-se para a economia em busca de respostas, procurando entender o que falhou e como é que poderia dela sair. A ciência económica pareceu buscar respostas: pega-se na técnica para a corrigir mas algo de estranho acontece; revê-se a matemática, refazem-se as contas mas as respostas técnicas deixam de solucionar. O grave é que os problemas não eram técnicos, o problema não estava na conta, estava no raciocínio – estava nas teorias. A ciência económica não conseguia responder. Parecia ser necessária a reforma da economia. Mas tal não aconteceu. A economia manteve-se muito colada à técnica e muito longe do mundo.
Porquê? Por que é que isto acontece? Por que é acusada a ciência económica de comportamentos autistas? Por que não existiu a esperada reforma? Reardon (2012) aponta quatro razões fundamentais: a primeira é a propensão dos indivíduos, e aqui, claro, estão incluídos os académicos, para ficarem presos aos seus hábitos e rejeitarem, quase visceralmente, o que possa perturbar a sua «ordem»65; segunda, e relacionada com a primeira, é o facto de existir uma certa, e compreensível, relutância em admitir que o trabalho realizado foi em vão66; terceira, o bloqueio de qualquer tipo de reforma, levado a cabo pelas instituições basilares da economia neoclássica67; quarta e última, aparecendo como a cola que junta as três anteriores, o ensino da economia – a verdadeira explicação para «por que os economistas não podiam prever a crise recente: por que ignoram paradigmas alternativos; por que aderem obstinadamente a políticas falhadas; e por que marginalizam e provocam os discordantes» (Reardon, 2012:4).
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Pessoa, Fernando (1966 [1924]), Páginas de Estética e de Teoria Literárias, Lisboa, Ática, p.30.
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Reardon (2012) aponta Francis Bacon como defensor desta tese que enuncia.
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«Ironicamente, para uma disciplina que se reclama da racionalidade, é difícil para os seus profissionais estabelecidos abdicarem das suas crenças de toda uma vida em favor de um novo paradigma. E, lamentavelmente, as limitações míopes e fundamentalistas da sua educação impede a compreensão das várias alternativas.» (Reardon, 2012:3,4)
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Reardon (2012) refere-se aos departamentos universitários, às associações, às revistas científicas, aos sistemas de classificação, aos manuais de economia, e mesmo à própria narrativa.
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É sobre esta última razão, que, no fundo, é um pouco de todas as anteriores, que agora nos debruçamos, através da análise dos currículos da licenciatura de economia, para que possamos compreender quanto do que nos encontramos a discutir acerca da ciência económica, isto é, quanto da tecnicização da ciência económica, tem vindo a ser transferido para o ensino da economia.
i) Case-study: Os currículos das licenciaturas de economia em Portugal
Para que possamos analisar os currículos das licenciaturas, e já que o porquê está respondido, é nos necessário esclarecer o quê, quando, onde e como da questão. Comecemos. O quê são os planos curriculares, as cadeiras que são lecionadas e/ou disponibilizadas aos alunos de uma licenciatura de economia.
O quando é, na primeira alínea desta parte, no ano letivo de 2012/2013, sendo que estes planos têm, normalmente, algum prolongamento no tempo. Porém na segunda alínea, visto tratar-se de uma análise evolutiva, o período tratado é, grosso modo, o de 1990 até à atualidade, sendo que as datas exatas em análise variam consoante a universidade porque os seus programas foram modificados em diferentes momentos.
O onde é, na primeira alínea, nas licenciaturas de economia das universidades públicas portuguesas68 (ISCTE-IUL, Universidade dos Açores, Universidade da Beira Interior, Universidade de Évora, Universidade do Minho, Universidade do Porto, ISEG-UTL, Universidade de Aveiro, Universidade do Algarve, Universidade de Coimbra, Universidade da Madeira, Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro69) juntamente com as Universidades Católica de Lisboa e do Porto70. Na segunda alínea, porque as universidades públicas portuguesas são, ao mesmo tempo, muitas e com um peso muito diverso, procuraremos as cinco principais universidades, leia-se, as que mais alunos inscritos tiveram no ano de 2012/2013. No entanto, tal não nos foi possível, por completo, uma vez que não nos foram disponibilizados, apesar de repetidas solicitações, os dados para a UNL, razão pela qual nos limitámos às quatro restantes.
O como requer mais alguma atenção. Para que se pudesse verificar qual as tendências seguidas pela formulação dos currículos, decidimos adotar uma metodologia de classificação das cadeiras lecionadas, através do seu agrupamento em tipologias previamente definidas.
