- (…) os cabeludos, aceites com a indolência característica dos ibicencos. (SD13; FD3; T1) - Ibicencos (...) não tão tolerantes ao ponto de aceitarem a presença de homens e mulheres vivendo como Adão e Eva no paraíso. (SD26; FD3; T1)
- (…) e algumas centenas no primeiro dia do ano, quando os holandeses (na sua maioria) cumprem a tradição de mergulhar nas águas do mar. (SD57; FD3; T1)
- As mães não se despiam em frente dos filhos, nem mesmo na praia. Eram os tempos de Franco, eu apenas falava ibicenco mas na escola era obrigado a aprender castelhano. (SD82; FD3; T1) - Pão e costas (pãezinhos pequenos e rectangulares que podem levar chouriço, torresmos ou canela e erva doce). (SD109; FD3; T3)
- Aqui chama-se crescente à massa-mãe. É a esta que no dia seguinte se junta a farinha, água e sal “e um bocadinho poucochinho de fermento de padeiro”. E benze-se: “Deus te alevede, São João te acrescente”. Fica a levedar uma hora, no Verão, duas no Inverno, tapado com uma manta. Depois tende-se, coloca-se nos tabuleiros de madeira, tapado em lençóis brancos e cobertores: “é o tendal”. O pão de um quilo fica a cozer durante 1h20; cabem 40 numa fornada. (SD116; FD3; T3)
- Depois de colocado no forno, faz-se uma cruz na porta: “Jesus, que é o santo nome de Jesus, Deus te acrescente no forno, como a graça de Deus no mundo todo. Já a minha avó dizia assim, mas nem todas as pessoas dizem da mesma maneira.” (SD119; FD3; T3)
- Tanto assim que muitos dos edifícios que vemos são da autoria de arquitectos franceses e a Rua Vitória era considerada os Campos Elíseos bucarestinos – a cultura francesa marcou tanto o país que o “obrigado” mais comum é merci. (SD212; FD3; T4)
- (…) as carnes, de porco e de vaca e as as mici, “indispensáveis num churrasco romeno” (…) (SD224; FD3; T4)
- Mas antes começa-se com um shot de palinca, bebida tradicional destilada com frutas – e sexista: há uma para homens e outra para mulheres. (SD225; FD3; T4)
- “(...) Mesmo o facto de ter o cabelo comprido fazia de mim um estranho aos olhos da maior parte das pessoas. (...)” (SD257; FD3; T5)
- “(...) Ao mesmo tempo, estão cada vez mais a abrir as portas aos jovens para que se sintam envolvidos por importantes projectos culturais, apesar de serem sempre os mesmos — os mais velhos — a definir o rumo, pouco ou nada fazendo.” (SD258; FD3; T5)
- “(...) A maior parte dos jovens gosta de música, de filmes e programas horríveis e têm pouco ou nenhum conhecimento sobre arte e design. (...)” (SD259; FD3; T5)
- “(...) É necessário criar uma estratégia clara e focada nos mais importantes sectores do emprego, em áreas como a agricultura, o turismo, a indústria e os serviços, de forma a desenvolver a economia para que os albaneses permaneçam na Albânia — essa é a parte fundamental para assegurar um futuro brilhante ao país.” (SD261; FD3; T5)
- Após a queda do comunismo, a Albânia vive num estado de transição, num limbo, no qual os albaneses tentam usar o enorme potencial que o país tem. Mas os jovens, dinâmicos, cheios de energia e entusiasmo, muitos deles estudam no estrangeiro e, quando regressam, não escondem a sua insatisfação face à realidade e viram de novo as costas ao país. Mesmo aqueles que foram educados na Albânia se sentem por vezes desenraizados, sem capacidade para se encaixarem na forma como o país funciona, admite Saimir Kristo enquanto contemplamos os dois um prédio todo pintado de verde, com as suas setas amarelas que talvez indiquem o caminho que o país deve seguir. (SD262; FD3; T5)
- São poucos aqueles que usam o automóvel. Por estes lados a bicicleta é o meio de transporte eleito. (SD272; FD3; T5)
- (…) para não procurar, aqui e acolá, uma girafa, o animal preferido dos locais — com um pescoço tão grande pode sempre comer no quintal do vizinho. (SD277; FD3; T5)
- (…) não para descobrir uma população célebre pela sua avareza, mas pronto a encontrar exemplos da hospitalidade que é — para tanto fora avisado — uma das suas principais características. (SD279; FD3; T5)
- “- A Albânia é um país bonito — digamos que é um país abençoado devido ao seu potencial natural. Tem uma das populações mais jovens da Europa mas, infelizmente, permanece como um país pobre, uma herança que nos foi depositada nas mãos pelo comunismo e pela ditadura.” (SD281; FD3; T5)