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Ver Gráfico 1.
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De aqui em diante, designadas pelas suas siglas. Pela mesma ordem, ISCTE, UAç, UBI, UEv, UM, UP, ISEG, UAv, UAlg, UC, Uma, UNL e UTAD.
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Estas tipologias foram, em parte, retiradas do trabalho levado a cabo pelo coletivo de estudantes PEPS-Economie71 (2013).
As tipologias que utilizamos para agrupar as cadeiras ou ECTS são as seguintes: Micro/Macroeconomia, que visa conter as cadeiras que, como o nome indica, lecionam temas de micro e macroeconomia, os quais, pelo seu peso, merecem um lugar de relevo; Técnicas Quantitativas, na qual se inserem cadeiras que sejam principalmente de caráter matemático ou estatístico, como Econometria, Cálculo e Análise de Dados, bem como as próprias Matemática e Estatística; Abordagens Refletivas, onde se podem encontrar cadeiras que sejam de natureza questionadora ou problematizadora das questões económicas, bem como cadeiras que tenham como objetivo a introdução e análise da própria ciência económica, como as cadeiras de Pensamento Económico; Interdisciplinaridade, que contém as cadeiras que, tipicamente, estão à margem da ciência económica, isto é, outras áreas autónomas do conhecimento, mesmo quando nelas sejam levantados problemas relacionados com a economia, como é o caso da Sociologia ou da História; Gestão, que é o grupo de cadeiras relacionadas com a área empresarial e organizativa; Abordagem Temática, onde se procuram reunir os grandes temas da ciência económica, como a Economia do Trabalho ou a Economia Internacional; Técnicas de Expressão, que visa cobrir as cadeiras que tenham como objetivo o ensino de técnicas de escrita, exposição e pesquisa típicas da ciência económica; Profissionalização, que engloba as cadeiras viradas para a inserção no mercado de trabalho; e, por fim, não sendo uma verdadeira tipologia, uma vez que não prescreve uma certa área lecionada na economia, mas sim um grupo de cadeiras que se podem também elas dividir nas tipologias indicadas, encontramos as Optativas, que são o conjunto de cadeiras que, de forma mais ou menos livre, os estudantes podem escolher. Parecem-nos ser estas as áreas em que se podem dividir as cadeiras da licenciatura de Economia.
Embora, maioritariamente, o nome da cadeira seja bastante translúcido quanto àquilo que é o conteúdo dessa mesma cadeira, para que pudéssemos vincular cada cadeira a uma tipologia, foi-nos necessário olhar para o seu plano programático para que não incorrêssemos em erros neste aspeto72.
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Pour un enseignement pluraliste dans le supérieur en économie. Reiteramos, aqui, o agradecimento ao coletivo PEPS-Economie, pelo trabalho realizado e pela ajuda e disponibilidade prestadas.
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Por exemplo, se nos tivéssemos limitado ao nome das cadeiras, ao analisar o currículo do ISEG, poderíamos ter considerado que a cadeira de Economia I e Economia II seriam cadeiras introdutórias à ciência económica e, como tal, parte da tipologia de Abordagens Reflectivas. No entanto, bastará
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Dizemos que a metodologia de agrupamento em tipologias foi em parte, e não totalmente, retirada do tal trabalho realizado pelo PEPS-Economie, pois, como poderá ser observado no Gráfico 10, a tipologia denota algumas diferenças da mencionada, especialmente tendo em vista, a distinção que imprimimos entre as tipologias de Micro/Macroeconomia e de Técnicas Quantitativas: muito embora, o mais das vezes, os programas da primeira tenham um cariz que se encontra muito perto da pura modelização, não nos parece conceptualmente correto confundi-la com a segunda. É que mesmo que na prática exista uma certa tendência, observada nas cinco principais universidades, para uma tecnicização destas cadeiras, a sua essência, de facto, não é técnica. Por outro lado, julgamos que uma tipologia com este peso deverá estar por si só, para que esse mesmo ónus seja inteligível, isto é, não desejamos incorrer no risco de não ser claro o peso destas cadeiras, por estarem diluídas em outra tipologia mais abarcante.
Gráfico 1 – Distribuição dos alunos inscritos na licenciatura de Economia no ano letivo 2012/2013 por Universidades públicas portuguesas
a) Análise dos Planos Curriculares em vigor (2012/2013)
Vejamos, então, os resultados que nos foi possível obter através de tal metodologia.
Como podemos observar, o Gráfico 2 e o Gráfico 3 indicam-nos a distribuição do total dos ECTS73 ou das cadeiras pelas tipologias, respetivamente. Tal distinção revela-nos que não
observar o programa dessas cadeiras e correspondente bibliografia para que nos apercebamos de que são, na verdade, disciplinas de Micro/Macroeconomia.
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Os ECTS são o Sistema Europeu de Transferência e Acumulação de Créditos (European Credit Transfer and Accumulation System) que «exprimem a quantidade de trabalho que cada módulo exige relativamente ao volume global de trabalho necessário para concluir com êxito um ano de estudos no
7% 5% 1% 2% 4% 13% 3% 2% 7% 20% 19% 3% 14% ISCTE-IUL UAv UAç UAlg UBI UC UEv UMadeira UM UNL UP UTAD ISEG
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existe uma diferença significativa naquilo que ambos são capazes de nos demonstrar, o que quer dizer que existe alguma equidade entre os ECTS que cada cadeira tem. Na sua grande maioria74, as licenciaturas de economia possuem 30 cadeiras, cada uma com 6 ECTS, perfazendo o total legislado de 180 ECTS. Por esta razão, e porque julgamos a comparação necessária estar aqui plasmada, nos gráficos subsequentes a estes observamos apenas a distribuição por ECTS.
Gráfico 2 – Distribuição dos ECTS por tipologia (c/ optativas)
Gráfico 3 – Distribuição das cadeiras por tipologia (c/ optativas)
estabelecimento e não se limita apenas às horas de frequência.» (Consultado e citado através do site da DGES: http://www.dges.mctes.pt/dges/pt/estudantes/processo%20de%20bolonha/objectivos/ects)
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Excepto a UC (33), UMa (24), UNL (26) e UP (32).
16% 21% 6% 7% 11% 22% 0% 1% 16% Micro/Macroeconomia Técnicas Quantitativas Abordagens Reflectivas Interdisciplinaridade Gestão Abordagem Temática Técnicas de Expressão Profissionalização Optativas 15,0% 21,1% 7,0% 7,8% 10,8% 21,3% 0,2% 0,9% 15,9% Micro/Macroeconomia Técnicas Quantitativas Abordagens Reflectivas Interdisciplinaridade Gestão Abordagens Temáticas Técnicas de Expressão Profissionalização Optativas
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Através destes gráficos é-nos possível entender o grande peso, entre os 15 e os 16%, da tipologia de Micro/Macroeconomia, especialmente se pensarmos que apenas se referem a dois temas de cadeiras: a microeconomia e a macroeconomia. Na verdade, embora sejam realmente apenas dois temas, deve ter-se em conta que, embora teoricamente sejam apenas duas cadeiras, elas se prolongam ao longo do currículo através separações em diversos níveis75. Por aqui podemos, mais uma vez, reiterar o que já foi dito acerca do papel que estas cadeiras detêm nos currículos das licenciaturas, uma das razões pelas quais nos pareceu incontornável que olhássemos mais atentamente para os seus programas e, até, bibliografia.
Olhando para as tais cinco «principais» universidades, podemos denotar uma semelhança em termos de conteúdos programáticos destas cadeiras, mas também da própria bibliografia recomendada. Todas têm como pedras basilares os modelos do paradigma da escolha racional, com pouco enfoque em autores como Keynes, nenhuma referência a modelos de tipo marxista, e apenas uma (UNL) dedica um dos seus pontos programáticos à busca de uma resposta para a ciência económica depois da crise de 2008. Quanto à bibliografia, importa apenas mencionar que ela, maioritariamente, se repete nas cinco universidades, com especial enfoque para os manuais de Varian (2010), Blanchard (2010) e Mankiw (2012).