- As oportunidades de emprego são escassas, o salário é baixo e a juventude é forçada a emigrar, à procura de trabalho mas também de bem-estar. Por estranho que possa parecer, a despeito da pobreza, na Albânia toda a gente deseja uma vida de luxo. Mas, ao contrário do que acontece em Tirana, onde a juventude se entrega a alguns vícios e ao hedonismo, em Gjirokastër, uma cidade tranquila que desde há alguns anos a esta parte atraiu as atenções dos políticos e dos investidores, a juventude ainda está muito dependente do trabalho artesanal. (SD283; FD3; T5)
- (…) contrastam com os novos bairros, por vezes caóticos mas mais do agrado de uma população jovem — mas não só — que se prefere abrigar neles do que numa casa restaurada na parte antiga (SD287; FD3; T5)
- Laura García sente que é dos poucos jovens nascidos e criados em Benidorm. “Não é normal nascer-se aqui.” A maior parte dos amigos é como Lucho, um madrileno que se mudou. “Mas quem veio sente-se acolhido.” Fala de uma multiculturalidade que é intrínseca à cidade. “Sempre vivemos com muitas culturas e estamos confortáveis com essa mistura”, repara. “Aqui não há turismofobia”, acrescenta Lucho. (SD338; FD3; T6)
- Mas no final de Junho o dia (a tarde e a noite) é de todos. São as festas de São João. Rosel mora a nove quilómetros do centro de Alicante, mas a distância tem pouca força perante o som frenético, estridente, prolongado, da competição sonora pirotécnica que brada na cidade. É a Mascletá, onde todos os dias, à mesma hora, uma empresa diferente presenteia a sua arte. Todas são aplaudidas. Lágrimas e lenços brancos só para as melhores performances. (SD355; FD3; T6)
- O barulho - das bandas que percorrem a cidade, dos petardos e os pequenos estalidos – está em todas as ruas, nas brincadeiras de todas as crianças. Quase como o fogo. Esse desce à cidade no dia 24, na noite em que quase duas centenas de “monumentos” de cartão-pedra que cada bairro construiu são queimados - todos, menos o mais original, que vence o concurso e vai para o museu. (SD358; FD3; T6)
- A província puxa pela história para ser uma referência para o país: é em Alicante que se define o nível zero do mar, começou ali uma longa tradição de oferendas florais nas igrejas católicas e não há água mais antiga na Europa que a que nasce em Tibi. (SD361; FD3; T6)
- Jijona vive das suas gentes, como qualquer cidade, sede de concelho, pequena. É alimentada quase exclusivamente por uma grande indústria: a do torrão, o doce natalício de amêndoa, açúcar e mel, que lhe dá o apelido da “cidade mais doce do mundo”. Jijona e Alicante patentearam os produtos para garantir que a produção não deserta da terra-mãe: torrão de Alicante (conhecido como torrão branco) e torrão de Jijona (torrão mole). (SD370; FD3; T6) - “Os cravos são uma flor muito catalã. As cores são as de Espanha e da Catalunha. Mas não penso só nos espanhóis e nos catalães, penso também nas outras pessoas que nos visitam e que enquanto cá estão são dos nossos”, explica Isabel Massagué. (SD386; FD3; T7)
- E, entretanto, a Rambla é isso mesmo, a expressão de um misto de sentimentos por gente de todo o mundo, onde se repete à exaustão em cartazes “No tinc por”. (SD414; FD3; T7)
- “Somos fortes, há que seguir adiante. Há que sair à rua apesar do que aconteceu. Dar o exemplo, até a quem nos visita, mostrar que somos gente que acolhe, que vive, que sente a dor.” Crê que o turismo vai continuar, quer que o turismo continue. (SD392; FD3; T7)
- Pep é contra a Barcelona que tira aos habitantes e se oferece aos turistas e teme que este seja mais um motivo para “turistificar” (um verbo muito em voga por aqui) a cidade. (SD393; FD3; T7)
- Ambos marroquinos e muçulmanos, imigrados há quase dez anos, notam que “andam por aí dois tipos de gente: os que dizem ‘olhem os que os muçulmanos andam a fazer’; e os que dizem ‘isto é terrorismo’”. “Somos os imigrantes mais afectados”, assume Rhnimi, “os turistas sabemos que vêm e vão”. “E vão continuar a vir, tenho acordado sempre com essa convicção.” (SD396; FD3; T7)