Voltando à análise gráfica, deparamo-nos com uma enorme fatia atribuída às Técnicas Quantitativas, apenas separada por 0,2% das Abordagens Temáticas, no Gráfico 3. A proximidade, ou melhor, a quase igualdade, de relevância atribuída a estes dois tipos leva-nos a dois tipos de considerações. A primeira, é que, realmente, são estas as duas tipologias que assumem, no seu seio, a maior quantidade de cadeiras, mas que tal não se deve confundir com diversidade, isto é, embora haja um número de cadeiras semelhante nestas tipologias, o conteúdo das Técnicas Quantitativas é assaz mais homogéneo face à diversidade de cadeiras que compõem as Abordagens Temáticas, o que acentua o peso da primeira em relação à segunda. A outra consideração que vale a pena fazer, e que é em parte retirada da primeira, é que as Técnicas Quantitativas representam, todas elas, apenas uma forma de análise económica, a quantificação, e que estas cadeiras, mais do que analisar a economia, se debruçam, de forma exclusiva, sobre a análise, sobre os próprios instrumentos de análise quantitativa que estão disponíveis à economia; ao passo que, as Abordagens Temáticas visam abranger as diferentes áreas económicas por excelência – como a industrial, a pública, a
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Exemplo disto são as denominações de cadeiras como Microeconomia I e II, Introdução à Microeconomia, ou Microeconomia Avançada.
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monetária, a financeira, e, no nosso caso, a portuguesa e/ou europeia – abarcando as diversas análises que delas podem ser feitas, bem como diversos debates, o que não poderá ser dito sobre as Técnicas Quantitativas. Cabe, no entanto, fazer uma ressalva quanto às cadeiras que se encontram nesta tipologia, no caso português: o panorama destas é pouco heterogéneo, quando comparamos a lista destas cadeiras, de universidade para universidade, e existe apenas uma área reduzida, dentro dos temas lecionados, que se relacione com áreas de debate da realidade atual, isto é, existe pouco enfoque em cadeiras como Economia do Desenvolvimento ou Economia Europeia.
Por outro lado, pode ver-se que as Abordagens Refletivas não ocupam lugar algum de relevo nestes planos, provando que existe, de facto, um afastamento entre o ensino e o poder do questionamento, isto é, sem prejuízo das outras cadeiras nas quais se presta o debate sobre a sua temática, existem poucas cadeiras cujo propósito máximo sejam os grandes debates da economia. Mais grave, no entanto, é que esse afastamento traduz também a falta de discussão sobre o que é a própria ciência económica, o que, no limite, nos leva a ter, perdoe-se o exagero, estudantes que passaram três anos a estudar uma coisa que não sabem bem o que seja.
Também a interdisciplinaridade, a aprendizagem de disciplinas conexas à economia, não se revela com muita força, à exceção de uma dessas disciplinas, como veremos de seguida. Existe, por isso, um abandonar da suposta inter-relação das ciências sociais e humanas, dando quase apenas a conhecer aos alunos o ponto de vista económico da realidade, aliás, o ponto de vista do paradigma da escolha racional.
Como mencionámos, existe uma disciplina que, embora não seja ciência económica, decidimos não incluir na Interdisciplinaridade, visto o seu peso ser tal que iria, por um lado, tornar difícil a compreensão da falta de interdisciplinaridade que referimos, e por outro, levar à não compreensão da sua dimensão nos currículos. Falamos, claro, da gestão que, sozinha, tem mais importância do que a soma de todas as restantes disciplinas que não sejam a ciência económica. Obviamente, existe uma ligação estreita entre a economia e a gestão76 mas este estreitamento de relações está relacionado com a tecnicização da economia e a sua tentativa de afastamento do que sejam as ciências sociais.
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Inclusivamente, existem universidades, como é o caso da UNL ou da Cat L, cujo primeiro ano da licenciatura é partilhado entre o curso de Economia e Gestão.
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Note-se ainda a quase inexistência de cadeiras de Técnicas de Expressão e de Profissionalização, o que não deixa de ser interessante em cursos que cada vez mais clamam a sua adaptação ao mercado de trabalho.
Acerca das optativas, e porque nos anteriores gráficos apenas retiramos que à volta de 16% destes currículos são deixados na mão do estudante, pode observar-se o leque de tipologias de cadeiras que os estudantes têm para si disponíveis, através do Gráfico 4.
Manifestamente, todos os dados dos anteriores gráficos se devem à junção de todo o nosso universo de análise mas, no entanto, não existe uma total homogeneidade entre as universidades, o que nos leva a apresentar o Gráfico 5, no qual se podem ver certas diferenças entre as várias licenciaturas, como seja o agravamento da diferença que existe entre Técnicas Quantitativas e Abordagens Temáticas, com privilégio da primeira – em cursos como o da UBI, ISEG, UMa ou Cat. L, ou privilegiadamente da segunda, como é o caso do ISCTE, UTAD, UAv ou Cat. P; ou o maior peso da Interdisciplinaridade na Cat. P, ou da Abordagem Refletiva da UTAD.