- Nas últimas semanas, as grandes polémicas em Barcelona eram o excesso de turismo (a “turismofobia”), a gentrificação (questões cíclicas, que agora têm direito a bandas nos postes onde se lê “Your holidays, our everydays”) e a sempiterna independência. Agora, no entanto, lê-se em cartazes “Barcelona hugs you”, “Descanseu en pau, Barcelona sempre us recordará” – “you”, “us”, os turistas que foram as principais vítimas do ataque. (SD399; FD3; T7)
- A cidade retomou o ritmo normal e, em Agosto (como em todo o Verão), isso até significa um ritmo mais lento — turistas em magotes encontram-se por todo o centro da cidade, sobretudo na Cidade Velha —, obrigando a abrandar o passo a quem faz a sua vida quotidiana e muitas lojas “locais” fecham as portas como sempre o fizeram neste mês de estio (esperem-se muitos sinais de “Trancat per vacances”). (SD412; FD3; T7)
- (...) mal a Primavera desponta, flores de tantas outras cores que se debruçam das suas janelas e das suas varandas, também decoradas, aqui e acolá, com ninhos de cegonhas em diferentes materiais — a cegonha simboliza a sorte na região da Alsácia, é portadora da felicidade. (SD73; FD3; T8)
- Nos semáforos, um coração vermelho destaca-se, é sinónimo de amor próprio dos islandeses pelo país, remonta ao tempo da crise económica, em 2008, quando se exigia uma energia positiva, que enfatizasse tudo o que realmente interessava, uma iniciativa com um efeito de contágio que se estendeu, entre outros aspectos, às janelas decoradas com corações vermelhos feitos de flores e onde se pode ler “forget me not”, para que os erros dos políticos não sejam esquecidos e muito menos a angústia da população por esses dias. (SD433; FD3; T10)
- Percorremos as ruas cheia de carros, táxis brancos e azuis, as omnipresentes caleches, mulheres passam entre o trânsito com sacos à cabeça, os homens desfilam quase sempre de
- Chegamos, portanto, ainda encharcados à aldeia que se avista colorida no topo de uma longa escadaria. É uma espécie de aldeia-museu e somos recebidos no que parece ser a casa principal — pelo menos não imaginamos que todas as casas tenham um crocodilo num tanque nem filhotes para serem manipulados por visitantes (os núbios são uma espécie de “encantadores” de crocodilos). (SD486; FD3; T11)
- O programa de Valletta-2018 é vasto. Uma das mais antigas festividades de Malta, o Carnaval, este ano entre 9 e 13 de Fevereiro, enche de vida as ruas históricas da capital, com as suas marchas, as bandas musicais, os seus vestidos extravagantes, os bailarinos em trajes elaborados, o desfile de carros alegóricos — um momento sempre especial para as ilhas e, mais ainda, neste ano tão especial. (SD508; FD3; T12)
- O dente é a mais importante relíquia budista e, segundo reza a lenda, foi roubado da pira em chamas durante o funeral de Buda, no ano 483 a.C., antes de ser levado, já no século IV, para o Sri Lanka, camuflado entre o cabelo de uma princesa. (SD541; FD3; T14)
- Perahera significa procissão e esala perahera designa o espectáculo mais magnificente de todo o país, com lugar marcado, todos os anos, em Kandy e em honra do dente sagrado. Durante dez dias do mês Esala (Julho/Agosto), a cidade conhece uma actividade frenética, enche-se de vida e de cor, festejando uma tradição secular (já era descrita em 1681 por Robert Knox, capitão do mar inglês ao serviço da Companhia Britânica das Índias Orientais, no seu livro An Historical
Relation of the Island Ceylon) que tem o seu momento de apogeu na última noite, a noite da nikini poya (lua cheia). A procissão, à qual também não passou indiferente Fernão de Queirós,
padre jesuíta e cronista português autor da obra Conquista Temporal e Espiritual do Ceilão, é, nos dias de hoje, uma combinação de cinco diferentes peraheras. Quatro delas têm origem nas quatro devales (complexos religiosos que veneram divindades hindus ou cingalesas e que também são devotos ou servem Buda) e a quinta no próprio templo Sri Dalada Maligawa, todos contribuindo para o sucesso de um evento marcado pelo ritmo forte dos tambores, dos dançarinos, dos acrobatas, do movimento das ancas, das bandeiras coloridas que são agitadas durante o desfile que também é acompanhado por cerca de meia centena de elefantes ricamente decorados — num tempo não muito distante eram mais de cem mas este aparente declínio não impede que a perahera seja ainda hoje uma das mais fascinantes celebrações de todo o continente asiático. (SD543; FD3; T14)