Gráfico 4 – A distribuição de ECTS das cadeiras optativas por tipologia
1% 13% 3% 18% 31% 26% 2% 6% Micro/Macroeconomia Téc. Quantitativas Ab. Reflectivas Interdisciplinaridade Gestão Ab. Temáticas Téc. Expressão Profissionalização
67 Gráfico 5 - Distribuição dos ECTS das tipologias por Universidade77
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Os gráficos correspondentes à distribuição de ECTS por tipologia de cada Universidade encontram- se no Anexo A. 0 10 20 30 40 50 60 70 ISCTE UA UAÇ Ualg UBI UC Uev Uma UM UNL UP UTAD ISEG Cat L Cat P Profissionalização Técnicas de Expressão Abordagem Temática Gestão Interdisciplinaridade Abordagens Reflectivas Técnicas Quantitativas Micro/Macroeconomia
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b) A evolução dos planos curriculares nas Universidades
Interessa-nos agora verificar como tem vindo a ocorrer a mudança, se é que houve, dos planos curriculares. Para o efeito, os Gráficos 6, 7, 8, e 9, pretendem dar a conhecer as modificações que ocorreram no peso das tipologias78.
Ao olhar para estes gráficos, cabe ressalvar que estas datas contêm em si duas grandes mudanças da estrutura curricular da licenciatura de economia: uma, é a redução de anos da licenciatura de 5 para 4, que ocorreu por completo por volta de 2003 na UP e UC, mas que tinha já sido efetuada nos anos 90 no ISEG e no ISCTE; e outra, a implementação do Processo de Bolonha, que se tornou definitiva entre 2007 e 2008, que trouxe consigo mais uma redução de anos de licenciatura, agora de 4 para 3. Ambas as reduções tornaram evidentes a necessidade de reduzir o curso de Economia ao essencial, o que levou a uma reflexão exaustiva, por parte do corpo docente destes cursos, sobre o assunto. Agora, olhando para os planos de 2012/2013, podemos dizer que aquilo que se julgou essencial está bastante visível aos olhos.
De forma muito sintética, gostaríamos de chamar a atenção para os aspetos que julgamos fulcrais nestas evoluções. No Gráfico 6 (UP), atente-se ao aumento do peso da tipologia de Gestão de 3,8%, em 1987, para 20% em 2012; o facto de haver uma coincidência, em 2012, das Técnicas Quantitativas e de Abordagens Temáticas, que tinham como ponto de partida, 16,6 e 28,4%, respetivamente; e as quedas acentuadas da Interdisciplinaridade e das Abordagens Refletivas.
Gráfico 6 - Evolução do peso das tipologias de cadeiras na licenciatura de economia da Universidade do Porto
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Gostaríamos ainda de fazer menção das diferentes formas como se avaliou o peso das disciplinas. Se agora temos os ECTS, anteriormente tínhamos os créditos, o que não levanta grande problema. Antes dos créditos, não havia peso diferenciado das cadeiras, a única diferenciação era se se tratava de uma cadeira anual ou semestral – pelo que, para ilustrar esta diferença, atribuímos pesos de 2 e 1, respectivamente, para poder avaliar mais corretamente a carga de cada cadeira.
0,0% 5,0% 10,0% 15,0% 20,0% 25,0% 30,0% 35,0% 1987 1993 2004 2008 2012 Micro/Macroeconomia Técnicas Quantitativas Abordagens Reflectivas Interdisciplinaridade Gestão Abordagens Temáticas Técnicas de Expressão Profissionalização
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No Gráfico 7 (ISEG), note-se a queda das Abordagens Temáticas, para quase metade do seu peso inicial, de 30 para 16,7%; o ano de 2003 que foi, simultaneamente, um pico para as Optativas e uma quebra nas Abordagens Temáticas e Refletivas e nas Técnicas Quantitativas; e a subida progressiva da Micro/Macroeconomia. De relevo, até pelo pico que atinge no gráfico, é também o comportamento das cadeiras Optativas, cujo valor máximo é atingido no período anterior à implementação do Plano de Bolonha, e consequente redução de número de anos, de 4 para 3.
Gráfico 7 - Evolução do peso das tipologias de cadeiras na licenciatura de economia do ISEG
No Gráfico 8 (ISCTE), aparece-nos como fundamental, o sempre alto valor das Abordagens Temáticas e a acentuada queda das Abordagens Refletivas e da Interdisciplinaridade, que, no caso da primeira foi de 14 para 3,3%.